{"id":1791,"date":"2021-06-11T19:30:12","date_gmt":"2021-06-11T19:30:12","guid":{"rendered":"https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/?p=1791"},"modified":"2021-06-13T15:46:08","modified_gmt":"2021-06-13T15:46:08","slug":"o-retrato-da-desigualdade-de-renda-nas-metropoles-brasileiras","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/?p=1791","title":{"rendered":"O retrato da desigualdade de renda nas metr\u00f3poles brasileiras"},"content":{"rendered":"\t\t<div data-elementor-type=\"wp-post\" data-elementor-id=\"1791\" class=\"elementor elementor-1791\">\n\t\t\t\t\t\t<section class=\"elementor-section elementor-top-section elementor-element elementor-element-292e9f5 elementor-section-boxed elementor-section-height-default elementor-section-height-default\" data-id=\"292e9f5\" data-element_type=\"section\" data-e-type=\"section\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-container elementor-column-gap-default\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-column elementor-col-100 elementor-top-column elementor-element elementor-element-e25d778\" data-id=\"e25d778\" data-element_type=\"column\" data-e-type=\"column\">\n\t\t\t<div class=\"elementor-widget-wrap elementor-element-populated\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-e6ce405 elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"e6ce405\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<p><span style=\"font-weight: 400;\">O \u00cdndice de Gini, tamb\u00e9m conhecido como coeficiente de Gini, \u00e9 uma medida estat\u00edstica que permite medir a desigualdade econ\u00f4mica em uma determinada popula\u00e7\u00e3o. O n\u00edvel de disparidade de renda \u00e9 representado por valores que variam entre zero e um (tamb\u00e9m pode ser representado entre zero e cem), sendo zero par\u00e2metro para uma situa\u00e7\u00e3o de completa igualdade em que todos indiv\u00edduos recebem os mesmos rendimentos, enquanto um (ou cem) refere-se a uma situa\u00e7\u00e3o de completa desigualdade em que apenas um indiv\u00edduo det\u00e9m toda renda do grupo analisado. Nesse sentido, quanto menor o coeficiente de Gini, menor a disparidade de renda entre os indiv\u00edduos da sociedade.\u00a0<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400;\">Segundo dados do Banco Mundial, nas regi\u00f5es da \u00c1frica Subsaariana e da Am\u00e9rica Latina se encontram os pa\u00edses mais desiguais do planeta, conforme pode ser observado no Gr\u00e1fico 1.Dentre o top 10 das na\u00e7\u00f5es com maior coeficiente de Gini, em 2015, o Brasil ficou na 4\u00b0 posi\u00e7\u00e3o, o que j\u00e1 \u00e9 de se esperar, visto que desde 1981 (ano com registros mais antigos obtidos pelo Banco Mundial), o pa\u00eds sempre esteve acima da marca de 0,5 no \u00edndice Gini, demonstrando a persist\u00eancia hist\u00f3rica da desigualdade econ\u00f4mica brasileira. (BANCO MUNDIAL, 2015)<\/span><\/p><p style=\"text-align: center;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Gr\u00e1fico 1 &#8211; Pa\u00edses com os maiores \u00edndices de Gini no mundo<\/span><\/p><p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-1792 aligncenter\" src=\"http:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/Imagem18-300x190.png\" alt=\"\" width=\"416\" height=\"264\" srcset=\"https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/Imagem18-300x190.png 300w, https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/Imagem18.png 447w\" sizes=\"(max-width: 416px) 100vw, 416px\" \/><\/p><p style=\"text-align: center;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Fonte: Banco Mundial, 2015.<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400;\">Entretanto, esse indicador n\u00e3o \u00e9 homog\u00eaneo nas localidades subnacionais: os valores registrados nas metr\u00f3poles brasileiras demonstram n\u00edveis extraordin\u00e1rios e sem precedentes na desigualdade de renda com recentes inclina\u00e7\u00f5es para o agravamento da disparidade econ\u00f4mica entre pobres e ricos. A partir dos dados da PNAD Cont\u00ednua, analisados entre os per\u00edodos do 4\u00b0 trimestre de 2012 e o 4\u00b0trimestre de 2020, \u00e9 revelado uma tend\u00eancia quase ininterrupta j\u00e1 na primeira metade de 2015 de crescimento do coeficiente de Gini m\u00e9dio das regi\u00f5es metropolitanas brasileiras, atingindo seu maior pico hist\u00f3rico no 4\u00b0 trimestre de 2020, quando a m\u00e9dia m\u00f3vel do \u00edndice de Gini das metr\u00f3poles nacionais\u00b9 <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">chegou a 0,631, valor quase 4% superior ao registrado no per\u00edodo de apenas 12 meses anteriores.