{"id":1946,"date":"2021-08-05T14:09:34","date_gmt":"2021-08-05T14:09:34","guid":{"rendered":"https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/?p=1946"},"modified":"2021-08-05T14:11:14","modified_gmt":"2021-08-05T14:11:14","slug":"distopia-ou-realidade-uma-reflexao-sobre-a-desigualdade-educacional-durante-a-pandemia%c2%b9","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/?p=1946","title":{"rendered":"Distopia ou realidade? Uma reflex\u00e3o sobre a desigualdade educacional durante a pandemia\u00b9"},"content":{"rendered":"\t\t<div data-elementor-type=\"wp-post\" data-elementor-id=\"1946\" class=\"elementor elementor-1946\">\n\t\t\t\t\t\t<section class=\"elementor-section elementor-top-section elementor-element elementor-element-7ae8406 elementor-section-boxed elementor-section-height-default elementor-section-height-default\" data-id=\"7ae8406\" data-element_type=\"section\" data-e-type=\"section\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-container elementor-column-gap-default\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-column elementor-col-100 elementor-top-column elementor-element elementor-element-0effc1f\" data-id=\"0effc1f\" data-element_type=\"column\" data-e-type=\"column\">\n\t\t\t<div class=\"elementor-widget-wrap elementor-element-populated\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-35b1628 elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"35b1628\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<p>Muitos dizem que a pandemia da Covid-19 parece algo sa\u00eddo de um filme, do g\u00eanero cat\u00e1strofe ou apocal\u00edptico. Comparemos ent\u00e3o cat\u00e1strofe com cat\u00e1strofe: suponha a situa\u00e7\u00e3o em que um furac\u00e3o de magnitude extraordin\u00e1ria, acima do que j\u00e1 ocorreu em qualquer lugar e a qualquer tempo, est\u00e1 de chegada ao Brasil. Ele j\u00e1 passou por outros pa\u00edses ao redor do mundo, gerando caos e destrui\u00e7\u00e3o na forma de grandes alagamentos, e sinaliza aproxima\u00e7\u00e3o ao territ\u00f3rio brasileiro. No plano internacional, a paisagem muda drasticamente: a Torre Eiffel se encontra completamente submersa, a Grande Muralha da China \u00e9 o \u00fanico local n\u00e3o alagado no pa\u00eds e dos grandes arranha-c\u00e9us de Abu Dhabi s\u00f3 se enxerga a cobertura. Para que se tenha uma no\u00e7\u00e3o da intensidade das mudan\u00e7as que ocorrer\u00e3o na rotina, pense que, at\u00e9 a \u00e1gua baixar, todos dever\u00e3o viver em embarca\u00e7\u00f5es velej\u00e1veis, adaptando todo um modo de vida anterior.<\/p><p>Os cidad\u00e3os brasileiros, vendo a intensidade da tempestade que os atingir\u00e1, come\u00e7am a se preparar como podem. Come\u00e7a uma desabalada corrida pela compra de mantimentos, empacotamento de pertences e constru\u00e7\u00e3o das embarca\u00e7\u00f5es. E, por fim, o furac\u00e3o chega, mudando, como previsto, a rotina de todos.<\/p><p>\u00c9 f\u00e1cil visualizar que, quanto melhores as condi\u00e7\u00f5es individuais pr\u00e9vias de prepara\u00e7\u00e3o do barco e das demais atividades, menos dif\u00edcil ser\u00e1 passar pela tempestade at\u00e9 as \u00e1guas baixarem. Por exemplo, aqueles com maior poder socioecon\u00f4mico conseguir\u00e3o comprar uma maior quantidade de suprimentos \u2013 que provavelmente ter\u00e3o seu pre\u00e7o elevado durante a alta procura pr\u00e9-furac\u00e3o \u2013 e as fam\u00edlias cujos membros j\u00e1 tinham posse de uma embarca\u00e7\u00e3o ou