{"id":3069,"date":"2023-06-22T22:01:00","date_gmt":"2023-06-22T22:01:00","guid":{"rendered":"https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/?p=3069"},"modified":"2024-05-27T19:25:32","modified_gmt":"2024-05-27T19:25:32","slug":"rita-lee-arte-subversao-e-revolucao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/?p=3069","title":{"rendered":"Rita Lee: arte, subvers\u00e3o e revolu\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"\t\t<div data-elementor-type=\"wp-post\" data-elementor-id=\"3069\" class=\"elementor elementor-3069\">\n\t\t\t\t\t\t<section class=\"elementor-section elementor-top-section elementor-element elementor-element-211738e elementor-section-boxed elementor-section-height-default elementor-section-height-default\" data-id=\"211738e\" data-element_type=\"section\" data-e-type=\"section\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-container elementor-column-gap-default\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-column elementor-col-100 elementor-top-column elementor-element elementor-element-e8f2315\" data-id=\"e8f2315\" data-element_type=\"column\" data-e-type=\"column\">\n\t\t\t<div class=\"elementor-widget-wrap elementor-element-populated\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-f46ed0b elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"f46ed0b\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<p><span style=\"font-weight: 400;\">Em 8 de maio de 2023 o Brasil perdeu uma de suas maiores estrelas: Rita Lee. Revolucion\u00e1ria do come\u00e7o ao fim, a cantora \u00e9 uma figura importante para se entender os movimentos sociais no cen\u00e1rio brasileiro e para se estudar a constru\u00e7\u00e3o do pensamento democr\u00e1tico nacional. Para acompanhar a leitura, acesse a nossa playlist com m\u00fasicas selecionadas da artista [1].\u00a0<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400;\">Filha de Charles Fenley Jones, de fam\u00edlia confederada &#8211; pessoas que apoiavam ou participaram da guerra contra a aboli\u00e7\u00e3o nos Estados Unidos &#8211; Rita recebeu o sobrenome \u201cLee\u201d em homenagem a Robert Edward Lee, general confederado. Ironicamente, a cantora se distanciou muito dos valores defendidos por sua fam\u00edlia.<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400;\">A carreira de Rita Lee foi sempre marcada por um aspecto revolucion\u00e1rio. No seu come\u00e7o, em 1966, fez parte da banda Os Mutantes, pioneira do rock no pa\u00eds e um dos maiores nomes da <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">tropic\u00e1lia<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">, movimento art\u00edstico da contracultura brasileira. Nesse aspecto, a banda promovia o choque est\u00e9tico caracter\u00edstico da contracultura, com cores vibrantes e um som in\u00e9dito no cen\u00e1rio brasileiro e mundial. Para al\u00e9m disso, tratava-se de um movimento de resist\u00eancia est\u00e9tica \u00e0 ditadura, mas que buscava se afastar da arte explicitamente militante, realizando cr\u00edticas sutis e poeticamente constru\u00eddas. Um excelente exemplo disso \u00e9 a m\u00fasica \u201cPanis et Circenses\u201d de Os Mutantes que foi interpretada por Rita Lee: trata-se de uma can\u00e7\u00e3o sobre a persist\u00eancia do conservadorismo e do comodismo quanto a ditadura na sociedade brasileira, apesar dos movimentos que buscavam mudan\u00e7a:\u00a0<\/span><\/p><p style=\"text-align: center;\"><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cEu quis cantar<\/span><\/p><p style=\"text-align: center;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Minha can\u00e7\u00e3o iluminada de Sol<\/span><\/p><p style=\"text-align: center;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Soltei os panos sobre os mastros no ar<\/span><\/p><p