{"id":2915,"date":"2023-03-08T19:50:32","date_gmt":"2023-03-08T19:50:32","guid":{"rendered":"https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/?p=2915"},"modified":"2023-03-09T17:25:57","modified_gmt":"2023-03-09T17:25:57","slug":"8m-atraso-e-desigualdades-no-trabalho-domestico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/?p=2915","title":{"rendered":"8M: atraso e desigualdades no trabalho dom\u00e9stico"},"content":{"rendered":"\t\t<div data-elementor-type=\"wp-post\" data-elementor-id=\"2915\" class=\"elementor elementor-2915\">\n\t\t\t\t\t\t<section class=\"elementor-section elementor-top-section elementor-element elementor-element-a94dec7 elementor-section-boxed elementor-section-height-default elementor-section-height-default\" data-id=\"a94dec7\" data-element_type=\"section\" data-e-type=\"section\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-container elementor-column-gap-default\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-column elementor-col-100 elementor-top-column elementor-element elementor-element-2397625\" data-id=\"2397625\" data-element_type=\"column\" data-e-type=\"column\">\n\t\t\t<div class=\"elementor-widget-wrap elementor-element-populated\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-bf0696d elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"bf0696d\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<p>No dia 8 de mar\u00e7o, uma data que carrega a hist\u00f3ria das mulheres trabalhadoras de todo o mundo, o Observat\u00f3rio das Desigualdades traz uma reflex\u00e3o sobre o trabalho dom\u00e9stico n\u00e3o remunerado no Brasil. Partindo da cr\u00edtica ao trabalho dom\u00e9stico como uma atividade essencialmente feminina, este post busca analisar o modo desigual como ele \u00e9 distribu\u00eddo na sociedade (considerando as vari\u00e1veis de g\u00eanero, ra\u00e7a e classe), o valor gerado por esse trabalho e poss\u00edveis caminhos para uma divis\u00e3o mais justa. Ademais, \u00e9 necess\u00e1rio reconhecer as rela\u00e7\u00f5es de trabalho dom\u00e9stico remunerado, com suas vulnerabilidades e desvaloriza\u00e7\u00e3o, apesar dos avan\u00e7os na \u00faltima d\u00e9cada.<\/p><p>Tradicionalmente, as atividades dom\u00e9sticas e de cuidado s\u00e3o designadas \u00e0s mulheres como algo natural, com base na ideia de que existe um destino condicionado biologicamente ou religiosamente ao sexo feminino que define as mulheres como seres do espa\u00e7o privado\/dom\u00e9stico e do cuidado. H\u00e1 mais de um s\u00e9culo, as mulheres v\u00eam combatendo essas ideias, como Simone de Beauvoir que argumenta que a posi\u00e7\u00e3o assumida pela mulher na sociedade, a partir da diferencia\u00e7\u00e3o e hierarquiza\u00e7\u00e3o dos sexos, \u00e9 um produto do conjunto da civiliza\u00e7\u00e3o. Nesse sentido, a autora explica como desde a inf\u00e2ncia os comportamentos femininos e o papel que a mulher deve assumir socialmente s\u00e3o moldados, obrigando, como uma das consequ\u00eancias desse processo, essa metade da humanidade a se responsabilizar pelo trabalho dom\u00e9stico (BEAUVOIR, 1949). Em uma simples busca na internet por brinquedos infantis (imagens 1 e 2) \u00e9 not\u00e1vel como essa divis\u00e3o se imp\u00f5e desde a inf\u00e2ncia: enquanto os brinquedos \u201cde meninos\u201d se relacionam \u00e0 esfera produtiva e p\u00fablica, como brincadeiras de autom\u00f3veis, constru\u00e7\u00e3o, esportes e tecnologia, os \u201cde meninas\u201d se relacionam \u00e0s atividades dom\u00e9sticas e de cuidado, como bonecas, itens de cozinha e de beleza.