{"id":2096,"date":"2021-10-28T17:12:00","date_gmt":"2021-10-28T17:12:00","guid":{"rendered":"https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/?p=2096"},"modified":"2021-10-28T17:23:02","modified_gmt":"2021-10-28T17:23:02","slug":"entre-bituca-e-belchior-cancoes-pela-unidade-da-america-latina","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/?p=2096","title":{"rendered":"Entre Bituca e Belchior: Can\u00e7\u00f5es pela unidade da Am\u00e9rica Latina"},"content":{"rendered":"\t\t<div data-elementor-type=\"wp-post\" data-elementor-id=\"2096\" class=\"elementor elementor-2096\">\n\t\t\t\t\t\t<section class=\"elementor-section elementor-top-section elementor-element elementor-element-110c56a elementor-section-boxed elementor-section-height-default elementor-section-height-default\" data-id=\"110c56a\" data-element_type=\"section\" data-e-type=\"section\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-container elementor-column-gap-default\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-column elementor-col-100 elementor-top-column elementor-element elementor-element-0382604\" data-id=\"0382604\" data-element_type=\"column\" data-e-type=\"column\">\n\t\t\t<div class=\"elementor-widget-wrap elementor-element-populated\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-0897303 elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"0897303\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<p><strong>Escute a nossa playlist em:\u00a0<\/strong><\/p><p style=\"text-align: right;\"><span style=\"color: #0000ff;\"><a style=\"color: #0000ff;\" href=\"https:\/\/open.spotify.com\/playlist\/70zrSDwQvXmaDzjFsuo1Qt?si=rsCGT2I1R96b8_0Qzx4t-A&amp;utm_source=copy-link\"><i><span style=\"font-weight: 400;\">https:\/\/open.spotify.com\/playlist\/70zrSDwQvXmaDzjFsuo1Qt?si=rsCGT2I1R96b8_0Qzx4t-A&amp;utm_source=copy-link<\/span><\/i><\/a><\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400;\">\u00a0<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400;\">\u00a0<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400;\">Hoje vamos iniciar uma s\u00e9rie de posts diferentes do que costumamos produzir no Observat\u00f3rio das Desigualdades. Periodicamente, vamos tentar trazer reflex\u00f5es, discuss\u00f5es e, porque n\u00e3o, um pouco de esperan\u00e7a para os nossos debates sobre as desigualdades e seus enfrentamentos por meio de m\u00fasicas que nos marcam. Ao construir esta primeira playlist ou mesmo trazer os trechos ao longo do texto, n\u00e3o temos a pretens\u00e3o de sermos exaustivos sobre o tema, analisar a qualidade dos arranjos e composi\u00e7\u00f5es, ou mesmo apontar elementos centrais sobre a vida dos artistas. Quando falamos de m\u00fasica, tamb\u00e9m estamos falando sobre n\u00f3s &#8211; para al\u00e9m da forma como \u00e9 tocada, sobre a forma como ela nos toca, \u00e9 esse nosso objetivo por aqui. Ent\u00e3o vem com a gente curtir um pouco desse som e sentir por a\u00ed o que essas m\u00fasicas trazem.\u00a0<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400;\">N\u00e3o haveria uma semana melhor para come\u00e7ar essa s\u00e9rie de posts, j\u00e1 que o dia 26 de Outubro \u00e9 um dia muito especial para a m\u00fasica brasileira: nesse dia nasceram Ant\u00f4nio Carlos Belchior e Milton Nascimento, em 1946 e 1942, respectivamente. Belchior infelizmente nos deixou antes que pud\u00e9ssemos comemorar, no ano de 2021, seus 75 anos, de sonho de sangue e de Am\u00e9rica do Sul [1]<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">. J\u00e1 Milton comemorou nesta ter\u00e7a-feira (26) seus 79 anos, e o Observat\u00f3rio das Desigualdades deseja toda felicidade e sa\u00fade do mundo ao genial Bituca.