{"id":3566,"date":"2024-03-25T20:02:56","date_gmt":"2024-03-25T20:02:56","guid":{"rendered":"https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/?p=3566"},"modified":"2024-05-30T23:47:28","modified_gmt":"2024-05-30T23:47:28","slug":"8m-todo-dia-e-dia-de-relembrar-todo-dia-e-dia-de-nao-esquecer","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/?p=3566","title":{"rendered":"8M: todo dia \u00e9 dia de relembrar, todo dia \u00e9 dia de n\u00e3o esquecer"},"content":{"rendered":"\t\t<div data-elementor-type=\"wp-post\" data-elementor-id=\"3566\" class=\"elementor elementor-3566\">\n\t\t\t\t\t\t<section class=\"elementor-section elementor-top-section elementor-element elementor-element-f7e794c elementor-section-boxed elementor-section-height-default elementor-section-height-default\" data-id=\"f7e794c\" data-element_type=\"section\" data-e-type=\"section\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-container elementor-column-gap-default\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-column elementor-col-100 elementor-top-column elementor-element elementor-element-8ff3781\" data-id=\"8ff3781\" data-element_type=\"column\" data-e-type=\"column\">\n\t\t\t<div class=\"elementor-widget-wrap elementor-element-populated\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-473cc93 elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"473cc93\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">O apagamento hist\u00f3rico feminino \u00e9 uma realidade observada em v\u00e1rios campos do conhecimento e \u00e1reas da vida. Esse fen\u00f4meno \u00e9 t\u00e3o absoluto que, atualmente, h\u00e1 evid\u00eancias que potencialmente negam, apontando a exist\u00eancia de \u201cmulheres ca\u00e7adoras\u201d a comum narrativa sobre o per\u00edodo pr\u00e9-hist\u00f3rico; \u201ca ca\u00e7a era uma tarefa masculina, enquanto as tarefas femininas se limitavam a plantar, colher e cuidar dos filhos\u201d, tais como as apresentadas por Patou-Mathis (2022) e Ocobock e Lacy (2024).\u00a0<\/span><\/p><p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Tendo em vista o Dia Internacional das Mulheres, o Observat\u00f3rio das Desigualdades busca trazer hist\u00f3rias de algumas mulheres que, apesar de alcan\u00e7arem feitos significativos, n\u00e3o s\u00e3o lembradas com frequ\u00eancia. Objetiva-se n\u00e3o apenas ressaltar as conquistas individuais dessas, mas demonstrar que uma parte da hist\u00f3ria humana \u00e9 protagonizada por mulheres, incluindo mulheres negras, cujo apagamento \u00e9 consequ\u00eancia e tamb\u00e9m instrumento de perpetua\u00e7\u00e3o da opress\u00e3o sobre as mulheres.<\/span><\/p><p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Quem descobriu os cromossomos sexuais? Nettie Stevens nasceu em 1861 e recebeu o t\u00edtulo de doutora em 1903. Era especialmente interessada na determina\u00e7\u00e3o do sexo biol\u00f3gico e fez uma descoberta muito importante enquanto estudava larvas-da-farinha. Nas c\u00e9lulas das f\u00eameas que produziam os \u00f3vulos, 20 grandes cromossomos eram observ\u00e1veis, enquanto nas c\u00e9lulas masculinas, apenas 19 grandes cromossomos e 1 cromossomo pequeno podiam ser observados. Em 1905, a partir da an\u00e1lise dos acontecimentos resultantes da intera\u00e7\u00e3o entre esse pequeno cromossomo e os maiores, Stevens publicou um trabalho em que afirmava que o cromossomo pequeno &#8211; hoje chamado de \u201cY\u201d &#8211; \u00e9 respons\u00e1vel pela