{"id":3082,"date":"2023-06-28T14:22:07","date_gmt":"2023-06-28T14:22:07","guid":{"rendered":"https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/?p=3082"},"modified":"2023-07-07T14:55:57","modified_gmt":"2023-07-07T14:55:57","slug":"dia-internacional-do-orgulho-lgbtq-obstaculos-a-efetivacao-do-direito-de-mulheres-lesbicas-e-bissexuais-a-saude","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/?p=3082","title":{"rendered":"Dia Internacional do Orgulho LGBTQ+: Obst\u00e1culos \u00e0 efetiva\u00e7\u00e3o do direito de mulheres l\u00e9sbicas e bissexuais \u00e0 sa\u00fade"},"content":{"rendered":"\t\t<div data-elementor-type=\"wp-post\" data-elementor-id=\"3082\" class=\"elementor elementor-3082\">\n\t\t\t\t\t\t<section class=\"elementor-section elementor-top-section elementor-element elementor-element-79bb070 elementor-section-boxed elementor-section-height-default elementor-section-height-default\" data-id=\"79bb070\" data-element_type=\"section\" data-e-type=\"section\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-container elementor-column-gap-default\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-column elementor-col-100 elementor-top-column elementor-element elementor-element-cfc8e59\" data-id=\"cfc8e59\" data-element_type=\"column\" data-e-type=\"column\">\n\t\t\t<div class=\"elementor-widget-wrap elementor-element-populated\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-076142b elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"076142b\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<p>No dia 28 de junho, Dia Internacional do Orgulho LGBT+, o Observat\u00f3rio das Desigualdades prop\u00f5e uma discuss\u00e3o acerca da sa\u00fade de pessoas LGBTQIA+, ou seja, pessoas que n\u00e3o se incluem no padr\u00e3o heteronormativo. Esse debate se iniciou apenas nas \u00faltimas d\u00e9cadas do s\u00e9culo XX, marcada pelos preconceitos e pela discrimina\u00e7\u00e3o que historicamente marginalizam esse grupo. A escassez de pol\u00edticas direcionadas ao p\u00fablico LGBT est\u00e1 relacionada aos preconceitos dominantes no Brasil, de modo que cada conquista e afirma\u00e7\u00e3o da cidadania dessa popula\u00e7\u00e3o \u00e9 precedida por um hist\u00f3rico de reivindica\u00e7\u00f5es, mobiliza\u00e7\u00f5es e lutas por direitos. Apesar do STF j\u00e1 ter reconhecido direitos como a Uni\u00e3o Homoafetiva e a criminaliza\u00e7\u00e3o da LGBTfobia, a manuten\u00e7\u00e3o dessas garantias \u00e9 outro desafio: al\u00e9m da dificuldade de efetiva\u00e7\u00e3o dos direitos na pr\u00e1tica, grupos conservadores, como as bancadas evang\u00e9licas, atacam constantemente tais decis\u00f5es [1]. <\/p><p>Nas pol\u00edticas de sa\u00fade a realidade n\u00e3o \u00e9 diferente: a falta de atendimento a necessidades b\u00e1sicas, o preconceito e a marginaliza\u00e7\u00e3o dificultam a efetiva\u00e7\u00e3o desse direito fundamental aos indiv\u00edduos LGBTQIA+. As a\u00e7\u00f5es voltadas ao grupo se iniciaram voltadas exclusivamente \u00e0 epidemia da Aids, de acordo com Laurentino (2015), associadas \u00e0 ideia de que os homossexuais seriam os disseminadores do v\u00edrus HIV, causador da doen\u00e7a, como esquematizado na linha do tempo abaixo (imagem 1). Mesmo com a garantia do direito \u00e0 sa\u00fade para todos na Constitui\u00e7\u00e3o