{"id":3013,"date":"2023-05-15T18:32:28","date_gmt":"2023-05-15T18:32:28","guid":{"rendered":"https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/?p=3013"},"modified":"2024-05-27T19:52:42","modified_gmt":"2024-05-27T19:52:42","slug":"dia-das-maes-reflexoes-sobre-a-discriminacao-as-maes-pela-justica-brasileira-atraves-da-lei-da-alienacao-parental","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/?p=3013","title":{"rendered":"Dia das M\u00e3es: reflex\u00f5es sobre a discrimina\u00e7\u00e3o \u00e0s m\u00e3es pela justi\u00e7a brasileira atrav\u00e9s da Lei da Aliena\u00e7\u00e3o Parental"},"content":{"rendered":"\t\t<div data-elementor-type=\"wp-post\" data-elementor-id=\"3013\" class=\"elementor elementor-3013\">\n\t\t\t\t\t\t<section class=\"elementor-section elementor-top-section elementor-element elementor-element-0ee348d elementor-section-boxed elementor-section-height-default elementor-section-height-default\" data-id=\"0ee348d\" data-element_type=\"section\" data-e-type=\"section\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-container elementor-column-gap-default\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-column elementor-col-100 elementor-top-column elementor-element elementor-element-4cf964c\" data-id=\"4cf964c\" data-element_type=\"column\" data-e-type=\"column\">\n\t\t\t<div class=\"elementor-widget-wrap elementor-element-populated\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-3caa8ec elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"3caa8ec\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<p>Ser m\u00e3e no Brasil &#8211; como em todo o mundo, em diferentes medidas &#8211; \u00e9 um papel desafiador, cercado por press\u00f5es sociais, estigmas e preconceitos, que sobrecarregam a figura feminina no processo de cria\u00e7\u00e3o dos filhos e nas responsabilidades sobre a fam\u00edlia. Desde o nascimento, sobrecai sobre a m\u00e3e a obriga\u00e7\u00e3o dos cuidados com a crian\u00e7a, de modo que elas acabam dedicando uma parcela muito maior de seu tempo a essas atividades &#8211; quase duas vezes maior em rela\u00e7\u00e3o aos homens, de acordo com dados da PNAD Cont\u00ednua 2019 [1] &#8211; apesar dos avan\u00e7os a passos lentos nas \u00faltimas d\u00e9cadas no sentido de uma divis\u00e3o mais igualit\u00e1ria desse papel entre os genitores. <\/p><p>Em situa\u00e7\u00f5es de disputa pela guarda de uma crian\u00e7a, \u00e9 comum que ela permane\u00e7a com a m\u00e3e, tendo em vista esse papel socialmente atribu\u00eddo e assumido pelas mulheres. Nesses processos, as mulheres, carregando o peso da responsabilidade sobre as crian\u00e7as e a exaust\u00e3o das m\u00faltiplas jornadas de trabalho, precisam enfrentar ainda o machismo institucionalizado no judici\u00e1rio brasileiro, em que os estere\u00f3tipos de g\u00eanero s\u00e3o refor\u00e7ados nas decis\u00f5es e o tratamento \u00e9 carregado de preconceitos. Somando-se a isso, a Lei da Aliena\u00e7\u00e3o Parental (LAP) [2], sancionada em 2010, surge como um recurso para favorecer os pais, categorizando m\u00e3es como alienadoras, inst\u00e1veis psicologicamente, punindo-as, muitas vezes, por denunciar poss\u00edveis abusos dos pais ou de outras pessoas pr\u00f3ximas \u00e0s crian\u00e7as. Isso \u00e9 o que mostra a s\u00e9rie de reportagens da jornalista Nayara Felizardo [3], do The Intercept Brasil, abordando como a LAP tem prejudicado m\u00e3es que denunciam abusos de pais e entregando as crian\u00e7as envolvidas aos poss\u00edveis abusadores. Esta Lei caracteriza a aliena\u00e7\u00e3o parental como \u201cinterfer\u00eancia na forma\u00e7\u00e3o psicol\u00f3gica da crian\u00e7a ou do adolescente promovida ou induzida por um dos genitores\u201d (BRASIL, 2010), possibilitando a retirada da guarda da crian\u00e7a do genitor acusado de aliena\u00e7\u00e3o. <\/p><p>A S\u00edndrome da Aliena\u00e7\u00e3o Parental (SAP), que inspirou a lei, \u00e9 uma categoria criada pelo psiquiatra Richard Gardner para definir o comportamento de um genitor que induz, por meio da implanta\u00e7\u00e3o de falsas mem\u00f3rias, a crian\u00e7a a romper os la\u00e7os afetivos com o outro genitor [4]. A SAP, portanto, \u00e9 reconhecida pelos defensores dessa ideia como uma patologia, apesar de n\u00e3o ser categorizada dessa forma pela Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS) [5]. Al\u00e9m da falta de comprova\u00e7\u00e3o e de reconhecimento cient\u00edfico, a teoria de Gardner \u00e9 conhecida por argumentar abertamente em favor da naturaliza\u00e7\u00e3o da pedofilia, afirmando que a sociedade apresenta \u201cuma atitude exageradamente punitiva e moralista sobre os encontros sexuais entre adultos e crian\u00e7as\u201d (GARDNER, 1992 apud SOUZA, 2021). Apesar de n\u00e3o citar diretamente a SAP, o conceito presente na lei brasileira \u00e9 