<\/p><p style=\"text-align: center;\">Imagem 1 &#8211; Busca por \u201cbrinquedos para meninos\u201d no Google<\/p>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-ef2350c elementor-widget elementor-widget-image\" data-id=\"ef2350c\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"image.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"509\" height=\"230\" src=\"https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/Imagem-1-1.png\" class=\"attachment-large size-large wp-image-2921\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/Imagem-1-1.png 509w, https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/Imagem-1-1-300x136.png 300w\" sizes=\"(max-width: 509px) 100vw, 509px\" \/>\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-7c76046 elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"7c76046\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<p style=\"text-align: center;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Imagem 2 &#8211; Busca por \u201cbrinquedos para meninas\u201d no Google<\/span><\/p>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-7c46e46 elementor-widget elementor-widget-image\" data-id=\"7c46e46\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"image.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<img decoding=\"async\" width=\"512\" height=\"250\" src=\"https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/Imagem-2-1.png\" class=\"attachment-large size-large wp-image-2922\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/Imagem-2-1.png 512w, https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/Imagem-2-1-300x146.png 300w\" sizes=\"(max-width: 512px) 100vw, 512px\" \/>\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-6be3236 elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"6be3236\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<p><span style=\"font-weight: 400;\">Essa separa\u00e7\u00e3o entre o trabalho produtivo e o trabalho reprodutivo entre homens e mulheres, respectivamente, \u00e9 chamada de divis\u00e3o sexual do trabalho, que cria uma hierarquia em que o primeiro se sobrep\u00f5e ao segundo. Friedan (1963) denunciou os impactos de condenar as mulheres \u00e0s ocupa\u00e7\u00f5es de esposa e m\u00e3e tanto sobre sua sa\u00fade f\u00edsica e mental quanto sobre as possibilidades de conquistar a independ\u00eancia econ\u00f4mica em rela\u00e7\u00e3o aos homens e a inser\u00e7\u00e3o no mercado de trabalho. De modo complementar, Federici (2019) entende o trabalho dom\u00e9stico como a base do sistema fabril &#8211; al\u00e9m de sua import\u00e2ncia para qualquer sistema de produ\u00e7\u00e3o &#8211; que produz capital e \u00e9 respons\u00e1vel pela reprodu\u00e7\u00e3o da for\u00e7a de trabalho, tendo como sujeito a dona de casa trabalhadora. Dessa forma, para al\u00e9m da necessidade de permitir que as mulheres participem do chamado trabalho produtivo, o trabalho dom\u00e9stico deve ser entendido como uma atividade de responsabilidade coletiva.<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400;\">A realidade brasileira comprova essa distribui\u00e7\u00e3o desigual do trabalho dom\u00e9stico, na medida em que, de acordo com os dados da PNAD Cont\u00ednua de 2019, as mulheres brasileiras dedicam, em m\u00e9dia, 10,4 horas a mais por semana aos afazeres dom\u00e9sticos em rela\u00e7\u00e3o aos homens. Entre 2016 e 2019, essa diferen\u00e7a aumentou de 9,9 para 10,4 horas. Um poss\u00edvel questionamento poderia ser em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 ocupa\u00e7\u00e3o dessas pessoas, seguindo a l\u00f3gica de que as mulheres se ocupam com as atividades dom\u00e9sticas enquanto os homens oferecem a sustenta\u00e7\u00e3o financeira \u00e0 fam\u00edlia se ocupando com um trabalho remunerado. Contudo, deve-se considerar que, na realidade atual, as mulheres est\u00e3o inseridas no mercado de trabalho (mesmo que de forma muito desigual), e, dessa forma, acumulam jornadas de trabalho dentro e fora de casa, causando uma sobrecarga sobre uma metade da popula\u00e7\u00e3o para benef\u00edcio da outra, que se usufrui desse trabalho mesmo com uma contribui\u00e7\u00e3o muito inferior. Na pr\u00e1tica, comparando a m\u00e9dia de horas dedicadas aos afazeres dom\u00e9sticos por homens e mulheres ocupados, elas dedicam 8,1 horas a mais por semana (gr\u00e1fico 1).