{"id":2511,"date":"2022-05-20T19:43:21","date_gmt":"2022-05-20T19:43:21","guid":{"rendered":"https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/?p=2511"},"modified":"2022-05-20T19:43:49","modified_gmt":"2022-05-20T19:43:49","slug":"a-estruturacao-de-grupos-criminosos-nas-periferias-brasileiras","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/?p=2511","title":{"rendered":"A estrutura\u00e7\u00e3o de grupos criminosos nas periferias brasileiras"},"content":{"rendered":"\t\t<div data-elementor-type=\"wp-post\" data-elementor-id=\"2511\" class=\"elementor elementor-2511\">\n\t\t\t\t\t\t<section class=\"elementor-section elementor-top-section elementor-element elementor-element-012c2c6 elementor-section-boxed elementor-section-height-default elementor-section-height-default\" data-id=\"012c2c6\" data-element_type=\"section\" data-e-type=\"section\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-container elementor-column-gap-default\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-column elementor-col-100 elementor-top-column elementor-element elementor-element-6a44d32\" data-id=\"6a44d32\" data-element_type=\"column\" data-e-type=\"column\">\n\t\t\t<div class=\"elementor-widget-wrap elementor-element-populated\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-867e71d elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"867e71d\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<p><span style=\"font-weight: 400;\">O Brasil tem um longo hist\u00f3rico de viol\u00eancia em suas favelas e bairros pobres da periferia. Entre diversos fatores, tal contexto de vulnerabilidade \u00e9 potencializado pela atua\u00e7\u00e3o de grupos criminosos, sobretudo aqueles envolvidos em redes de tr\u00e1fico de drogas il\u00edcitas. Ao longo das \u00faltimas d\u00e9cadas, as din\u00e2micas de viol\u00eancia nessas regi\u00f5es t\u00eam causado muitas mortes \u2013 sobretudo de jovens \u2013 e, consequentemente, sofrimento para fam\u00edlias que vivem nesses territ\u00f3rios. Dando continuidade \u00e0 parceria entre o N\u00facleo de Estudos em Seguran\u00e7a P\u00fablica (NESP \u2013 FJP) e o Observat\u00f3rio das Desigualdades (FJP\/CORECON \u2013 MG), este texto busca discutir como as atividades criminosas de gangues e de fac\u00e7\u00f5es se estruturam no contexto das desigualdades sociais presentes nas periferias brasileiras, atraindo jovens em situa\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade.<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400;\">Ao longo do s\u00e9culo XX, o Brasil vivenciou um intenso processo de urbaniza\u00e7\u00e3o, caracterizado por intensas e r\u00e1pidas mudan\u00e7as no cen\u00e1rio de ocupa\u00e7\u00e3o de suas grandes cidades. A partir de 1950, parte da popula\u00e7\u00e3o brasileira migrou para os centros urbanos, sobretudo em fun\u00e7\u00e3o da mecaniza\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola que gerava d\u00e9ficit de empregos no meio rural. Al\u00e9m disso, este contingente populacional era atra\u00eddo pelas novas oportunidades proporcionadas pela industrializa\u00e7\u00e3o, bem como pelas tecnologias laborais e pelos mercados de presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os. Esse r\u00e1pido movimento de adensamento da malha urbana brasileira, no entanto, foi caracterizado pela falta de planejamento pol\u00edtico e social para o recebimento da popula\u00e7\u00e3o, resultando na ocupa\u00e7\u00e3o das periferias das cidades, geralmente \u00e1reas irregulares, desprovidas de infraestrutura f\u00edsica adequada e de benef\u00edcios sociais, como sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o, saneamento b\u00e1sico e energia.