{"id":3743,"date":"2024-05-22T20:15:11","date_gmt":"2024-05-22T20:15:11","guid":{"rendered":"https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/?p=3743"},"modified":"2024-05-30T23:59:20","modified_gmt":"2024-05-30T23:59:20","slug":"inseguranca-alimentar-crescem-os-avancos-mas-os-problemas-persistem","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/?p=3743","title":{"rendered":"(In)Seguran\u00e7a alimentar: crescem os avan\u00e7os, mas os problemas persistem"},"content":{"rendered":"\t\t<div data-elementor-type=\"wp-post\" data-elementor-id=\"3743\" class=\"elementor elementor-3743\">\n\t\t\t\t\t\t<section class=\"elementor-section elementor-top-section elementor-element elementor-element-cdade29 elementor-section-boxed elementor-section-height-default elementor-section-height-default\" data-id=\"cdade29\" data-element_type=\"section\" data-e-type=\"section\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-container elementor-column-gap-default\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-column elementor-col-100 elementor-top-column elementor-element elementor-element-70ddce3\" data-id=\"70ddce3\" data-element_type=\"column\" data-e-type=\"column\">\n\t\t\t<div class=\"elementor-widget-wrap elementor-element-populated\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-b397956 elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"b397956\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">A discuss\u00e3o acerca da seguran\u00e7a alimentar e, conjuntamente, da fome (a forma mais severa de inseguran\u00e7a alimentar), apesar de expressar um objetivo t\u00e3o b\u00e1sico de qualquer coletividade &#8211; garantir a seus membros as condi\u00e7\u00f5es m\u00ednimas para uma sobreviv\u00eancia biol\u00f3gica saud\u00e1vel &#8211; , \u00e9 uma quest\u00e3o relevante h\u00e1 mais de 70 anos no contexto mundial (apesar de obviamente ser um fen\u00f4meno muito mais antigo), e at\u00e9 hoje n\u00e3o foram concentrados esfor\u00e7os suficientes para garantir a todos o acesso a uma alimenta\u00e7\u00e3o digna. No Brasil, ap\u00f3s um per\u00edodo de avan\u00e7os na estrutura\u00e7\u00e3o de uma pol\u00edtica de seguran\u00e7a alimentar, que culminou na sa\u00edda do pa\u00eds do \u201cMapa da Fome\u201d da ONU, enfrentamos um grave per\u00edodo de retrocesso, que incluiu o desmonte das pol\u00edticas e at\u00e9 mesmo o negacionismo mais expl\u00edcito, quando n\u00e3o ofensivo. Em 2019, a ent\u00e3o Ministra da Agricultura afirmou que \u201cn\u00f3s [brasileiros] n\u00e3o passamos muita fome porque temos manga nas nossas cidades\u201d. Em 2021, a mesma ministra chegou at\u00e9 mesmo a defender a flexibiliza\u00e7\u00e3o do prazo de validade de alimentos, a fim de que seus pre\u00e7os fossem reduzidos e as pessoas pudessem ter maior alcance, o que claramente \u00e9 uma resolu\u00e7\u00e3o que precariza a garantia ao DHAA (Direito Humano \u00e0 alimenta\u00e7\u00e3o adequada). E o pr\u00f3prio ex-Presidente da Rep\u00fablica chegou a afirmar, ainda em 2019, que \u201cfalar que se passa fome no Brasil \u00e9 uma grande mentira\u201d. N\u00e3o \u00e9 o que mostram os dados dispon\u00edveis, que indicam um agravamento da inseguran\u00e7a alimentar moderada e grave desde 2017, que s\u00f3 retomam uma melhora em 2023, como se ver\u00e1 adiante.<\/span><\/p><p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Segundo Tartaglia e Barros (2003 <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">apud <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">FAL\u00c7ONI<\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\"> et al<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">., 2022), a d\u00e9cada de 50 trouxe uma nova perspectiva das a\u00e7\u00f5es governamentais no \u00e2mbito alimentar, passando a base\u00e1-las em programas que priorizavam grupos sociais predeterminados, envolvendo institui\u00e7\u00f5es e esferas do poder p\u00fablico. Nesse sentido, foram realizadas confer\u00eancias e reuni\u00f5es que tinham como foco o debate sobre a problem\u00e1tica da fome em uma vis\u00e3o sociopol\u00edtica. Assim, come\u00e7ou-se a discutir esse problema em sua multidimensionalidade, levando em considera\u00e7\u00e3o a influ\u00eancia da pobreza e da gest\u00e3o equivocada de alimentos (SILVA, 2014 <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">apud <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">FAL\u00c7ONI<\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\"> et al<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">., 2022). Ainda, a partir de 1980, a discuss\u00e3o acerca da fome passou para o par\u00e2metro do acesso econ\u00f4mico (MELO <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">et al.