\u00a0<\/span><\/p><p style=\"text-align: center;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Gr\u00e1fico 2 &#8211; Evolu\u00e7\u00e3o da m\u00e9dia m\u00f3vel do Coeficiente de Gini do conjunto das regi\u00f5es metropolitanas do Brasil (Valores constantes, 4\u00b0 trimestre de 2020\/IPCA)<\/span><\/p><p><img decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-1793 aligncenter\" src=\"http:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/Imagem19-300x181.png\" alt=\"\" width=\"429\" height=\"259\" srcset=\"https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/Imagem19-300x181.png 300w, https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/Imagem19.png 567w\" sizes=\"(max-width: 429px) 100vw, 429px\" \/><\/p><p style=\"text-align: center;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Fonte: Boletim Desigualdade das Metr\u00f3poles, 2021<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400;\">Como os 22 conjuntos metropolitanos analisados na pesquisa\u00b2<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"> abrigam aproximadamente 40% da popula\u00e7\u00e3o brasileira, constitu\u00edram aquelas \u00e1reas mais atingidas pela Covid-19,\u00a0 o que representou tamb\u00e9m consequ\u00eancias desastrosas para a economia, com a perda de postos de trabalho em diversos setores. Com exce\u00e7\u00e3o de Macap\u00e1, no Norte, Natal e Salvador, no Nordeste, e o Vale do Rio Cuiab\u00e1, no Centro-Oeste, todas as outras metr\u00f3poles regionais brasileiras registraram avan\u00e7os substanciais em seus coeficientes de Gini ao se comparar o \u00faltimo trimestre de 2019 com o \u00faltimo trimestre de 2020.<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400;\">Cabe destacar que no estudo do Observat\u00f3rio das Metr\u00f3poles s\u00e3o trabalhados os dados trimestrais da PNAD cont\u00ednua, com uso dos valores da renda domiciliar per capita do trabalho, \u00fanico dado de rendimento domiciliar relativo a 2020 dispon\u00edvel at\u00e9 o momento. Ao restringir a an\u00e1lise a esta dimens\u00e3o, a precis\u00e3o dos resultados se torna menor, visto que apenas a parcela dos rendimentos do trabalho\u00a0 s\u00e3o levados em considera\u00e7\u00e3o, n\u00e3o sendo contabilizadas outras fontes de renda, como as transfer\u00eancias governamentais, aposentadorias, Bolsa Fam\u00edlia, Benef\u00edcio de Presta\u00e7\u00e3o Continuada, que s\u00e3o mais direcionados aos segmentos mais vulner\u00e1veis da popula\u00e7\u00e3o. Logo, a desigualdade calculada somente a partir desta fonte de rendimentos tende a ser maior do que a desigualdade calculada a partir dos rendimentos totais. Apesar disto, como cerca de dois ter\u00e7os da renda domiciliar s\u00e3o geralmente constitu\u00eddos pela renda do trabalho, o comportamento deste tipo de rendimento \u00e9 um sinalizador muito importante das tend\u00eancias de piora das condi\u00e7\u00f5es de bem-estar das fam\u00edlias.<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400;\">A partir do exposto, se o aumento do desemprego nos per\u00edodos de pandemia significou uma piora no n\u00edvel de desigualdade, h\u00e1, portanto, um alargamento no vale entre ricos e pobres, ou seja, enquanto para uma parte da sociedade o que tem ocorrido \u00e9 o processo de degrada\u00e7\u00e3o de seus rendimentos para a outra a l\u00f3gica \u00e9 inversa, seus rendimentos crescem abruptamente. O gr\u00e1fico relacionado \u00e0 Taxa de Desemprego entre 2012 e 2020, mesmo agregando dados na escala nacional, serve como par\u00e2metro para inferir a rela\u00e7\u00e3o entre a taxa de desemprego e a evolu\u00e7\u00e3o m\u00e9dia m\u00f3vel do coeficiente de Gini. Em ambos os gr\u00e1ficos a linha tra\u00e7ada seguiu na mesma dire\u00e7\u00e3o, com contornos similares, indicando que quando o desemprego aumenta, a desigualdade de renda tamb\u00e9m tende a crescer, o que mostra certo grau de correla\u00e7\u00e3o entre ambos indicadores.<\/span><\/p><p style=\"text-align: center;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Gr\u00e1fico 3 &#8211; Taxa de desocupa\u00e7\u00e3o de 2012 a 2020, por trimestre<\/span><\/p><p><img decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-1794 aligncenter\" src=\"http:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/Imagem20-300x124.png\" alt=\"\" width=\"496\" height=\"205\" srcset=\"https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/Imagem20-300x124.png 300w, https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/Imagem20.png 567w\" sizes=\"(max-width: 496px) 100vw, 496px\" \/><\/p><p style=\"text-align: center;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Fonte: IBGE, 2021<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400;\">De modo geral, a tend\u00eancia nos \u00faltimos trimestres foi de