de 1988, Laurentino (2015) observa a perman\u00eancia da associa\u00e7\u00e3o entre a homossexualidade e a Aids. <\/p><p>Essa situa\u00e7\u00e3o permaneceu at\u00e9 a chegada do Governo Lula, que instituiu pol\u00edticas direcionadas \u00e0 popula\u00e7\u00e3o LGBT para al\u00e9m do combate \u00e0 Aids, com o Brasil Sem Homofobia (Programa de Combate a Viol\u00eancia e \u00e0 Discrimina\u00e7\u00e3o contra Gays, L\u00e9sbicas, Transg\u00eaneros, e Bissexuais) e com a cria\u00e7\u00e3o do Comit\u00ea T\u00e9cnico de Sa\u00fade da Popula\u00e7\u00e3o LGTB no Minist\u00e9rio da Sa\u00fade. O programa [2] destaca os objetivos de atender \u00e0s v\u00edtimas de viol\u00eancia, incluindo a viol\u00eancia sexual, promover a\u00e7\u00f5es educativas, elaborar pol\u00edticas relacionadas \u00e0 sa\u00fade mental, regular os protocolos de cirurgias de adequa\u00e7\u00e3o sexual, al\u00e9m de destacar a participa\u00e7\u00e3o do p\u00fablico no processo de elabora\u00e7\u00e3o dessas pol\u00edticas. <\/p><p>Em 2010, como mostra a imagem 1, a Pol\u00edtica Nacional de Sa\u00fade Integral de L\u00e9sbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (PNSI LGBT) foi institu\u00edda, reconhecendo a discrimina\u00e7\u00e3o e a viol\u00eancia que limitam o acesso \u00e0 sa\u00fade da popula\u00e7\u00e3o LGBT e buscando a equidade no servi\u00e7o\u00b3. Apesar dos avan\u00e7os com a pol\u00edtica, Alc\u00e2ntara (et al, 2020) aponta a necessidade de concretizar princ\u00edpios que guiam o programa: a universalidade, a integralidade e a equidade a partir do combate \u00e0 LGBTfobia.<\/p><p style=\"text-align: center;\">Imagem 1 &#8211; Linha hist\u00f3rica da pol\u00edtica p\u00fablica de Sa\u00fade para a comunidade LGBT<\/p>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-e3fd9ae elementor-widget elementor-widget-image\" data-id=\"e3fd9ae\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"image.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"512\" height=\"220\" src=\"https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/imagem-1-1.png\" class=\"attachment-large size-large wp-image-3083\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/imagem-1-1.png 512w, https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/imagem-1-1-300x129.png 300w\" sizes=\"(max-width: 512px) 100vw, 512px\" \/>\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-84d1cea elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"84d1cea\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<p style=\"text-align: center;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Fonte: Laurentino (2015, p. 42)<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400;\">Especificamente em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s mulheres l\u00e9sbicas e bissexuais, as dificuldades enfrentadas nos servi\u00e7os de sa\u00fade se iniciam na \u201cnega\u00e7\u00e3o da sexualidade feminina\u201d (SILVA e GOMES, 2021) e envolvem ainda quest\u00f5es mais espec\u00edficas, como os estere\u00f3tipos, a falta de informa\u00e7\u00f5es sobre esse grupo e a invisibiliza\u00e7\u00e3o. Silva e Gomes (2019) definem dois eixos entre os quais s\u00e3o divididas tais quest\u00f5es: a revela\u00e7\u00e3o da orienta\u00e7\u00e3o sexual e as limita\u00e7\u00f5es dos servi\u00e7os e dos profissionais.