style=\"text-align: center;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Soltei os tigres e os le\u00f5es nos quintais<\/span><\/p><p style=\"text-align: center;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Mas as pessoas na sala de jantar<\/span><\/p><p style=\"text-align: center;\"><span style=\"font-weight: 400;\">S\u00e3o ocupadas em nascer e morrer\u201d\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400;\">Embora tenham feito apreci\u00e1vel sucesso, os integrantes da banda resolveram mudar de subg\u00eanero musical, o que ocasionou a expuls\u00e3o de Rita Lee, como esta conta em sua autobiografia:<\/span><\/p><p style=\"padding-left: 320px;\"><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cAt\u00e9 que Arnaldo quebra o gelo, toma a palavra e me comunica, n\u00e3o nessas palavras, mas o sentido era o mesmo, que naquele vel\u00f3rio o defunto era eu. &#8216;A gente resolveu que a partir de agora voc\u00ea est\u00e1 fora dos Mutantes porque n\u00f3s resolvemos seguir na linha progressiva-virtuose e voc\u00ea n\u00e3o tem calibre como instrumentista.&#8217; Uma escarrada na cara seria menos humilhante. Em vez de me atirar de joelhos chorando e pedindo perd\u00e3o por ter nascido mulher, fiz a silenciosa elegante. Me retirei da sala em clima dram\u00e1tico, fiz a mala, peguei Danny (a cachorra) e adi\u00f3s.&#8221;\u00a0 (Autobiografia de Rita Lee, p. 113)<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400;\">O ativismo de Rita Lee possui um aspecto que o diferencia em rela\u00e7\u00e3o aos outros: a artista nem sempre buscava fazer uma manifesta\u00e7\u00e3o pol\u00edtica direta, isso \u00e9, um apoio direto e expl\u00edcito a determinada ideologia ou figura, mas se expressar e ser livre, como demonstra este trecho de uma entrevista concedida para a Folha de S\u00e3o Paulo:<\/span><\/p><p style=\"padding-left: 320px;\"><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cNunca pensei que o que fiz durante 50 anos fosse o que se chama feminismo: eu ligava o foda-se e entrava decidida no mundinho considerado masculino, cantando sobre o que me desse na telha; de menstrua\u00e7\u00e3o a menopausa, de trepada a orgasmo&#8230;.\u201d<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400;\">Ou esse trecho da sua autobiografia:<\/span><\/p><p style=\"padding-left: 320px;\"><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cAceitei f\u00e1cil o mantra \u2018hay govierno, soy contra\u2019, achava roquenrou, s\u00f3 n\u00e3o queria perder meu tempo lutando contra um filme de horror quando podia fazer da vida uma com\u00e9dia, mesmo sem arrancar uma risada. \u00c0 personagem \u2018hippie-comunista-com um-p\u00e9-no-imperialismo\u2019 acrescentei \u2018festeira-f\u00fatil\u2019, aquela que tomava \u00e1cido e ia \u00e0s manifesta\u00e7\u00f5es gritar \u2018mais p\u00e3o, menos canh\u00e3o\u2019 como se fosse refr\u00e3o de uma m\u00fasica dos Beatles. (&#8230;) J\u00e1 era dif\u00edcil lutar contra minha pr\u00f3pria pregui\u00e7a de ter que comparecer pessoalmente \u00e0 sala de dona Solange driblar seus brancaleones da censura. Eram aqueles debiloides que julgavam se as atividades art\u00edsticas continham \u2018mensagens subliminares\u2019. Lembro da primeira vez que fui chamada a explicar o significado obscuro da palavra \u2018arco-\u00edris\u2019 numa letra de m\u00fasica que eu pretendia gravar.