\u00a0<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400;\">N\u00e3o podemos dizer que, para al\u00e9m da data de nascimento, Belchior e Bituca tiveram uma carreira com interse\u00e7\u00f5es diretas, ou mesmo que dividiram os palcos em muitos momentos, mas em suas can\u00e7\u00f5es percebemos a pot\u00eancia das contesta\u00e7\u00f5es em versos, harmonias e melodias. Elas perpassam gera\u00e7\u00f5es e embalam os sonhos &#8211; que n\u00e3o envelhecem [2]<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"> e que nos inspiram a nos percebermos no mundo, em meio \u00e0s desigualdades que nos marcam.\u00a0<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400;\">Um ponto importante na constru\u00e7\u00e3o de voz e luta de Belchior e Milton \u00e9 a identidade latino americana, que muitas vezes \u00e9 negada por n\u00f3s brasileiros. Neste sentido, Bituca manda um recado \u201cpara Lennon e McCartney\u201d<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"> [3] e diz a todo pulm\u00e3o: \u201cEu sou da Am\u00e9rica do Sul\u201d. Em um de seus versos mais conhecidos, Belchior tamb\u00e9m ressalta esse ponto, destacando:\u00a0 \u201cEu sou apenas um rapaz latino-americano\u201d [4]<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">. Sobre essa m\u00fasica, Belchior certa vez disse sobre ser um rapaz latino americano:\u00a0<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400;\">\u00a0<\/span><\/p><p style=\"text-align: right;\"><span style=\"font-weight: 400;\">[Trata-se de] uma pessoa na esquina do mundo, uma pessoa do Terceiro Mundo, uma pessoa na expectativa\u2026 Uma pessoa dependente economicamente do restante do mundo, mas com uma capacidade enorme de desdobramento vital, de resist\u00eancia, de rebeldia do esp\u00edrito, de novidade, de transforma\u00e7\u00e3o, de poder novo. Ent\u00e3o, assumir o fato de sermos latino-americanos, sendo brasileiros, sendo cearenses, sendo de Sobral, \u00e9 justamente participar da fraternidade latino-americana.<\/span><\/p><p style=\"text-align: right;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Isso diz muito de perto respeito \u00e0quilo que eu falo em muitas outras m\u00fasicas, esse sentido de desinsular a cultura, de fazer com que a cultura seja penetrante, troque energias com todos os espa\u00e7os\u2026 O Brasil \u00e9 um pa\u00eds que est\u00e1 isolado culturalmente da grande tradi\u00e7\u00e3o irm\u00e3 latino-americana. Ent\u00e3o, essa m\u00fasica, que d\u00e1 continuidade a outras m\u00fasicas de outros autores como Milton Nascimento, Ruy Guerra [5]<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">, que j\u00e1 haviam levantado de alguma forma esse problema da latinidade e j\u00e1 era uma constante na literatura e na poesia, sobretudo. Essa m\u00fasica d\u00e1 continuidade \u00e0quela tradi\u00e7\u00e3o inicial naquele momento. <\/span><\/p><p style=\"text-align: right;\"><span style=\"font-weight: 400;\">(BELCHIOR em entrevista a GUILHERME, 1983)<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400;\">\u00a0<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400;\">Ao trazer sua perspectiva para o que significava ser latino americano, Belchior aponta para importantes elementos das desigualdades, ao dizer que se trata de uma \u201cpessoa dependente economicamente do restante do mundo\u201d, mas tamb\u00e9m traz a marca da resist\u00eancia e da rebeldia, que se apresentam em nosso cotidiano e que est\u00e3o presentes em muitas de suas can\u00e7\u00f5es e de outros artistas, que se apresentam em nossa playlist, e que assim como Belchior apresenta, seguem a tradi\u00e7\u00e3o de aproxima\u00e7\u00e3o cultural entre os povos latino-americanos.