crescimento no n\u00edvel de desigualdade em todas zonas metropolitanas. No entanto, a depender da regi\u00e3o esse impacto se apresentou em diferentes propor\u00e7\u00f5es. As metr\u00f3poles da regi\u00e3o nordeste s\u00e3o marcadas pelo seu maior n\u00edvel de desigualdade e tendem ao crescimento cont\u00ednuo, como Jo\u00e3o Pessoa, na Para\u00edba, que passou de 0,668 para 0,731 no coeficiente de Gini nos quatro primeiros trimestres de 2020, o que significou, portanto, um crescimento de 9,4% na desigualdade local em apenas um ano. No outro lado pa\u00eds, a regi\u00e3o Sul se destaca pelo seu baixo n\u00edvel de desigualdade quando comparada \u00e0s demais localidades, normalmente, com coeficiente de Gini abaixo dos 0,6. Entretanto, as metr\u00f3poles sulistas tamb\u00e9m registram um crescimento volumoso no Gini a partir de 2020. Em um ano, Curitiba registrou um crescimento na desigualdade de quase 6% atingindo 0,593 no Gini do 4\u00b0trimestre de 2020, enquanto o Gini de Florian\u00f3polis aumentou em mais de 7% e Porto Alegre se tornou a primeira metr\u00f3pole do Sul a ultrapassar a marca de 0,6 no coeficiente de Gini desde o \u00faltimo trimestre de 2019. As regi\u00f5es Sudeste e Centro-Oeste que j\u00e1 eram marcadas pelo elevado n\u00edvel de desigualdade ficaram ainda mais pronunciadas, com destaque para o Rio de Janeiro que atingiu 0,685 no \u00faltimo trimestre de 2020.<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400;\">O resultado geral \u00e9 preocupante e demonstra a fragilidade e incapacidade das medidas emergenciais da administra\u00e7\u00e3o governamental em contornar os efeitos da crise sanit\u00e1ria da Covid-19. Por outro lado, o debate acerca do aumento repentino da desigualdade de renda nas metr\u00f3poles brasileiras n\u00e3o pode se centrar apenas nas quest\u00f5es relacionadas a pandemia de 2020, o crescente vale entre ricos e pobres j\u00e1 era um fen\u00f4meno presente nos \u00faltimos anos e as consequ\u00eancias da Covid-19 apenas tornaram mais largas e claras as desigualdades presentes nos grandes centros nacionais.<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400;\">\u00b9 <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">A m\u00e9dia m\u00f3vel \u00e9 calculada a partir\u00a0 da m\u00e9dia dos resultados obtidos durante determinado per\u00edodo.\u00a0<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400;\">\u00b2 <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">O IBGE considera apenas 20 Regi\u00f5es Metropolitanas (Manaus, Bel\u00e9m, Macap\u00e1, Grande S\u00e3o Lu\u00eds, Fortaleza, Natal, Jo\u00e3o Pessoa, Recife, Macei\u00f3, Aracaju, Salvador, Belo Horizonte, Grande Vit\u00f3ria, Rio de Janeiro, S\u00e3o Paulo, Curitiba, Florian\u00f3polis, Porto Alegre, Vale do Rio Cuiab\u00e1 e Goi\u00e2nia), por\u00e9m na pesquisa feita pelo Observat\u00f3rio das Metr\u00f3poles foram considerados tamb\u00e9m os dados do Distrito Federal e a Regi\u00e3o Administrativa Integrada de Desenvolvimento da Grande Teresina.<\/span><\/p><p>\u00a0<\/p><p><strong>Post elaborado por Guilherme dos Reis Le\u00e3o Costa &#8211; extensionista do Observat\u00f3rio das Desigualdades &#8211; com a supervis\u00e3o de Bruno Lazzarotti Diniz Costa.<\/strong><\/p><p>*O Observat\u00f3rio das Desigualdades \u00e9 um projeto de extens\u00e3o. O conte\u00fado e opini\u00f5es expressas n\u00e3o refletem necessariamente o posicionamento da Funda\u00e7\u00e3o Jo\u00e3o Pinheiro ou do CORECON-MG.<\/p><p>\u00a0<\/p><p><b>Refer\u00eancias:<\/b><\/p><p><span style=\"font-weight: 400;\">Gini index (World Bank estimate) | Data. [s.d.]. Dispon\u00edvel em: https:\/\/data.worldbank.org\/indicator\/SI.POV.GINI?end=2006&amp;start=1967. Acesso em: 4 jun. 2021.<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400;\">DESIGUALDADE NAS METR\u00d3POLES 4\u00b0 Trimestre de 2020 . Porto Alegre. Dispon\u00edvel em: https:\/\/www.observatoriodasmetropoles.net.br\/. Acesso em: 4 jun. 2021.<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400;\">Pesquisa Nacional por Amostra de Domic\u00edlios Cont\u00ednua &#8211; PNAD Cont\u00ednua | IBGE. [s.d.]. Dispon\u00edvel em: https:\/\/www.ibge.gov.br\/estatisticas\/sociais\/trabalho\/9173-pesquisa-nacional-por-amostra-de-domicilios-continua-trimestral.html?=&amp;t=series-historicas&amp;utm_source=landing&amp;utm_medium=explica&amp;utm_campaign=desemprego. Acesso em: 4 jun. 2021.<\/span><\/p>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O \u00cdndice de Gini, tamb\u00e9m conhecido como coeficiente de Gini, \u00e9 uma medida estat\u00edstica que permite medir a desigualdade econ\u00f4mica em uma determinada popula\u00e7\u00e3o. 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