\u201d (Autobiografia de Rita Lee, p. 145)<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400;\">N\u00e3o obstante, pode-se entender tudo isso como uma manifesta\u00e7\u00e3o pol\u00edtica direta, pois em uma sociedade patriarcal e conservadora, s\u00e3o impostos \u00e0s mulheres determinados pap\u00e9is que por vezes desconsideram suas vontades &#8211; como o papel materno &#8211; restringem sua automanifesta\u00e7\u00e3o &#8211; como a ideia de que mulheres devem ser sempre \u201cdelicadas\u201d &#8211; ou subestimam suas capacidades. Em adi\u00e7\u00e3o, esses pap\u00e9is podem ter um vi\u00e9s ainda mais opressivo no caso das mulheres negras, que ao inv\u00e9s de serem vistas como \u201cdelicadas e indefesas\u201d s\u00e3o vistas como \u201camea\u00e7adoras, explosivas e objeto sexual estrito\u201d. Dessa forma, ao escolher \u201cfazer da vida uma com\u00e9dia, mesmo sem arrancar uma risada\u201d e ser aut\u00eantica, Rita Lee resistiu a diversas formas de sexismo. Na verdade, n\u00e3o apenas resistiu como, ao fazer m\u00fasicas sobre esses sentimentos, influenciou mais mulheres a seguirem esse caminho e desafiou, portanto, o conservadorismo da sociedade brasileira. Suas letras, como as que se encontram abaixo (respectivamente, Papai Me Empresta O Carro, Elvira Pag\u00e3 e Ovelha Negra), demonstram com clareza esse vi\u00e9s:<\/span><\/p><p style=\"text-align: center;\"><span style=\"font-weight: 400;\">&#8220;Papai eu n\u00e3o fumo<\/span><\/p><p style=\"text-align: center;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Papai eu n\u00e3o bebo<\/span><\/p><p style=\"text-align: center;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Meu \u00fanico defeito \u00e9 n\u00e3o ter medo<\/span><\/p><p style=\"text-align: center;\"><span style=\"font-weight: 400;\">De fazer o que gosto&#8221;<\/span><\/p><p>\u00a0<\/p><p style=\"text-align: center;\"><span style=\"font-weight: 400;\">&#8220;Todos os homens desse nosso planeta<\/span><\/p><p style=\"text-align: center;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Pensam que mulher \u00e9 tal e qual um capeta<\/span><\/p><p style=\"text-align: center;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Conta a hist\u00f3ria que Eva inventou a ma\u00e7\u00e3<\/span><\/p><p style=\"text-align: center;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Mo\u00e7a bonita, s\u00f3 de boca fechada,<\/span><\/p><p style=\"text-align: center;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Menina feia, um travesseiro na cara,<\/span><\/p><p style=\"text-align: center;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Dona de casa s\u00f3 \u00e9 bom no caf\u00e9 da manh\u00e3<\/span><\/p><p style=\"text-align: center;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Ent\u00e3o eu digo:<\/span><\/p><p style=\"text-align: center;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Santa, santa, s\u00f3 a minha m\u00e3e (e olhe l\u00e1)&#8221;<\/span><\/p><p>\u00a0<\/p><p style=\"text-align: center;\"><span style=\"font-weight: 400;\">&#8220;Levava uma vida sossegada<\/span><\/p><p style=\"text-align: center;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Gostava de sombra e \u00e1gua fresca<\/span><\/p><p style=\"text-align: center;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Meu Deus quanto tempo eu passei<\/span><\/p><p style=\"text-align: center;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Sem saber<\/span><\/p><p style=\"text-align: center;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Foi quando meu pai me disse filha<\/span><\/p><p style=\"text-align: center;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Voc\u00ea \u00e9 a ovelha negra da fam\u00edlia&#8221;<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400;\">Conv\u00e9m ressaltar que, apesar de tal aspecto individual ter relev\u00e2ncia, mudan\u00e7as sist\u00eamicas s\u00e3o vitais no combate \u00e0s desigualdades. Em adi\u00e7\u00e3o, a luta de Rita Lee n\u00e3o se restringiu apenas ao feminismo. Em um show de 2012, por exemplo, a cantora foi presa por desacato ao tentar defender jovens da a\u00e7\u00e3o policial:<\/span><\/p><p style=\"padding-left: 320px;\"><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cVoc\u00eas