determina\u00e7\u00e3o do sexo biol\u00f3gico, que ocorre no momento da fecunda\u00e7\u00e3o. Infelizmente, durante muito tempo, os cr\u00e9ditos para essa descoberta eram apenas de outros cientistas &#8211; homens &#8211; que fizeram observa\u00e7\u00f5es parecidas na mesma \u00e9poca, tais como Thomas Hunt Morgan e Edmund B. Wilson, ignorando a contribui\u00e7\u00e3o de Nettie Stevens. Nessa esteira, cabe ressaltar que as teorias de seus colegas n\u00e3o eram perfeitas &#8211; Wilson, por exemplo, n\u00e3o descartou a possibilidade de determina\u00e7\u00e3o sexual pelo ambiente durante algum tempo e Morgan n\u00e3o acreditava que os genes estavam nos cromossomos, se convencendo de tal fato apenas posteriormente. (The Linda Hall Library, 2022).<\/span><\/p><p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">O imagin\u00e1rio popular comumente acredita na narrativa de \u201chomens revolucion\u00e1rios\u201d, no entanto, as mulheres revolucion\u00e1rias s\u00e3o t\u00e3o fortes e relevantes quanto esses. Para exemplificar o fato em quest\u00e3o, \u00e9 preciso mencionar que a hist\u00f3ria do Brasil \u00e9 marcada pela explora\u00e7\u00e3o e opress\u00e3o direcionadas \u00e0s pessoas negras. Em 1838, o hist\u00f3rico de desumanidade e viol\u00eancia contra as pessoas negras escravizadas, com destaque para a morte de Camilo Sapateiro, v\u00edtima de tais agress\u00f5es, foram as motiva\u00e7\u00f5es para a Insurrei\u00e7\u00e3o de 1838, tamb\u00e9m chamada de Revolta de Manoel do Congo. Essa insurrei\u00e7\u00e3o foi uma das maiores fugas de pessoas escravizadas j\u00e1 registradas. (Silva; Silva, 2023). Embora o nome \u201cRevolta de Manoel do Congo\u201d n\u00e3o aponte para esse fato, a lideran\u00e7a desse movimento n\u00e3o foi apenas masculina: Manoel do Congo e Marianna Crioula eram considerados rei e rainha do quilombo que se desejava formar.\u00a0 Marianna foi capturada, assim como outros envolvidos na revolta. O relato de uma testemunha, Coronel Francisco Peixoto de Lacerda Werneck, registrou grande resist\u00eancia aos ataques dos \u201cdonos\u201d das pessoas escravizadas e um ic\u00f4nico grito de Marianna \u201cMorrer sim, entregar n\u00e3o!\u201d. (\u201cMarianna Crioula, a rainha guerreira da insurrei\u00e7\u00e3o de 1838\u201d, 2020).\u00a0\u00a0<\/span><\/p><p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Talvez, quando o assunto \u00e9 f\u00edsica, as pessoas pensem apenas em Einstein, Heisenberg, Newton, Tesla e outros nomes brilhantes do ramo. Sem embargos a isso, existem, tamb\u00e9m, nomes femininos t\u00e3o brilhantes quanto os mencionados. Vera Rubin foi uma cientista respons\u00e1vel pela descoberta de uma das principais evid\u00eancias da exist\u00eancia da mat\u00e9ria escura. Se formou na Vassar College e queria fazer seu mestrado na Universidade de Princeton, que a rejeitou porque n\u00e3o aceitava mulheres. N\u00e3o obstante, fez seu mestrado e doutorado em outras universidades. Al\u00e9m da importante descoberta quanto \u00e0 mat\u00e9ria escura, o legado de Vera Rubin tamb\u00e9m \u00e9 marcado pelo ativismo feminino e pela ocupa\u00e7\u00e3o de espa\u00e7os tradicionalmente masculinos. Nesse sentido, Rubin at\u00e9 mesmo cortou saias de papel para os s\u00edmbolos do banheiro ap\u00f3s ter sua entrada negada no Observat\u00f3rio Palomar com a justificativa de que n\u00e3o havia banheiros femininos. (\u201cConhe\u00e7a Vera Rubin, a astr\u00f4noma e rainha das gal\u00e1xias \u2013 Espa\u00e7o do Conhecimento UFMG\u201d, [s.d.]).