O gráfico abaixo, disponibilizado pelo Nexo Jornal, expõe o peso que as armas de fogo têm sobre os assassinatos cometidos no Brasil. Percebe-se uma escalada no número total de homicídios ao longo dos anos (1997-2017). Chama a atenção, porém, que o crescimento se deu quase exclusivamente no âmbito dos assassinatos cometidos por armas de fogo. São elas as grandes vilãs.

 

Frente ao aumento no número dos homicídios, está em discussão na sociedade brasileira a flexibilização da posse e do porte de armas. O Estatuto do Desarmamento, lei federal que entrou em vigor em 2003, depois de uma longa disputa entre movimentos pró e contra o armamento da população, “dispõe sobre registro, posse e comercialização de armas de fogo e munição (…)”. O Estatuto proíbe o porte de armas por civis, com exceção para casos de necessidade comprovada. É esta lei que está, hoje, sendo colocada em cheque. Diante dos dados aqui apresentados, fica evidente a seriedade e a complexidade que envolvem esse debate.

 

Thomas Conti, professor auxiliar no Insper e doutorando em Economia, analisou um compilado de pesquisas acadêmicas sobre o tema publicadas entre 2013 e outubro de 2017 por grandes periódicos internacionais. Sua pesquisa concluiu que 90% das revisões de literatura são contrárias à tese “Mais Armas, Menos Crimes”. Além disso, estudo feito pelo National Bureau of Economic Research, de Donohue et. al e divulgado em 2017, de alto rigor metodológico e alta abrangência do ponto de vista dos dados, é 100% contrário à tese “Mais Armas, Menos Crimes”. O estudo tem conclusão amplamente favorável à hipótese de que mais armas se relacionam a um aumento nos crimes.

Fonte: Nexo Jornal

Autora: Letícia Amédée Péret de Resende [graduanda em Administração Pública na FJP], sob a orientação de Bruno Lazzarotti Diniz Costa [professor e pesquisador – FJP]

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