{"id":3051,"date":"2023-06-15T17:45:48","date_gmt":"2023-06-15T17:45:48","guid":{"rendered":"https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/?p=3051"},"modified":"2024-05-27T19:38:20","modified_gmt":"2024-05-27T19:38:20","slug":"o-final-de-succession-e-a-psicologia-social-da-indiferenca-como-a-desigualdade-extrema-cria-elites-mesquinhas-sem-spoilers-por-favor","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/?p=3051","title":{"rendered":"O final de Succession e a psicologia social da indiferen\u00e7a: como a desigualdade extrema cria elites mesquinhas (sem spoilers, por favor!)"},"content":{"rendered":"\t\t<div data-elementor-type=\"wp-post\" data-elementor-id=\"3051\" class=\"elementor elementor-3051\">\n\t\t\t\t\t\t<section class=\"elementor-section elementor-top-section elementor-element elementor-element-786a214 elementor-section-boxed elementor-section-height-default elementor-section-height-default\" data-id=\"786a214\" data-element_type=\"section\" data-e-type=\"section\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-container elementor-column-gap-default\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-column elementor-col-100 elementor-top-column elementor-element elementor-element-1668aff\" data-id=\"1668aff\" data-element_type=\"column\" data-e-type=\"column\">\n\t\t\t<div class=\"elementor-widget-wrap elementor-element-populated\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-f8abbbe elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"f8abbbe\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<p><span style=\"font-weight: 400;\">No domingo, dia 28 de maio, foi exibido o \u00faltimo epis\u00f3dio de Succession, uma das mais aclamadas s\u00e9ries da atualidade. Por 5 temporadas milh\u00f5es de espectadores acompanharam os neg\u00f3cios, as disputas e as rela\u00e7\u00f5es familiares, afetivas e sociais totalmente disfuncionais de Logan Roy e seus quatro filhos. O n\u00facleo do enredo \u00e9 constitu\u00eddo justamente pela Roy, comandada pelo desp\u00f3tico patriarca Logan Roy. Logan, interpretado por Brian Cox, Logan \u00e9 o fundador e CEO da Waystar Royco, uma enorme corpora\u00e7\u00e3o de m\u00eddia e entretenimento que possui desde produtoras, redes de televis\u00e3o e de r\u00e1dio, jornais at\u00e9 cruzeiros, hot\u00e9is e parques de divers\u00f5es. um conglomerado de m\u00eddia que inclui jornais, redes de televis\u00e3o, cruzeiros e parques de divers\u00f5es. O cen\u00e1rio em que se desenrola a trama &#8211; e que se desdobra em v\u00e1rias ramifica\u00e7\u00f5es e enredos secund\u00e1rios &#8211; \u00e9 composto de dois elementos principais. No contexto de fundo, a s\u00e9rie gira em torno do temor do decl\u00ednio do setor tradicional de m\u00eddia, desafiado pelas chamadas \u201cbig techs\u201d, a press\u00e3o que isto gera sobre a gigante Waystar e o processo intenso de aquisi\u00e7\u00f5es e fus\u00f5es em que o conglomerado tem que se envolver para se reposicionar. Mas este processo se entrela\u00e7a e \u00e9 abordado a partir da din\u00e2mica da sucess\u00e3o do patriarca e CEO Logan Roy e da disputa entre seus filhos \u2013 Connor, Kendall, Roman e Shiv \u2013 pelo legado e pelo comando do conglomerado.<\/span><\/p><p><b>Qual \u00e9 a elite criada por uma sociedade desigual?<\/b><\/p><p><span style=\"font-weight: 400;\">Para al\u00e9m de seus (muitos) reconhecidos m\u00e9ritos dram\u00e1ticos e cinematogr\u00e1ficos, Succession pode ser vista tamb\u00e9m como uma cr\u00edtica \u00e1cida ao mundo dos super-ricos e, mais do que isto, \u00e0 sociedade que os cria e ao mostrar que as consequ\u00eancias da desigualdade extrema recaem n\u00e3o apenas sobre aqueles em situa\u00e7\u00e3o vantajosa, mas tamb\u00e9m envolvem a conforma\u00e7\u00e3o de uma elite c\u00ednica e disfuncional nos mais diversos \u00e2mbitos da vida: emocional e afetivo, empresarial, social e pol\u00edtico.