\u00a0<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400;\">O primeiro est\u00e1 relacionado \u00e0 falta de acesso de mulheres l\u00e9sbicas aos servi\u00e7os devido ao constrangimento ou \u00e0 vulnerabilidade sentida em raz\u00e3o da sexualidade, ou seja, a necessidade de revelar sua orienta\u00e7\u00e3o sexual em servi\u00e7os guiados por modelos heterossexuais afasta mulheres l\u00e9sbicas e bissexuais do atendimento de sa\u00fade. Os autores mostram que a vergonha da exposi\u00e7\u00e3o, a inseguran\u00e7a sobre a confidencialidade e o medo da rea\u00e7\u00e3o dos profissionais s\u00e3o problemas relacionados a esse eixo.\u00a0<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400;\">Por outro lado, o segundo eixo citado explica que, mesmo quando mulheres l\u00e9sbicas n\u00e3o se sentem desconfort\u00e1veis com a divulga\u00e7\u00e3o de sua sexualidade aos profissionais de sa\u00fade, elas continuam sem receber um atendimento espec\u00edfico em servi\u00e7os guiados pela l\u00f3gica heteronormativa. As cren\u00e7as pessoais e religiosas dos profissionais, a fragilidade da forma\u00e7\u00e3o e a naturaliza\u00e7\u00e3o da heterossexualidade s\u00e3o alguns dos problemas relacionados a esse eixo. Com isso, os autores apontam tr\u00eas barreiras ao atendimento de sa\u00fade para mulheres l\u00e9sbicas: o apagamento e falta de debate sobre a diversidade sexual, a falta de servi\u00e7os seguros e integrais e a aus\u00eancia de protocolos e de conhecimento sobre as necessidades espec\u00edficas de l\u00e9sbicas. Essas especificidades envolvem desde diferen\u00e7as na forma de preven\u00e7\u00e3o \u00e0s Infec\u00e7\u00f5es Sexualmente Transmiss\u00edveis (ISTs) e poss\u00edveis fatores de risco para doen\u00e7as devido \u00e0 baixa ou prec\u00e1ria aten\u00e7\u00e3o \u00e0 sa\u00fade desse grupo, at\u00e9 fatores relacionados \u00e0 sa\u00fade mental, \u00e0 viol\u00eancia e ao abuso de drogas e \u00e1lcool, em decorr\u00eancia do contexto social [5].\u00a0<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400;\">Outro estudo [6], desenvolvido por meio de entrevistas com doze mulheres l\u00e9sbicas e cinco bissexuais na Faculdade de Medicina da USP, ilustra as dificuldades enfrentadas por essas mulheres em consultas ginecol\u00f3gicas, \u201cpreponderando aspectos reprodutivos em detrimento dos aspectos sexuais da vida\u201d (RODRIGUES e FALC\u00c3O, 2021, p. 1) nas quest\u00f5es tratadas com os m\u00e9dicos ginecologistas. Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 exposi\u00e7\u00e3o da sexualidade para o profissional, o artigo aponta a exist\u00eancia de uma invisibiliza\u00e7\u00e3o da bissexualidade, na medida em que, enquanto as l\u00e9sbicas buscaram informar sua sexualidade ao m\u00e9dico, nenhuma das bissexuais entrevistadas tentou informar sua orienta\u00e7\u00e3o sexual. As autoras analisaram tais resultados como uma consequ\u00eancia da determina\u00e7\u00e3o da heterossexualidade como comportamento adequado, contribuindo para que mulheres bissexuais exponham apenas suas rela\u00e7\u00f5es com pessoas do sexo oposto.