indissoci\u00e1vel de sua origem te\u00f3rica (SOUZA, 2021), al\u00e9m de se alinhar ao modo como ela \u00e9 aplicada na pr\u00e1tica: favorecendo poss\u00edveis pais abusadores e condenando mulheres. <\/p><p>Revestido de uma suposta neutralidade, o ordenamento jur\u00eddico utiliza termos gen\u00e9ricos, como \u201cgenitor\u201d e \u201calienador\u201d, para caracterizar a pessoa que acusada de tal comportamento, como se a pr\u00e1tica fosse desvinculada ao g\u00eanero do genitor. Contudo, na pr\u00e1tica, transparece a ideologia patriarcal que influencia o Judici\u00e1rio: as acusa\u00e7\u00f5es s\u00e3o majoritariamente contra mulheres (SOUZA, 2021; H\u00dcMMELGEN, CANGUSS\u00da, 2017; FELIZARDO, 2023), com uma seletividade que \u201creflete uma tend\u00eancia das institui\u00e7\u00f5es judici\u00e1rias de desvalorizar a palavra feminina, sendo retratada, n\u00e3o raramente, como mentirosa, vingativa e implantadora de falsas mem\u00f3rias, sobretudo, em casos de den\u00fancias de abuso sexual de crian\u00e7as\u201d (SOUZA, 2021). <\/p><p>Felizardo (2023) analisa casos de m\u00e3es que foram acusadas de aliena\u00e7\u00e3o parental ap\u00f3s denunciarem abusos sexuais cometidos contra seus filhos pelo outro genitor e acabaram perdendo a guarda. Al\u00e9m de evidenciarem o tratamento machista no Judici\u00e1rio e o desfavorecimento das mulheres por estere\u00f3tipos mis\u00f3ginos, as reportagens [3] denunciam ainda a apresenta\u00e7\u00e3o de laudos psicol\u00f3gicos contratados pelos pais e a desconsidera\u00e7\u00e3o completa dos relatos das crian\u00e7as por ju\u00edzes. Em um caso mais extremo, Jane Soares da Silva foi obrigada, sob amea\u00e7a de perder a guarda dos filhos por aliena\u00e7\u00e3o parental, a permitir encontros do pai com as duas crian\u00e7as, de 9 e 6 anos, semanalmente, apesar de ter denunciado diversos comportamentos abusivos do genitor contra os tr\u00eas, resultando no assassinato das duas crian\u00e7as pelo pai em uma das visitas. <\/p><p>A misoginia marcante no Judici\u00e1rio cria dificuldades e desigualdades para as m\u00e3es no acesso a recursos para protegerem a seus filhos e a si, sendo impossibilitadas de cuidar e preservar a vida de suas crian\u00e7as. Desse modo, esse caso tr\u00e1gico retrata a urg\u00eancia de discutir o modo como a LAP est\u00e1 sendo aplicada no Brasil e justificando o descaso com as den\u00fancias e os pedidos de socorro de m\u00e3es e crian\u00e7as abusadas.<\/p><p><strong>Autoras:<\/strong> Anna Clara Mattos e Ariel Morelo, sob a orienta\u00e7\u00e3o de Bruno Lazzarotti<\/p><p>*O Observat\u00f3rio das Desigualdades \u00e9 um projeto de extens\u00e3o. O conte\u00fado e as opini\u00f5es expressas n\u00e3o refletem necessariamente o posicionamento da Funda\u00e7\u00e3o Jo\u00e3o Pinheiro ou do CORECON \u2013 MG.<\/p><p><strong>Refer\u00eancias<\/strong><br \/>[1] Leia mais sobre desigualdades nos trabalhos dom\u00e9sticos e de cuidados: observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/?p=2915 <br \/>[2] BRASIL. Lei n\u00ba 12.318, de 26 de agosto de 2010. Disp\u00f5e sobre a aliena\u00e7\u00e3o parental e altera o art. 236 da Lei no 8.069, de 13 de julho de 1990. Bras\u00edlia, 26 de agosto de 2010. Dispon\u00edvel em: &lt;www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/_ato2007-2010\/2010\/lei\/l12318.htm&gt;. <br \/>[3] FELIZARDO, Nayara. Em nome dos pais. The Intercept Brasil, 2023. Dispon\u00edvel em: &lt;www.intercept.com.br\/series\/em-nome-dos-pais\/&gt;. <br \/>[4] SOUZA, F\u00e1bio Rocha de. Aliena\u00e7\u00e3o parental e viol\u00eancia de g\u00eanero: uma an\u00e1lise sociojur\u00eddica da Lei 12.318\/10. 2021. Disserta\u00e7\u00e3o de Mestrado. Pontif\u00edcia Universidade Cat\u00f3lica do Rio Grande do Sul. Dispon\u00edvel em: &lt;repositorio.pucrs.br\/dspace\/bitstream\/10923\/17721\/1\/000500445-Texto%2Bcompleto-0.pdf&gt;. <br \/>[5] Parental Alienation. World Health Organization, 2023. Dispon\u00edvel em: &lt;www.who.int\/standards\/classifications\/frequently-asked-questions\/parental-alienation&gt;. <br \/>[6] H\u00dcMMELGEN, Isabela; CANGUSS\u00da, Kauan Juliano. Estere\u00f3tipos de g\u00eanero no direito das fam\u00edlias: um estudo da doutrina jur\u00eddica sobre aliena\u00e7\u00e3o parental. ENADIR, FFLCL-USP, S\u00e3o Paulo, 2017. Dispon\u00edvel em: &lt;nadir.fflch.usp.br\/sites\/nadir.fflch.usp.br\/files\/upload\/paginas\/ISABELA%20KAUAN.pdf &gt;.<\/p>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ser m\u00e3e no Brasil &#8211; como em todo o mundo, em diferentes medidas &#8211; \u00e9 um papel desafiador, cercado por press\u00f5es sociais, estigmas e preconceitos, que sobrecarregam a figura feminina no processo de cria\u00e7\u00e3o dos filhos e nas responsabilidades sobre a fam\u00edlia. 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