<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400;\">Mas o que significa realmente ser super-rico? Geralmente pensamos as desigualdades olhando para a forma como se expressa sobre aqueles que se encontram na base da pir\u00e2mide social, aos quais \u00e9 negado o direito a participar dignamente do resultado do esfor\u00e7o coletivo de toda a sociedade, em termos de riqueza, poder e oportunidades. Mas o outro lado desta moeda, tamb\u00e9m muito impressionante, \u00e9 \u201co excesso de riqueza dos muito ricos\u201d. A quantidade de renda e, mais ainda, de riqueza (patrim\u00f4nio, bens, propriedades, im\u00f3veis, a\u00e7\u00f5es de empresas etc.) concentrada no topo do topo da pir\u00e2mide social (os 1% ou 0,5% mais ricos) \u00e9 t\u00e3o grande que \u00e9 dif\u00edcil para qualquer pessoa \u2013 inclusive para os pr\u00f3prios bilion\u00e1rios \u2013 dimensionar. A OXFAM, por\u00e9m, tem feito um esfor\u00e7o para nos ajudar a ter dimens\u00e3o desta disparidade, por v\u00e1rios meios, inclusive relat\u00f3rios anuais. Segundo o relat\u00f3rio de 2020, se todas as pessoas do mundo se sentassem sobre sua pr\u00f3pria riqueza empilhada em notas de 100 d\u00f3lares, a maior parte delas ficaria sentada no n\u00edvel do ch\u00e3o; a chamada classe m\u00e9dia dos pa\u00edses ricos, se sentaria \u00e0 altura de uma cadeira; j\u00e1 os dois homens mais ricos do mundo estariam sentados no espa\u00e7o sideral. Ainda segundo o relat\u00f3rio, mesmo que uma pessoa poupasse 10 mil d\u00f3lares por dia desde o tempo das pir\u00e2mides, ela n\u00e3o teria acumulado at\u00e9 hoje mais de um quinto da fortuna m\u00e9dia das 5 pessoas mais ricas do mundo. A riqueza somada dos bilion\u00e1rios do mundo (pouco mais do que 2.500 pessoas) supera aquela de 4,6 bilh\u00f5es de pessoas juntas. Quando se amplia um pouco o foco para o 1% mais rico da popula\u00e7\u00e3o do planeta, o resultado n\u00e3o \u00e9 menos impressionante: esta pequena porcentagem da popula\u00e7\u00e3o detinha mais do que o dobro da riqueza dos restantes 6,9 bilh\u00f5es de habitantes do planeta.<\/span><\/p><p><b>Uma cr\u00edtica ao mundo dos super-ricos<\/b><\/p><p><span style=\"font-weight: 400;\">\u00c9 neste ambiente de desigualdade e de riqueza escandalosa que se desenrola a trama de Succession. E uma das qualidades do roteiro e da dire\u00e7\u00e3o \u2013 levados ao m\u00e1ximo na \u00faltima temporada (detalhar as raz\u00f5es aqui implicaria incorrer no pecado mortal do spoiler, para o qual est\u00e1 reservada a dana\u00e7\u00e3o eterna do mundo das s\u00e9ries) \u2013 \u00e9 mostrar como, no contexto da opul\u00eancia e poder extremos, n\u00e3o h\u00e1 distin\u00e7\u00f5es claras entre rela\u00e7\u00f5es afetivas, pol\u00edticas, sociais, familiares, empresariais, ideol\u00f3gicas; luto, amizades, maternidade, matrim\u00f4nio, carreiras e patrim\u00f4nio est\u00e3o imersos e imbricados na mesma l\u00f3gica utilit\u00e1ria; elei\u00e7\u00f5es, funerais, festas de casamento s\u00e3o todos indistintamente oportunidade e parte dos neg\u00f3cios. A contraface \u00e9 que \u00e9 tamb\u00e9m a pr\u00f3pria vida interior e afetiva dos personagens somente pode se expressar por meio das rela\u00e7\u00f5es empresariais e disputas comerciais e econ\u00f4micas. E, no fim, encontram-se submetidas a elas.<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400;\">A primeira quest\u00e3o que se coloca, ent\u00e3o, \u00e9 se, a um s\u00f3 tempo, a fascinante e repulsiva mistura de ego\u00edsmo, gan\u00e2ncia, cinismo e completo desequil\u00edbrio emocional seriam casos isolados de desvios de car\u00e1ter e personalidade ou express\u00f5es das sequelas da sociedade que os cria; \u201cma\u00e7\u00e3s podres\u201d ou um \u201cbarril podre\u201d? H\u00e1 v\u00e1rios pesquisadores das \u00e1reas de psicologia e de psicologia social que t\u00eam lidado com este tipo de quest\u00e3o. E os resultados s\u00e3o bastante inquietantes, principalmente quando se considera que quando uma pessoa ou um grupo concentra grandes quantidades de meios materiais, eles tendem a se traduzir tamb\u00e9m em grandes parcelas de influ\u00eancia e de poder que moldam as escolhas e os rumos de toda a sociedade.<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400;\">Tome-se, por exemplo, um tra\u00e7o not\u00f3rio dos personagens da s\u00e9rie: a completa indiferen\u00e7a \u2013 que eventualmente toma a forma de desprezo \u2013 por tudo aquilo e todas as pessoas, conhecidas, pr\u00f3ximas ou desconhecidas que n\u00e3o fa\u00e7am parte de um c\u00edrculo muito estreito daqueles considerados iguais. Mais de um estudo demonstram que este tra\u00e7o pode ser parte dos caprichos de uma fam\u00edlia esnobe, mas \u00e9 tamb\u00e9m consequ\u00eancia do desenvolvimento de personalidades disfuncionais para uma vida plena, mas necess\u00e1rias para a manuten\u00e7\u00e3o de sociedades desiguais. E isto se d\u00e1 nos n\u00edveis mais fundamentais da intera\u00e7\u00e3o social, a pr\u00f3pria percep\u00e7\u00e3o e aten\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o a outras pessoas. Segundo trabalho de Dietze e Knowles (2016), as pessoas que se classificam como classe social relativamente alta olham por menos tempo para os pedestres na rua, em compara\u00e7\u00e3o com aquelas que n\u00e3o s\u00e3o t\u00e3o abastadas, uma diferen\u00e7a que parece resultar de processos espont\u00e2neos relacionados \u00e0 percep\u00e7\u00e3o e \u00e0 aten\u00e7\u00e3o.