trabalhavam nesse tipo de ind\u00fastria conseguir\u00e3o ter uma infraestrutura melhor com que conviver do que aqueles em situa\u00e7\u00e3o diversa, que ter\u00e3o de correr atr\u00e1s da compra ou constru\u00e7\u00e3o de uma embarca\u00e7\u00e3o. O governo tamb\u00e9m pode agir de diferentes formas: simplesmente exortar as pessoas a se protegerem, prover aos mais vulner\u00e1veis uma embarca\u00e7\u00e3o com m\u00ednimas condi\u00e7\u00f5es de enfrentar o per\u00edodo, subsidiar a produ\u00e7\u00e3o e aquisi\u00e7\u00e3o de barcos, ou talvez simplesmente alocar for\u00e7as de seguran\u00e7a e liberar a compra de armas para que os propriet\u00e1rios de iate se protejam do ass\u00e9dio ou ataque de cidad\u00e3os desesperados com a perspectiva de afogamento, entre tantas outras interven\u00e7\u00f5es poss\u00edveis, que podem mitigar ou agravar a situa\u00e7\u00e3o de diferentes grupos.<\/p><p>Sem adentrar ainda em nomes ou classifica\u00e7\u00f5es e se atendo \u00e0 situa\u00e7\u00e3o proposta, o que se conclui \u00e9 que as diferen\u00e7as entre pessoas, fam\u00edlias e classes que j\u00e1 existiam antes ser\u00e3o n\u00e3o s\u00f3 evidenciadas durante a recente crise do furac\u00e3o, mas tamb\u00e9m agravadas, j\u00e1 que um mesmo evento expor\u00e1 todos \u00e0 crise e a uma reviravolta global de <em>modus operandi<\/em>. Aqueles de situa\u00e7\u00e3o pr\u00e9via mais favor\u00e1vel provavelmente conseguir\u00e3o sobreviver e lidar melhor com toda a situa\u00e7\u00e3o.<\/p><p>Assim como ocorreu com a crise imagin\u00e1ria do furac\u00e3o, a evidencia\u00e7\u00e3o da desigualdade de condi\u00e7\u00f5es pr\u00e9via e inclusive seu agravamento tamb\u00e9m tiveram lugar na educa\u00e7\u00e3o brasileira desde 2020, quando a pandemia chegou ao territ\u00f3rio brasileiro. O fechamento das escolas foi uma das medidas iniciais de quarentena, e at\u00e9 os dias atuais, em que ocorre uma retomada gradual das atividades escolares presenciais, pais, alunos, professores e institui\u00e7\u00f5es de ensino tiveram de se adaptar ao ensino \u00e0 dist\u00e2ncia (EAD). A palavra \u201cadapta\u00e7\u00e3o\u201d \u00e9 exatamente o termo para definir esse tipo de situa\u00e7\u00e3o, uma vez que as aulas remotas foram uma condi\u00e7\u00e3o externa que, na grande maioria dos casos, teve de ser assimilada e n\u00e3o era afeita do p\u00fablico do ensino presencial no pr\u00e9-pandemia.<\/p><p>Pois bem, ent\u00e3o o leitor j\u00e1 deve ter entendido que, obviamente, a pandemia representa o furac\u00e3o, que chegou de forma a mudar bruscamente a rotina, e o ensino remoto faz o papel das embarca\u00e7\u00f5es velej\u00e1veis (juntamente \u00e0s demais provis\u00f5es circundantes) como o recurso dispon\u00edvel em pr\u00e1tica at\u00e9 \u201cas \u00e1guas baixarem\u201d. \u00c9 evidente que algum ensino \u00e9 melhor que a absten\u00e7\u00e3o total de atividades escolares durante este \u00faltimo ano e meio, e o que est\u00e1 sendo criticado aqui n\u00e3o \u00e9 o ensino remoto em si, portanto. A quest\u00e3o \u00e9 mesmo que v\u00e1rias desigualdades de origem entre os estudantes, tanto de ordem material quanto social, desembocaram em desigualdades instensificadas diante da nova estrat\u00e9gia de ensino. Tais circunst\u00e2ncias pand\u00eamicas colocaram em relevo iniquidades que, infelizmente, marcam a sociedade brasileira e potencialmente representar\u00e3o uma maior defasagem educacional em tempos vindouros.