<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400;\">Assim como Belchior, Bituca tamb\u00e9m canta sobre as resist\u00eancias que marcam os povos latino-americanos, como exemplo apontamos a m\u00fasica \u201cCancion Por La Unidad de Latino Am\u00e9rica\u201d, gravada em parceria com Chico Buarque e adaptada da can\u00e7\u00e3o original de Pablo Milan\u00e9s:<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400;\">\u00a0<\/span><\/p><p style=\"text-align: right;\"><span style=\"font-weight: 400;\">E quem garante que a Hist\u00f3ria<\/span><\/p><p style=\"text-align: right;\"><span style=\"font-weight: 400;\">\u00c9 carro\u00e7a abandonada<\/span><\/p><p style=\"text-align: right;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Numa beira de estrada<\/span><\/p><p style=\"text-align: right;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Ou numa esta\u00e7\u00e3o ingl\u00f3ria<\/span><\/p><p style=\"text-align: right;\"><span style=\"font-weight: 400;\">A Hist\u00f3ria \u00e9 um carro alegre<\/span><\/p><p style=\"text-align: right;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Cheio de um povo contente<\/span><\/p><p style=\"text-align: right;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Que atropela indiferente<\/span><\/p><p style=\"text-align: right;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Todo aquele que a negue<\/span><\/p><p style=\"text-align: right;\"><span style=\"font-weight: 400;\">\u00c9 trem riscando trilhos<\/span><\/p><p style=\"text-align: right;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Abrindo novos espa\u00e7os<\/span><\/p><p style=\"text-align: right;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Acenando muitos bra\u00e7os<\/span><\/p><p style=\"text-align: right;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Balan\u00e7ando nossos filhos<\/span><\/p><p style=\"text-align: right;\"><span style=\"font-weight: 400;\">(Cancion Por La Unidad de Latino Am\u00e9rica) [6]<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400;\">\u00a0<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400;\">Nesta m\u00fasica podemos observar um chamado a refletirmos sobre a nossa pr\u00f3pria hist\u00f3ria, e a forma como esta hist\u00f3ria \u00e9 contada e por quem \u00e9 contada. Esta \u00e9 uma reflex\u00e3o que Eduardo Galeano tamb\u00e9m apresentou ao escrever \u201cNas veias abertas da Am\u00e9rica Latina\u201d<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">:<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400;\">\u00a0<\/span><\/p><p style=\"text-align: right;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Para os que concebem a Hist\u00f3ria como uma contenda, o atraso e a mis\u00e9ria da Am\u00e9rica Latina n\u00e3o s\u00e3o outra coisa sen\u00e3o o resultado de seu fracasso. Perdemos; outros ganharam. Mas aqueles que ganharam s\u00f3 puderam ganhar porque perdemos: a hist\u00f3ria do subdesenvolvimento da Am\u00e9rica Latina integra, como j\u00e1 foi dito, a hist\u00f3ria do desenvolvimento do capitalismo mundial (GALEANO, p. 11)<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400;\">\u00a0<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400;\">Pensar que nosso cen\u00e1rio de desigualdades tamb\u00e9m se insere em um contexto global que muitas vezes trata de refor\u00e7ar estas quest\u00f5es \u00e9 fundamental para refletirmos sobre os elementos que se articulam em nossas hist\u00f3rias de vida. Enfrentar as desigualdades em suas mais diversas dimens\u00f5es, \u00e9 tamb\u00e9m\u00a0 entendermos os movimentos que estruturam essas condi\u00e7\u00f5es. Deste modo, nos unirmos e nos vermos a n\u00f3s mesmos nos povos latino americanos como protagonistas de um destino compartilhado \u00e9 fundamental, para que possamos alterar ordens impostas, hist\u00f3rias tratadas como verdades e \u201cabrir novos espa\u00e7os\u201d.