{"id":4140,"date":"2025-02-17T17:39:40","date_gmt":"2025-02-17T17:39:40","guid":{"rendered":"https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/?p=4140"},"modified":"2025-02-18T15:31:54","modified_gmt":"2025-02-18T15:31:54","slug":"bolsa-familia-mercado-de-trabalho-e-o-loop-infinito-do-estigma-contra-os-pobres","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/?p=4140","title":{"rendered":"Bolsa Fam\u00edlia, Mercado de Trabalho e o Loop Infinito do Estigma Contra os Pobres"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-weight: 400;\">H\u00e1 um ditado norte-americano bastante difundido, com vers\u00f5es que remontam a Baruch (1938), Schlesinger (1976) e Moyniham (1983), cujo sentido b\u00e1sico pode ser sintetizado como: \u201cAs pessoas t\u00eam direito a suas pr\u00f3prias opini\u00f5es, mas n\u00e3o aos pr\u00f3prios fatos\u201d. Ele ressalta um pressuposto b\u00e1sico do debate e da \u00e9tica que deveria guiar a todos n\u00f3s ao formar nossos ju\u00edzos de valor: n\u00e3o temos o direito de manter uma opini\u00e3o que contradiga frontalmente fatos estabelecidos aos quais fomos apresentados. E mais: ao sustentar ou ao avaliar uma posi\u00e7\u00e3o sobre algum tema relevante, devemos realizar um esfor\u00e7o razo\u00e1vel para checar seus fundamentos emp\u00edricos.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Entretanto, agir assim n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil nem confort\u00e1vel. Al\u00e9m de, muitas vezes, ser mais ou menos trabalhoso buscar informa\u00e7\u00f5es confi\u00e1veis, h\u00e1 v\u00e1rios mecanismos que criam em n\u00f3s uma tend\u00eancia a manter nossos pontos de vista independentemente das informa\u00e7\u00f5es e fatos aos quais tenhamos acesso, ou mesmo contrariamente a eles. A Psicologia Social tem documentado v\u00e1rios deles: vi\u00e9s de confirma\u00e7\u00e3o, press\u00e3o pela conformidade, <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">groupthinking<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">, evid\u00eancias seletivas, redu\u00e7\u00e3o da disson\u00e2ncia cognitiva, entre tantas outras formas pelas quais tendemos a proteger e manter nossas maneiras de pensar, mesmo quando nos deparamos com evid\u00eancias ou experi\u00eancias que as contradigam. E estas tend\u00eancias s\u00e3o t\u00e3o mais atuantes quanto mais investimento emocional fizemos em nossas cren\u00e7as ou quanto mais comp\u00f5em a nossa identidade social ou a nossa auto-imagem. Por isto, o pensamento cr\u00edtico exige muita informa\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m coragem e um sentido de compromisso e \u00e9tica para avaliar e mudar nossas atitudes e cren\u00e7as (para n\u00e3o mencionar os comportamentos).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Estes processos explicam por que \u00e9 t\u00e3o dif\u00edcil &#8211; e t\u00e3o importante &#8211; combater o preconceito. Mais ainda quando a difus\u00e3o de estere\u00f3tipos desempenham um papel na manuten\u00e7\u00e3o de rela\u00e7\u00f5es de opress\u00e3o, ou seja, atendem a interesses &#8211; sejam eles econ\u00f4micos ou de outras ordens. \u00c9 o caso do insultuoso e nada inocente mito do \u201cpobre pregui\u00e7oso\u201d, cuja \u00faltima encarna\u00e7\u00e3o tem se dado em rea\u00e7\u00e3o ao aquecimento do mercado de trabalho, do qual decorrem dificuldades pontuais em alguns locais e setores em recrutar trabalhadores para todas as vagas. Foi o que bastou para voltar a circular a velha cantilena de que \u201cningu\u00e9m mais quer trabalhar; as pessoas querem viver de bolsa disso ou daquilo e de ajuda do governo\u201d. Note-se que, apesar dos relatos de problemas no recrutamento de trabalhadores se referirem a v\u00e1rios tipos de cargos, setores e forma\u00e7\u00f5es, a acusa\u00e7\u00e3o de indisposi\u00e7\u00e3o para o trabalho dirige-se apenas aos potenciais benefici\u00e1rios dos programas sociais; ou seja, pregui\u00e7oso \u00e9 o pobre e mais, a mensagem impl\u00edcita \u00e9 de que \u00e9 pobre porque \u00e9 pregui\u00e7oso.