\u00a0<\/span><\/p><p style=\"text-align: center;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Gr\u00e1fico 1 &#8211; M\u00e9dia de horas dedicadas pelas pessoas de 14 anos ou mais de idade aos afazeres dom\u00e9sticos e\/ou \u00e0s tarefas de cuidado de pessoas, por sexo e situa\u00e7\u00e3o de ocupa\u00e7\u00e3o (Brasil, 2019)<\/span><\/p>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-87d5bbf elementor-widget elementor-widget-image\" data-id=\"87d5bbf\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"image.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<img decoding=\"async\" width=\"512\" height=\"317\" src=\"https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/Grafico-1-1.png\" class=\"attachment-large size-large wp-image-2918\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/Grafico-1-1.png 512w, https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/Grafico-1-1-300x186.png 300w\" sizes=\"(max-width: 512px) 100vw, 512px\" \/>\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-1aa3b05 elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"1aa3b05\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<p style=\"text-align: center;\">Fonte: IBGE &#8211; PNAD Cont\u00ednua 2019. Elabora\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria.<\/p><p>\u00c0 desigualdade de g\u00eanero, soma-se a desigualdade racial, de modo que as mulheres negras s\u00e3o ainda mais sobrecarregadas pelo trabalho dom\u00e9stico n\u00e3o remunerado. Conforme os dados representados na tabela abaixo, 94,1% das mulheres pretas realizam afazeres dom\u00e9sticos, percentual superior aos 91,5% das mulheres brancas que realizam essas atividades. Observa-se que para todos os grupos de cor ou ra\u00e7a o percentual de mulheres que realiza afazeres dom\u00e9sticos \u00e9 superior em compara\u00e7\u00e3o ao sexo masculino. Em rela\u00e7\u00e3o aos trabalhos de cuidado, 40,0% das mulheres negras cuidam de moradores do seu munic\u00edpio ou parentes, enquanto para mulheres brancas o percentual \u00e9 de 33,5%.<\/p><p style=\"text-align: center;\">Tabela 1 &#8211; Percentual de pessoas com 14 anos ou mais que realizavam afazeres dom\u00e9sticos por g\u00eanero e ra\u00e7a (Brasil, 2019)<\/p>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-35ff44e elementor-widget elementor-widget-image\" data-id=\"35ff44e\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"image.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"512\" height=\"112\" src=\"https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/Tabela-1-1.png\" class=\"attachment-large size-large wp-image-2920\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/Tabela-1-1.png 512w, https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/Tabela-1-1-300x66.png 300w\" sizes=\"(max-width: 512px) 100vw, 512px\" \/>\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-b38d4c0 elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"b38d4c0\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<p style=\"text-align: center;\">Fonte: IBGE &#8211; PNAD Cont\u00ednua 2019. Elabora\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria. <\/p><p>Todo