\u00a0<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400;\">E o que existe em nosso destino para que um tango argentino nos v\u00e1 bem melhor que um blues? A resposta pode estar nesta combina\u00e7\u00e3o de indigna\u00e7\u00e3o, resist\u00eancia, frustra\u00e7\u00e3o e esperan\u00e7a, sempre acompanhados de um compromisso amoroso, que caracteriza a maneira como Belchior e Milton cantam a Am\u00e9rica Latina. De fato, a trajet\u00f3ria\u00a0 dos pa\u00edses latinoamericanos \u00e9 marcada por um processo desigual e conflituoso de desenvolvimento, que as ci\u00eancias sociais, desde os trabalhos seminais de Barrington Moore Jr., chama de moderniza\u00e7\u00e3o conservadora.<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400;\">Para ele, a correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as entre as elites tradicionais e as classes modernas emergentes (operariado, burguesia industrial, classes m\u00e9dias urbanas) levam a um processo em que algumas esferas e estruturas da sociedade se tornam mais &#8220;modernas&#8221; (capitalistas, burocr\u00e1ticas e democr\u00e1ticas), enquanto outras rela\u00e7\u00f5es sociais baseadas em elementos tradicionais e fortemente hier\u00e1rquicos (rela\u00e7\u00f5es entre classes e grupos sociais baseadas na coer\u00e7\u00e3o e mesmo na humilha\u00e7\u00e3o, estruturas fundi\u00e1rias arcaicas, oligarquias pol\u00edticas clientelistas e hierarquias baseadas em elementos adscritos e de status, como g\u00eanero e ra\u00e7a). Para esta abordagem, a moderniza\u00e7\u00e3o conservadora seria a via para a modernidade em pa\u00edses onde um tipo de coaliz\u00e3o entre elites tradicionais e modernas permitiam a industrializa\u00e7\u00e3o, promoviam algum n\u00edvel de educa\u00e7\u00e3o e a constru\u00e7\u00e3o do Estado, enquanto se esfor\u00e7avam para manter manter a ordem e o status quo da sociedade atrav\u00e9s de acordos corporativos e autorit\u00e1rios que inclu\u00edam formas de controle n\u00e3o mercantis.<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400;\">A trajet\u00f3ria latinoamericana \u00e9 assim t\u00edpica desta via de desenvolvimento: os cidad\u00e3o s\u00e3o expostos e incorporados a certas dimens\u00f5es da modernidade (a possibilidade de viver nas cidades, ter uma certa dose de escolaridade, ser um trabalhador industrial), mas o acesso a outras lhes \u00e9 negado (a mobilidade social, limites \u00e0 concentra\u00e7\u00e3o de renda e poder, atingir certas capacidades de consumo, cidadania democr\u00e1tica plena). E isto n\u00e3o se faz sem resist\u00eancia. Estas press\u00f5es e desequil\u00edbrios geram periodicamente crises de incorpora\u00e7\u00e3o, em que a reivindica\u00e7\u00e3o das classes populares e segmentos exclu\u00eddos e marginalizados pelo acesso a direitos e cidadania plena tensiona a arquitetura excludente em que o desenvolvimento se organiza. Estas crises recorrentes, de acordo com o contexto local, a correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as e o cen\u00e1rio internacional, podem levar a experi\u00eancias de maior democratiza\u00e7\u00e3o, a arranjos populistas (tanto populismo de natureza incorporadora quanto populismo excludente) ou a retrocessos mais claramente autorit\u00e1rios, al\u00e9m de experi\u00eancias revolucion\u00e1rias, como ocorreram algumas d\u00e9cadas atr\u00e1s.<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400;\">Seguindo a reflex\u00e3o sobre nossas hist\u00f3rias, Filgueira <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">et al<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">. (2012), chamaram aten\u00e7\u00e3o para o processo de moderniza\u00e7\u00e3o conservadora vivenciado na Am\u00e9rica Latina, por meio do \u201cConsenso de Washington\u201d, na d\u00e9cada de 1980. Durante este per\u00edodo, foi aceito e promovido o fortalecimento da democracia eleitoral, a expans\u00e3o do mercado e da educa\u00e7\u00e3o, contudo, foi limitado o desenvolvimento de pol\u00edticas p\u00fablicas que de fato atacassem os problemas das desigualdades permanentes nestes pa\u00edses.