\u00a0<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400;\">E mais: essa diferen\u00e7a de aten\u00e7\u00e3o n\u00e3o decorre necessariamente de uma tomada de decis\u00e3o deliberada, mas pode resultar de processos cognitivos espont\u00e2neos. Em um estudo on-line, uma amostra de quase 400 participantes observou pares alternados de imagens, cada uma contendo um rosto e cinco objetos. Pediu-se aos participantes que identificassem se as imagens eram iguais ou diferentes; os sujeitos de classe alta demoravam mais que os de classe baixa para perceber quando o rosto mudava; por outro lado, a classe social n\u00e3o afetava o tempo que eles levavam para detectar mudan\u00e7as em algum dos objetos. Segundo os pesquisadores, a classe social a que algu\u00e9m pertence afeta a relev\u00e2ncia que os outros t\u00eam para a pessoa. Como os membros de grupos mais bem posicionados dependem menos dos outros, em termos de suas metas, objetivos e motiva\u00e7\u00f5es, sendo, portanto, menos propensos a reconhecer outras pessoas como dignas de aten\u00e7\u00e3o, seja como amea\u00e7a ou como rela\u00e7\u00f5es gratificantes. E o que os autores ressaltam \u00e9 que esta diferen\u00e7a no que denominam \u201crelev\u00e2ncia motivacional\u201d \u00e9 t\u00e3o fundamental que se expressa nos processos cognitivos mais b\u00e1sicos, como a aten\u00e7\u00e3o visual, que \u00e9 muito r\u00e1pida e involunt\u00e1ria. E o mesmo pode ser dito sobre empatia: pesquisando o tema &#8211;\u00a0 n\u00e3o no sentido moral, mas no sentido da capacidade de reconhecer os sentimentos dos outros &#8211; outro estudo, utilizando pessoas em situa\u00e7\u00f5es de desigualdade de status, apontou que as pessoas da classe baixa eram melhores em\u00a0 ler as emo\u00e7\u00f5es nos rostos dos outros do que os participantes de status elevado &#8211; uma medida daquilo a que os investigadores chamam precis\u00e3o emp\u00e1tica.\u00a0<\/span><\/p><p><b>Da fic\u00e7\u00e3o \u00e0 realidade: padr\u00f5es que refletem nossa sociedade<\/b><\/p><p><span style=\"font-weight: 400;\">Mas ser\u00e1 que estas atitudes se refletiriam tamb\u00e9m mais efetivamente nas formas de se comportar e se relacionar com os outros? Porque outro comportamento reiterado \u2013 e um tanto repulsivo &#8211; dos protagonistas de Succession \u00e9 a crueza e, muitas vezes, a crueldade gratuita com que tratam as outras pessoas, especialmente (mas n\u00e3o s\u00f3) aquelas que n\u00e3o julgam fazer parte do mesmo c\u00edrculo social. Ora, o que muitos estudos apontam \u00e9 que tampouco isto \u00e9 exclusividade da fam\u00edlia Roy e de seus pares e ac\u00f3litos. Este \u00e9 um comportamento bastante presente em intera\u00e7\u00f5es entre membros de classes sociais distintas. Por exemplo, o comportamento no tr\u00e2nsito \u00e9 um bom contexto para observar intera\u00e7\u00f5es sociais entre desconhecidos. Em um experimento publicado h\u00e1 alguns anos, um assistente de pesquisa tentava atravessar em uma faixa de pedestres em um cruzamento movimentado. Ao medir os carros que paravam para o pedestre atravessar, os resultados foram claros: enquanto todos os motoristas de carros mais baratos e\/ou mais velhos deram a vez ao pedestre, metade dos motoristas de ve\u00edculos mais caros ignoraram a faixa e o pedestre. O mesmo padr\u00e3o foi observado em um cruzamento movimentado de duas vias de m\u00e3o dupla, com os carros mais caros apresentando probabilidade quatro vezes maior de desobedecer a placa de \u201cpare\u201d e a prefer\u00eancia \u00e0 direita. Este resultado n\u00e3o chega a ser uma novidade, mas antes consistente com estudos anteriores. Em 1968, uma pesquisa j\u00e1 havia apontado que as pessoas buzinavam mais rapidamente quando estavam presas atr\u00e1s de um carro velho do que de um carro mais novo e mais caro de &#8220;alto status&#8221;. Desde ent\u00e3o, v\u00e1rios outros estudos descobriram que os motoristas de ve\u00edculos mais caros t\u00eam maior probabilidade de se comportar como idiotas, furando fila em paradas de quatro vias e deixando de parar para os pedestres.