n\u00e3o t\u00eam o direito de usar a for\u00e7a na meninada que n\u00e3o t\u00e1 fazendo nada. Esse show \u00e9 meu, n\u00e3o \u00e9 de voc\u00eas. Esse show \u00e9 minha despedida do palco e voc\u00eas continuam tendo que guardar as pessoas, n\u00e3o agredir. Seus cachorros. Coitados dos cachorros\u2026 Cafajestes. Eu sou do tempo da ditadura. Voc\u00eas pensam que eu tenho medo? Eu sou mulher. Tenho tr\u00eas filhos, uma neta, 64 anos. O que voc\u00eas v\u00e3o fazer? \u00c9 isso que voc\u00eas querem: chamar aten\u00e7\u00e3o. N\u00e3o, eu n\u00e3o vou esperar. Esse show \u00e9 meu, as pessoas est\u00e3o me esperando cantar. N\u00e3o a gracinha de voc\u00eas. Por causa de um \u2018baseadinho\u2019? Cad\u00ea o baseadinho para eu fumar aqui agora?\u201d\u00a0<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400;\">Ao se posicionar contra uma a\u00e7\u00e3o policial ligada \u00e0 maconha, que tende a ser muito mais r\u00edgida com jovens negros (infogr\u00e1fico 1), e reconhecer a agress\u00e3o cotidiana realizada pela pol\u00edcia, pode-se compreender que Rita Lee se manifestou contra o racismo e a violencia policial, embora n\u00e3o diretamente. Para al\u00e9m dessa vis\u00e3o, \u00e9 importante ressaltar que a cantora usou do seu espa\u00e7o de poder &#8211; isso \u00e9, de uma artista prestigiada, branca, influente &#8211; para defender aqueles que n\u00e3o possuem tal espa\u00e7o, uma atitude que demonstra uma clara no\u00e7\u00e3o de como a pol\u00edcia atua de forma mais violenta contra aqueles que n\u00e3o possuem a mesma posi\u00e7\u00e3o de privil\u00e9gio &#8211; negros, pessoas de classe baixa.<\/span><\/p><p style=\"text-align: center;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Infogr\u00e1fico 1: Quantidade apreendida de drogas em processos por ra\u00e7a<\/span><\/p>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-556899b elementor-widget elementor-widget-image\" data-id=\"556899b\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"image.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"512\" height=\"313\" src=\"https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Infografico-1.png\" class=\"attachment-large size-large wp-image-3070\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Infografico-1.png 512w, https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Infografico-1-300x183.png 300w\" sizes=\"(max-width: 512px) 100vw, 512px\" \/>\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-bc28bd2 elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"bc28bd2\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<p style=\"text-align: center;\">Fonte: revista Exame com dados do Tribunal de Justi\u00e7a de S\u00e3o Paulo (2017)<\/p><p>Al\u00e9m das lutas contra a desigualdade, Rita Lee tamb\u00e9m teve um papel importante na luta pela democracia. A artista, que chegou a ser presa durante o per\u00edodo ditatorial por uma suposta posse de maconha e tamb\u00e9m teve suas letras censuradas diversas vezes, seja por realizar cr\u00edticas pol\u00edticas direta ou indiretamente, seja por ser contra \u201ca moral e os bons costumes\u201d, realizou um show em 1982, durante a transi\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica, com l\u00edderes da Democracia Corinthiana, movimento contra a ditadura militar. Em adi\u00e7\u00e3o, a cantora sempre foi aberta ao expressar suas opini\u00f5es pol\u00edticas:<\/p><p style=\"padding-left: 320px;\">\u201cO general Figueiredo, ditador do \u2018prendo e arrebento\u2019, foi o muso inspirador do meu ego para escrever a letra de \u2018Jo\u00e3o ningu\u00e9m\u2019, um cara p\u00e9 de chinelo que saiu do est\u00e1bulo e virou rei, mas o cheiro do est\u00e1bulo nunca saiu dele, ali\u00e1s, uma carapu\u00e7a que cabe perfeitamente em nossos pol\u00edticos de hoje.