<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400;\">Sendo assim, dentre essas car\u00eancias geradas pela segrega\u00e7\u00e3o social e espacial das periferias dos centros urbanos brasileiros, encontra-se, tamb\u00e9m, a falta de acesso aos mecanismos de justi\u00e7a e de media\u00e7\u00e3o de conflitos, o que produz um ambiente prop\u00edcio para o agravamento de a\u00e7\u00f5es privadas e violentas de resolu\u00e7\u00e3o de problemas, dificultando, assim, o controle social dessas regi\u00f5es (BEATO e ZILLI, 2012).<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400;\">Esse tipo de conforma\u00e7\u00e3o local leva ao acirramento das disputas fundi\u00e1rias, dom\u00e9sticas e interpessoais, em fun\u00e7\u00e3o da n\u00e3o implementa\u00e7\u00e3o, nessas comunidades, de regras, inst\u00e2ncias e institui\u00e7\u00f5es que se traduzam em meios de resolu\u00e7\u00e3o pac\u00edfica de conflitos e provis\u00e3o democr\u00e1tica dos servi\u00e7os de justi\u00e7a. Muitas vezes, a ilegalidade como refer\u00eancia inicia-se a partir de uma iniciativa governamental que, posteriormente, induz \u00e0 forma\u00e7\u00e3o de estrat\u00e9gias informais de ocupa\u00e7\u00e3o e invas\u00e3o (BEATO e ZILLI, p. 5, 2012)<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400;\">Nesse contexto, nas \u00faltimas d\u00e9cadas, essas comunidades desamparadas pelo Estado viram seus territ\u00f3rios sendo ocupados por grupos criminosos que buscaram seu pr\u00f3prio benef\u00edcio por meio de atividades ilegais, como tr\u00e1fico de drogas, roubos e viol\u00eancia generalizada, prejudicando o bem-estar e colocando em risco a vida das popula\u00e7\u00f5es locais.\u00a0<\/span><\/p><p>\u00a0<\/p><p><b>O modelo de estrutura\u00e7\u00e3o de atividades criminosas<\/b><\/p><p><span style=\"font-weight: 400;\">Tendo em vista certo padr\u00e3o de emerg\u00eancia de atividades violentas em lugares caracterizados pela vulnerabilidade social e habitacional, Beato e Zilli (2012) esbo\u00e7aram um modelo de estrutura\u00e7\u00e3o de atividades criminosas de gangues composto por tr\u00eas fases. Segundo eles, no primeiro est\u00e1gio, logo ap\u00f3s a conforma\u00e7\u00e3o das comunidades <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">\u2013<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"> per\u00edodo caracterizado pela baixa consolida\u00e7\u00e3o normativa e pela escassez de pol\u00edticas sociais e de justi\u00e7a <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">\u2013<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">, surgem grupos desorganizados e dispersos no ambiente envolvidos em empreendimentos il\u00edcitos, como o tr\u00e1fico de drogas e roubos. Al\u00e9m disso, h\u00e1 o in\u00edcio da presen\u00e7a de policiais corruptos que compactuam e participam de atividades il\u00edcitas com os grupos criminosos. Nesse per\u00edodo inicial, as atividades ocorrem em pequenos territ\u00f3rios, de maneira fragmentada, sem a articula\u00e7\u00e3o com grandes fac\u00e7\u00f5es criminosas e os conflitos ocorrem por motivos n\u00e3o necessariamente relacionados a quest\u00f5es econ\u00f4micas do crime, mas sim societ\u00e1rias, como vingan\u00e7as individuais.