<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400;\">Este padr\u00e3o de comportamento estende-se a outras \u00e1reas da vida social. Quando colocados em intera\u00e7\u00e3o com pessoas vistas como de status inferior ao seu, participantes de v\u00e1rios experimentos que se colocam como de status social mais alto que os demais tendem a apresentar mais frequentemente comportamentos anti\u00e9ticos (por exemplo, n\u00e3o devolver o troco, trapacear em um jogo), ego\u00edstas (como ficar com doces e balas destinados a crian\u00e7as) e gananciosos. Ou seja, antes do que aberra\u00e7\u00f5es, os personagens de Succession, talvez por estarem no topo extremo de uma sociedade desigual, apresentam apenas uma vers\u00e3o igualmente extrema das rela\u00e7\u00f5es t\u00edpicas de status relativamente mais alto.<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400;\">A segunda pergunta, ent\u00e3o, \u00e9 o que explica estes tra\u00e7os. Frequentemente apontam-se duas possibilidades: uma \u00e9 o pr\u00f3prio desenvolvimento da personalidade, em um contexto de segrega\u00e7\u00e3o social, rela\u00e7\u00f5es assim\u00e9tricas e meios materiais desproporcionalmente maiores e limites institucionais e relacionais desproporcionalmente menores aos prop\u00f3sitos social e moralmente leg\u00edtimos, gerando tra\u00e7os de car\u00e1ter e comportamento disfuncionais. Outra possibilidade \u00e9 um processo um tanto perverso de sele\u00e7\u00e3o: uma sociedade que atribui valor \u00e0s pessoas pelas suas posses e consumo, que premia o auto-interesse e a ambi\u00e7\u00e3o etc. n\u00e3o deveria se surpreender que aqueles que alcan\u00e7am as posi\u00e7\u00f5es mais altas s\u00e3o aqueles que n\u00e3o t\u00eam freios psicol\u00f3gicos ou morais que contrabalancem as caracter\u00edsticas acima; ou seja, os Logan Roy ou os Matsonn da vida. O que essas explica\u00e7\u00f5es t\u00eam em comum \u00e9 que se sup\u00f5e que, de uma forma ou de outra, os comportamentos e atitudes disfuncionais s\u00e3o atributos individuais de personalidade dos mais ricos.<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400;\">Mas h\u00e1 um tipo de explica\u00e7\u00e3o distinta e que \u00e9 bastante importante para pensar o tipo de sociedade em que vivemos: \u00e9 uma explica\u00e7\u00e3o relacional, que emerge tamb\u00e9m de experimentos em psicologia social. N\u00e3o se tratam necessariamente de express\u00f5es de algo como uma ess\u00eancia da personalidade ou do car\u00e1ter das pessoas, seja por sele\u00e7\u00e3o, seja por cria\u00e7\u00e3o, mas de din\u00e2micas de intera\u00e7\u00e3o derivadas de como algu\u00e9m avalia, em circunst\u00e2ncias espec\u00edficas, sua posi\u00e7\u00e3o em uma hierarquia. Em um dos experimentos, esta percep\u00e7\u00e3o foi manipulada, para que os participantes se posicionassem como mais \u201cricas\u201d ou mais \u201cpobres\u201d do que os outros participantes do mesmo grupo. Nesse experimento, os pesquisadores primeiro pediram a 129 participantes que comparassem suas finan\u00e7as com as de pessoas que tinham mais ou menos dinheiro. Em seguida, deram aos participantes um pote de doces e disseram que os doces eram destinados a crian\u00e7as em um laborat\u00f3rio pr\u00f3ximo, mas que eles poderiam pegar alguns se quisessem. Aqueles que se sentiram mais ricos depois de comparar suas finan\u00e7as com as de pessoas mais pobres pegaram muito mais doces para si.\u00a0 Quando as pessoas s\u00e3o induzidas a se sentirem mais poderosas ou superiores \u00e0s demais, elas tendem a fazer todo tipo de coisa que demonstra que n\u00e3o est\u00e3o prestando tanta aten\u00e7\u00e3o \u00e0s pessoas e \u00e0s emo\u00e7\u00f5es dos outros. Se este \u00e9 o caso, nossas atitudes, comportamentos e sentimentos sobre os outros s\u00e3o, pelo menos em parte, determinados pela posi\u00e7\u00e3o relativa em que consideramos estar em rela\u00e7\u00e3o a eles. Portanto, e o que \u00e9 mais preocupante, quanto mais desigual e hierarquizada uma sociedade for, mais acentuados ser\u00e3o esta percep\u00e7\u00e3o de superioridade de quem se encontra em posi\u00e7\u00e3o vantajosa e os comportamentos antissociais decorrentes.