\u00a0<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400;\">Nesse caso, a postura dos profissionais \u00e9 um fator relevante, tendo em vista que perguntas direcionadas e o desenvolvimento de um ambiente confort\u00e1vel poderiam auxiliar a obter informa\u00e7\u00f5es sobre as pr\u00e1ticas sexuais das pacientes. Em contrapartida, as entrevistas revelaram posturas pouco acolhedoras dos profissionais de sa\u00fade frente \u00e0 revela\u00e7\u00e3o da sexualidade das pacientes. Entre as rea\u00e7\u00f5es relatadas, a falta de preparo dos m\u00e9dicos para lidar com a situa\u00e7\u00e3o, os coment\u00e1rios preconceituosos e o desconforto se destacaram.\u00a0<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400;\">Outra dificuldade apontada pelas participantes do estudo foi a imprecis\u00e3o das orienta\u00e7\u00f5es oferecidas pelos m\u00e9dicos ou a impertin\u00eancia delas, mesmo com a exposi\u00e7\u00e3o da sexualidade da paciente. As autoras ainda citam outra pesquisa realizada na Noruega, que evidencia situa\u00e7\u00f5es parecidas, como a prescri\u00e7\u00e3o de contraceptivos e testes de gravidez a mulheres l\u00e9sbicas.\u00a0<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400;\">Al\u00e9m de todas essas barreiras no atendimento m\u00e9dico, a popula\u00e7\u00e3o LGBTQ+ em geral enfrenta processos de viol\u00eancia, preconceito e discrimina\u00e7\u00e3o que afetam direta ou indiretamente a sa\u00fade mental. Desse modo, os aspectos psicol\u00f3gicos tamb\u00e9m se mostram fundamentais no entendimento do acesso \u00e0 sa\u00fade por l\u00e9sbicas e mulheres bissexuais. Essa quest\u00e3o envolve n\u00e3o apenas o atendimento m\u00e9dico e psicol\u00f3gico em servi\u00e7os de sa\u00fade, mas tamb\u00e9m a inser\u00e7\u00e3o dos indiv\u00edduos na sociedade e o acolhimento oferecido pela fam\u00edlia, como aborda Perucchi (<\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">et al<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">. 2014). Com a rejei\u00e7\u00e3o das institui\u00e7\u00f5es sociais a orienta\u00e7\u00f5es sexuais diferentes do padr\u00e3o heterossexual, a revela\u00e7\u00e3o da sexualidade em diversas situa\u00e7\u00f5es ao longo da vida &#8211; como para a pr\u00f3pria fam\u00edlia ou em outros contextos &#8211; pode vir acompanhada de conflitos dolorosos.\u00a0<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400;\">O Inqu\u00e9rito Nacional de Sa\u00fade LGBTQI [8], realizado pela Faculdade de Medicina da UFMG em parceria com a UFRJ durante a pandemia do Covid-19, apontou que 36% da popula\u00e7\u00e3o LGBT enfrenta epis\u00f3dios semanais de discrimina\u00e7\u00e3o, sendo 11% deles em servi\u00e7os de sa\u00fade. A pesquisa ainda mostra que a frequ\u00eancia de diagn\u00f3sticos de depress\u00e3o entre essa parcela da popula\u00e7\u00e3o \u00e9 significativamente maior do que entre a popula\u00e7\u00e3o em geral, como apresenta o infogr\u00e1fico abaixo.<\/span><\/p><p style=\"text-align: center;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Imagem 2 &#8211; Compara\u00e7\u00e3o entre a preval\u00eancia de depress\u00e3o na popula\u00e7\u00e3o geral e na popula\u00e7\u00e3o LGBTQI<\/span><\/p>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-2c59656 elementor-widget elementor-widget-image\" data-id=\"2c59656\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"image.