Se você acompanhou o post de ontem, viu que nesta semana estamos fazendo alguns posts diferentes para marcar a semana que antecede o dia da consciência negra (20/11), com dicas de produções que nos inspiram e que marcam a luta contra as desigualdades raciais. Com isso, a despeito do desafio desta seleção, hoje vamos falar sobre três álbuns que nos tocam e trazem importantes reflexões sobre cultura negra. 

 

1 – Refavela – Gilberto Gil (1977)

https://open.spotify.com/album/7gl0SUDwWTOdUehXFypXna?si=z-xVWI_YSCiRVWZI40RRkg&utm_source=copy-link

Para começar, trazemos um dos álbuns conhecidos pela trilogia dos “Re” de Gilberto Gil, que conta também com os álbuns “Refazenda” e “Realce”.  “Refavela” foi lançado em 1977, após uma viagem de Gil à Lagos, na Nigéria, para participar do 2º FESTAC (Festival Mundial de Arte e Cultura Negra), no qual o compositor teve contato com diversas influências.

Com isso, neste álbum ele traz diversos ritmos e elementos culturais africanos e se mostra um álbum ainda atual, na medida em que o álbum foi revisitado no documentário  “Refavela 40”, ressaltando a potência das canções e o elemento central da negritude presente ao longo das 10 faixas que compõem o disco. Chama atenção como Gil se apropriou de diversos ritmos da música negra, como afrobeat, que tem como principal expoente Fela Kuti e o Funk, para compor suas faixas e até mesmo uma releitura de “samba do avião” de Tom Jobim. 

Diante desta produção, apresentamos nossa primeira dica, de um álbum que merece ser escutado, para ressaltar a cultura negra, refletindo sobre a diáspora africana, suas origens e consequências, mas também a potência dessas articulações.  

 

2 – Ladrão – Djonga (2019) 

https://open.spotify.com/album/4bVYzv8uj0wanD6BdwmdwM?si=GsgKshZGTjG01rWz4vm40A&utm_source=copy-link

O segundo álbum que traremos é de Djonga e não é fácil escolher apenas um dos álbuns que Djonga nos presenteou a cada dia 13 de maio, desde “Heresia”, em 2017, chegando em “Nu”, em 2021. Contudo, nossa dica vai para “Ladrão”, lançado em 2019, conta com importantes músicas para pensarmos diversos elementos que estruturam nossas desigualdades e ações para sua desconstrução. 

Gustavo Pereira Marques, o Djonga, é hoje um dos nomes mais influentes do Rap nacional e nasceu em Belo Horizonte – MG, no dia 04 de julho de 1994. Em “Ladrão”, já nos primeiros versos, em “Hat Trick”, Djonga já dá o tom do álbum e com rimas afiadas coloca a importância de ser um espelho para os jovens e daí em diante somos levados constantemente a nos depararmos como elementos que saltam do real, das vivências e das mediações apresentadas por meio da denúncia das desigualdades e da potência da narrativa apresentada. 

Também é possível perceber diversas influências e importantes construções sobre as relações raciais no Brasil. Neste sentido, outra música que chama atenção é “Voz”, que Djonga divide com Dougnow e que aponta de forma direta elementos do racismo estrutural, violência policial e também reflexões para a branquitude acrítica.  Elementos da ancestralidade trazidos em “Bença” também marcam esse álbum que merece ser ouvido diversas vezes e, a cada vez, emergem novas reflexões. 

 

3- Igreja Lesbiteriana, Um chamado – Bia Ferreira  (2019)

https://open.spotify.com/album/0ElU2CZRo8BffDKE1bXB8z?si=lDQWc1OJTly_3rIMveahzg&utm_source=copy-link

Outro álbum que indicamos neste post é da artista Bia Ferreira, nascida em 19 de abril de 1993, em Carangola- MG. Neste álbum de 2019, Bia traz de forma muito direta conceitos e debates muito importantes para discutirmos o racismo e o patriarcado, de forma interseccional. Em “De dentro do AP”, nos leva a refletir sobre o feminismo negro, sua centralidade e a potência dessa luta no combate ao racismo.  Outra música que chama atenção é “Cota não é esmola”, a partir da qual diversos argumentos e vivência em favor das cotas são apresentados. Elementos que marcam religiões de matriz africana também são apresentadas, como em “brilha minha guia”, que abre o disco.

Este é, portanto, um álbum para ouvir com atenção, refletindo sobre os pontos apresentados, curtindo as melodias variadas que se somam à potência das letras trazidas por Bia. 

Além destes álbuns, não poderíamos deixar de citar, com a certeza que deixamos tantos outros de fora, Racionais MCs, Elza Soares, Rincon Sapiência, Sabotage, Black Alien, Milton Nascimento, Tassia Reis, Emicida, Baco Exu do Blues, Criolo, Alcione, banda Black Rio, Jorge Ben e muitos outros artistas que trouxeram em seus álbuns importante reflexões e caminhos para desvelar o racismo estrutural presente em nossa sociedade e dar força para avançarmos na sua superação. 

Por fim, no ano passado, o Observatório produziu uma playlist, que se se encontra no post abaixo:  

http://observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br/?p=1389

https://open.spotify.com/playlist/1fMqdsVouDsTYkcsw1lqAA?si=Bnu8GyMHTYyUCsa1lD1UKg

 

Autor: Matheus Arcelo.

*O Observatório das Desigualdades é um projeto de extensão. O conteúdo e as opiniões expressas não refletem necessariamente o posicionamento da Fundação João Pinheiro ou do CORECON – MG.

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