<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">, 2017 <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">apud <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">FAL\u00c7ONI<\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\"> et al<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">., 2022), sendo esse, realmente, o foco deste <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">post<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">. Em outras palavras, o debate mundial sobre a quest\u00e3o passou a considerar n\u00e3o apenas o eixo t\u00e9cnico, que envolve a capacidade produtiva, a tecnologia a essa relacionada e a gest\u00e3o dos alimentos, mas tamb\u00e9m o eixo pol\u00edtico, que envolve as desigualdades, especialmente a de classe no contexto das discuss\u00f5es dos anos 80, que perpassam a distribui\u00e7\u00e3o e a produ\u00e7\u00e3o dos alimentos. Essa concep\u00e7\u00e3o mais ampla quanto a inseguran\u00e7a alimentar caracteriza a multidimensionalidade citada.\u00a0<\/span><\/p><p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">A seguran\u00e7a alimentar, conceitualmente, diz respeito ao acesso \u00e0 alimenta\u00e7\u00e3o adequada e saud\u00e1vel, ou seja, inclui n\u00e3o somente o crit\u00e9rio de quantidade de comida, mas observa-se tamb\u00e9m sua qualidade. \u00c9 importante destacar que sua garantia possui respaldo pela Declara\u00e7\u00e3o Universal dos Direitos Humanos, no seu artigo 25 e pelo artigo 6\u00ba da Constitui\u00e7\u00e3o Federal ao ser aprovada a Emenda Constitucional n\u00ba 64 em 2010, que incluiu no artigo o par\u00e2metro da alimenta\u00e7\u00e3o (HENRIQUE; LAZZAROTTI; ARCELO, 2021).<\/span><\/p><p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Como j\u00e1 mencionado, esse direito foi constantemente amea\u00e7ado nos \u00faltimos anos. Durante o governo Bolsonaro, e, de forma mais espec\u00edfica, no per\u00edodo entre 2018 e 2020 ocorreu um aumento da fome no Brasil de 27,6%, ou seja, em dois anos, o n\u00famero de indiv\u00edduos em inseguran\u00e7a alimentar grave &#8211; passando fome &#8211; foi de 10,3 milh\u00f5es para 19,1 milh\u00f5es &#8211; quase dobrou de quantitativo. Em 2022, esse n\u00famero era ainda maior, com 33,1 milh\u00f5es na situa\u00e7\u00e3o grave em quest\u00e3o.\u00a0<\/span><\/p><p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Ao longo da pandemia do coronav\u00edrus, iniciada em 2020, observou-se uma demora do Governo Federal em implementar diretrizes para o enfrentamento tanto da doen\u00e7a quanto da inseguran\u00e7a alimentar agravada pelo contexto de desigualdades sociais e instabilidade socioecon\u00f4mica que a primeira fomentou. Isto\u00a0 levou \u00e0 priva\u00e7\u00e3o do acesso aos alimentos, ligada a um contexto de insufici\u00eancia de renda, devido ao acelerado aumento do pre\u00e7o dos alimentos, ao desmonte de pol\u00edticas e \u00e0 falta de uma estrat\u00e9gia nacional para lidar com as consequ\u00eancias das restri\u00e7\u00f5es causadas pela pandemia (como a interrup\u00e7\u00e3o da merenda escolar, diante do fechamento das escolas). Nessa conjuntura, o aumento dos pre\u00e7os dos alimentos foi possibilitado, dentre outros fatores, pela aus\u00eancia de uma pol\u00edtica agr\u00edcola de regula\u00e7\u00e3o de pre\u00e7os e pela desvaloriza\u00e7\u00e3o do real, estimulando a exporta\u00e7\u00e3o e desabastecendo o mercado interno de alimentos b\u00e1sicos. Assim, \u00e9 poss\u00edvel observar que a inseguran\u00e7a alimentar est\u00e1 fortemente conectada com a situa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica do pa\u00eds, relacionando-se tamb\u00e9m ao fator do desemprego. Em 2020, a inseguran\u00e7a alimentar grave na regi\u00e3o Norte chegou aos 18%, ou seja, quase uma em cada cinco fam\u00edlias da regi\u00e3o estavam passando fome no dia a dia. Em 2022, segundo o VIGISAN (2022), esse n\u00famero chegou a assustadores 40,2% na regi\u00e3o Norte e 22,6% no Nordeste, percentuais muito menores que o Sul, o Sudeste e o Centro-Oeste (10,3%, 15,6% e 16,5%). Destarte, a pandemia do coronav\u00edrus intensificou um cen\u00e1rio que teve in\u00edcio antes da pandemia, com as pol\u00edticas de austeridade executadas no Brasil desde o ano de 2014, que s\u00e3o parte de uma agenda neoliberal.