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<img decoding=\"async\" width=\"512\" height=\"192\" src=\"https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Imgem-2.png\" class=\"attachment-large size-large wp-image-3084\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Imgem-2.png 512w, https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Imgem-2-300x113.png 300w\" sizes=\"(max-width: 512px) 100vw, 512px\" \/>\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-4f8c92e elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"4f8c92e\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<p>Fonte: Inqu\u00e9rito Nacional de Sa\u00fade LGBTQI, Faculdade de Medicina UFMG.\u00a0<\/p><p>O caminho para a supera\u00e7\u00e3o dos obst\u00e1culos ao direito de mulheres l\u00e9sbicas e bissexuais passa pela necessidade de fortalecimento das pol\u00edticas p\u00fablicas direcionadas ao grupo, envolvendo a forma\u00e7\u00e3o dos profissionais de sa\u00fade, a estrutura\u00e7\u00e3o dos programas espec\u00edficos e o fortalecimento da inclus\u00e3o nos servi\u00e7os de sa\u00fade. Contudo, o \u00faltimo governo foi na dire\u00e7\u00e3o oposta: o discurso preconceituoso de Bolsonaro e a falta de pol\u00edticas inclusivas atacam os direitos da popula\u00e7\u00e3o LGBTQIA+. O departamento direcionado \u00e0s pol\u00edticas para esse grupo est\u00e1 inserido no Minist\u00e9rio da Mulher, da Fam\u00edlia e dos Direitos Humanos, chefiado pela pastora evang\u00e9lica Damares Alves, que apresenta uma postura conservadora e refor\u00e7a estere\u00f3tipos em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s quest\u00f5es de g\u00eanero e de sexualidade. O departamento LGBTQIA+ n\u00e3o apresentou nenhum gasto no ano de 2020 at\u00e9 a primeira semana de dezembro, mesmo com um or\u00e7amento de 4,5 milh\u00f5es, mostrando um \u201capag\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas\u201d (MAIA, 2021).<\/p><p>Com isso, tendo em vista o retrocesso dos \u00faltimos anos, a necessidade de fortalecer as pol\u00edticas de sa\u00fade para a popula\u00e7\u00e3o LGBTQIA+ se mostra ainda mais urgente. Nesse sentido, o atual governo j\u00e1 apresentou alguns avan\u00e7os para a pauta, como a retomada do Conselho Nacional dos Direitos das Pessoas L\u00e9sbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais, Queers, Intersexos, Assexuais e Outras (CNLGBTQIA+). No cen\u00e1rio atual do Brasil, o Dia Internacional do Orgulho LGBT+ deve ser uma oportunidade para a discuss\u00e3o de temas invisibilizados que precisam de aten\u00e7\u00e3o e a\u00e7\u00e3o em m\u00faltiplas frentes para a efetiva\u00e7\u00e3o dos direitos desse grupo.<\/p><p>Autora: Anna Clara Mattos, sob a orienta\u00e7\u00e3o de Bruno Lazzarotti<\/p><p>*O Observat\u00f3rio das Desigualdades \u00e9 um projeto de extens\u00e3o. O conte\u00fado e as opini\u00f5es expressas n\u00e3o refletem necessariamente o posicionamento da Funda\u00e7\u00e3o Jo\u00e3o Pinheiro ou do CORECON \u2013 MG.