\u00a0<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400;\">E por que os indiv\u00edduos de classe alta tendem a ser mais propensos \u00e0 indiferen\u00e7a, \u00e0 falta de empatia e a comportamentos anti\u00e9ticos, desde a viola\u00e7\u00e3o de c\u00f3digos de tr\u00e2nsito at\u00e9 a apropria\u00e7\u00e3o de bens p\u00fablicos e a mentira? N\u00e3o h\u00e1 uma \u00fanica explica\u00e7\u00e3o ou causa, mas mecanismos m\u00faltiplos operando em sociedades desiguais, que estimulam mais a competi\u00e7\u00e3o do que a coopera\u00e7\u00e3o; a distin\u00e7\u00e3o do que o compartilhamento. \u00c9 prov\u00e1vel que seja um fen\u00f4meno de causas m\u00faltiplas, envolvendo fatores estruturais e psicol\u00f3gicos. Por exemplo, a independ\u00eancia relativa dos indiv\u00edduos de classe alta em rela\u00e7\u00e3o aos outros e a maior privacidade e prote\u00e7\u00e3o corporativa em suas profiss\u00f5es podem proporcionar menos restri\u00e7\u00f5es estruturais e diminuir as percep\u00e7\u00f5es de risco associadas \u00e0 pr\u00e1tica de atos anti\u00e9ticos. De outro lado, a disponibilidade de recursos para lidar com os custos posteriores do comportamento anti\u00e9tico &#8211; ou mesmo para anular estes custos &#8211; pode aumentar a propens\u00e3o a este tipo de a\u00e7\u00f5es entre os estratos socioecon\u00f4micos superiores. Al\u00e9m disso, as autoconstru\u00e7\u00f5es independentes entre a classe alta podem moldar os sentimentos de direito e a falta de aten\u00e7\u00e3o \u00e0s consequ\u00eancias de suas a\u00e7\u00f5es sobre os outros. Finalmente, uma preocupa\u00e7\u00e3o menor com as avalia\u00e7\u00f5es dos outros sobre si e um foco excessivo nos pr\u00f3prios interesses, desejos ou necessidades podem instigar ainda mais as tend\u00eancias anti\u00e9ticas entre os indiv\u00edduos da classe alta. Juntos, esses fatores podem dar origem a um conjunto de normas culturalmente compartilhadas entre indiv\u00edduos que se encontram no topo da distribui\u00e7\u00e3o de recursos na sociedade que lhes facilitam o comportamento anti\u00e9tico.<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400;\">H\u00e1 ainda que se considerar a segrega\u00e7\u00e3o e o extremo isolamento social em que a socializa\u00e7\u00e3o e o cotidiano dos muito ricos se desenrola. Como \u00e9 de conhecimento comum, os indiv\u00edduos em posi\u00e7\u00f5es socioecon\u00f4micas superiores tendem a ter uma vida social bastante segregada: utilizam ve\u00edculos particulares e n\u00e3o transporte p\u00fablico, buscam planos de sa\u00fade privados e n\u00e3o os servi\u00e7os p\u00fablicos, estudam em escolas privadas, frequentam shopping centers e n\u00e3o o centro da cidade e seus h\u00e1bitos de lazer, gostos e c\u00edrculos de rela\u00e7\u00f5es sociais s\u00e3o conformados por este car\u00e1ter mais insulado de suas vidas.<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400;\">Por uma parte, este isolamento lhes provoca uma vis\u00e3o distorcida sobre as condi\u00e7\u00f5es de vida da sociedade. Um estudo publicado na Psychological Science por Dawtry, Sutton e Sibley ilustra bem este ponto. Em uma pesquisa on-line, eles pediram a mais de 600 americanos que estimassem a renda das pessoas em seu c\u00edrculo social, bem como da popula\u00e7\u00e3o dos EUA em geral. Os indiv\u00edduos dos estratos mais altos, cercados por outras pessoas nas mesmas condi\u00e7\u00f5es, tendiam a crer que a popula\u00e7\u00e3o dos EUA seria mais rica do que de fato \u00e9. N\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil entender a origem desta estimativa equivocada: se algu\u00e9m observa o seu entorno e n\u00e3o v\u00ea ali muitas pessoas pobres (nas lojas, no restaurante, no supermercado, no seu local de trabalho, na sala de aula de seu filho, no seu c\u00edrculo de amigos etc.), a pessoa tende a subestimar a ocorr\u00eancia da pobreza ou a desigualdade social. E, o que \u00e9 particularmente importante para a discuss\u00e3o aqui, essa percep\u00e7\u00e3o influencia a maneira como se avalia a necessidade de pol\u00edticas sociais ou redistributivas: no trabalho mencionado, os participantes de maior renda e que superestimaram a renda dos norteamericanos eram mais propensos a considerar justas as condi\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas dos EUA e a se opor a iniciativas redistributivas. Ao se levar em conta o poder e a influ\u00eancia que este grupo det\u00e9m, as consequ\u00eancias pol\u00edticas deste tipo de atitude ficam bem evidentes.