\u00a0<\/span><\/p><p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Apesar das dificuldades enfrentadas no combate \u00e0 fome nos \u00faltimos anos, principalmente em virtude da citada crise de sa\u00fade, observou-se um crescimento da seguran\u00e7a alimentar nos domic\u00edlios brasileiros em 2023. Os dados utilizados para a an\u00e1lise do presente <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">post<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> do Observat\u00f3rio das Desigualdades s\u00e3o do IBGE, em parceria com o Minist\u00e9rio do Desenvolvimento e Assist\u00eancia Social, Fam\u00edlia e Combate \u00e0 Fome, utilizando como referencial metodol\u00f3gico a Escala Brasileira de Inseguran\u00e7a Alimentar (EBIA), que possibilita identificar e classificar os domic\u00edlios em fun\u00e7\u00e3o do padr\u00e3o de seguran\u00e7a alimentar dos habitantes.\u00a0<\/span><\/p><p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Os dados mostram que no quarto trimestre de 2023, dos 78,3 milh\u00f5es de domic\u00edlios particulares permanentes brasileiros, 56,7 milh\u00f5es encontravam-se em condi\u00e7\u00f5es de seguran\u00e7a alimentar, representando um percentual de 72,4%. Na pesquisa anterior &#8211; POF 2017-2018 &#8211; a propor\u00e7\u00e3o era de 63,3%. Assim, tem-se um aumento de 9,1 pontos percentuais.\u00a0<\/span><\/p><p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Destaca-se tamb\u00e9m que, segundo Andr\u00e9 Martins, analista da pesquisa, houve uma propens\u00e3o ao aumento dos n\u00edveis de seguran\u00e7a alimentar nos anos de 2004, 2009 e 2013, sendo que em 2013 ela atingiu o seu \u00e1pice (77,4%), por\u00e9m, observou-se uma queda no ano de 2017. Todavia, em 2023 ocorreu justamente o contr\u00e1rio, com a amplia\u00e7\u00e3o do n\u00famero de domic\u00edlios em situa\u00e7\u00e3o de seguran\u00e7a alimentar e a diminui\u00e7\u00e3o dos com inseguran\u00e7a alimentar em todos os graus.<\/span><\/p><p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Em adi\u00e7\u00e3o, as zonas rurais foram as que tiveram maior participa\u00e7\u00e3o nos \u00edndices de inseguran\u00e7a alimentar. Enquanto a propor\u00e7\u00e3o de domic\u00edlios particulares com inseguran\u00e7a alimentar nas \u00e1reas urbanas era de 8,9%, nas \u00e1reas rurais era de 12,7%. Mesmo em vista dessa problem\u00e1tica, o \u00edndice nas zonas rurais foi o menos expressivo desde a PNAD 2004 (23,6%).\u00a0<\/span><\/p><p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Comparativamente, ocorreu uma diminui\u00e7\u00e3o de 25% do n\u00famero de domic\u00edlios em inseguran\u00e7a alimentar leve entre os anos de 2017 e 2023. Entre 2004 e 2009, por outro lado, a propor\u00e7\u00e3o de inseguran\u00e7a alimentar sofreu poucas altera\u00e7\u00f5es. J\u00e1 no que concerne \u00e0s formas de inseguran\u00e7a alimentar moderada e grave, houve uma pequena, mas significativa, redu\u00e7\u00e3o e uma manuten\u00e7\u00e3o, respectivamente, entre os anos de 2018 e 2023, apesar da grave piora entre os anos de 2021 e 2022. De acordo com a Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Seguran\u00e7a Alimentar e Nutricional, nesse per\u00edodo foram identificados 15,5% de domic\u00edlios brasileiros em condi\u00e7\u00f5es de fome, representando 33 milh\u00f5es de pessoas.<\/span><\/p><p>\u00a0<\/p><p style=\"text-align: center;\"><strong>Gr\u00e1fico 01: Preval\u00eancia de seguran\u00e7a alimentar e inseguran\u00e7a alimentar nos domic\u00edlios particulares permanentes<img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-3718\" src=\"https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/PNAD-Segurana-alimentar_GRAFICO1.png\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"750\" srcset=\"https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/PNAD-Segurana-alimentar_GRAFICO1.png 750w, https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/PNAD-Segurana-alimentar_GRAFICO1-300x300.png 300w, https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/PNAD-Segurana-alimentar_GRAFICO1-150x150.png 150w, https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/PNAD-Segurana-alimentar_GRAFICO1-600x600.png 