{"id":4179,"date":"2025-03-28T08:29:47","date_gmt":"2025-03-28T08:29:47","guid":{"rendered":"https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/?p=4179"},"modified":"2025-03-28T09:04:34","modified_gmt":"2025-03-28T09:04:34","slug":"elementor-4179","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/?p=4179","title":{"rendered":"Ci\u00eancia e g\u00eanero: a desigualdade ainda persiste"},"content":{"rendered":"\t\t<div data-elementor-type=\"wp-post\" data-elementor-id=\"4179\" class=\"elementor elementor-4179\">\n\t\t\t\t\t\t<section class=\"elementor-section elementor-top-section elementor-element elementor-element-3d4c7e8 elementor-section-boxed elementor-section-height-default elementor-section-height-default\" data-id=\"3d4c7e8\" data-element_type=\"section\" data-e-type=\"section\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-container elementor-column-gap-default\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-column elementor-col-100 elementor-top-column elementor-element elementor-element-073e140\" data-id=\"073e140\" data-element_type=\"column\" data-e-type=\"column\">\n\t\t\t<div class=\"elementor-widget-wrap elementor-element-populated\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-9029e5d elementor-widget elementor-widget-heading\" data-id=\"9029e5d\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"heading.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t<h2 class=\"elementor-heading-title elementor-size-default\">Ci\u00eancia e g\u00eanero: a desigualdade ainda persiste<\/h2>\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t<section class=\"elementor-section elementor-top-section elementor-element elementor-element-3c3e297 elementor-section-boxed elementor-section-height-default elementor-section-height-default\" data-id=\"3c3e297\" data-element_type=\"section\" data-e-type=\"section\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-container elementor-column-gap-default\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-column elementor-col-100 elementor-top-column elementor-element elementor-element-faeb9eb\" data-id=\"faeb9eb\" data-element_type=\"column\" data-e-type=\"column\">\n\t\t\t<div class=\"elementor-widget-wrap elementor-element-populated\">\n\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t<section class=\"elementor-section elementor-top-section elementor-element elementor-element-ebb0434 elementor-section-boxed elementor-section-height-default elementor-section-height-default\" data-id=\"ebb0434\" data-element_type=\"section\" data-e-type=\"section\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-container elementor-column-gap-default\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-column elementor-col-100 elementor-top-column elementor-element elementor-element-c0b0506\" data-id=\"c0b0506\" data-element_type=\"column\" data-e-type=\"column\">\n\t\t\t<div class=\"elementor-widget-wrap elementor-element-populated\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-4686713 elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"4686713\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<p><b>Mar\u00e7o: o m\u00eas das mulheres<\/b><\/p><p><span style=\"font-weight: 400;\">Mar\u00e7o \u00e9 um m\u00eas especial para refletirmos sobre a luta das mulheres por direitos e igualdade. O Dia Internacional da Mulher, celebrado em 8 de mar\u00e7o, teve origem no in\u00edcio do s\u00e9culo XX, em meio a movimentos por melhores condi\u00e7\u00f5es de trabalho e pelo direito ao voto. Com o tempo, a data se consolidou como um marco na luta por equidade de g\u00eanero, lembrando conquistas e denunciando desafios que ainda persistem.