<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400;\">Finalmente e, em um n\u00edvel ainda mais fundante da vida social, h\u00e1 que se considerar que, se \u00e9 verdade que quanto maior a desigualdade, maior o isolamento social dos mais ricos, tem-se\u00a0 aqui um problema para a pr\u00f3pria coes\u00e3o social e para dimens\u00e3o mais sociol\u00f3gica da cidadania &#8211; este sentimento de identidade compartilhada que, por baixo de todas as diferen\u00e7as e desigualdades, permite ainda assim nos reconhecermos como part\u00edcipes de um empreendimento e de um destino comum. Um caso ocorrido h\u00e1 alguns anos aqui no Brasil, no Rio de Janeiro, ilustra bem este ponto.\u00a0 Em 2014 alguns moradores do bairro do Flamengo espancaram e acorrentaram a um poste um adolescente suspeito de ter cometido furtos e roubos no bairro. O instituto Datafolha realizou pesquisa com moradores sobre como eles avaliavam este tipo de atitude. As duas principais tabelas seguem adiante.<\/span><\/p><p style=\"text-align: center;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Tabela 1 &#8211; Respostas \u00e0 pergunta \u201cNa sua opini\u00e3o, as pessoas que amarraram o menino no poste agiram bem ou agiram mal?\u201d<\/span><\/p>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-5084eae elementor-widget elementor-widget-image\" data-id=\"5084eae\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"image.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/IMG-1362.jpg\" title=\"IMG-1362\" alt=\"IMG-1362\" loading=\"lazy\" \/>\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-f838f76 elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"f838f76\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<p style=\"text-align: center;\">Fonte: DATAFOLHA (2014)<\/p><p style=\"text-align: center;\">Tabela 2 &#8211; Respostas \u00e0 pergunta \u201cNa sua opini\u00e3o, as pessoas que amarraram o menino no poste agiram bem ou agiram mal?\u201d<\/p>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-38597bb elementor-widget elementor-widget-image\" data-id=\"38597bb\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"image.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"144\" src=\"https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/IMG-1361-1024x144.jpg\" class=\"attachment-large size-large wp-image-3054\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/IMG-1361-1024x144.jpg 1024w, https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/IMG-1361-300x42.jpg 300w, https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/IMG-1361-768x108.jpg 768w, https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/IMG-1361-1536x216.jpg 1536w, https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/IMG-1361-2048x288.jpg 2048w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/>\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-985dc55 elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"985dc55\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<p style=\"text-align: center;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Fonte: DATAFOLHA (2014)<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400;\">\u00c9 preciso tomar cuidado porque a amostra da pesquisa n\u00e3o \u00e9 grande (+-650 pessoas e por cota) e tamb\u00e9m para n\u00e3o tirar conclus\u00f5es fortes com uma pergunta e tabelas simples. Mas, como os resultados dos diferentes cruzamentos s\u00e3o aparentemente bastante consistentes, vamos prosseguir. Primeiro, a ideia um tanto elitista de senso comum, de que a educa\u00e7\u00e3o formal seria automaticamente um ant\u00eddoto contra o fascismo ou permitiria um senso \u00e9tico superior (portanto, seriam estes os cidad\u00e3os competentes por excel\u00eancia) \u00e9 questionada pelos resultados: \u00e9 entre os entrevistados com curso superior que o justi\u00e7amento \u00e9 apoiado por um quarto dos cidad\u00e3os.