<\/span><\/p><p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Embora a profici\u00eancia esportiva seja considerada tipicamente masculina, basta a observa\u00e7\u00e3o atenta da realidade para perceber que h\u00e1 mulheres inacreditavelmente habilidosas nessa \u00e1rea. Pierre de Coubertin &#8211; considerado o fundador dos Jogos Ol\u00edmpicos modernos &#8211; certamente compartilhava da cren\u00e7a citada, pois acreditava que \u201cuma mulher nos Jogos Ol\u00edmpicos seria algo impratic\u00e1vel, desinteressante, ruim para a est\u00e9tica, e incorreto. Os Jogos devem ser reservados aos homens; o papel da mulher deve ser coroar os campe\u00f5es\u201d. (Confedera\u00e7\u00e3o Brasileira do Desporto Universit\u00e1rio, 2021). Essa ideia se demonstrou errada diversas vezes devido \u00e0 enorme quantidade de mulheres atletas com habilidades e hist\u00f3rias verdadeiramente impressionantes. Wilma Glodean Rudolph foi uma atleta negra que nasceu de forma prematura em 1940 em cidade que ainda vivia a segrega\u00e7\u00e3o racial. Sua fam\u00edlia n\u00e3o possu\u00eda boas condi\u00e7\u00f5es financeiras e, durante sua inf\u00e2ncia, contraiu diversas doen\u00e7as, como sarampo, pneumonia dupla, escarlatina e poliomielite. Esse \u00faltimo diagn\u00f3stico foi especialmente dif\u00edcil para Wilma e sua fam\u00edlia, que sempre cuidou e amou ela &#8211; em sua autobiografia, Wilma afirma lembrar mais do carinho de sua fam\u00edlia do que da pobreza. Nem todos os hospitais aceitavam pessoas negras e o \u00fanico que poderia trat\u00e1-la ficava a aproximadamente 80 km de sua casa. Apesar de todas as intemp\u00e9ries, com 12 anos a atleta tinha recuperado o movimento das pernas e era uma crian\u00e7a muito ativa. (Bagchi, 2012). Anos mais tarde, Wilma ganhou 3 medalhas de ouro ol\u00edmpicas como velocista e se tornou famosa por suas impressionantes habilidades. Corretamente, usou de sua fama para lutar contra as injusti\u00e7as, participando de protestos e denunciando o machismo e o racismo dentro dos esportes, embora sua atua\u00e7\u00e3o pol\u00edtica tenha sido mais intensa ap\u00f3s se aposentar. (Siber, 2018).\u00a0<\/span><\/p><p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Ainda no t\u00f3pico dos esportes, \u00e9 pertinente pontuar suas rela\u00e7\u00f5es com a pol\u00edtica por meio da hist\u00f3ria de uma mulheres destemida e habilidosa. Durante a ditadura militar ampliou-se, legalmente, a restri\u00e7\u00e3o da participa\u00e7\u00e3o feminina nos esportes, sendo decretado \u201cn\u00e3o ser permitida \u00e0s mulheres a pr\u00e1tica de lutas de qualquer natureza, futebol, futebol de sal\u00e3o, futebol de praia, p\u00f3lo aqu\u00e1tico, rugby, halterofilismo e baseball\u201d. Nesse contexto, Irenice Maria Rodrigues, atleta negra do time \u201cFluminense\u201d, em 1967, participou de uma greve noticiada apenas como uma resposta dos atletas \u201caos desmandos do Comit\u00ea Ol\u00edmpico Brasileiro\u201d. No mesmo ano, a atleta estava tentando participar da prova dos 800m, o que teoricamente era proibido segundo as diretrizes do Conselho Nacional de Desportos. As habilidades f\u00edsicas de Irenice eram not\u00e1veis; a atleta batia sucessivamente seu recorde na corrida de 800m rasos. Decerto, Irenice era t\u00e3o fascinante que Waldemar Areno, forte opositor das competi\u00e7\u00f5es femininas de \u201clonga dist\u00e2ncia, grande for\u00e7a