esse trabalho realizado na esfera dom\u00e9stica de forma n\u00e3o remunerada gera valor para a sociedade como um todo, contudo n\u00e3o existe uma mensura\u00e7\u00e3o padronizada e oficial da produ\u00e7\u00e3o, do consumo e da transfer\u00eancia dessas atividades. Nesse sentido, a professora Hildete Pereira de Melo liderou uma pesquisa iniciada em 2005 para mensurar o trabalho dom\u00e9stico n\u00e3o remunerado. Os resultados mostram que entre 2005 e 2015 essas atividades geraram aproximadamente R$ 5 trilh\u00f5es e, em 2015, corresponderam a 11,3% do PIB (UFF, 2018). <br \/>A n\u00e3o remunera\u00e7\u00e3o do trabalho dom\u00e9stico representa, portanto, a desvaloriza\u00e7\u00e3o de um campo de atividades sociais que assegura a reprodu\u00e7\u00e3o da vida humana (FEDERICI, 2019) e que representa uma atividade expressiva para a economia nacional, como observado. Nessa linha, Federici (2019) sugere que o Estado deve oferecer uma renda para garantir a continuidade do trabalho reprodutivo, visto que \u00e9 necess\u00e1rio \u201creconhecer o trabalho dom\u00e9stico como trabalho &#8211; ou seja, uma atividade que deve ser remunerada, pois contribui para a produ\u00e7\u00e3o da for\u00e7a de trabalho e produz capital, favorecendo a realiza\u00e7\u00e3o de qualquer outra forma de produ\u00e7\u00e3o\u201d (p. 26). <\/p><p>Contudo, como a pr\u00f3pria autora pondera, para al\u00e9m da necessidade de remunera\u00e7\u00e3o do trabalho dom\u00e9stico, \u00e9 necess\u00e1rio desconstruir o mito de que se trata de uma atividade feminina. Nesse sentido, as ideias de coopera\u00e7\u00e3o e interdepend\u00eancia s\u00e3o essenciais para criar formas de coletiviza\u00e7\u00e3o desse trabalho, ou seja, reconhecer o trabalho reprodutivo como responsabilidade da sociedade como um todo. As divis\u00f5es entre o trabalho produtivo e o trabalho reprodutivo, mantendo este sob responsabilidade das mulheres, isoladas no ambiente dom\u00e9stico, devem ser derrubadas para uma independ\u00eancia feminina plena, de modo que a ideia de remunerar o trabalho reprodutivo, como questionaram Eleanor Marx e Clara Zetkin, n\u00e3o \u00e9 capaz de solucionar sozinha essa quest\u00e3o (PEIXOTO, 2021). <\/p><p>Ressalta-se ainda que a inser\u00e7\u00e3o das mulheres no mercado de trabalho n\u00e3o deve ocorrer por meio do refor\u00e7o a outras formas de explora\u00e7\u00e3o ou se limitar a um grupo restrito. No Brasil, o trabalho dom\u00e9stico remunerado \u00e9 marcado pela vulnerabilidade e pela precariedade, apesar dos avan\u00e7os recentes, al\u00e9m de ser exercido principalmente por mulheres negras e perif\u00e9ricas (PINHEIRO, TOKARSKI e POSTHUMA, 2021). A sobrecarga dessas trabalhadoras por longas jornadas de trabalho e baixa remunera\u00e7\u00e3o pode, inclusive, ter impactos intergeracionais, refor\u00e7ando as desigualdades raciais e de classe. Isso reafirma a necessidade de pol\u00edticas p\u00fablicas que retirem a responsabilidade exclusiva sobre o trabalho reprodutivo das mulheres e garantam os direitos das trabalhadoras dom\u00e9sticas. <\/p><p>Al\u00e9m de as mulheres negras representarem a maior parte das trabalhadoras dom\u00e9sticas, elas recebem sal\u00e1rios inferiores em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s trabalhadoras brancas. Isso se refor\u00e7a ainda mais quando o trabalho ocorre informalmente, visto que a m\u00e9dia salarial de mulheres negras nessas condi\u00e7\u00f5es \u00e9 de R$ 743,00 e a das brancas \u00e9 de R$ 920,00. Destaca-se que o sal\u00e1rio m\u00ednimo em 2021 era R$ 1100,00, ent\u00e3o a m\u00e9dia salarial daquelas que trabalhavam sem carteira era aproximadamente 27% inferior a este valor no total. <\/p><p style=\"text-align: center;\">Gr\u00e1fico 2 &#8211; Rendimento m\u00e9dio mensal das trabalhadoras dom\u00e9sticas por tipo de v\u00ednculo empregat\u00edcio e cor\/ra\u00e7a em reais (Brasil, 2021)<\/p>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-d5bd65a elementor-widget elementor-widget-image\" data-id=\"d5bd65a\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"image.