\u00a0<\/span><\/p><p>\u00a0<\/p><p><b>O segundo est\u00e1gio do modelo de estrutura\u00e7\u00e3o\u00a0<\/b><\/p><p><span style=\"font-weight: 400;\">A segunda fase do processo \u00e9 determinada pela competi\u00e7\u00e3o direta e pela tentativa de dom\u00ednio territorial entre os grupos criminosos, que passam a viabilizar suas a\u00e7\u00f5es e a promover o rearranjo das autoridades do crime com a utiliza\u00e7\u00e3o de armas de fogo em larga escala. As consequ\u00eancias desse cen\u00e1rio s\u00e3o os altos n\u00fameros de homic\u00eddios da popula\u00e7\u00e3o perif\u00e9rica e o combate \u00e0 interfer\u00eancia policial, o que se configura em um contexto perverso de manipula\u00e7\u00e3o e de terror dos cidad\u00e3os em meio \u00e0 viol\u00eancia dos dois lados (BEATO e ZILLI, 2012).\u00a0<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400;\">Nesse sentido, \u00e9 importante destacar que parte n\u00e3o desprez\u00edvel dos homic\u00eddios ocorridos no Brasil \u00e9 relacionada \u00e0 a\u00e7\u00e3o de grupos criminosos e ao uso de armas de fogo. As v\u00edtimas s\u00e3o, em sua maioria, jovens, negros, pobres e homens com idade entre 15 a 24 anos. Segundo o Sistema de Informa\u00e7\u00f5es de Mortalidade do DATASUS, entre 1996 e 2017, houve uma tend\u00eancia de crescente aumento no n\u00famero de mortes por agress\u00e3o nessa faixa et\u00e1ria, totalizando 411.024 mortes no per\u00edodo. Contudo, em anos mais recentes, o pa\u00eds tem apresentado uma redu\u00e7\u00e3o de seus indicadores de letalidade juvenil, contabilizando 20.379 mortos em 2018, 15.201 em 2019 e 16.331 em 2020, como mostra o Gr\u00e1fico 1 a seguir.<\/span><\/p><p>\u00a0<\/p><p style=\"text-align: center;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Gr\u00e1fico 1: Homic\u00eddios Faixa Et\u00e1ria de 15 a 24 anos<\/span><\/p><p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignnone  wp-image-2512 aligncenter\" src=\"http:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/Imagem1-2-300x147.png\" alt=\"\" width=\"649\" height=\"318\" srcset=\"https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/Imagem1-2-300x147.png 300w, https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/Imagem1-2.png 567w\" sizes=\"(max-width: 649px) 100vw, 649px\" \/><\/p><p style=\"text-align: center;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Fonte: Produzido pelo autor a partir dos dados do Sistema de Informa\u00e7\u00f5es de Mortalidade do DATASUS<\/span><\/p><p>\u00a0<\/p><p><span style=\"font-weight: 400;\">Essa din\u00e2mica aponta para o padr\u00e3o de desigualdade em que se encontra o jovem atra\u00eddo pelo crime nas favelas brasileiras. Diante das diversas barreiras sociais que contribuem para a vulnerabilidade desses cidad\u00e3os, como a educa\u00e7\u00e3o prec\u00e1ria e o preconceito associado ao territ\u00f3rio, h\u00e1 uma grande dificuldade em acessar o mercado de trabalho. O relat\u00f3rio \u201cNovas Configura\u00e7\u00f5es das Redes Criminosas Ap\u00f3s a Implanta\u00e7\u00e3o das Unidades de Pol\u00edcia Pacificadora (UPPs)\u201d, por exemplo, revela que, no Rio de Janeiro, 66,3% dos entrevistados tiveram experi\u00eancia profissional anterior \u00e0 entrada no tr\u00e1fico, mas encontraram condi\u00e7\u00f5es de trabalho prec\u00e1rias, o que tornou a op\u00e7\u00e3o pela atividade il\u00edcita uma alternativa de sobreviv\u00eancia. Dessa maneira, fica clara a falta de pol\u00edticas p\u00fablicas que busquem inserir o jovem no mercado de trabalho e que o ajude a se capacitar para alcan\u00e7ar cargos de melhores remunera\u00e7\u00f5es, de modo a desestimul\u00e1-lo a optar pela participa\u00e7\u00e3o em grupos criminosos.