<\/p><p>O Gr\u00e1fico 1, obtido a partir do PISA (programa internacional de avalia\u00e7\u00e3o de estudantes) inicia a ilustra\u00e7\u00e3o desse fen\u00f4meno ao mostrar que, nos pa\u00edses selecionados, o acesso a computador e internet \u2013 essenciais\u00a0 para a realiza\u00e7\u00e3o das atividades escolares no regime remoto \u2013 \u00e9 desigual entre os estudantes de escolas de n\u00edvel socioecon\u00f4mico alto e as de n\u00edvel mais baixo.<\/p><p style=\"text-align: center;\">Gr\u00e1fico 1 &#8211; Acesso a um computador conectado \u00e0 internet em casa para fazer trabalhos escolares, por n\u00edvel socioecon\u00f4mico da escola. Pa\u00edses selecionados (2018)<\/p><p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-1947 aligncenter\" src=\"http:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/Imagem1-300x242.png\" alt=\"\" width=\"476\" height=\"384\" srcset=\"https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/Imagem1-300x242.png 300w, https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/Imagem1.png 614w\" sizes=\"(max-width: 476px) 100vw, 476px\" \/><\/p><p style=\"text-align: center;\">Fonte: Nota T\u00e9cnica n\u00b02 do Observat\u00f3rio das Desigualdades, com base em dados do OECPD \/ PISA \u2013 2018<\/p><p>Como pode ser percebido, na vasta maioria dos pa\u00edses analisados pela pesquisa as escolas com maior NSE \u00b2 s\u00e3o tamb\u00e9m aquelas em que mais alunos possuem meios de acessar as atividades escolares remotamente com mais conforto. Portanto, reafirmando o j\u00e1 dito anteriormente, as disparidades e o descompasso de oportunidades se ampliam no per\u00edodo de pandemia: neste caso, por exemplo, os indiv\u00edduos j\u00e1 mais favorecidos devido \u00e0 condi\u00e7\u00e3o socioecon\u00f4mica que apresentam agora t\u00eam a vantagem adicional de disporem de aparatos tecnol\u00f3gicos com mais frequ\u00eancia que aqueles de outras classes. O que era uma desigualdade de rendimentos passa a contaminar tamb\u00e9m a educa\u00e7\u00e3o neste per\u00edodo atual, em que as escolas n\u00e3o podem ser mais o <em>locus<\/em> em que os esfor\u00e7os para a mitiga\u00e7\u00e3o \/ compensa\u00e7\u00e3o das desigualdades ocorriam.<\/p><p>Mais que apenas o panorama global, \u00e9 poss\u00edvel tamb\u00e9m analisar o caso brasileiro neste sentido. Vendo o gr\u00e1fico, pode-se perceber que o Brasil \u00e9 um dos pa\u00edses que apresentam as maiores disparidades: enquanto 86,3% dos estudantes de escolas com NSE mais alto declararam dispor de um computador e de acesso \u00e0 internet para realizar suas tarefas escolares, o mesmo indicador em escolas cujos estudantes tinham mais baixo NSE era de menos de 30%.<\/p><p>Prosseguindo em outro aspecto, fen\u00f4meno similar pode ser notado diante da an\u00e1lise da propor\u00e7\u00e3o de estudantes (de todas as idades e n\u00edveis de ensino) a que foram ministradas atividades escolares no segundo semestre de 2020, por regi\u00e3o do Brasil.<\/p><p style=\"text-align: center;\">Gr\u00e1fico 2 \u2013 Porcentagem de alunos que tiveram atividades escolares no segundo semestre de 2020, por regi\u00e3o do Brasil (%)<\/p><p><img decoding=\"async\" class=\"alignnone  wp-image-1948 aligncenter\" src=\"http:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/Imagem2-300x175.png\" alt=\"\" width=\"579\" height=\"338\" srcset=\"https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/Imagem2-300x175.png 300w, https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/Imagem2.png 