\u201d (Autobiografia de Rita Lee, p. 178)<\/p><p>Em conclus\u00e3o, Rita Lee teve um papel importante na democracia e na luta contra as desigualdades ao promover que as pessoas sejam livres, sem se importar se o que desejam vai contra a moral e os bons costumes e, dessa forma, se tornou uma figura inspiradora para grupos cujo comportamento \u00e9 mais intensamente controlado pela sociedade, como pessoas LGBTs, mulheres e pessoas negras. Uma mensagem t\u00e3o explicitamente oposta ao vi\u00e9s conservador da ditadura militar ter se tornado t\u00e3o popular foi relevante na constru\u00e7\u00e3o da democracia brasileira. Para al\u00e9m disso, Rita Lee usou diversas vezes da sua posi\u00e7\u00e3o de poder na promo\u00e7\u00e3o desse discursos e na defesa de popula\u00e7\u00f5es marginalizadas. Sua ousadia ao defender o que era visto com tamanha repulsa e no contexto mais repressivo da hist\u00f3ria moderna brasileira ser\u00e1 sempre um de seus maiores legados no cora\u00e7\u00e3o daqueles que em quase todos os outros espa\u00e7os sociais eram enxergados como erros.<\/p><p>[1] Acesse a playlist \u201cRita Lee: arte, subvers\u00e3o e revolu\u00e7\u00e3o\u201d no Spotify no seguinte link: https:\/\/open.spotify.com\/playlist\/5w2AkdWrPlLY1HxyHSWh2v?si=Wzw0kEwsRzOQUsAiKfgucQ<\/p><p>\u00a0<\/p><p>Autora: Alessandra Kadar, sob a orienta\u00e7\u00e3o de Bruno Lazzarotti<\/p><p>*O Observat\u00f3rio das Desigualdades \u00e9 um projeto de extens\u00e3o. O conte\u00fado e as opini\u00f5es expressas n\u00e3o refletem necessariamente o posicionamento da Funda\u00e7\u00e3o Jo\u00e3o Pinheiro ou do CORECON \u2013 MG.<\/p><p>\u00a0<\/p><p><strong>REFER\u00caNCIAS<\/strong><\/p><p>Mat\u00e9ria do Uol sobre a vida de Rita Lee na ditadura, 2017<br \/>https:\/\/www.uol.com.br\/splash\/noticias\/2023\/05\/10\/impropria-para-a-educacao-censores-da-ditadura-tentaram-barrar-rita-lee.htm<\/p><p>Mat\u00e9ria do portal de not\u00edcias musicais \u201cTenho Mais Discos que Amigos\u201d sobre a atua\u00e7\u00e3o policial no show da Rita Lee, 2018<br \/>https:\/\/www.tenhomaisdiscosqueamigos.com\/2023\/05\/09\/rita-lee-policia-detida-show-despedida\/<\/p><p>An\u00e1lise da m\u00fasica \u201cPanis et Circenses\u201d publicada na Enciclop\u00e9dia Ita\u00fa Cultural, 2019<br \/>https:\/\/enciclopedia.itaucultural.org.br\/obra6144\/panis-et-circenses<\/p><p>Mat\u00e9ria da revista Exame sobre o aspecto racial nas apreens\u00f5es de drogas, 2019<br \/>https:\/\/exame.com\/brasil\/negros-sao-mais-condenados-por-trafico-e-com-menos-drogas-em-sao-paulo\/<\/p><p>Mat\u00e9ria da CNN sobre o show de Rita Lee com a Democracia Corinthiana. 2023<br \/>https:\/\/www.cnnbrasil.com.br\/esportes\/torcedora-alvinegra-rita-lee-protagonizou-cena-marcante-da-democracia-corinthiana\/<\/p><p>Mat\u00e9ria do Globo Esporte sobre a Democracia Corinthiana, 2020<br \/>https:\/\/ge.globo.com\/futebol\/times\/corinthians\/noticia\/ultimas-noticias-corinthians-democracia-corinthiana-movimento-contra-ditadura.ghtml<\/p><p>Mat\u00e9ria do G1 sobre a censura sofrida por Rita Lee, 2023<br \/>https:\/\/g1.globo.com\/pop-arte\/noticia\/2023\/05\/09\/cabecas-vao-rolar-me-deixa-de-quatro-no-ato-e-mais-conheca-as-letras-proibidonas-de-rita-lee-censuradas-pelos-militares.ghtml<\/p><p>RITA Lee: Uma autobiografia. 1. ed. S\u00e3o Paulo: Globo S.A, 2016.<\/p>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em 8 de maio de 2023 o Brasil perdeu uma de suas maiores estrelas: Rita Lee. Revolucion\u00e1ria do come\u00e7o ao fim, a cantora \u00e9 uma figura importante para se entender os movimentos sociais no cen\u00e1rio brasileiro e para se estudar a constru\u00e7\u00e3o do pensamento democr\u00e1tico nacional. Para acompanhar a leitura, acesse a nossa playlist com 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