600w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/strong>Fonte: IBGE<\/p><p>\u00a0<\/p><p style=\"text-align: justify;\"><b>O desafio de seguir enfrentando a Inseguran\u00e7a alimentar e reduzindo desigualdades<\/b><\/p><p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Apesar das melhoras importantes observadas, \u00e9 preciso que o conjunto de iniciativas que as possibilitaram seja mantido e ampliado, a fim de erradicar definitivamente a fome no Brasil e nos prepararmos para os novos desafios, como aqueles advindos das consequ\u00eancias das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, que j\u00e1 v\u00eam afetando a produ\u00e7\u00e3o e pre\u00e7os dos alimentos. A amplia\u00e7\u00e3o do financiamento, da seguran\u00e7a aos produtores e o in\u00edcio de esfor\u00e7os de descentraliza\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o de alimentos s\u00e3o primeiras iniciativas na dire\u00e7\u00e3o de redu\u00e7\u00e3o de riscos e resist\u00eancia a choques na produ\u00e7\u00e3o. Entretanto, provavelmente novos instrumentos ter\u00e3o que ser postos em pr\u00e1tica, como a trag\u00e9dia em curso no Rio Grande do Sul evidencia.<\/span><\/p><p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Al\u00e9m disto, mais do que a amplia\u00e7\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es gerais de seguran\u00e7a alimentar, permanece tamb\u00e9m o desafio do enfrentamento \u00e0s persistentes desigualdades na garantia do acesso ao direito \u00e0 alimenta\u00e7\u00e3o. Como se ver\u00e1 adiante, as desigualdades regionais, socioecon\u00f4micas e raciais s\u00e3o graves tamb\u00e9m neste \u00e2mbito e devem ser objeto de atua\u00e7\u00e3o espec\u00edfica.<\/span><\/p><p>\u00a0<\/p><p style=\"text-align: justify;\"><b>Regionaliza\u00e7\u00e3o da inseguran\u00e7a alimentar<\/b><\/p><p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">As regi\u00f5es Norte e Nordeste apresentaram os menores \u00edndices de domic\u00edlios particulares com seguran\u00e7a alimentar, apesar de representarem mais de 50% dos moradores com acesso integral aos alimentos, levando em conta ambos os vieses qualitativos e quantitativos. A propor\u00e7\u00e3o da regi\u00e3o Norte foi de 60,3%, enquanto a da regi\u00e3o Nordeste foi de 61,2%, sendo que o n\u00famero de domic\u00edlios analisados foi de 3,6 milh\u00f5es e 12,7 milh\u00f5es, respectivamente. Nessas duas regi\u00f5es, observa-se que existe uma grande incerteza acerca do acesso ao alimento, uma vez que a inseguran\u00e7a alimentar leve \u00e9 presente em cerca de um em cada quatro domic\u00edlios particulares em ambas regi\u00f5es. J\u00e1 a regi\u00e3o Sul foi a que mais contou com domic\u00edlios em situa\u00e7\u00e3o de seguran\u00e7a alimentar, com 83,4%. Nota-se que a desigualdade no acesso aos alimentos no Brasil \u00e9 de fato muito alta. A t\u00edtulo de exemplo, a regi\u00e3o Norte conta com aproximadamente quatro vezes mais domic\u00edlios em situa\u00e7\u00e3o de inseguran\u00e7a alimentar grave em compara\u00e7\u00e3o a regi\u00e3o Sul. No ano de 2023, o estado do Par\u00e1 foi o que obteve maior \u00edndice de domic\u00edlios com inseguran\u00e7a alimentar moderada ou grave, com 20,3%, seguido de Sergipe e Amap\u00e1, com 18,7% e 18,6%, respectivamente. Santa Catarina, Paran\u00e1, Esp\u00edrito Santo e Rond\u00f4nia obtiveram os menores percentuais, por outro lado. As observa\u00e7\u00f5es em quest\u00e3o est\u00e3o sintetizadas no Gr\u00e1fico 02.<\/span><\/p><p>\u00a0<\/p><p style=\"text-align: center;\"><strong>Gr\u00e1fico 02: A situa\u00e7\u00e3o da seguran\u00e7a alimentar no Brasil por estado e por Regi\u00e3o<\/strong><\/p><p><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-3719\" src=\"https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/PNAD-Segurana-alimentar_GRAFICO2.png\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"1200\" srcset=\"https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/PNAD-Segurana-alimentar_GRAFICO2.png 750w, https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/PNAD-Segurana-alimentar_GRAFICO2-188x300.png 188w, https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/PNAD-Segurana-alimentar_GRAFICO2-640x1024.png 640w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p><p style=\"text-align: center;\">Fonte: IBGE<\/p><p>\u00a0<\/p><p style=\"text-align: justify;\"><b>Perspectiva de ra\u00e7a, g\u00eanero e