<\/p><p><strong>Refer\u00eancias<\/strong><br \/>[1] LAURENTINO, Arnaldo. Pol\u00edticas p\u00fablicas de sa\u00fade para a popula\u00e7\u00e3o LGBT: da cria\u00e7\u00e3o do SUS \u00e0 implementa\u00e7\u00e3o da Pol\u00edtica Nacional de Sa\u00fade Integral de LGBT. Funda\u00e7\u00e3o Oswaldo Cruz, Rio de Janeiro, 2015. Dispon\u00edvel em: &lt;https:\/\/www.arca.fiocruz.br\/handle\/icict\/12194&gt; Acesso em: 07 jan 2022<\/p><p>[2] CONSELHO Nacional de Combate \u00e0 Discrimina\u00e7\u00e3o. Brasil Sem Homofobia: Programa de combate \u00e0 viol\u00eancia e \u00e0 discrimina\u00e7\u00e3o contra GLTB e promo\u00e7\u00e3o da cidadania homossexual. Bras\u00edlia : Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, 2004. Dispon\u00edvel em: &lt;https:\/\/bvsms.saude.gov.br\/bvs\/publicacoes\/brasil_sem_homofobia.pdf&gt; Acesso em: 07 jan 2022<\/p><p>[3] ALC NTARA, Anelise et al. Implementa\u00e7\u00e3o da Pol\u00edtica Nacional de Sa\u00fade Integral de L\u00e9sbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (PNSI LGBT) no Paran\u00e1, Brasil. Interface, Botucatu, 2020. Dispon\u00edvel em: &lt;https:\/\/www.scielosp.org\/article\/icse\/2020.v24\/e190568\/pt\/&gt; Acesso em: 07 jan 2022<\/p><p>[4] SILVA, Adriane; GOMES, Romeu. Acesso de mulheres l\u00e9sbicas aos servi\u00e7os de sa\u00fade \u00e0 luz da literatura. Ci\u00eancia &amp; Sa\u00fade Coletiva, Rio de Janeiro, 2021. Dispon\u00edvel em: &lt;https:\/\/www.scielo.br\/j\/csc\/a\/CT4qkJ8Ccczf6PtLHyw4w7n\/?lang=pt&gt; Acesso em: 07 jan 2022<\/p><p>[5] REDE Feminista de Sa\u00fade. Sa\u00fade das mulheres l\u00e9sbicas: promo\u00e7\u00e3o da equidade e da integralidade. Belo Horizonte, 8 de Mar\u00e7o de 2006. Dispon\u00edvel em: &lt;https:\/\/redesaude.org.br\/biblioteca-nova\/&gt; Acesso em: 07 jan 2022<\/p><p>[6] RODRIGUES, Juliana; FALC\u00c3O, Marcia Thereza. Viv\u00eancias de atendimentos ginecol\u00f3gicos por mulheres l\u00e9sbicas e bissexuais: (in)visibilidades e barreiras para o exerc\u00edcio do direito \u00e0 sa\u00fade. Sa\u00fade e Sociedade, S\u00e3o Paulo, 2021. Dispon\u00edvel em: &lt;https:\/\/www.scielo.br\/j\/sausoc\/a\/nNQZnc5v4mGtNhHFDyDjq8c\/?lang=pt&gt; Acesso em: 07 jan 2022<\/p><p>[7] BRAND\u00c3O, Brune et al. Aspectos psicossociais da homofobia intrafamiliar e sa\u00fade de jovens l\u00e9sbicas e gays. Estudos de Psicologia, 2014. Dispon\u00edvel em: &lt;https:\/\/www.scielo.br\/j\/epsic\/a\/hmnDL9rQSLJyQxfNgmsp9dq\/?lang=pt&gt; Acesso em: 07 jan 2022<\/p><p>[8] MEDICINA UFMG. Em inqu\u00e9rito nacional, 36% da popula\u00e7\u00e3o LGBTQI relata epis\u00f3dios semanais de discrimina\u00e7\u00e3o. Faculdade de Medicina UFMG, Belo Horizonte, 27 jan 2021. Dispon\u00edvel em: &lt;https:\/\/www.medicina.ufmg.br\/em-inquerito-nacional-36-da-populacao-lgbtqi-relata-episodios-semanais-de-discriminacao\/&gt; Acesso em: 07 jan 2022<\/p><p>[9] FOLHA de S\u00e3o Paulo. Sob Bolsonaro e pandemia, pessoas LGBTQIA+ sofrem com apag\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas. S\u00e3o Paulo, 28 jun 2021. Dispon\u00edvel em: &lt;https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/cotidiano\/2021\/06\/sob-bolsonaro-e-pandemia-pessoas-lgbtqia-sofrem-com-apagao-de-politicas-publicas.shtml&gt; Acesso em: 07 jan 2022<\/p>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No dia 28 de junho, Dia Internacional do Orgulho LGBT+, o Observat\u00f3rio das Desigualdades prop\u00f5e uma discuss\u00e3o acerca da sa\u00fade de pessoas LGBTQIA+, ou seja, pessoas que n\u00e3o se incluem no padr\u00e3o heteronormativo. Esse debate se iniciou apenas nas \u00faltimas d\u00e9cadas do s\u00e9culo XX, marcada pelos preconceitos e pela discrimina\u00e7\u00e3o que historicamente marginalizam esse grupo. 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