<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400;\">Outro fator destacado por Beato e Zilli (2012) que se tornou essencial para a compreens\u00e3o do que os autores definem como aquilo que seria uma \u201csegunda etapa\u201d, ou complexifica\u00e7\u00e3o da estrutura\u00e7\u00e3o de gangues e de fac\u00e7\u00f5es em \u00e1reas vulner\u00e1veis, \u00e9 a intensifica\u00e7\u00e3o da presen\u00e7a de policiais corruptos e violentos nesses territ\u00f3rios. Atra\u00eddos pela grande lucratividade do tr\u00e1fico de drogas e de armas, a atua\u00e7\u00e3o violenta ou mesmo simbi\u00f3tica desses agentes de seguran\u00e7a pode induzir a uma maior estrutura\u00e7\u00e3o dos grupos criminosos, seja para resistir \u00e0 viol\u00eancia dos policiais, seja para mant\u00ea-los como \u201caliados\u201d. Ainda segundo o modelo proposto pelos pesquisadores, esta etapa seria caracterizada por um contexto de fortes disputas e confrontos entre os grupos, cada vez mais estruturados em fun\u00e7\u00e3o de consolidar seu dom\u00ednio sobre os mercados ilegais.<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400;\">O processo de transi\u00e7\u00e3o entre esta segunda etapa de estrutura\u00e7\u00e3o de atividades criminosas e uma fase posterior ocorreria justamente quando h\u00e1 a predomin\u00e2ncia de um grupo sobre os rivais. A conquista de hegemonia criminal nos territ\u00f3rios garante aos grupos vencedores n\u00e3o apenas melhores condi\u00e7\u00f5es de explorar o mercado das drogas, mas tamb\u00e9m estender seus empreendimentos para outros ramos comerciais poss\u00edveis de serem explorados ilicitamente nos territ\u00f3rios dominados (fornecimento de g\u00e1s e \u00e1gua, servi\u00e7os de TV a cabo, transporte p\u00fablico clandestino, etc).<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400;\">Ao longo das d\u00e9cadas 1990 e 2000, toda essa articula\u00e7\u00e3o e fortalecimento das atividades criminosas, principalmente na cidade do Rio de Janeiro, produziu um grande clamor popular no pa\u00eds. A esta press\u00e3o p\u00fablica, o Estado respondeu com pol\u00edticas de encarceramento em massa de membros de fac\u00e7\u00f5es. Tal interven\u00e7\u00e3o, no entanto, potencializou a interlocu\u00e7\u00e3o entre criminosos dentro dos pres\u00eddios, fortalecendo, intra e extramuros, o poderio das fac\u00e7\u00f5es. Tal din\u00e2mica foi essencial para a amplia\u00e7\u00e3o dos empreendimentos criminais, uma vez que a reclus\u00e3o de um grande contingente de criminosos faccionados produziu a capta\u00e7\u00e3o de novos membros para os grupos, fortalecendo seus neg\u00f3cios.<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400;\">Al\u00e9m disso, \u00e9 poss\u00edvel observar a cria\u00e7\u00e3o de novos grupos criminosos de dentro para fora dos pres\u00eddios. Esse foi o caso do Primeiro Comando da Capital, fundado por oito detentos em 1993, na Casa de Cust\u00f3dia de Taubat\u00e9, destinada \u00e0 reclus\u00e3o dos presos indisciplinados. A fac\u00e7\u00e3o cresceu, inicialmente mediando conflitos entre os criminosos, mas logo se expandiu para o mercado de tr\u00e1fico de drogas nos pres\u00eddios e nas periferias brasileiras, atingindo, segundo o Minist\u00e9rio P\u00fablico, mais de 30 mil integrantes em todo o pa\u00eds em 2018 (FELTRAN, 2018).<\/span><\/p><p>\u00a0<\/p><p style=\"text-align: center;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Imagem 1: Rebeli\u00e3o na penitenci\u00e1ria de Junqueir\u00f3polis (SP) em 2006<\/span><\/p><p><img decoding=\"async\" class=\"alignnone  wp-image-2513 aligncenter\" src=\"http:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/Imagem2-1-300x169.png\" alt=\"\" width=\"571\" height=\"322\" srcset=\"https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/Imagem2-1-300x169.png 300w, https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/Imagem2-1.png 567w\" sizes=\"(max-width: 571px) 100vw, 571px\" \/><\/p><p style=\"text-align: center;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Fonte: Alex Silva\/Estad\u00e3o Conte\u00fado. Dispon\u00edvel em: &lt;https:\/\/noticias.uol.com.br\/colunas\/josmar-jozino\/2021\/09\/01\/pcc-aniversario-28-anos-mortes-disputa-por-dinheiro.htm&gt;\u00a0<\/span><\/p><p>\u00a0<\/p><p><b>O terceiro est\u00e1gio de estrutura\u00e7\u00e3o<\/b><\/p><p><span style=\"font-weight: 400;\">Ainda de acordo com o modelo proposto por Beato e Zilli (2012), a terceira fase do processo de estrutura\u00e7\u00e3o de atividades criminosas seria caracterizada pela divis\u00e3o de territ\u00f3rios e pela tentativa de reduzir os conflitos entre grupos criminosos a partir do entendimento de que a viol\u00eancia pode ser disfuncional para os neg\u00f3cios. Assim, as fac\u00e7\u00f5es passam a orientar suas a\u00e7\u00f5es a partir de l\u00f3gicas mais econ\u00f4micas e menos societais. Os empreendimentos n\u00e3o se restringem mais ao tr\u00e1fico de drogas e de armas, mas passam tamb\u00e9m pela comercializa\u00e7\u00e3o clandestina de outros servi\u00e7os legais para a popula\u00e7\u00e3o perif\u00e9rica, como internet, TV, g\u00e1s, transporte e seguran\u00e7a. Nessa etapa, principalmente no cen\u00e1rio do Rio de Janeiro, a rela\u00e7\u00e3o com a pol\u00edcia tamb\u00e9m passa a ser mais pautada pela coopta\u00e7\u00e3o do que pelo confronto. O melhor exemplo deste tipo de din\u00e2mica \u00e9 a dos grupos de milicianos, politicamente organizados no cen\u00e1rio brasileiro (BEATO e ZILLI, 2012).<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400;\">\u00c0 vista disso, \u00e9 importante salientar os efeitos que as fac\u00e7\u00f5es brasileiras, inseridas na l\u00f3gica do terceiro est\u00e1gio de estrutura\u00e7\u00e3o, geram nos indicadores de mortes violentas. A queda dos registros de homic\u00eddios observada a partir de 2018 ocorreu n\u00e3o somente entre os jovens, mas tamb\u00e9m nas outras faixas et\u00e1rias consideradas nos dados gerais de assassinatos no Brasil. Segundo dados do Monitor da Viol\u00eancia, levantados pelo F\u00f3rum Brasileiro de Seguran\u00e7a P\u00fablica (FBSP) e pelo N\u00facleo de Estudos da Viol\u00eancia da Universidade de S\u00e3o Paulo (NEV\/USP), em 2021, o pa\u00eds registrou 41 mil mortes violentas, valor 7% mais baixo que em 2020 (quando houve 44 mil homic\u00eddios) e 30% inferior ao n\u00famero registrado em 2017, no qual aferiu-se o recorde de 59 mil homic\u00eddios na s\u00e9rie hist\u00f3rica, demonstrando uma tend\u00eancia de redu\u00e7\u00e3o desses crimes.<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400;\">De acordo com pesquisadores do NEV\/USP e do FBSP, um dos fatores possivelmente respons\u00e1veis por essa redu\u00e7\u00e3o dos homic\u00eddios seria a maior profissionaliza\u00e7\u00e3o das fac\u00e7\u00f5es criminosas nos seus empreendimentos. O alto \u00edndice de mortes em 2017 teria sido desencadeado pela guerra declarada entre o PCC (Primeiro Comando da Capital) e o Comando Vermelho, din\u00e2mica esta que produziu conflitos sangrentos dentro e fora dos pres\u00eddios em todas as regi\u00f5es brasileiras, mas principalmente no Norte e no Nordeste. Ap\u00f3s este per\u00edodo, houve o apaziguamento dos conflitos e a conviv\u00eancia entre os grupos nesses territ\u00f3rios. Eles compreenderam que a estrat\u00e9gia de conquistar \u00e1reas de influ\u00eancia por meio de guerras violentas limita os lucros e aumenta os custos para manter a \u201cseguran\u00e7a\u201d do crime. Desse modo, dentre outras raz\u00f5es, a nova conforma\u00e7\u00e3o dos grupos criminosos, ocorrida com a declara\u00e7\u00e3o de paz entre as duas principais fac\u00e7\u00f5es brasileiras, teria resultado na tend\u00eancia de queda das estat\u00edsticas nacionais de homic\u00eddio a partir de 2018.