escolaridade<\/b><\/p><p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Dentre os domic\u00edlios que apresentaram graus de inseguran\u00e7a alimentar, 59,4% possu\u00edam uma mulher como respons\u00e1vel, sendo que o \u00e2mbito da inseguran\u00e7a alimentar moderada foi o que demonstrou uma maior disparidade, com 60,6% dos domic\u00edlios nessas condi\u00e7\u00f5es tendo respons\u00e1veis mulheres. O grupo feminino est\u00e1 inserido em um par\u00e2metro de vulnerabilidade social que permite a manuten\u00e7\u00e3o do ciclo de pobreza: baixo rendimento <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">per capita<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> familiar, hiperresponsabiliza\u00e7\u00e3o de tarefas dom\u00e9sticas &#8211; uma vez que s\u00e3o atribu\u00eddos \u00e0s mulheres trabalhos que tenham rela\u00e7\u00e3o com suas aptid\u00f5es naturais, concebidas a partir do senso comum &#8211; e obst\u00e1culos para terem espa\u00e7o no mercado de trabalho formal, o que relaciona-se com o preconceito nesse \u00e2mbito e com um cen\u00e1rio de escassez de cargos dispon\u00edveis [1].\u00a0\u00a0<\/span><\/p><p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Sob a perspectiva racial, a maioria dos respons\u00e1veis pelos domic\u00edlios eram de cor ou ra\u00e7a parda (44,7%), por\u00e9m, no \u00e2mbito da inseguran\u00e7a alimentar grave, 58% dos domic\u00edlios possu\u00edam como respons\u00e1vel um indiv\u00edduo de cor ou ra\u00e7a parda, representando mais que o dobro dos domic\u00edlios nessas condi\u00e7\u00f5es que tinham como respons\u00e1vel algu\u00e9m de cor ou ra\u00e7a branca (23,4%). Esse cen\u00e1rio \u00e9 fruto de uma perspectiva hist\u00f3rica em que as fam\u00edlias negras sofrem com taxas de desemprego mais altas, renda menor e \u00edndices de pobreza bem maiores do que o observado nas fam\u00edlias brancas, permitindo que eventuais recess\u00f5es econ\u00f4micas e\u00a0 grande n\u00edvel de desemprego afetem de forma mais significativa os n\u00facleos familiares negros [1].<\/span><\/p><p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">No que diz respeito ao n\u00edvel de escolaridade, foi poss\u00edvel inferir que mais da metade (52,7%) dos domic\u00edlios enquadrados no \u00e2mbito da inseguran\u00e7a alimentar possu\u00edam respons\u00e1veis com, no m\u00e1ximo, ensino fundamental completo. Nos domic\u00edlios em inseguran\u00e7a alimentar grave, 67,4% possu\u00edam \u00e0 frente pessoas sem instru\u00e7\u00e3o ou com ensino fundamental completo ou incompleto.\u00a0<\/span><\/p><p>\u00a0<\/p><p style=\"text-align: justify;\"><b>Perspectiva de ocupa\u00e7\u00e3o, fatores et\u00e1rios e de rendimento<\/b><\/p><p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Sobre a ocupa\u00e7\u00e3o do indiv\u00edduo respons\u00e1vel pelo domic\u00edlio, os que eram trabalhadores dom\u00e9sticos, na \u00e9poca da pesquisa, representavam 3,5% dos domic\u00edlios em seguran\u00e7a alimentar, ao passo que o total dos domic\u00edlios com essa categoria de respons\u00e1vel era de 4,4%.<\/span><\/p><p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">22,8% dos domic\u00edlios estavam em seguran\u00e7a alimentar quando os respons\u00e1veis eram empregados com carteira assinada no setor privado, \u00edndice esse maior do que o inferido no total de domic\u00edlios (20,5%). Os trabalhadores do setor privado sem carteira assinada eram respons\u00e1veis em 6,1% dos domic\u00edlios em seguran\u00e7a alimentar, ao passo que, no total de domic\u00edlios, representavam 6,7%. No \u00e2mbito dos domic\u00edlios com inseguran\u00e7a alimentar grave, 6,6% possu\u00edam trabalhadores dom\u00e9sticos \u00e0 frente e, 8,1%, trabalhadores sem carteira assinada.<\/span><\/p><p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Analisando fatores et\u00e1rios, 4,5% dos indiv\u00edduos de zero a quatro anos de idade e 4,9% das pessoas de cinco a dezessete anos eram v\u00edtimas da inseguran\u00e7a alimentar grave. Ao observar as pessoas de sessenta e cinco anos ou mais, todavia, a propor\u00e7\u00e3o era de 2,8%. Com esses dados, nota-se que, quanto mais se avan\u00e7a em termos de idade, menos se tem pessoas em situa\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade alimentar. Assim, observou-se a exist\u00eancia de maior inseguran\u00e7a alimentar nos domic\u00edlios onde residiam crian\u00e7as e\/ou adolescentes.