<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400;\">Um desses desafios est\u00e1 na ci\u00eancia, um campo historicamente dominado por homens. Apesar das contribui\u00e7\u00f5es fundamentais de cientistas como Marie Curie, Rosalind Franklin e Bertha Lutz, as mulheres ainda enfrentam barreiras, desde a falta de incentivo na inf\u00e2ncia at\u00e9 a desigualdade salarial e o baixo reconhecimento profissional. Essa disparidade, evidentemente, n\u00e3o se deve \u00e0 falta de compet\u00eancia, mas sim a estruturas sociais que dificultam a ascens\u00e3o feminina no meio cient\u00edfico.<\/span><\/p><p><span id=\"docs-internal-guid-d2330225-7fff-0559-545e-fbab89d1bd07\" style=\"font-weight: normal;\"><span style=\"font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: #000000; background-color: transparent; font-weight: 400; font-style: normal; font-variant: normal; white-space-collapse: preserve;\"><span style=\"border-width: initial; border-style: none; display: inline-block; overflow: hidden; width: 297px; height: 273px;\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lh7-rt.googleusercontent.com\/docsz\/AD_4nXfZjxi2QjhafROwA4LETm0cqLvnqImouQOBo_nqkGKcT4GHJFAYKROYqEJa_DEcxjibvPDGPZW3h66FL19gZpuGHVoGIiVx8BOFxynb1HpqsISv7QwNderJOsZm_IAOnKaqs9lnow?key=q3ODcZaGUjzvwKvmz41TqstC\" width=\"297\" height=\"273\" \/><\/span><\/span><\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400;\">Imagem: Sociedade Brasileira de Radioterapia<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400;\">Neste artigo, o Observat\u00f3rio das Desigualdades vai explorar a participa\u00e7\u00e3o das mulheres na ci\u00eancia, os obst\u00e1culos que elas enfrentam e as iniciativas que buscam promover a equidade nesse campo. Afinal, construir um ambiente cient\u00edfico mais diverso e inclusivo \u00e9 essencial para o avan\u00e7o do conhecimento e para uma sociedade mais justa.<\/span><\/p><p><b>As mulheres na ci\u00eancia: Panorama global<\/b><\/p><p><span style=\"font-weight: 400;\">A participa\u00e7\u00e3o feminina na ci\u00eancia ainda enfrenta desafios significativos ao redor do mundo. De acordo com a UNESCO (2024), as mulheres s\u00e3o respons\u00e1veis por apenas um ter\u00e7o das pesquisas cient\u00edficas globais. Entre 1996 e 2021, 147 pa\u00edses apresentaram pesquisas conduzidas por mulheres, mas, anualmente, menos de 90 na\u00e7\u00f5es relatam tais dados, representando menos da metade do total mundial. Al\u00e9m disso, quase metade dos pa\u00edses da \u00c1sia e das Am\u00e9ricas n\u00e3o disponibilizaram informa\u00e7\u00f5es sobre a presen\u00e7a feminina na ci\u00eancia desde 2012.<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400;\">Embora o percentual de produ\u00e7\u00e3o cient\u00edfica feminina tenha aumentado ligeiramente de 30% em 2017 para 31,8% em 2021, a simples quantifica\u00e7\u00e3o da participa\u00e7\u00e3o n\u00e3o reflete a realidade das dificuldades enfrentadas pelas mulheres na \u00e1rea.<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400;\">Ainda nesse sentido, a pesquisa realizada pela UNESCO (2024) tamb\u00e9m apresentou evidentes desigualdades regionais quando se trata de mulheres na ci\u00eancia:<\/span><\/p><p><span id=\"docs-internal-guid-0c9d96c8-7fff-5b1b-48ec-c5230d05126f\" style=\"font-weight: normal;\"><span style=\"font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: #212529; background-color: transparent; font-weight: 400; font-style: normal; font-variant: normal; white-space-collapse: preserve;\"><span style=\"border-width: initial; border-style: none; display: inline-block; overflow: hidden; width: 605px; height: 316px;\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lh7-rt.googleusercontent.com\/docsz\/AD_4nXczwgngETXYqVF_7rX1ENuhRbrk1EOgisKH8SFT13sz-DAWigKWKSPnndsRukndwhXAxPxyizDoZLiFRlhDt68rddv8isErtJvoQ0E1v3DPoN_ScenFT0dl2lB8YtnUmgPD3EbK_g?key=q3ODcZaGUjzvwKvmz41TqstC\" width=\"605\" height=\"316\" \/><\/span><\/span><\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400;\">Fonte: The Gender Gap in Science (UNESCO<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400;\">Essa