\u00a0<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400;\">Segundo, em condi\u00e7\u00f5es de muito intensa desigualdade e baixa circula\u00e7\u00e3o de posi\u00e7\u00f5es sociais, a sociedade parece adquirir duas caracter\u00edsticas: a no\u00e7\u00e3o b\u00e1sica de identidade compartilhada, de enxergar os outros a partir de um piso m\u00ednimo de igualdade em rela\u00e7\u00e3o a si, que caracteriza a dimens\u00e3o mais sociol\u00f3gica de cidadania, fica enfraquecida. De fato, aqueles com maior \u201cdist\u00e2ncia social\u201d do rapaz (os brancos, com maior renda e escolaridade) s\u00e3o menos propensos \u00e0 empatia e a esta identifica\u00e7\u00e3o, portanto mais propensos \u00e0 aceita\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia a ele infligida, ou mesmo \u00e0 aprova\u00e7\u00e3o quase entusiasmo com o justi\u00e7amento e humilha\u00e7\u00e3o do rapaz no Rio.<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400;\">Mas al\u00e9m disto, alta desigualdade combinada com baixa mobilidade, ou seja, uma estabilidade da estrutura social, tende a criar nas elites (sem conota\u00e7\u00e3o moral aqui) uma atitude defensiva e de inseguran\u00e7a diante de mudan\u00e7as sociais que alterem ou ameacem suas posi\u00e7\u00f5es, riqueza, ou monop\u00f3lio dos mecanismos de acesso a elas, bem como seus s\u00edmbolos. Seja a criminalidade, seja o rolezinho, sejam as cotas, sejam m\u00e9dicos estrangeiros, seja o feminismo, seja a diversidade social. E estas circunst\u00e2ncias (amea\u00e7a, inseguran\u00e7a e ansiedade) s\u00e3o prop\u00edcias para o fortalecimento de posi\u00e7\u00f5es autorit\u00e1rias.<\/span><\/p><p><b>Conclus\u00e3o<\/b><\/p><p><span style=\"font-weight: 400;\">O \u00eaxito de <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Succession<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> trouxe para o debate p\u00fablico a ponta menos discutida da desigualdade social: as disfun\u00e7\u00f5es psicossociais da extrema riqueza e suas graves consequ\u00eancias pol\u00edticas e sociais na manuten\u00e7\u00e3o da desigualdade social e no embrutecimento das rela\u00e7\u00f5es. N\u00e3o se trata aqui de uma discuss\u00e3o moral e menos ainda de demonizar em termos de \u00e9tica ou de car\u00e1ter as pessoas em fun\u00e7\u00e3o da riqueza que eventualmente adquiriram ou herdaram. Ali\u00e1s, um dos m\u00e9ritos da s\u00e9rie \u00e9 justamente fugir das personagens planas ou estereotipadas e da separa\u00e7\u00e3o artificial entre as din\u00e2micas empresariais e a vida afetiva e familiar dos Roy. H\u00e1 muita diversidade nas atitudes e valores e nos tra\u00e7os de personalidade em todos os grupos sociais. Por exemplo, recentemente, no F\u00f3rum Econ\u00f4mico de Davos, mais de 200 milion\u00e1rios de 13 pa\u00edses pediram que eles sejam mais tributados &#8220;para o bem comum&#8221;. A carta foi um apelo para que l\u00edderes mundiais criem um imposto para taxar os mais ricos (inclusive eles pr\u00f3prios) e uma den\u00fancia da extrema desigualdade que assola as sociedades. Ou seja, raramente algu\u00e9m corresponde integralmente aos estere\u00f3tipos difundidos a seu respeito; do ponto de vista estritamente individual, somos todos personagens complexos, com diferentes combina\u00e7\u00f5es de ego\u00edsmo, altru\u00edsmo, sensibilidade, traumas ou indiferen\u00e7a. O que a s\u00e9rie nos mostra \u00e9 o quanto a desigualdade extrema contamina a todos, causa deforma\u00e7\u00f5es em todas as dimens\u00f5es da vida social e mesmo nas esferas mais \u00edntimas das rela\u00e7\u00f5es. E que isto atinge tamb\u00e9m os mais ricos: uma sociedade muito injusta cria &#8211; ou exige? &#8211; uma elite mesquinha e indiferente.<\/span><\/p><p>\u00a0<\/p><p><strong>Autor:<\/strong>\u00a0 Bruno Lazzarotti<\/p><p>*O Observat\u00f3rio das Desigualdades \u00e9 um projeto de extens\u00e3o. O conte\u00fado e as opini\u00f5es expressas n\u00e3o refletem necessariamente o posicionamento da Funda\u00e7\u00e3o Jo\u00e3o Pinheiro ou do CORECON \u2013 MG.<\/p><p>\u00a0<\/p><p><b>Refer\u00eancias\u00a0<\/b><\/p><p><span style=\"font-weight: 400;\">Quem s\u00e3o os super-ricos que defendem em Davos a taxa\u00e7\u00e3o sobre riqueza. G1, 19 jan. 2023. Dispon\u00edvel em: <\/span><a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/economia\/noticia\/2023\/01\/19\/quem-sao-os-super-ricos-que-defendem-em-davos-a-taxacao-sobre-riqueza.ghtml\"><span style=\"font-weight: 400;\">https:\/\/g1.globo.com\/economia\/noticia\/2023\/01\/19\/quem-sao-os-super-ricos-que-defendem-em-davos-a-taxacao-sobre-riqueza.ghtml<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">.