\u00a0<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400;\">Chama aten\u00e7\u00e3o, como a redemocratiza\u00e7\u00e3o de muitos pa\u00edses na Am\u00e9rica Latina, n\u00e3o foi acompanhada de a\u00e7\u00f5es para que fossem reduzidas situa\u00e7\u00f5es de desigualdade, o Gr\u00e1fico 1 aponta para uma manuten\u00e7\u00e3o do percentual de lugares nos quais as pessoas vivem abaixo da linha de pobreza, em compara\u00e7\u00e3o com o grande avan\u00e7o na incorpora\u00e7\u00e3o da democracia eleitoral.\u00a0<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400;\">\u00a0<\/span><\/p><p style=\"text-align: center;\"><b>Gr\u00e1fico 1 <\/b>&#8211; Propor\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o da Am\u00e9rica Latina que vive em democracias eleitorais e propor\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o que vive abaixo da linha da pobreza (1975-2005)<\/p><p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-2097 aligncenter\" src=\"http:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/Imagem1-1-300x182.png\" alt=\"\" width=\"622\" height=\"378\" srcset=\"https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/Imagem1-1-300x182.png 300w, https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/Imagem1-1.png 636w\" sizes=\"(max-width: 622px) 100vw, 622px\" \/><\/p><p>\u00a0<\/p><p><span style=\"font-weight: 400;\">Ao observarmos estes dados, um importante elemento que deve ser observado \u00e9 sobre as nossas especificidades enquanto povos da Am\u00e9rica Latina, tamb\u00e9m sobre a forma como o Estado se constitui e por quem \u00e9 apropriado e de seus limites estruturais, pol\u00edticos e legais. O acesso ao poder pol\u00edtico do Estado n\u00e3o representa a supera\u00e7\u00e3o de elementos centrais da sociedade capitalista e dos modos de explora\u00e7\u00e3o desenvolvidos na Am\u00e9rica Latina:\u00a0<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400;\">\u00a0<\/span><\/p><p style=\"text-align: right;\"><span style=\"font-weight: 400;\">[&#8230;] a classe oper\u00e1ria n\u00e3o pode simplesmente se apossar da maquinaria estatal tal como ela se apresenta e dela servir-se para seus pr\u00f3prios objetivos. O instrumento pol\u00edtico de sua escraviza\u00e7\u00e3o n\u00e3o pode servir como o instrumento pol\u00edtico de sua emancipa\u00e7\u00e3o <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">(MARX, 2011, p. 169).<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400;\">\u00a0<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400;\">Aos olhos de hoje, a cita\u00e7\u00e3o de Marx um tanto exagerada, j\u00e1 que distintos pa\u00edses &#8211; e mesmo o Brasil e outros pa\u00edses latinoamericanos, al\u00e9m das cl\u00e1ssicas experi\u00eancias n\u00f3rdicas &#8211; demonstraram que a partir de combina\u00e7\u00f5es abrangentes de modelos de tributa\u00e7\u00e3o, prote\u00e7\u00e3o social, escolhas de pol\u00edticas econ\u00f4mica, pol\u00edticas p\u00fablicas e regula\u00e7\u00e3o do mercado de trabalho \u00e9 poss\u00edvel paulatinamente reduzir as desigualdade e proporcionar a extens\u00e3o de direitos e da cidadania. No entanto, o mais importante neste trecho \u00e9 a importante reflex\u00e3o que nos apresenta, \u00e9 sobre a necessidade de pensarmos a pobreza, que se apresenta nos dados do gr\u00e1fico, e tamb\u00e9m a desigualdade, como resultado de uma rela\u00e7\u00e3o