<\/span><\/p><p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">No que concerne aos rendimentos, nos domic\u00edlios com inseguran\u00e7a alimentar moderada ou grave, 50,9% de sua totalidade possu\u00eda rendimento <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">per capita<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> inferior a meio sal\u00e1rio m\u00ednimo, que era de R$1.320,00, durante a maior parte do ano de 2023. Totalizando 79,0%, os casos de inseguran\u00e7a alimentar se dividiram nas faixas de rendimento por domic\u00edlio: rendimento <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">per capita<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> de zero a \u00bc de sal\u00e1rio m\u00ednimo (24,1%); rendimento<\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\"> per capita<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> maior que \u00bc e no m\u00e1ximo \u00bd do sal\u00e1rio m\u00ednimo (26,8%); rendimento <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">per capita<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> maior que \u00bd e no m\u00e1ximo um sal\u00e1rio m\u00ednimo (28,1%). Os dados comentados est\u00e3o na Tabela 01.<\/span><\/p><p>\u00a0<\/p><p style=\"text-align: center;\"><strong>Tabela 01: distribui\u00e7\u00e3o dos domic\u00edlios por situa\u00e7\u00e3o de seguran\u00e7a alimentar segundo crit\u00e9rios de ra\u00e7a, g\u00eanero, escolaridade, renda, trabalho e n\u00famero de residentes<\/strong><\/p><p><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-3722\" src=\"https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/tabela-grande.jpg\" alt=\"\" width=\"614\" height=\"1068\" srcset=\"https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/tabela-grande.jpg 614w, https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/tabela-grande-172x300.jpg 172w, https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/tabela-grande-589x1024.jpg 589w\" sizes=\"(max-width: 614px) 100vw, 614px\" \/><\/p><p style=\"text-align: center;\">Fonte: IBGE<\/p><p>\u00a0<\/p><p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Concluindo, apesar do crescimento do \u00edndice de seguran\u00e7a alimentar em 2023, no \u00e2mbito nacional, nota-se que as desigualdades permanecem relevantes. Nesse sentido, as pessoas s\u00e3o afetadas por esse fen\u00f4meno de formas diferentes, sendo que os historicamente privilegiados ocupam posi\u00e7\u00f5es mais favor\u00e1veis. Assim, fatores econ\u00f4micos, sociais, ambientais, pol\u00edticos e educacionais s\u00e3o relevantes para compreender essas disparidades [1]. \u00c9 importante tratar a quest\u00e3o da seguran\u00e7a alimentar como algo coletivo, ou seja, necessita-se de uma mobiliza\u00e7\u00e3o governamental e \u00e9 tamb\u00e9m importante a constru\u00e7\u00e3o da perspectiva de que suas implica\u00e7\u00f5es se entrela\u00e7am com outras problem\u00e1ticas, como a pobreza e a exist\u00eancia de pol\u00edticas p\u00fablicas rasas (CAMPANHARO, 2021). Por esse \u00e2ngulo, de acordo com Fernandes (2022), um caminho relevante para o alcance desse desenvolvimento seria a implementa\u00e7\u00e3o de uma mudan\u00e7a no modelo vigente de desenvolvimento econ\u00f4mico, caracterizado pela segrega\u00e7\u00e3o social.<\/span><\/p><p>\u00a0<\/p><p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-3723 size-medium alignleft\" src=\"https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/beatriz_amarela-300x96.png\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"96\" srcset=\"https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/beatriz_amarela-300x96.png 300w, https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/beatriz_amarela-1024x328.png 1024w, https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/beatriz_amarela-768x246.png 768w, https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/beatriz_amarela-1536x492.png 1536w, https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/beatriz_amarela.png 1876w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-3724 size-medium alignleft\" src=\"https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/alessandra_laranja-300x96.png\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"96\" srcset=\"https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/alessandra_laranja-300x96.png 300w, https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/alessandra_laranja-1024x328.png 