\u00a0<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400;\">Dawtry, R. J., Sutton, R. M., &amp; Sibley, C. G. (2015). Why Wealthier People Think People Are Wealthier, and Why It Matters: From Social Sampling to Attitudes to Redistribution. Psychological Science, 26(9), 1389\u20131400. <\/span><a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1177\/0956797615586560\"><span style=\"font-weight: 400;\">https:\/\/doi.org\/10.1177\/0956797615586560<\/span><\/a><\/p><p><span style=\"font-weight: 400;\">Brown, E. Wealthy, motivated by greed, are more likely to cheat, study finds. Los Angeles Times, 27 fev. 2012. Dispon\u00edvel em: <\/span><a href=\"https:\/\/www.latimes.com\/nation\/la-xpm-2012-feb-27-la-sci-0228-greed-20120228-story.html\"><span style=\"font-weight: 400;\">https:\/\/www.latimes.com\/nation\/la-xpm-2012-feb-27-la-sci-0228-greed-20120228-story.html<\/span><\/a><\/p><p><span style=\"font-weight: 400;\">PIFF, P. <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">et al<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">. Higher social class predicts increased unethical behavior. PNAS, mar. 2012. Dispon\u00edvel em: <\/span><a href=\"https:\/\/www.pnas.org\/doi\/epdf\/10.1073\/pnas.1118373109\"><span style=\"font-weight: 400;\">https:\/\/www.pnas.org\/doi\/epdf\/10.1073\/pnas.1118373109<\/span><\/a><\/p><p><span style=\"font-weight: 400;\">SZALAVITZ, Maia. The Rich Are Different: More Money, Less Empathy. Time, 2010. Dispon\u00edvel em: &lt;<\/span><a href=\"https:\/\/healthland.time.com\/2010\/11\/24\/the-rich-are-different-more-money-less-empathy\/\"><span style=\"font-weight: 400;\">https:\/\/healthland.time.com\/2010\/11\/24\/the-rich-are-different-more-money-less-empathy\/<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">&gt;.\u00a0<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400;\">WAN, William. Are rich people more likely to lie, cheat, steal? Science explains the world of Manafort and Gates. The Washington Post, 13 ago. 2010. Dispon\u00edvel em: &lt;<\/span><a href=\"https:\/\/www.washingtonpost.com\/news\/speaking-of-science\/wp\/2018\/08\/13\/are-rich-people-more-likely-to-lie-cheat-steal-science-explains-the-world-of-manafort-and-gates\/\"><span style=\"font-weight: 400;\">https:\/\/www.washingtonpost.com\/news\/speaking-of-science\/wp\/2018\/08\/13\/are-rich-people-more-likely-to-lie-cheat-steal-science-explains-the-world-of-manafort-and-gates\/<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">&gt;.\u00a0<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400;\">Higher Status People Are Meaner Drivers. APS, 2016. Dispon\u00edvel em: &lt;<\/span><a href=\"https:\/\/www.psychologicalscience.org\/news\/motr\/higher-status-people-are-meaner-drivers.html\"><span style=\"font-weight: 400;\">https:\/\/www.psychologicalscience.org\/news\/motr\/higher-status-people-are-meaner-drivers.html<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">&gt;.\u00a0<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400;\">BROWN, Eryn. Wealthy, motivated by greed, are more likely to cheat, study finds. Los Angeles Times, 27 fev. 2012. Dispon\u00edvel em: &lt;<\/span><a href=\"https:\/\/www.latimes.com\/nation\/la-xpm-2012-feb-27-la-sci-0228-greed-20120228-story.html\"><span style=\"font-weight: 400;\">https:\/\/www.latimes.com\/nation\/la-xpm-2012-feb-27-la-sci-0228-greed-20120228-story.html<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">&gt;.\u00a0<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400;\">Caso do menino acorrentado ao poste. Datafolha, 2014. Dispon\u00edvel em: &lt;<\/span><a href=\"http:\/\/media.folha.uol.com.br\/datafolha\/2014\/02\/17\/caso-do-menino-acorrentado.pdf\"><span style=\"font-weight: 400;\">http:\/\/media.folha.uol.com.br\/datafolha\/2014\/02\/17\/caso-do-menino-acorrentado.pdf<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">&gt;.\u00a0<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400;\">Dietze, P., &amp; Knowles, E. D. (2016). Social Class and the Motivational Relevance of Other Human Beings: Evidence From Visual Attention. Psychological Science, 27(11), 1517\u20131527.<\/span><\/p>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No domingo, dia 28 de maio, foi exibido o \u00faltimo epis\u00f3dio de Succession, uma das mais aclamadas s\u00e9ries da atualidade. Por 5 temporadas milh\u00f5es de espectadores acompanharam os neg\u00f3cios, as disputas e as rela\u00e7\u00f5es familiares, afetivas e sociais totalmente disfuncionais de Logan Roy e seus quatro filhos. 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