social contradit\u00f3ria e complexa entre classes sociais distintas, em um modo social de produ\u00e7\u00e3o (FERRAZ; CHAVES, 2021). Neste sentido, para a elite na Am\u00e9rica Latina, o Estado p\u00f4de ser visto como pot\u00eancia e elemento central para a manuten\u00e7\u00e3o dessas contradi\u00e7\u00f5es, como instrumento pol\u00edtico para reprodu\u00e7\u00e3o das desigualdades, mas sua convers\u00e3o e adequa\u00e7\u00e3o a objetivos de transforma\u00e7\u00e3o social includente est\u00e1 longe de ser trivial e envolver\u00e1 sempre conflitos e \u201ccurtos-circuitos\u201d de diferentes tipos. Al\u00e9m disto, o Estado, as pol\u00edticas p\u00fablicas e as escolhas pol\u00edticas n\u00e3o se d\u00e3o no v\u00e1cuo nem podem ser encarados como objeto de algum tipo de engenharia social dotada de racionalidade abstrata: eles est\u00e3o imersos em contextos social, econ\u00f4mica, cultural e politicamente densos e estruturados, demandando sempre conflito, negocia\u00e7\u00e3o e muita mobiliza\u00e7\u00e3o social.<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400;\">Assim, como Belchior e Milton apontam, as lutas s\u00e3o fundamentais e Filgueira <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">et al<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">. (2012) chamam aten\u00e7\u00e3o para as mudan\u00e7as pol\u00edticas nos Estados Latino Americanos, com a ascens\u00e3o de governos populares, que possuem uma grande pot\u00eancia na supera\u00e7\u00e3o de condi\u00e7\u00f5es contingenciais relativas \u00e0s desigualdades. Movimentos estes que sofrem hoje com uma resposta conservadora muito forte.\u00a0<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400;\">Como alertamos no in\u00edcio, hoje n\u00e3o trouxemos muitos dados, ou debates profundos sobre as nossas desigualdades. Apresentamos aqui, por meio de alguns trechos e de uma playlist escolhida com muito carinho, elementos que nos levem a refletir, com a esperan\u00e7a de que cada \u201ccanto torto\u201d, ecoe e\u00a0 possa seguir nos fazendo ter for\u00e7as para nos unir cada vez mais contra as quest\u00f5es que estruturam nossas desigualdades, e como Belchior nos aponta em \u201cAlucina\u00e7\u00e3o\u201d [7]<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">, possamos cada vez mais nos interessar em \u201camar e mudar as coisas\u201d. \u00c9 nesse sentido que encerramos com um trecho da m\u00fasica \u201cDe magia, de dan\u00e7a e p\u00e9s\u201d:\u00a0<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400;\">\u00a0<\/span><\/p><p style=\"text-align: right;\"><span style=\"font-weight: 400;\">A pulsa\u00e7\u00e3o do mundo \u00e9<\/span><\/p><p style=\"text-align: right;\"><span style=\"font-weight: 400;\">O cora\u00e7\u00e3o da gente<\/span><\/p><p style=\"text-align: right;\"><span style=\"font-weight: 400;\">O cora\u00e7\u00e3o do mundo \u00e9<\/span><\/p><p style=\"text-align: right;\"><span style=\"font-weight: 400;\">A pulsa\u00e7\u00e3o da gente<\/span><\/p><p style=\"text-align: right;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Ningu\u00e9m nos pode impor, meu irm\u00e3o<\/span><\/p><p style=\"text-align: right;\"><span style=\"font-weight: 400;\">O que \u00e9 melhor pra gente<\/span><\/p><p style=\"text-align: right;\"><span style=\"font-weight: 400;\">(Fernando Brant \/ Milton Nascimento &#8211; De magia, de dan\u00e7a e p\u00e9s) [8]<\/span><\/p><p><strong>\u00a0<\/strong><\/p><p><strong>Texto elaborado por Bruno Lazzarotti e Matheus Arcelo.<\/strong><\/p><p>*O Observat\u00f3rio das Desigualdades \u00e9 um projeto de extens\u00e3o. O conte\u00fado e as opini\u00f5es expressas n\u00e3o refletem necessariamente o posicionamento da Funda\u00e7\u00e3o Jo\u00e3o Pinheiro ou do CORECON \u2013 MG.