desigualdade tamb\u00e9m se reflete na educa\u00e7\u00e3o e nas oportunidades para estudantes. Segundo o Educa+Brasil (2025), 11 de fevereiro foi institu\u00eddo pela UNESCO como o Dia Internacional das Mulheres na Ci\u00eancia em 2015, em reconhecimento \u00e0s desigualdades persistentes. Atualmente, apenas 33% dos pesquisadores no mundo s\u00e3o mulheres, e apenas 35% dos estudantes das \u00e1reas de ci\u00eancia, tecnologia, engenharia e matem\u00e1tica pertencem ao sexo feminino. Al\u00e9m da presen\u00e7a limitada nas ci\u00eancias exatas e engenharias, as taxas de evas\u00e3o dessas alunas s\u00e3o consideravelmente altas.<\/span><\/p><h3><b>O panorama das mulheres na ci\u00eancia no Brasil<\/b><\/h3><p><span style=\"font-weight: 400;\">No Brasil, o entendimento da desigualdade de g\u00eanero na ci\u00eancia passa pela necessidade de produ\u00e7\u00e3o de indicadores sociais. A divulga\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es, por si s\u00f3, j\u00e1 representa uma forma de pol\u00edtica p\u00fablica. No entanto, ainda existem dificuldades para realizar recortes de g\u00eanero e ra\u00e7a na an\u00e1lise da produ\u00e7\u00e3o cient\u00edfica nacional.<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400;\">Apesar do crescimento na forma\u00e7\u00e3o de doutoras, a progress\u00e3o na carreira acad\u00eamica continua desafiadora. Embora as mulheres representem 54% dos doutores, apenas 42% ocupam cargos docentes, sendo minoria na doc\u00eancia da p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em 66% das \u00e1reas. As ci\u00eancias exatas e engenharias s\u00e3o as \u00e1reas com menor representa\u00e7\u00e3o feminina. Em muitas disciplinas, observa-se um fen\u00f4meno de perda de contingente feminino, em que o n\u00famero de doutoras \u00e9 superior ao de docentes. Por exemplo, nas Ci\u00eancias Agr\u00e1rias, 51% dos doutores s\u00e3o mulheres, mas apenas 26% delas ocupam cargos permanentes. Na Economia, esse percentual \u00e9 de 37% entre as doutoras e 20% entre as docentes. Na Medicina, 61% das doutoras s\u00e3o mulheres, enquanto apenas 45% delas se tornam professoras.<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400;\">A divis\u00e3o sexual do trabalho cient\u00edfico \u00e9 evidente ao se observar que as mulheres representam apenas 26% dos doutores em Astronomia e F\u00edsica, enquanto s\u00e3o 86% na Enfermagem.<\/span><\/p><p><span id=\"docs-internal-guid-e9419117-7fff-9d92-1194-ebb698174040\" style=\"font-weight: normal;\"><span style=\"font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: #212529; background-color: transparent; font-weight: 400; font-style: normal; font-variant: normal; white-space-collapse: preserve;\"><span style=\"border-width: initial; border-style: none; display: inline-block; overflow: hidden; width: 599px; height: 372px;\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lh7-rt.googleusercontent.com\/docsz\/AD_4nXfp-cDlvyzlKH4bgVueFmASHNpSIpVxEXlJKPQyQUGycndHf4GUdanuL72nGAOBHpshZOle9f1DsVPVlUGCOj6RgTmVQb1OZUq1GwOhRWQ29PRTiIf8ZpAqYFM58IKnaNxr17zD9A?key=q3ODcZaGUjzvwKvmz41TqstC\" width=\"599\" height=\"372\" \/><\/span><\/span><\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400;\">Fonte: Grupo dos Estudos Multidisciplinares na A\u00e7\u00e3o Afirmativa<\/span><\/p><p><b>Compara\u00e7\u00e3o entre a titula\u00e7\u00e3o e a doc\u00eancia feminina nas diferentes \u00e1reas do conhecimento<\/b><\/p><p><span id=\"docs-internal-guid-fadec9a9-7fff-c4bf-30f1-5ec5f1598cee\" style=\"font-weight: normal;\"><span style=\"font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: #212529; background-color: transparent; font-weight: 400; font-style: normal; font-variant: normal; white-space-collapse: preserve;\"><span style=\"border-width: initial; border-style: none; display: inline-block; overflow: hidden; width: 620px; height: 390px;\"><img