<\/span><\/p>\n<p><b>Dados Contra o Preconceito<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u00a0Vamos voltar neste ponto do estigma mais adiante, mas antes, vamos aos fatos: estas afirma\u00e7\u00f5es t\u00eam algum fundamento? Uma \u00fanica informa\u00e7\u00e3o, bastante divulgada na virada de 2024 para 2025 e expressa no gr\u00e1fico 1 adiante, deveria ser suficiente para colocar este tipo de afirma\u00e7\u00e3o em xeque: como se percebe, o \u00faltimo trimestre de 2024 registrou a menor taxa de desocupa\u00e7\u00e3o da s\u00e9rie hist\u00f3rica, 6,1% da popula\u00e7\u00e3o economicamente ativa. Ora, se as \u201cpessoas n\u00e3o querem trabalhar\u201d, como o desemprego poderia estar t\u00e3o baixo?<\/span><\/p>\n<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-4141\" src=\"https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/Captura-de-Tela-472-e1739813309361.png\" alt=\"\" width=\"719\" height=\"466\" srcset=\"https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/Captura-de-Tela-472-e1739813309361.png 719w, https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/Captura-de-Tela-472-e1739813309361-300x194.png 300w\" sizes=\"(max-width: 719px) 100vw, 719px\" \/><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Mas, como ressaltamos no in\u00edcio, h\u00e1 uma tend\u00eancia a lutar contra as evid\u00eancias para tentar manter um determinado ponto de vista, no caso, um preconceito. Ent\u00e3o, algu\u00e9m poderia afirmar que o desemprego est\u00e1 t\u00e3o baixo porque as pessoas n\u00e3o estariam sequer buscando trabalho, estariam em casa \u201cvivendo de programa do governo, ou de bolsa isto, bolsa aquilo\u201d. O gr\u00e1fico 2 traz outra m\u00e1 not\u00edcia para os preconceituosos. Em vez de expressar a taxa de desemprego, ele mostra o n\u00famero de pessoas efetivamente ocupadas no mercado de trabalho. A observa\u00e7\u00e3o do gr\u00e1fico desmente tamb\u00e9m este segundo tipo de alega\u00e7\u00e3o, ao mostrar que o quarto trimestre de 2024 registrou o maior n\u00famero de pessoas ocupadas da s\u00e9rie hist\u00f3rica, o que quer dizer que a imensa maioria da popula\u00e7\u00e3o n\u00e3o apenas \u201cquer trabalhar\u201d, como est\u00e1 efetivamente trabalhando.<\/span><\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-4142\" src=\"https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/Captura-de-Tela-475-e1739813491874.png\" alt=\"\" width=\"713\" height=\"457\" srcset=\"https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/Captura-de-Tela-475-e1739813491874.png 713w, https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/Captura-de-Tela-475-e1739813491874-300x192.png 300w\" sizes=\"(max-width: 713px) 100vw, 713px\" \/><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">N\u00e3o se dando por vencido, o adepto do \u201cningu\u00e9m quer trabalhar para viver de programa de governo\u201d pode recuar, mas n\u00e3o desistir, alegando que, para n\u00e3o perder o \u201cdinheiro do governo\u201d as pessoas est\u00e3o rejeitando empregos formalizados para viver de bicos e outras formas de trabalho prec\u00e1rio, para \u201ccontinuar com bolsa disto e bolsa daquilo\u201d. O problema com esta afirma\u00e7\u00e3o s\u00e3o, de novo, os fatos, estes inconvenientes. O gr\u00e1fico 3 deixa isto bem claro, ao mostrar que a taxa de informalidade no mercado de trabalho vem se reduzindo e atualmente se encontra em um dos n\u00edveis mais baixos da s\u00e9rie hist\u00f3rica.