1024w, https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/alessandra_laranja-768x246.png 768w, https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/alessandra_laranja-1536x492.png 1536w, https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/alessandra_laranja.png 1876w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p><p>\u00a0<\/p><p>\u00a0<\/p><p>\u00a0<\/p><p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">*O Observat\u00f3rio das Desigualdades \u00e9 um projeto de extens\u00e3o. O conte\u00fado e as opini\u00f5es expressas n\u00e3o refletem necessariamente o posicionamento da Funda\u00e7\u00e3o Jo\u00e3o Pinheiro ou do CORECON \u2013 MG<\/span><\/p><p>\u00a0<\/p><p><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/p><p><span style=\"font-weight: 400;\">ASSESSORIA DE COMUNICA\u00c7\u00c3O &#8211; MDS. 24,4 milh\u00f5es de pessoas saem da situa\u00e7\u00e3o de fome no Brasil em 2023. Dispon\u00edvel em: &lt;https:\/\/www.gov.br\/mds\/pt-br\/noticias-e-conteudos\/desenvolvimento-social\/noticias-desenvolvimento-social\/24-4-milhoes-de-pessoas-saem-da-situacao-de-fome-no-brasil-em-2023&gt;. Acesso em: 22 maio. 2024.<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400;\">CAMPANHARO, R. O retorno da inseguran\u00e7a alimentar na mesa dos brasileiros\u00a0<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">ap\u00f3s anos de avan\u00e7os. Observat\u00f3rio das Desigualdades. 2021.<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400;\">FAL\u00c7ONI, S<\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\"> et al<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">. M\u00c1QUINA DO TEMPO: O Brasil de volta ao Mapa da Fome. Observat\u00f3rio das Desigualdades. Boletim n\u00ba 14. 2022.\u00a0<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400;\">FERNANDES, B. PANDEMIA E A CRISE ECON\u00d4MICA: O AUMENTO DA INSEGURAN\u00c7A ALIMENTAR NO BRASIL. 2022.\u00a0<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400;\">FERREIRA, I. Seguran\u00e7a alimentar nos domic\u00edlios brasileiros volta a crescer em 2023. Ag\u00eancia de Not\u00edcias IBGE. 2024.\u00a0<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400;\">g1 Pol\u00edtica. &#8216;Falar que se passa fome no Brasil \u00e9 uma grande mentira&#8217;, diz Bolsonaro. 2019. Dispon\u00edvel em &lt;https:\/\/g1.globo.com\/politica\/noticia\/2019\/07\/19\/falar-que-se-passa-fome-no-brasil-e-uma-grande-mentira-diz-bolsonaro.ghtml&gt;<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400;\">HENRIQUE, A; LAZZAROTTI, B; ARCELO, M. A fome e as sobras: o desafio da seguran\u00e7a alimentar e as pol\u00edticas p\u00fablicas. Observat\u00f3rio das Desigualdades. 2021.<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400;\">II Inqu\u00e9rito Nacional sobre Inseguran\u00e7a Alimentar no Contexto da Pandemia da COVID-19 no Brasil [livro eletr\u00f4nico]: II VIGISAN : relat\u00f3rio final\/Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Seguran\u00e7a Alimentar \u2013 PENSSAN. &#8212; S\u00e3o Paulo, SP: Funda\u00e7\u00e3o Friedrich Ebert : Rede PENSSAN, 2022.<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400;\">[1] Observat\u00f3rio das Desigualdades. Muito al\u00e9m do arroz: O retorno da fome e da inseguran\u00e7a alimentar no Brasil \u00e9 uma tend\u00eancia; minimiz\u00e1-lo, uma perversidade. 2020.<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400;\">Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Seguran\u00e7a Alimentar e Nutricional. Nota p\u00fablica: dados do IBGE sobre a inseguran\u00e7a alimentar no Brasil. 2024. Dispon\u00edvel em &lt;<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">https:\/\/pesquisassan.net.br\/nota-publica-dados-do-ibge-sobre-a-inseguranca-alimentar-no-brasil\/<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">&gt;<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400;\">UOL Not\u00edcias. &#8220;Brasileiros n\u00e3o passam fome porque t\u00eam mangas nas cidades&#8221;, diz ministra. 