decoding=\"async\" style=\"margin-left: -21.5202px;\" src=\"https:\/\/lh7-rt.googleusercontent.com\/docsz\/AD_4nXcwdgxE9L_37z4kV9Ny16JQwr3DEtzjhWA_5UlGHuiu5WIIhVL67isUEPfUHYEC87FsYa0KetOK08w_h6cNpVAYcVphPkq2A3QhoVo5V1P1eovPEm0MBTj8MgJ-FzjMyXPy08YL?key=q3ODcZaGUjzvwKvmz41TqstC\" width=\"694.7902709303835\" height=\"390\" \/><\/span><\/span><\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400;\">Fonte: Grupo dos Estudos Multidisciplinares na A\u00e7\u00e3o Afirmativa<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400;\">Os gr\u00e1ficos acima, embora n\u00e3o seja por si s\u00f3 uma demonstra\u00e7\u00e3o das dificuldades enfrentadas pelas mulheres, \u00e9 um bom ind\u00edcio de problemas persistentes: a divis\u00e3o sexual do trabalho e os obst\u00e1culos para a doc\u00eancia feminina. Os dados corroboram com o que j\u00e1 \u00e9 conhecimento p\u00fablico, as Ci\u00eancias da Sa\u00fade, muito frequentemente relacionadas com o trabalho de cuidado, s\u00e3o um ambiente predominantemente feminino, enquanto as Ci\u00eancias Exatas e as Engenharias afastam as mulheres tanto da p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o quanto da doc\u00eancia. \u00c9 evidente que este\u00a0 fen\u00f4meno \u00e9 uma consequ\u00eancia dos padr\u00f5es culturais que existem na sociedade e se perpetuam por meio do machismo estrutural, segregando a participa\u00e7\u00e3o das mulheres nas tarefas de cuidado e de menor prest\u00edgio..\u00a0<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400;\">Al\u00e9m disso, trata-se de uma realidade de quase todas as \u00e1reas, com exce\u00e7\u00e3o da Lingu\u00edstica, Letras e Artes, a discrep\u00e2ncia entre mulheres tituladas de doutorado e professoras permanentes. Esse dado escancara os obst\u00e1culos que existem para pesquisadoras atingirem a doc\u00eancia e t\u00eam como consequ\u00eancia um dado alarmante: 54% dos titulados em doutorado s\u00e3o mulheres, enquanto 58% dos professores permanentes s\u00e3o homens, segundo o GEMAA (Grupo dos Estudos Multidisciplinares da A\u00e7\u00e3o Afirmativa, 2023). De acordo com a Associa\u00e7\u00e3o \u201cG\u00eanero e N\u00famero\u201d (2023), esse fen\u00f4meno pode ser chamado de \u201cefeito tesoura\u201d uma vez que as mulheres v\u00e3o sendo cortadas paulatinamente das oportunidades de ascens\u00e3o profissional.<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400;\">As cientistas encontram diversos obst\u00e1culos para manter a carreira ou ascender a posi\u00e7\u00f5es de lideran\u00e7a. Entre 2005 e 2020, as barreiras para a doc\u00eancia feminina diminu\u00edram, mas ainda s\u00e3o consider\u00e1veis. A presen\u00e7a de professoras e doutoras \u00e9 mais expressiva em disciplinas como enfermagem, servi\u00e7o social, nutri\u00e7\u00e3o, educa\u00e7\u00e3o, psicologia e sa\u00fade coletiva, enquanto as \u00e1reas de astronomia, f\u00edsica, ci\u00eancias da computa\u00e7\u00e3o, filosofia, engenharias e matem\u00e1tica s\u00e3o marcadas por uma menor presen\u00e7a feminina.\u00a0<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400;\">Al\u00e9m disso, \u00e9 poss\u00edvel observar uma sub-representa\u00e7\u00e3o feminina em praticamente todas as \u00e1reas do conhecimento. Uma vez que a grande maioria dos pontos do gr\u00e1fico se encontram abaixo da diagonal que representa a igualdade entre a titula\u00e7\u00e3o de doutorado e o exerc\u00edcio da doc\u00eancia, \u00e9 poss\u00edvel concluir que existem barreiras para esse exerc\u00edcio entre as mulheres. Embora seja diferente para determinadas \u00e1reas do conhecimento, o chamado \u201cefeito tesoura\u201d est\u00e1 presente mesmo nas \u00e1reas de maior representatividade feminina.