e resist\u00eancia\u201d reconhecesse as capacidades f\u00edsicas da atleta, afirmando que \u201c(&#8230;) Irenice poder\u00e1 nos obrigar a dar uma guinada de 180 graus na minha posi\u00e7\u00e3o, porque demonstrou resist\u00eancia incomum para esse tipo de percurso\u201d. (Farias, 2018?, p.2). A postura da atleta durante sua carreira foi de resist\u00eancia, frequentemente denunciando o machismo\u00a0 e o racismo no meio esportivo e na sociedade brasileira, al\u00e9m de ter se tornado uma lideran\u00e7a para mulheres negras no meio do atletismo. Infelizmente, Irenice foi proibida de competir na prova dos 800m com a justificativa de ter agredido uma colega, fato que tamb\u00e9m n\u00e3o carece de complexidade sociol\u00f3gica:<\/span><\/p><p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Com certeza, o peso acumulado das discrimina\u00e7\u00f5es de g\u00eanero no espa\u00e7o esportivo, entre outras hierarquiza\u00e7\u00f5es sociais, assumiu car\u00e1ter mais agudo em momentos de maior repress\u00e3o, quando as prerrogativas legais e institucionais encontravam-se violentamente cerceadas, causando a explos\u00e3o de raivas, ressentimentos, reivindica\u00e7\u00f5es e confrontos recalcados. Esse foi o caso da atleta (&#8230;) (Farias, 2018, p. 4)\u00a0<\/span><\/p><p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Como o racismo pode afetar as crian\u00e7as? Essa quest\u00e3o foi respondida por uma mulher e seu marido. Mammie Phipps Clark nasceu em 1917 e obteve seu mestrado e gradua\u00e7\u00e3o na Howard University. Influenciada pelo seu trabalho em uma pr\u00e9-escola para alunos negros, escreveu sua disserta\u00e7\u00e3o de mestrado &#8220;The Development of Consciousness of Self in Negro\u00b9<\/span><span style=\"font-size: 15px; font-weight: 400; color: var( --e-global-color-text );\">\u00a0<\/span><span style=\"font-size: 15px; font-weight: 400; color: var( --e-global-color-text );\">Pre-School Children&#8221; (\u201cO desenvolvimento da consci\u00eancia de si em crian\u00e7as negras na pr\u00e9-escola\u201d). Posteriormente, conheceu seu futuro marido, Kenneth Clark, e os dois passaram a pesquisar juntos sobre a auto-identifica\u00e7\u00e3o de crian\u00e7as negras. Al\u00e9m disso, se tornaram as duas primeiras pessoas negras a obter doutorado em psicologia na Columbia University. (American Psychological Association, [s.d.]). Nos seus estudos, consideravam a \u201cconsci\u00eancia racial\u201d como a consci\u00eancia de pertencimento a um grupo e uma parte importante da autoconsci\u00eancia infantil. (Clark; Clark, 1940).\u00a0 Um dos seus trabalhos mais famosos, o \u201cteste da boneca\u201d, teve um papel de peso no caso <\/span><i style=\"font-size: 15px; color: var( --e-global-color-text );\"><span style=\"font-weight: 400;\">Brown v. Board of Education of Topeka <\/span><\/i><span style=\"font-size: 15px; font-weight: 400; color: var( --e-global-color-text );\">que considerou inconstitucional a segrega\u00e7\u00e3o racial nas escolas. (Ag\u00eancia, 2018). Esse teste foi utilizado como prova dos efeitos nocivos \u00e0 autoestima gerados pela segrega\u00e7\u00e3o racial. (Legal Defense Fund, 2019).