<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400;\">A import\u00e2ncia de se identificar as etapas da estrutura\u00e7\u00e3o de grupos criminosos no Brasil reside na possibilidade de pensar processos de cria\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas mais adequadas. Uma estrat\u00e9gia efetiva para um est\u00e1gio pode ser completamente minada em outro, devido \u00e0s condi\u00e7\u00f5es ambientais de implementa\u00e7\u00e3o. Um exemplo disso, \u00e9 a ado\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas sociais de desenvolvimento e de suporte aos indiv\u00edduos em uma comunidade que est\u00e1 na segunda fase de evolu\u00e7\u00e3o da estrutura do crime. Ela dificilmente ser\u00e1 efetiva, pois \u00e9 esperado que, nesse est\u00e1gio, o ambiente esteja tomado por conflitos armados, entre grupos que buscam hegemonia dos empreendimentos criminosos. Tal contexto pode colocar em risco qualquer interven\u00e7\u00e3o p\u00fablica de vi\u00e9s comunit\u00e1rio. Assim, nessa fase, uma interven\u00e7\u00e3o em busca de promover o restabelecimento da ordem e, principalmente, o fim do uso de armas de fogo, se torna essencial para a implementa\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas mais construtivistas que buscam um resultado a longo prazo.<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400;\">De outro modo, em uma comunidade que se encontra na primeira etapa, ou seja, naquela em que os dom\u00ednios est\u00e3o dispersos no territ\u00f3rio e as atividades que geram conflitos entre criminosos s\u00e3o pouco motivadas por quest\u00f5es econ\u00f4micas, existe uma viabilidade de implementa\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas de cunho social. Nesse momento, a\u00e7\u00f5es como a disponibiliza\u00e7\u00e3o de cursos profissionalizantes nas comunidades, a melhor inser\u00e7\u00e3o do jovem no mercado de trabalho, a expans\u00e3o da rede atendimento psicossocial aos dependentes qu\u00edmicos, o apoio \u00e0 fam\u00edlia e a melhoria da capacidade de reinser\u00e7\u00e3o social das unidades socioeducativas s\u00e3o cab\u00edveis e podem ser melhor executadas para reduzir a presen\u00e7a dos jovens nas organiza\u00e7\u00f5es criminosas nas periferias brasileiras.<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400;\">J\u00e1 em territ\u00f3rios que vivenciam o terceiro est\u00e1gio de estrutura\u00e7\u00e3o de atividades criminosas, com dom\u00ednio mais consolidado dos grupos armados, \u00e9 necess\u00e1rio a utiliza\u00e7\u00e3o de medidas mais robustas, de car\u00e1ter fiscal e regulat\u00f3rio, para tentar reduzir o poder de influ\u00eancia das fac\u00e7\u00f5es sob os diversos aspectos econ\u00f4micos e de servi\u00e7os que permeiam a vida da popula\u00e7\u00e3o perif\u00e9rica (BEATO e ZILLI, 2012).<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400;\">Em conclus\u00e3o, \u00e9 poss\u00edvel compreender como a estrutura\u00e7\u00e3o das atividades il\u00edcitas organizadas por grupos de infratores \u00e9 capaz de modificar a din\u00e2mica social, pol\u00edtica e econ\u00f4mica das favelas brasileiras, gerando impactos na sensa\u00e7\u00e3o de seguran\u00e7a dos moradores e nas estat\u00edsticas que exploram as consequ\u00eancias da criminalidade no Brasil. Essas consequ\u00eancias s\u00e3o especialmente mais perversas entre os jovens que, seja pela falta de alternativas, seja pela ilus\u00e3o da lucratividade dos empreendimentos il\u00edcitos, se vinculam \u00e0s gangues e fac\u00e7\u00f5es, reproduzindo ciclos viciosos de viol\u00eancia e desigualdade econ\u00f4mica que resistem no pa\u00eds. Ademais, evidencia-se a import\u00e2ncia de compreender melhor os elementos que caracterizam os processos de organiza\u00e7\u00e3o criminosa no pa\u00eds, at\u00e9 mesmo para facilitar a cria\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas efetivas que combatam as atividades de acordo com as peculiaridades de cada est\u00e1gio do crime.