701w\" sizes=\"(max-width: 579px) 100vw, 579px\" \/><\/p><p style=\"text-align: center;\">Fonte: Nota T\u00e9cnica n\u00b02 do Observat\u00f3rio das Desigualdades, com base nos dados da PNAD COVID-19<\/p><p>A an\u00e1lise deste segundo gr\u00e1fico permite inferir um padr\u00e3o de desigualdade regional no acesso \u00e0 educa\u00e7\u00e3o remota, de forma que a exclus\u00e3o de certas regi\u00f5es \u00e9 significativa e regressiva \u2013 as regi\u00f5es mais vulner\u00e1veis historicamente, como o Nordeste e o Norte, s\u00e3o tamb\u00e9m aquelas em que os alunos menos tiveram acesso \u00e0s atividades escolares na nova modalidade. No \u00faltimo m\u00eas de an\u00e1lise, por exemplo, quase 94% dos estudantes da regi\u00e3o sul se envolveram nas atividades escolares, enquanto essa propor\u00e7\u00e3o foi de pouco mais de 80% no Nordeste e de menos de 72% no Norte. Ressalta-se ainda que essa desigualdade apresenta mais de uma camada: nessas duas \u00faltimas regi\u00f5es, n\u00e3o apenas a propor\u00e7\u00e3o de estudantes com acesso a atividades escolares foi menor como, dentre aqueles que tiveram atividades escolares, a frequ\u00eancia destas foi menor.<\/p><p>Pelo prisma da renda, a an\u00e1lise n\u00e3o se distancia muito desse padr\u00e3o. Assim demonstram os Gr\u00e1ficos 3 e 4, que apontam que uma maior renda familiar <em>per capita <\/em>geralmente proporcionou um maior acesso \u00e0s atividades escolares no regime remoto, tanto no quesito de ter ou n\u00e3o recebido atividades escolares como em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 frequ\u00eancia de dias na semana que as receberam. Ou seja, n\u00e3o somente os estudantes mais pobres tiveram menos acesso \u00e0 escolariza\u00e7\u00e3o no per\u00edodo da pandemia (provavelmente na modalidade remota digital ou alguma semelhante), como tamb\u00e9m aqueles que conseguiram esse acesso recebem menos atividades e com menor frequ\u00eancia.<\/p><p style=\"text-align: center;\">Gr\u00e1fico 3 \u2013 Porcentagem de alunos que tiveram atividades escolares por rendimento domiciliar <em>per capita<\/em><\/p><p><img decoding=\"async\" class=\"alignnone  wp-image-1949 aligncenter\" src=\"http:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/Imagem3-300x164.png\" alt=\"\" width=\"609\" height=\"333\" srcset=\"https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/Imagem3-300x164.png 300w, https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/Imagem3.png 755w\" sizes=\"(max-width: 609px) 100vw, 609px\" \/><\/p><p style=\"text-align: center;\">Fonte: Nota T\u00e9cnica n\u00b02 do Observat\u00f3rio das Desigualdades, com base nos dados da PNAD COVID-19 de agosto, setembro, outubro e novembro\/2020<\/p><p style=\"text-align: center;\">Gr\u00e1fico 4 &#8211; Distribui\u00e7\u00e3o dos alunos pela frequ\u00eancia de atividades escolares semanais em agosto por rendimento domiciliar <em>per capita<\/em><\/p><p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone  wp-image-1950 aligncenter\" src=\"http:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/Imagem4-300x176.png\" alt=\"\" width=\"609\" height=\"357\" srcset=\"https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/Imagem4-300x176.png 300w, https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/Imagem4.png 735w\" sizes=\"(max-width: 609px) 100vw, 609px\" \/><\/p><p style=\"text-align: center;\">Fonte: Nota T\u00e9cnica n\u00b02 do Observat\u00f3rio das Desigualdades, com base nos