\u00a0<\/span><\/p><p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">A pr\u00f3xima hist\u00f3ria se refere, novamente, a uma revolucion\u00e1ria de grande for\u00e7a e perseveran\u00e7a. Laudelina de Campos Melo nasceu em 1904. Embora a escravid\u00e3o j\u00e1 tivesse sido formalmente abolida, nota-se a persist\u00eancia das desigualdades de ra\u00e7a, as quais conviviam, tamb\u00e9m, com as de gen\u00earo e classe. Essas se demonstram na hist\u00f3ria de Laudelina, que \u201ccome\u00e7ou a trabalhar aos sete anos de idade, abandonou a escola para cuidar dos irm\u00e3os (&#8230;)\u201d. (BBC News Brasil, 2020).\u00a0 A atua\u00e7\u00e3o pol\u00edtica de Laudelina \u00e9 extensa e se intensificou na d\u00e9cada de 1930, quando se filiou ao Partido Comunista Brasileiro (PCB), atuou na Frente Negra Brasileira (FNB), se alistou para trabalhar como auxiliar de guerra na 2a Guerra Mundial e fundou a primeira associa\u00e7\u00e3o de trabalhadores dom\u00e9sticas (os) &#8211; grupo constitu\u00eddo principalmente por mulheres &#8211; do Brasil. Laudelina trabalhou como empregada dom\u00e9stica at\u00e9 a d\u00e9cada de 1950.\u00a0 Durante esse per\u00edodo, e, na verdade, at\u00e9 2013, o trabalho realizado por esse grupo era mencionado apenas nas leis sanit\u00e1rias e policiais, demonstrando o not\u00f3rio preconceito contra a categoria relacionado \u00e0s desigualdades j\u00e1 mencionadas. O funcionamento de sua associa\u00e7\u00e3o foi interrompido pelas ditaduras Vargas e Militar. Conv\u00e9m pontuar que embora as leis trabalhistas de maior solidez tenham surgido durante a ditadura Vargas, com a Consolida\u00e7\u00e3o das Leis do Trabalho (CLT), nenhuma dessas contemplava o trabalho exercido por empregadas(os)\u00a0 dom\u00e9sticas(os). Tal se justifica pela ainda persistente cren\u00e7a que o trabalho dom\u00e9stico n\u00e3o constitui um trabalho de fato. A atua\u00e7\u00e3o de Laudelina foi vital para os direitos conquistados pelas empregadas(os) dom\u00e9sticas(os), embora esses tenham sido positivados pela lei ap\u00f3s a sua morte. (BBC News Brasil, 2020).<\/span><\/p><p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Foram apresentadas apenas 7 mulheres nesse texto, mas o n\u00famero de mulheres v\u00edtimas de apagamento hist\u00f3rico \u00e9 muito maior &#8211; incont\u00e1vel, na verdade. Esse apagamento \u00e9 causado pelo machismo e a ideia dele oriunda que h\u00e1 espa\u00e7os que n\u00e3o pertencem \u00e0s mulheres &#8211; tais como a ci\u00eancia, os esportes, as revolu\u00e7\u00f5es e os espa\u00e7os relevantes da hist\u00f3ria, no geral. Ent\u00e3o, se cria um ciclo perverso: as mulheres t\u00eam suas contribui\u00e7\u00f5es apagadas em campos tidos como \u201cmasculinos\u201d, contribuindo para a manuten\u00e7\u00e3o dessa categoriza\u00e7\u00e3o para tais campos e, devido a essa categoriza\u00e7\u00e3o, mulheres se afastam ou acreditam que n\u00e3o conseguem se inserir nesses espa\u00e7os &#8211; em adi\u00e7\u00e3o, o crit\u00e9rio de ra\u00e7a tamb\u00e9m \u00e9 parte desse ciclo, com a concep\u00e7\u00e3o de espa\u00e7os tradicionalmente masculinos e, ao mesmo tempo, tradicionalmente brancos. N\u00e3o obstante, os obst\u00e1culos claramente n\u00e3o impediram que a figura feminina contribu\u00edsse para a humanidade. Pensando nisso, \u00e9 necess\u00e1rio questionar-se: quantos outros feitos importantes femininos existiriam se as sociedades fossem igualit\u00e1rias? Quantas contribui\u00e7\u00f5es a mais existiriam para o bem-estar e o progresso sustent\u00e1vel?\u00a0 Pela relev\u00e2ncia dessas quest\u00f5es, \u00e9 necess\u00e1rio se dizer que n\u00e3o h\u00e1 um dia, semana ou m\u00eas espec\u00edfico para lutar contra o apagamento feminino: trata-se de uma di\u00e1ria que s\u00f3 deve cessar quando a igualdade for alcan\u00e7ada.