<\/span><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-4143\" src=\"https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/Captura-de-Tela-476-e1739813599718.png\" alt=\"\" width=\"710\" height=\"428\" srcset=\"https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/Captura-de-Tela-476-e1739813599718.png 710w, https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/Captura-de-Tela-476-e1739813599718-300x181.png 300w\" sizes=\"(max-width: 710px) 100vw, 710px\" \/><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Por fim, se resta alguma d\u00favida, vale a pena dar um <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">zoom<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> diretamente sobre os cidad\u00e3os inscritos no Cadastro \u00danico e sobre os benefici\u00e1rios do Programa Bolsa Fam\u00edlia. Um estudo da Funda\u00e7\u00e3o Get\u00falio Vargas avaliou este ponto e o resultado \u00e9 muito frustrante para os adeptos do \u201cningu\u00e9m quer trabalhar para viver de dinheiro do governo\u201d. Conforme a tabela 1 abaixo deixa claro, 71% das vagas de EMPREGOS FORMAIS gerados entre janeiro de 2023 e setembro de 2024 foram ocupadas por benefici\u00e1rios do Bolsa Fam\u00edlia e nada menos que 91% delas por pessoas inscritas no Cadastro \u00danico, fazendo com que, em 2024, 1,3 milh\u00e3o de fam\u00edlias que tinham direito ao benef\u00edcio do Bolsa Fam\u00edlia superaram meio sal\u00e1rio m\u00ednimo de renda per capita e deixaram o programa. Em 2023, esse n\u00famero foi de 590 mil fam\u00edlias. S\u00e3o, portanto, evid\u00eancias que terminam de jogar \u00e1gua no chope sobre o estigma do \u201cpobre pregui\u00e7oso\u201d em suas duas vers\u00f5es, tanto na de que os benefici\u00e1rios n\u00e3o quereriam trabalhar de forma nenhuma, quanto em sua vers\u00e3o mais moderada, a de que eles prefeririam viver de bico e trabalhos informais para n\u00e3o perder o acesso ao \u201cdinheirinho do governo\u201d.<\/span><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-4144\" src=\"https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/Captura-de-Tela-477-e1739813753403.png\" alt=\"\" width=\"667\" height=\"327\" srcset=\"https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/Captura-de-Tela-477-e1739813753403.png 667w, https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/Captura-de-Tela-477-e1739813753403-300x147.png 300w\" sizes=\"(max-width: 667px) 100vw, 667px\" \/><\/p>\n<p><b>Conclus\u00e3o: A Estigmatiza\u00e7\u00e3o da Pobreza e a Manuten\u00e7\u00e3o da Desigualdade<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Os dados aqui apresentados desmentem cabalmente a mais recente onda de estigmatiza\u00e7\u00e3o dos benefici\u00e1rios do Bolsa Fam\u00edlia, que atribui os eventuais problemas de recrutamento de m\u00e3o-de-obra a um suposto comodismo, quando n\u00e3o pregui\u00e7a, dos benefici\u00e1rios, que recusariam postos de trabalho por indol\u00eancia ou por temor de perder o acesso aos benef\u00edcios. A bem da verdade, reiterar estas evid\u00eancias deveria ser desnecess\u00e1rio. Poucos programas foram t\u00e3o avaliados nacional e internacionalmente quanto o Programa Bolsa Fam\u00edlia e h\u00e1 praticamente consenso de que ele n\u00e3o provoca desincentivos sobre o trabalho, exceto sobre grupos que, de fato, n\u00e3o deveriam trabalhar, como estudantes e crian\u00e7as, que passam a se dedicar exclusivamente \u00e0 educa\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Entretanto, esta \u00e9 apenas mais uma manifesta\u00e7\u00e3o de algo recorrente na nossa hist\u00f3ria (e n\u00e3o apenas na nossa): a estigmatiza\u00e7\u00e3o da pobreza, o preconceito contra os pobres e a culpabiliza\u00e7\u00e3o dos pobres por sua condi\u00e7\u00e3o, atribuindo a eles um conjunto de v\u00edcios &#8211; pregui\u00e7a, comodismo, desonestidade &#8211; que seriam a causa de sua pobreza, que seria vista, assim, n\u00e3o apenas como um fen\u00f4meno individual, mas