dados da PNAD COVID-19 de agosto, setembro, outubro e novembro\/2020<\/p><p>Correndo o risco de ser repetitivos, pode ser apontada tamb\u00e9m a situa\u00e7\u00e3o racial em meio \u00e0s mudan\u00e7as educacionais da pandemia. E o simples fato de a repetitividade estar em pauta sinaliza que, novamente, os grupos sociais mais vulner\u00e1veis foram os mais prejudicados nos dois quesitos aqui analisados. \u00c9 mais uma faceta de como as desigualdades presentes em outras dimens\u00f5es da vida social brasileira se transpuseram \u00e0 educa\u00e7\u00e3o e geraram mais preju\u00edzo aos grupos minorit\u00e1rios em quest\u00e3o.<\/p><p style=\"text-align: center;\">Gr\u00e1fico 5 \u2013 Porcentagem de alunos que tiveram atividades escolares por cor ou ra\u00e7a<\/p><p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone  wp-image-1951 aligncenter\" src=\"http:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/Imagem5-300x163.png\" alt=\"\" width=\"608\" height=\"330\" srcset=\"https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/Imagem5-300x163.png 300w, https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/Imagem5.png 680w\" sizes=\"(max-width: 608px) 100vw, 608px\" \/><\/p><p style=\"text-align: center;\">Gr\u00e1fico 6 \u2013 Distribui\u00e7\u00e3o dos alunos pela frequ\u00eancia de atividades escolares semanais em agosto por cor ou ra\u00e7a<\/p><p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone  wp-image-1952 aligncenter\" src=\"http:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/Imagem6-300x199.png\" alt=\"\" width=\"590\" height=\"391\" srcset=\"https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/Imagem6-300x199.png 300w, https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/Imagem6.png 701w\" sizes=\"(max-width: 590px) 100vw, 590px\" \/><\/p><p style=\"text-align: center;\">Fonte: Nota T\u00e9cnica n\u00b02 do Observat\u00f3rio das Desigualdades, com base nos dados da PNAD COVID-19 de agosto, setembro, outubro e novembro\/2020<\/p><p>A propor\u00e7\u00e3o de estudantes brancos e amarelos que acessaram atividades escolares ao longo do per\u00edodo selecionado \u00e9 sempre mais alta que a de estudantes negros e ind\u00edgenas, sendo a desigualdade ainda mais evidenciada em rela\u00e7\u00e3o a esses \u00faltimos. Tamb\u00e9m ocorre a mesma estratifica\u00e7\u00e3o entre aqueles que desenvolveram alguma atividade na semana, com a frequ\u00eancia de negros e ind\u00edgenas menor que a de brancos e amarelos.<\/p><p>Em suma, aponta-se que, sem levar aqui em conta a qualidade das atividades e aulas ministradas \u2013 que possivelmente foram impactadas negativamente pelo car\u00e1ter abrupto da implanta\u00e7\u00e3o do EAD e pela capacita\u00e7\u00e3o insuficiente de muitos professores e alunos nesse quesito \u2013, a queda tanto na frequ\u00eancia como na intensidade do v\u00ednculo de alguns alunos com a educa\u00e7\u00e3o escolar foi expressiva. O comprometimento das atividades, no entanto, n\u00e3o se distribuiu de forma homog\u00eanea nem aleat\u00f3ria: sa\u00edram-se melhor aqueles com melhores condi\u00e7\u00f5es pr\u00e9vias de improvisa\u00e7\u00e3o e manuten\u00e7\u00e3o da infraestrutura de ensino diante do inesperado, seguindo a linha das desigualdades socioecon\u00f4micas e regionais, como visto. Simultaneamente, foram prejudicados mais severamente aqueles grupos e segmentos mais vulner\u00e1veis e que disp\u00f5em de menos recursos para compensar as perdas educacionais e sociais da priva\u00e7\u00e3o do acesso \u00e0 educa\u00e7\u00e3o. A omiss\u00e3o e descoordena\u00e7\u00e3o do governo federal, e a heterogeneidade e desigualdades das a\u00e7\u00f5es estaduais e municipais (em que pese o esfor\u00e7o de v\u00e1rios governantes e gestores locais) geraram uma situa\u00e7\u00e3o em que as desigualdades e a exclus\u00e3o do direito \u00e0 educa\u00e7\u00e3o se aprofundaram e sua revers\u00e3o representa um enorme desafio para a sociedade brasileira.