\u00a0<\/span><\/p><p>\u00a0<\/p><p><span style=\"font-variant-ligatures: normal; font-variant-caps: normal; font-family: 'Open Sans', sans-serif; font-size: 15px; font-style: normal; font-weight: 400; text-align: start;\">\u00b9O termo \u201c<\/span><i style=\"font-variant-ligatures: normal; font-variant-caps: normal; font-family: 'Open Sans', sans-serif; font-size: 15px; font-weight: 400; text-align: start;\">negro\u201d<\/i><span style=\"font-variant-ligatures: normal; font-variant-caps: normal; font-family: 'Open Sans', sans-serif; font-size: 15px; font-style: normal; font-weight: 400; text-align: start;\">\u00a0\u00e9, atualmente e nos Estados Unidos, considerado uma forma ofensiva de se referir a pessoas negras, no entanto, era um termo comum na \u00e9poca em que a autora escreveu sua disserta\u00e7\u00e3o de mestrado. (Jim Crow Museum, 2010)<\/span><\/p><p>\u00a0<\/p><p style=\"text-align: justify;\">Refer\u00eancias:<\/p><p style=\"text-align: justify;\">AG\u00caNCIA, E. F. E. Morre Linda Brown, \u00edcone da luta contra a segrega\u00e7\u00e3o racial nas escolas dos EUA. Dispon\u00edvel em: &lt;https:\/\/g1.globo.com\/educacao\/noticia\/morre-linda-brown-icone-contra-a-segregacao-racial-nas-escolas-dos-eua.ghtml&gt;. Acesso em: 1 mar. 2024.<\/p><p>AMERICAN PSYCHOLOGICAL ASSOCIATION. Mamie Phipps Clark, PhD, and Kenneth Clark, PhD. Dispon\u00edvel em: &lt;https:\/\/www.apa.org\/pi\/oema\/resources\/ethnicity-health\/psychologists\/clark&gt;. Acesso em: 1 mar. 2024.<\/p><p>BAGCHI, R. 50 stunning Olympic moments No35: Wilma Rudolph\u2019s triple gold in 1960. Dispon\u00edvel em: &lt;https:\/\/www.theguardian.com\/sport\/blog\/2012\/jun\/01\/50-stunning-olympic-moments-wilma-rudolph&gt;. Acesso em: 1 mar. 2024.<\/p><p>BBC NEWS BRASIL. Quem foi Laudelina de Campos Melo, pioneira na luta por direitos de trabalhadores dom\u00e9sticos no Brasil. Dispon\u00edvel em: &lt;https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/geral-54507024&gt;. Acesso em: 1 mar. 2024.<br \/>CLARK, K. B.; CLARK, M. K. Skin color as a factor in racial identification of negro preschool children. The Journal of social psychology, v. 11, n. 1, p. 159\u2013169, 1940.<\/p><p>CONFEDERA\u00c7\u00c3O BRASILEIRA DO DESPORTO UNIVERSIT\u00c1RIO. Mulheres no esporte \u2013 Participa\u00e7\u00e3o feminina em Jogos Ol\u00edmpicos. Dispon\u00edvel em: &lt;https:\/\/www.cbdu.org.br\/mulheres-esporte-participacao-feminina-jogos-olimpicos\/&gt;. Acesso em: 1 mar. 2024.<\/p><p>Conhe\u00e7a Vera Rubin, a astr\u00f4noma e rainha das gal\u00e1xias \u2013 Espa\u00e7o do Conhecimento UFMG. Dispon\u00edvel em: &lt;https:\/\/www.ufmg.br\/espacodoconhecimento\/vera-rubin\/&gt;. Acesso em: 1 mar. 2024.<\/p><p>FARIAS, Cl\u00e1udia Maria de. \u201cIrenice Maria Rodrigues, o esquecimento de uma atleta ol\u00edmpica brasileira\u201d. Anais do Encontro Internacional e XVIII Encontro de Hist\u00f3ria da Anpuh-Rio: Hist\u00f3ria e Parcerias. Dispon\u00edvel em: &lt;https:\/\/www.encontro2018.rj.anpuh.org\/resources\/anais\/8\/1529788364_ARQUIVO_paperAnpuh2018.pdf&gt;. Acesso em: 1 mar. 2024.<\/p><p>JIM CROW MUSEUM. When did the word negro become socially unacceptable? &#8211; 2010 &#8211; question of the month &#8211; Jim crow museum. Dispon\u00edvel em: &lt;https:\/\/jimcrowmuseum.ferris.edu\/question\/2010\/october.htm&gt;. Acesso em: 1 mar. 2024.