<\/span><\/p><p>\u00a0<\/p><p><b>Autor: Lucas Daniel Oliveira dos Santos, discente do 43 CSAP, assistente de pesquisa, sob a orienta\u00e7\u00e3o dos pesquisadores Amanda M\u00e1tar de Figueiredo e Lu\u00eds Felipe Zilli, como parte da colabora\u00e7\u00e3o entre o N\u00facleo de Estudos em Seguran\u00e7a P\u00fablica &#8211; NESP e o Observat\u00f3rio das Desigualdades.<\/b><\/p><p>*O Observat\u00f3rio das Desigualdades \u00e9 um projeto de extens\u00e3o. O conte\u00fado e as opini\u00f5es expressas n\u00e3o refletem necessariamente o posicionamento da Funda\u00e7\u00e3o Jo\u00e3o Pinheiro ou do CORECON \u2013 MG.<\/p><p>\u00a0<\/p><p><b>Refer\u00eancias bibliogr\u00e1ficas<\/b><\/p><p><span style=\"font-weight: 400;\">BEATO, Cl\u00e1udio; ZILLI, Lu\u00eds. A Estrutura\u00e7\u00e3o de Atividades Criminosas: um estudo de caso. Revista Brasileira de Ci\u00eancias Sociais, Vol. 27, n\u00b0 80 outubro\/2012.\u00a0<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400;\">CORR\u00caA, Alessandra. O que explica o aumento hist\u00f3rico de homic\u00eddios nos EUA? BBC News Brasil. Setembro, 2021.<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400;\">DATASUS. Mortalidade no Brasil. Dispon\u00edvel em &lt;<\/span><a href=\"http:\/\/tabnet.datasus.gov.br\/cgi\/tabcgi.exe?sim\/cnv\/obt10uf.def\"><span style=\"font-weight: 400;\">http:\/\/tabnet.datasus.gov.br\/cgi\/tabcgi.exe?sim\/cnv\/obt10uf.def<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">&gt;. Acesso em 07 de abril de 2022.<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400;\">FBSP. Atlas da Viol\u00eancia 2021. Instituto de Pesquisa Economia Aplicada, F\u00f3rum Brasileiro de Seguran\u00e7a P\u00fablica (FBSP). Dispon\u00edvel em: <\/span><a href=\"https:\/\/www.ipea.gov.br\/atlasviolencia\/publicacoes\"><span style=\"font-weight: 400;\">https:\/\/www.ipea.gov.br\/atlasviolencia\/publicacoes<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">.<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400;\">FBSP. Monitor da viol\u00eancia. N\u00famero de assassinatos cai 7% no Brasil em 2021 e \u00e9 o menor da s\u00e9rie hist\u00f3rica. G1, fevereiro, 2022.\u00a0<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400;\">FELTRAN, Gabriel. Irm\u00e3os: Uma hist\u00f3ria do PCC. S\u00e3o Paulo: Companhia das Letras, 2018.<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400;\">Observat\u00f3rio de Homic\u00eddios. Instituto Igarap\u00e9.\u00a0<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400;\">WILLADINO, Raquel; NASCIMENTO, Rodrigo; SOUZA; Jailson. Novas Configura\u00e7\u00f5es das Redes Criminosas ap\u00f3s a Implanta\u00e7\u00e3o das Unidades de Pol\u00edcia Pacificadora (UPPs). Rio de Janeiro: Observat\u00f3rio De Favelas, 2018.\u00a0<\/span><\/p>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Brasil tem um longo hist\u00f3rico de viol\u00eancia em suas favelas e bairros pobres da periferia. Entre diversos fatores, tal contexto de vulnerabilidade \u00e9 potencializado pela atua\u00e7\u00e3o de grupos criminosos, sobretudo aqueles envolvidos em redes de tr\u00e1fico de drogas il\u00edcitas. 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