<\/p><p>A ambienta\u00e7\u00e3o deste texto torna especialmente incoerente falar que \u201cestamos todos no mesmo barco\u201d, tanto na situa\u00e7\u00e3o do furac\u00e3o como na pandemia, uma vez que, enquanto alguns atravessam a crise com um iate ou um transatl\u00e2ntico \u2013 leia-se aqui um bom acesso a meios tecnol\u00f3gicos e \u00e0 internet ou uma posi\u00e7\u00e3o socioecon\u00f4mica privilegiada, por exemplo \u2013, outros tiveram que se desdobrar para, com muita luta, conseguir se manter emersos com algo semelhante a um barco de madeira. E, em meio a tudo isso, o que restou foi a tempestade \u2013 t\u00f3rrida, \u00e1rdua, desigual.<\/p><p>Sem um ambiente escolar presencial para amenizar as desigualdades pr\u00e9vias da educa\u00e7\u00e3o, resta que os gestores ajam de forma a evoluir a igualdade nas embarca\u00e7\u00f5es provis\u00f3rias. Mais que isso: espera-se que a a\u00e7\u00e3o ocorra ainda em tempo, para que os preju\u00edzos atuais n\u00e3o se projetem no tempo e se tornem desvantagens permanentes, comprometendo o direito e tamb\u00e9m uma das poucas alternativas de mobilidade social dos mais vulner\u00e1veis: o acesso, o desempenho e a longevidade educacional. Em um cen\u00e1rio educacional j\u00e1 d\u00edspar, o m\u00ednimo que esperamos \u00e9 que ele n\u00e3o se torne d\u00edspar e meio.<\/p><p>\u00a0<\/p><p>[1] Texto produzido a partir da segunda Nota T\u00e9cnica publicada pelo Observat\u00f3rio das Desigualdades, que pode ser acessada na \u00edntegra em <a href=\"http:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/Nota-Tecnica-no2-Exclusao-Educacional.pdf\">http:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/Nota-Tecnica-no2-Exclusao-Educacional.pdf<\/a><\/p><p>[2] NSE \u00e9 a sigla para N\u00edvel Socioecon\u00f4mico, par\u00e2metro que, segundo o QEdu, \u201csintetiza as caracter\u00edsticas dos indiv\u00edduos em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 sua renda, ocupa\u00e7\u00e3o e escolaridade, permitindo fazer an\u00e1lises de classes de indiv\u00edduos semelhantes em rela\u00e7\u00e3o a estas caracter\u00edsticas\u201d (QEDU, 2021). Prossegue a plataforma que o NSE \u00e9 um valor num\u00e9rico que geralmente \u2013 e como aparenta ser o caso \u2013 \u00e9 traduzido em n\u00edveis qualitativos, dos quais \u201cmais alto\u201d e \u201cmais baixo\u201d s\u00e3o os extremos.<\/p><p>\u00a0<\/p><p><strong>Autores: Augusta Cora Lamas Lopes, sob a supervis\u00e3o de Bruno Lazzarotti Diniz Costa<\/strong><\/p><p>*O Observat\u00f3rio das Desigualdades \u00e9 um projeto de extens\u00e3o. O conte\u00fado e as opini\u00f5es expressas n\u00e3o refletem necessariamente o posicionamento da Funda\u00e7\u00e3o Jo\u00e3o Pinheiro ou do CORECON \u2013 MG.<\/p>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Muitos dizem que a pandemia da Covid-19 parece algo sa\u00eddo de um filme, do g\u00eanero cat\u00e1strofe ou apocal\u00edptico. 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