<\/p><p>LEGAL DEFENSE FUND. The significance of \u201cthe Doll Test\u201d. Dispon\u00edvel em: &lt;https:\/\/www.naacpldf.org\/brown-vs-board\/significance-doll-test\/&gt;. Acesso em: 1 mar. 2024.<\/p><p>Marianna Crioula, a rainha guerreira da insurrei\u00e7\u00e3o de 1838. Revista Vale do Caf\u00e9, abr. 2020. Dispon\u00edvel em: &lt;https:\/\/www.google.com\/url?q=https:\/\/revistavaledocafe.com.br\/edicoes-anteriores-noticias&amp;sa=D&amp;source=docs&amp;ust=1709325060264635&amp;usg=AOvVaw2q5tPSrnRDZ62q6vv8lUIK&gt;. Acesso em: 1 mar. 2024.<\/p><p>OCOBOCK, C.; LACY, S. Woman the hunter: The physiological evidence. American anthropologist, v. 126, n. 1, p. 7\u201318, 2024.<\/p><p>PATOU-MATHIS, M. O homem pr\u00e9-hist\u00f3rico tamb\u00e9m \u00e9 mulher. [s.l.] Rosa dos Tempos, 2022.<\/p><p>SIBER, K. How Wilma Rudolph became the world\u2019s fastest woman. Dispon\u00edvel em: &lt;https:\/\/www.outsideonline.com\/2317131\/wilma-rudolph-worlds-fastest-woman&gt;. Acesso em: 1 mar. 2024.<br \/>SILVA, \u00c9. L. DE S.; SILVA, T. M. G. (Des)velando hero\u00ednas negras sob a \u00f3tica do feminismo negro. Verbo de Minas, p. 64\u201387, 2023.<\/p><p>THE LINDA HALL LIBRARY. Nettie Maria Stevens &#8211; Linda hall library. Dispon\u00edvel em: &lt;https:\/\/www.lindahall.org\/about\/news\/scientist-of-the-day\/nettie-maria-stevens\/&gt;. Acesso em: 1 mar. 2024.<\/p><p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">\u00a0<\/span><\/p><p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: 'Open Sans', sans-serif; font-size: 15px; font-style: normal; font-variant-ligatures: normal; font-variant-caps: normal; font-weight: 600;\">Autora: Alessandra Von D\u00f6llinger<\/span><span style=\"font-family: 'Open Sans', sans-serif; font-size: 15px; font-style: normal; font-variant-ligatures: normal; font-variant-caps: normal; font-weight: 600; color: var( --e-global-color-text );\">, sob a orienta\u00e7\u00e3o de Bruno Lazzarotti.\u00a0<\/span><\/p><p style=\"font-variant-ligatures: normal; font-variant-caps: normal; font-family: 'Open Sans', sans-serif; font-size: 15px; font-style: normal; font-weight: 400; text-align: justify;\">*O Observat\u00f3rio das Desigualdades \u00e9 um projeto de extens\u00e3o. O conte\u00fado e as opini\u00f5es expressas n\u00e3o refletem necessariamente o posicionamento da Funda\u00e7\u00e3o Jo\u00e3o Pinheiro ou do CORECON \u2013 MG.<\/p>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O apagamento hist\u00f3rico feminino \u00e9 uma realidade observada em v\u00e1rios campos do conhecimento e \u00e1reas da vida. Esse fen\u00f4meno \u00e9 t\u00e3o absoluto que, atualmente, h\u00e1 evid\u00eancias que potencialmente negam, apontando a exist\u00eancia de \u201cmulheres ca\u00e7adoras\u201d a comum narrativa sobre o per\u00edodo pr\u00e9-hist\u00f3rico; \u201ca ca\u00e7a era uma tarefa masculina, enquanto as tarefas femininas se limitavam a [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":3570,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ocean_post_layout":"","ocean_both_sidebars_style":"","ocean_both_sidebars_content_width":0,"ocean_both_sidebars_sidebars_width":0,"ocean_sidebar":"0","ocean_second_sidebar":"0","ocean_disable_margins":"enable","ocean_add_body_class":"","ocean_shortcode_before_top_bar":"","ocean_shortcode_after_top_bar":"","ocean_shortcode_before_header":"","ocean_shortcode_after_header":"","ocean_has_shortcode":"","ocean_shortcode_after_title":"","ocean_shortcode_before_footer_widgets":"","ocean_shortcode_after_footer_widgets":"","ocean_shortcode_before_footer_bottom":"","ocean_shortcode_after_footer_bottom":"","ocean_display_top_bar":"default","ocean_display_header":"default","ocean_header_style":"","ocean_center_header_left_menu":"0","ocean_custom_header_template":"0","ocean_custom_logo":0,"ocean_custom_retina_logo":0,"ocean_custom_logo_max_width":0,"ocean_custom_logo_tablet_max_width":0,"ocean_custom_logo_mobile_max_width":0,"ocean_custom_logo_max_height":0,"ocean_custom_logo_tablet_max_height":0,"ocean_custom_logo_mobile_max_height":0,"ocean_header_custom_menu":"0","ocean_menu_typo_font_family":"0","ocean_menu_typo_font_subset":"","ocean_menu_typo_font_size":0,"ocean_menu_typo_font_size_tablet":0,"ocean_menu_typo_font_size_mobile":0,"ocean_menu_typo_font_size_unit":"px","ocean_menu_typo_font_weight":"","ocean_menu_typo_font_weight_tablet":"","ocean_menu_typo_font_weight_mobile":"","ocean_menu_typo_transform":"","ocean_menu_typo_transform_tablet":"","ocean_menu_typo_transform_mobile":"","ocean_menu_typo_line_height":0,"ocean_menu_typo_line_height_tablet":0,"ocean_menu_typo_line_height_mobile":0,"ocean_menu_typo_line_height_unit":"","ocean_menu_typo_spacing":0,"ocean_menu_typo_spacing_tablet":0,"ocean_menu_typo_spacing_mobile":0,"ocean_menu_typo_spacing_unit":"","ocean_menu_link_color":"","ocean_menu_link_color_hover":"","ocean_menu_link_color_active":"","ocean_menu_link_background":"","ocean_menu_link_hover_background":"","ocean_menu_link_active_background":"","ocean_menu_social_links_bg":"","ocean_menu_social_hover_links_bg":"","ocean_menu_social_links_color":"","ocean_menu_social_hover_links_color":"","ocean_disable_title":"default","ocean_disable_heading":"default","ocean_post_title":"","ocean_post_subheading":"","ocean_post_title_style":"","ocean_post_title_background_color":"","ocean_post_title_background":0,"ocean_post_title_bg_image_position":"","ocean_post_title_bg_image_attachment":"","ocean_post_title_bg_image_repeat":"","ocean_post_title_bg_image_size":"","ocean_post_title_height":0,"ocean_post_title_bg_overlay":0.5,"ocean_post_title_bg_overlay_color":"","ocean_disable_breadcrumbs":"default","ocean_breadcrumbs_color":"","ocean_breadcrumbs_separator_color":"","ocean_breadcrumbs_links_color":"","ocean_breadcrumbs_links_hover_color":"","ocean_display_footer_widgets":"default","ocean_display_footer_bottom":"default","ocean_custom_footer_template":"0","ocean_post_oembed":"","ocean_post_self_hosted_media":"","ocean_post_video_embed":"","ocean_link_format":"","ocean_link_format_target":"self","ocean_quote_format":"","ocean_quote_format_link":"post","ocean_gallery_link_images":"on","ocean_gallery_id":[],"footnotes":""},"categories":[56],"tags":[84,95],"class_list":["post-3566","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-desigualde-de-genero","tag-cultura","tag-movimentos-sociais","entry","has-media"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/3566","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=3566"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/3566\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3571,"href":"https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/3566\/revisions\/3571"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/3570"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=3566"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=3566"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=3566"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}