tamb\u00e9m merecida. N\u00e3o \u00e9 &#8211; ou n\u00e3o deveria ser &#8211; preciso dizer que todo tipo de preconceito ou de estere\u00f3tipos sobre algum grupo social \u00e9 reprov\u00e1vel, desumaniza as pessoas, empobrece e brutaliza as rela\u00e7\u00f5es e imp\u00f5e sofrimento psicol\u00f3gico \u00e0queles que s\u00e3o o alvo deles. No caso espec\u00edfico, por\u00e9m, o preconceito serve ainda \u00e0 manuten\u00e7\u00e3o da desigualdade. Quando se atribui aos indiv\u00edduos &#8211; na verdade, aos seus supostos v\u00edcios &#8211; a explica\u00e7\u00e3o da condi\u00e7\u00e3o de pobreza, a atitude em rela\u00e7\u00e3o a eles \u00e9 de indiferen\u00e7a ou at\u00e9 mesmo desprezo, inibindo a solidariedade e a empatia em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s dificuldades.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">E mais do que isto, a atitude preconceituosa em rela\u00e7\u00e3o aos mais pobres tende a reduzir o apoio e a demanda por pol\u00edticas voltadas para o enfrentamento \u00e0 pobreza e, no caso do Brasil, a seu principal determinante: a desigualdade social. Evidente que estas atitudes s\u00e3o bastante convenientes para os setores mais privilegiados em termos de renda e riqueza, que veem enfraquecida a disputa social e or\u00e7ament\u00e1ria por recursos, assegurando sua posi\u00e7\u00e3o na distribui\u00e7\u00e3o de riqueza e oportunidades. N\u00e3o \u00e9 \u00e0 toa que o mesmo tipo de obje\u00e7\u00e3o ao suposto incentivo \u00e0 pregui\u00e7a ou aus\u00eancia de m\u00e9rito \u00e9 raramente feito, por exemplo, \u00e0queles que herdam riqueza de sua fam\u00edlia sem qualquer contribui\u00e7\u00e3o para isto (exceto a sorte no nascimento) ou \u00e0queles que se beneficiam de rendimentos de t\u00edtulos da d\u00edvida p\u00fablica &#8211; ganhos com liquidez, baixo risco e ganhos a uma das maiores taxas de juros reais do mundo, transferidos de toda a sociedade para uma pequena parcela de cidad\u00e3os. E \u00e9 correto n\u00e3o o fazerem, j\u00e1 que a quest\u00e3o central n\u00e3o \u00e9 de moralidade ou v\u00edcios pessoais, mas de mecanismos sociais, pol\u00edticos e econ\u00f4micos que produzem estes resultados. Mas n\u00e3o nos deixemos enganar, dentre estes mecanismos, a difus\u00e3o de expectativas, estere\u00f3tipos e preconceitos sobre os distintos segmentos da sociedade n\u00e3o \u00e9 uma engrenagem secund\u00e1ria da m\u00e1quina perversa da injusti\u00e7a.<\/span><\/p>\n<p><b>\u00a0Refer\u00eancias Bibliogr\u00e1ficas:\u00a0<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">BRASIL. Minist\u00e9rio do Desenvolvimento e Assist\u00eancia Social, Fam\u00edlia e Combate \u00e0 Fome. Estudo sobre contrata\u00e7\u00e3o de trabalhadores benefici\u00e1rios de programas sociais. Dez. 2024.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">IBGE \u2013 Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica. Pesquisa Nacional por Amostra de Domic\u00edlios Cont\u00ednua (PNAD Cont\u00ednua): indicadores mensais produzidos com informa\u00e7\u00f5es do trimestre m\u00f3vel terminado em novembro de 2024. Rio de Janeiro, 27 dez. 2024.<\/span><\/p>\n<p><strong>Autores:<\/strong> Bruno Lazzarotti e Clarice Miranda<\/p>\n<p>*O Observat\u00f3rio das Desigualdades \u00e9 um projeto de extens\u00e3o. O conte\u00fado e as opini\u00f5es expressas n\u00e3o refletem necessariamente o posicionamento da Funda\u00e7\u00e3o Jo\u00e3o Pinheiro.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 um ditado norte-americano bastante difundido, com vers\u00f5es que remontam a Baruch (1938), Schlesinger (1976) e Moyniham (1983), cujo sentido b\u00e1sico pode ser sintetizado como: \u201cAs pessoas t\u00eam direito a suas pr\u00f3prias opini\u00f5es, mas n\u00e3o aos pr\u00f3prios fatos\u201d. 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