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"512\" height=\"307\" src=\"https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/Grafico-2-1.png\" class=\"attachment-large size-large wp-image-2919\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/Grafico-2-1.png 512w, https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/Grafico-2-1-300x180.png 300w\" sizes=\"(max-width: 512px) 100vw, 512px\" \/>\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-342a29b elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"342a29b\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<p style=\"text-align: center;\">Fonte: DIEESE (2022). Dados da PNAD Cont\u00ednua. Elabora\u00e7\u00e3o Pr\u00f3pria.<\/p><p>A luta pelo reconhecimento do valor do trabalho dom\u00e9stico e pelo fim da divis\u00e3o sexual do trabalho, que j\u00e1 eram discutidas na atua\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e nas obras das criadoras do Dia Internacional da Mulher, Clara Zetkin e Alexandra Kollontai, continua como uma pauta do movimento feminista que merece destaque nesta data. No contexto brasileiro, esse problema \u00e9 comprovado na pr\u00e1tica e exige pol\u00edticas eficientes para desenhar os caminhos de um futuro de igualdade.<\/p><p>\u00a0<\/p><p>Autora: Anna Clara Mattos, sob a orienta\u00e7\u00e3o de Bruno Lazzarotti<\/p><p>*O Observat\u00f3rio das Desigualdades \u00e9 um projeto de extens\u00e3o. O conte\u00fado e as opini\u00f5es expressas n\u00e3o refletem necessariamente o posicionamento da Funda\u00e7\u00e3o Jo\u00e3o Pinheiro ou do CORECON \u2013 MG.<\/p><p>\u00a0<\/p><p><strong>Refer\u00eancias<\/strong><br \/>BEAUVOIR, Simone. O Segundo Sexo vol. 2. \u00c9ditions Gallimard, 1949.<\/p><p>DIEESE. Trabalho Dom\u00e9stico no Brasil. 2022. Dispon\u00edvel em: &lt;https:\/\/www.dieese.org.br\/infografico\/2022\/trabalhoDomestico.html&gt;. Acesso em: 08 mar. 2023.<\/p><p>FEDERICI, Silvia. O Ponto Zero da Revolu\u00e7\u00e3o. Editora Elefante, 2019.<\/p><p>FRIEDAN, Betty. A M\u00edstica Feminina. Editora Vozes, 1963.<\/p><p>PEIXOTO, Mait\u00ea. Pref\u00e1cio \u00e0 edi\u00e7\u00e3o brasileira. In: KOLLONTAI, Alexandra. A Revolu\u00e7\u00e3o Sexual e o Socialismo. S\u00e3o Paulo, Lavra Palavra, 2021.<\/p><p>UFF. Pesquisa da UFF destaca impacto do trabalho dom\u00e9stico na economia nacional. 09 mai. 2018. Dispon\u00edvel em: &lt;https:\/\/www.uff.br\/?q=noticias\/09-05-2018\/pesquisa-da-uff-destaca-impacto-do-trabalho-domestico-na-economia-nacional&gt;. Acesso em: 08 mar. 2023.<\/p><p>PINHEIRO, Luana; TOKARSKI, Carolina; POSTHUMA, Anne. Entre rela\u00e7\u00f5es de cuidado e viv\u00eancias de vulnerabilidade : dilemas e desafios para o trabalho dom\u00e9stico e de cuidados remunerado no Brasil. Bras\u00edlia, IPEA, 2021<\/p>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No dia 8 de mar\u00e7o, uma data que carrega a hist\u00f3ria das mulheres trabalhadoras de todo o mundo, o Observat\u00f3rio das Desigualdades traz uma reflex\u00e3o sobre o trabalho dom\u00e9stico n\u00e3o remunerado no Brasil. Partindo da cr\u00edtica ao trabalho dom\u00e9stico como uma atividade essencialmente feminina, este post busca analisar o modo desigual como ele \u00e9 distribu\u00eddo 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