2019. Dispon\u00edvel em &lt;https:\/\/noticias.uol.com.br\/meio-ambiente\/ultimas-noticias\/redacao\/2019\/04\/09\/brasileiros-nao-passam-fome-porque-tem-mangas-nas-cidades-diz-ministra.htm&gt;<\/span><\/p>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A discuss\u00e3o acerca da seguran\u00e7a alimentar e, conjuntamente, da fome (a forma mais severa de inseguran\u00e7a alimentar), apesar de expressar um objetivo t\u00e3o b\u00e1sico de qualquer coletividade &#8211; garantir a seus membros as condi\u00e7\u00f5es m\u00ednimas para uma sobreviv\u00eancia biol\u00f3gica saud\u00e1vel &#8211; , \u00e9 uma quest\u00e3o relevante h\u00e1 mais de 70 anos no contexto mundial (apesar [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":3728,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ocean_post_layout":"","ocean_both_sidebars_style":"","ocean_both_sidebars_content_width":0,"ocean_both_sidebars_sidebars_width":0,"ocean_sidebar":"0","ocean_second_sidebar":"0","ocean_disable_margins":"enable","ocean_add_body_class":"","ocean_shortcode_before_top_bar":"","ocean_shortcode_after_top_bar":"","ocean_shortcode_before_header":"","ocean_shortcode_after_header":"","ocean_has_shortcode":"","ocean_shortcode_after_title":"","ocean_shortcode_before_footer_widgets":"","ocean_shortcode_after_footer_widgets":"","ocean_shortcode_before_footer_bottom":"","ocean_shortcode_after_footer_bottom":"","ocean_display_top_bar":"default","ocean_display_header":"default","ocean_header_style":"","ocean_center_header_left_menu":"0","ocean_custom_header_template":"0","ocean_custom_logo":0,"ocean_custom_retina_logo":0,"ocean_custom_logo_max_width":0,"ocean_custom_logo_tablet_max_width":0,"ocean_custom_logo_mobile_max_width":0,"ocean_custom_logo_max_height":0,"ocean_custom_logo_tablet_max_height":0,"ocean_custom_logo_mobile_max_height":0,"ocean_header_custom_menu":"0","ocean_menu_typo_font_family":"0","ocean_menu_typo_font_subset":"","ocean_menu_typo_font_size":0,"ocean_menu_typo_font_size_tablet":0,"ocean_menu_typo_font_size_mobile":0,"ocean_menu_typo_font_size_unit":"px","ocean_menu_typo_font_weight":"","ocean_menu_typo_font_weight_tablet":"","ocean_menu_typo_font_weight_mobile":"","ocean_menu_typo_transform":"","ocean_menu_typo_transform_tablet":"","ocean_menu_typo_transform_mobile":"","ocean_menu_typo_line_height":0,"ocean_menu_typo_line_height_tablet":0,"ocean_menu_typo_line_height_mobile":0,"ocean_menu_typo_line_height_unit":"","ocean_menu_typo_spacing":0,"ocean_menu_typo_spacing_tablet":0,"ocean_menu_typo_spacing_mobile":0,"ocean_menu_typo_spacing_unit":"","ocean_menu_link_color":"","ocean_menu_link_color_hover":"","ocean_menu_link_color_active":"","ocean_menu_link_background":"","ocean_menu_link_hover_background":"","ocean_menu_link_active_background":"","ocean_menu_social_links_bg":"","ocean_menu_social_hover_links_bg":"","ocean_menu_social_links_color":"","ocean_menu_social_hover_links_color":"","ocean_disable_title":"default","ocean_disable_heading":"default","ocean_post_title":"","ocean_post_subheading":"","ocean_post_title_style":"","ocean_post_title_background_color":"","ocean_post_title_background":0,"ocean_post_title_bg_image_position":"","ocean_post_title_bg_image_attachment":"","ocean_post_title_bg_image_repeat":"","ocean_post_title_bg_image_size":"","ocean_post_title_height":0,"ocean_post_title_bg_overlay":0.5,"ocean_post_title_bg_overlay_color":"","ocean_disable_breadcrumbs":"default","ocean_breadcrumbs_color":"","ocean_breadcrumbs_separator_color":"","ocean_breadcrumbs_links_color":"","ocean_breadcrumbs_links_hover_color":"","ocean_display_footer_widgets":"default","ocean_display_footer_bottom":"default","ocean_custom_footer_template":"0","ocean_post_oembed":"","ocean_post_self_hosted_media":"","ocean_post_video_embed":"","ocean_link_format":"","ocean_link_format_target":"self","ocean_quote_format":"","ocean_quote_format_link":"post","ocean_gallery_link_images":"on","ocean_gallery_id":[],"footnotes":""},"categories":[72],"tags":[99,92,41,89,20,91],"class_list":["post-3743","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-seguranca-alimentar","tag-democracia-e-direitos","tag-desigualdade-de-genero","tag-desigualdade-racial","tag-desigualdades-regionais","tag-renda","tag-saude","entry","has-media"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/3743","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=3743"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/3743\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3747,"href":"https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/3743\/revisions\/3747"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/3728"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=3743"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/observa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