<\/p><p>\u00a0<\/p><p>[1]<\/p><p><a href=\"https:\/\/open.spotify.com\/track\/02Alfcz9tiZnoEj5fki2Al?si=1tjuEOOyRQu0ILbUos8AnA&amp;utm_source=copy-link\">https:\/\/open.spotify.com\/track\/02Alfcz9tiZnoEj5fki2Al?si=1tjuEOOyRQu0ILbUos8AnA&amp;utm_source=copy-link<\/a><\/p><p>[2]<\/p><p><a href=\"https:\/\/open.spotify.com\/track\/6KnwZSis2sMiB58UoJ4Zhj?si=SqPb3WavS7ag5TbpirCZEA&amp;utm_source=copy-link\">https:\/\/open.spotify.com\/track\/6KnwZSis2sMiB58UoJ4Zhj?si=SqPb3WavS7ag5TbpirCZEA&amp;utm_source=copy-link<\/a><\/p><p>[3]<\/p><p><a href=\"https:\/\/open.spotify.com\/track\/4Hr5VM6DtRAy8eD3bqNb0o?si=EyXt20QwQ9mYOjKrp8bOSw&amp;utm_source=copy-link\">https:\/\/open.spotify.com\/track\/4Hr5VM6DtRAy8eD3bqNb0o?si=EyXt20QwQ9mYOjKrp8bOSw&amp;utm_source=copy-link<\/a><\/p><p>[4]<\/p><p><a href=\"https:\/\/open.spotify.com\/track\/7oo3L1ZPEQSavDVSnlOvDa?si=EzaqFK4OTi68LVgQTPh6iQ&amp;utm_source=copy-link\"> https:\/\/open.spotify.com\/track\/7oo3L1ZPEQSavDVSnlOvDa?si=EzaqFK4OTi68LVgQTPh6iQ&amp;utm_source=copy-link<\/a><\/p><p>[5] <span style=\"font-weight: 400;\">Uma das can\u00e7\u00f5es De Milton e Ruy Guerra que trata do tema e est\u00e1 em nossa playlist \u00e9 \u201cCanto Latino\u201d:<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400;\"> <a href=\"https:\/\/open.spotify.com\/track\/1SSVIfXe6GTXMDrqqeLWJU?si=6nkeTwWLS1Oka7eufUTScA&amp;utm_source=copy-link\">https:\/\/open.spotify.com\/track\/1SSVIfXe6GTXMDrqqeLWJU?si=6nkeTwWLS1Oka7eufUTScA&amp;utm_source=copy-link<\/a><\/span><\/p><p>[6]<\/p><p><a href=\"https:\/\/open.spotify.com\/track\/6kH1AprbEC9G5FjDJy1XAa?si=oo4AiDzjSoqX_w5JMQ2Hxw&amp;utm_source=copy-link\">https:\/\/open.spotify.com\/track\/6kH1AprbEC9G5FjDJy1XAa?si=oo4AiDzjSoqX_w5JMQ2Hxw&amp;utm_source=copy-link<\/a><\/p><p>[7]<\/p><p><a href=\"https:\/\/open.spotify.com\/track\/6lCcA1ugWuQPBCHXecSwc8?si=UasDy6uATWislU4QpbUCgg&amp;utm_source=copy-link\">https:\/\/open.spotify.com\/track\/6lCcA1ugWuQPBCHXecSwc8?si=UasDy6uATWislU4QpbUCgg&amp;utm_source=copy-link<\/a><\/p><p>[8]<\/p><p><a href=\"https:\/\/open.spotify.com\/track\/29YaDQGp0YM2F5TGagYx7n?si=xcvnH_RBTRikfVeA0LQMQw&amp;utm_source=copy-link\">https:\/\/open.spotify.com\/track\/29YaDQGp0YM2F5TGagYx7n?si=xcvnH_RBTRikfVeA0LQMQw&amp;utm_source=copy-link<\/a><\/p><p>\u00a0<\/p><p>\u00a0<\/p><p><strong>IMAGEM DA CAPA<\/strong>: Os cantores e compositores Milton Nascimento e Belchior. Foto: RArquivo pessoal \/ Reprodu\u00e7\u00e3o \/ Facebook \/ Silvio Correa. Retirado do blog &#8220;Marcelo Pinheiro &#8211; Rep\u00f3rter&#8221;. Acesso em 28 de out. 2021. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/marcelopinheiroreporter.wordpress.com\/2020\/10\/29\/milton-nascimento-e-belchior-sob-o-signo-de-escorpiao\/\">https:\/\/marcelopinheiroreporter.wordpress.com\/2020\/10\/29\/milton-nascimento-e-belchior-sob-o-signo-de-escorpiao\/<\/a><\/p><p>\u00a0<\/p>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Escute a nossa playlist em:\u00a0 https:\/\/open.spotify.com\/playlist\/70zrSDwQvXmaDzjFsuo1Qt?si=rsCGT2I1R96b8_0Qzx4t-A&amp;utm_source=copy-link \u00a0 \u00a0 Hoje vamos iniciar uma s\u00e9rie de posts diferentes do que costumamos produzir no Observat\u00f3rio das Desigualdades. Periodicamente, vamos tentar trazer reflex\u00f5es, discuss\u00f5es e, porque n\u00e3o, um pouco de esperan\u00e7a para os nossos debates sobre as desigualdades e seus enfrentamentos por meio de m\u00fasicas que nos marcam. Ao [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":2098,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ocean_post_layout":"","ocean_both_sidebars_style":"","ocean_both_sidebars_content_width":0,"ocean_both_sidebars_sidebars_width":0,"ocean_sidebar":"","ocean_second_sidebar":"","ocean_disable_margins":"enable","ocean_add_body_class":"","ocean_shortcode_before_top_bar":"","ocean_shortcode_after_top_bar":"","ocean_shortcode_before_header":"","ocean_shortcode_after_header":"","ocean_has_shortcode":"","ocean_shortcode_after_title":"","ocean_shortcode_before_footer_widgets":"","ocean_shortcode_after_footer_widgets":"","ocean_shortcode_before_footer_bottom":"","ocean_shortcode_after_footer_bottom":"","ocean_display_top_bar":"default","ocean_display_header":"default","ocean_header_style":"","ocean_center_header_left_menu":"","ocean_custom_header_template":"","ocean_custom_logo":0,"ocean_custom_retina_logo":0,"ocean_custom_logo_max_width":0,"ocean_custom_logo_tablet_max_width":0,"ocean_custom_logo_mobile_max_width":0,"ocean_custom_logo_max_height":0,"ocean_custom_logo_tablet_max_height":0,"ocean_custom_logo_mobile_max_height":0,"ocean_header_custom_menu":"","ocean_menu_typo_font_family":"","ocean_menu_typo_font_subset":"","ocean_menu_typo_font_size":0,"ocean_menu_typo_font_size_tablet":0,"ocean_menu_typo_font_size_mobile":0,"ocean_menu_typo_font_size_unit":"px","ocean_menu_typo_font_weight":"","ocean_menu_typo_font_weight_tablet":"","ocean_menu_typo_font_weight_mobile":"","ocean_menu_typo_transform":"","ocean_menu_typo_transform_tablet":"","ocean_menu_typo_transform_mobile":"","ocean_menu_typo_line_height":0,"ocean_menu_typo_line_height_tablet":0,"ocean_menu_typo_line_height_mobile":0,"ocean_menu_typo_line_height_unit":"","ocean_menu_typo_spacing":0,"ocean_menu_typo_spacing_tablet":0,"ocean_menu_typo_spacing_mobile":0,"ocean_menu_typo_spacing_unit":"","ocean_menu_link_color":"","ocean_menu_link_color_hover":"","ocean_menu_link_color_active":"","ocean_menu_link_background":"","ocean_menu_link_hover_background":"","ocean_menu_link_active_background":"","ocean_menu_social_links_bg":"","ocean_menu_social_hover_links_bg":"","ocean_menu_social_links_color":"","ocean_menu_social_hover_links_color":"","ocean_disable_title":"default","ocean_disable_heading":"default","ocean_post_title":"","ocean_post_subheading":"","ocean_post_title_style":"","ocean_post_title_background_color":"","ocean_post_title_background":0,"ocean_post_title_bg_image_position":"","ocean_post_title_bg_image_attachment":"","ocean_post_title_bg_image_repeat":"","ocean_post_title_bg_image_size":"","ocean_post_title_height":0,"ocean_post_title_bg_overlay":0.5,"ocean_post_title_bg_overlay_color":"","ocean_disable_breadcrumbs":"default","ocean_breadcrumbs_color":"","ocean_breadcrumbs_separator_color":"","ocean_breadcrumbs_links_color":"","ocean_breadcrumbs_links_hover_color":"","ocean_display_footer_widgets":"default","ocean_display_footer_bottom":"default","ocean_custom_footer_template":"","ocean_post_oembed":"","ocean_post_self_hosted_media":"","ocean_post_video_embed":"","ocean_link_format":"","ocean_link_format_target":"self","ocean_quote_format":"","ocean_quote_format_link":"post","ocean_gallery_link_images":"on","ocean_gallery_id":[],"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-2096","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-analise","entry","has-media"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2096","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=2096"}],"version-history":[{"count":12,"href":"https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2096\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2110,"href":"https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2096\/revisions\/2110"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/2098"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=2096"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=2096"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/observatoriodesigualdad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