<\/span><\/p><p>\u00a0<\/p><p><b>Pol\u00edticas Afirmativas<\/b><\/p><p><span style=\"font-weight: 400;\">\u00a0Atualmente, existem\u00a0 poucas pol\u00edticas p\u00fablicas que visam reduzir o impacto da maternidade na carreira acad\u00eamica. A inclus\u00e3o da maternidade no Curr\u00edculo Lattes foi um avan\u00e7o para os mecanismos de coleta de dados para pesquisa, o reconhecimento do direito \u00e0 extens\u00e3o da vig\u00eancia de bolsas de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o e de prazo de titula\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m foi uma conquista importante. No entanto, ainda n\u00e3o h\u00e1 uma forma de mensurar o impacto da responsabilidade com o cuidado dos familiares nos crit\u00e9rios de avalia\u00e7\u00e3o acad\u00eamica e poucas iniciativas de promo\u00e7\u00e3o da participa\u00e7\u00e3o das mulheres em \u00e1reas ainda hostis a elas. Algumas iniciativas, como a pontua\u00e7\u00e3o especial para mulheres que foram m\u00e3es na UFF (Universidade Federal Fluminense) e na UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul), e o edital especial para cientistas mulheres da FAPERJ (<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">Funda\u00e7\u00e3o Carlos Chagas Filho de Amparo \u00e0 Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">), s\u00e3o passos iniciais para corrigir essas desigualdades, mas ainda h\u00e1 muito a ser feito.<\/span><\/p><p>\u00a0<\/p><p><b>Necessidade de a\u00e7\u00e3o<\/b><\/p><p><span style=\"font-weight: 400;\">Diante desse cen\u00e1rio, fica evidente que a desigualdade de g\u00eanero na ci\u00eancia n\u00e3o \u00e9 apenas um reflexo do passado, mas uma realidade que ainda impacta profundamente o presente. As barreiras enfrentadas pelas mulheres, desde a falta de incentivo na inf\u00e2ncia at\u00e9 as dificuldades de ascens\u00e3o na carreira acad\u00eamica, demonstram a necessidade urgente de mudan\u00e7as estruturais. N\u00e3o basta apenas aumentar o n\u00famero de pesquisadoras; \u00e9 fundamental garantir condi\u00e7\u00f5es equitativas para que elas permane\u00e7am e prosperem no meio cient\u00edfico.<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400;\">Conforme trazido pela Associa\u00e7\u00e3o \u201cG\u00eanero e N\u00famero\u201d (2023), apenas trazer dados estat\u00edsticos \u00e9 insuficiente quando se tem o objetivo de transformar uma realidade. \u00c9 necess\u00e1rio pesquisar as diferentes dimens\u00f5es sociais que um problema possui, elaborando indicadores capazes de mensurar os efeitos das a\u00e7\u00f5es de enfrentamento e nortear uma pol\u00edtica multidisciplinar que visa a transforma\u00e7\u00e3o social. A ado\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas mais eficazes, o fortalecimento de programas de inclus\u00e3o e o reconhecimento das m\u00faltiplas jornadas que muitas mulheres enfrentam s\u00e3o passos essenciais para reduzir essa desigualdade. Al\u00e9m disso, \u00e9\u00a0 necess\u00e1rio promover um ambiente acad\u00eamico e profissional mais acolhedor, que valorize a diversidade.<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400;\">Garantir a equidade na ci\u00eancia n\u00e3o \u00e9 apenas uma quest\u00e3o de justi\u00e7a social, mas uma necessidade para o avan\u00e7o do conhecimento. Quanto mais vozes, perspectivas e experi\u00eancias forem incorporadas ao meio cient\u00edfico, mais rica e inovadora ser\u00e1 a produ\u00e7\u00e3o de saberes. O futuro da ci\u00eancia precisa ser plural, e isso s\u00f3 ser\u00e1 poss\u00edvel se enfrentarmos, com seriedade e compromisso, as desigualdades que ainda persistem.<\/span><\/p><p>\u00a0<\/p><p><b>Refer\u00eancias bibliogr\u00e1ficas<\/b><\/p><p><b>BRASIL, E. M. Educa Mais Brasil &#8211; Bolsas de Estudo de at\u00e9 85% para Faculdades \u2013 Gradua\u00e7\u00e3o e P\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o.<\/b><span style=\"font-weight: 400;\"> Dispon\u00edvel em: &lt;https:\/\/www.educamaisbrasil.com.br\/educacao\/carreira\/mulheres-na-ciencia-estatisticas-mostram-que-a-desigualdade-persiste&gt;. Acesso em: 10 mar. 2025.<\/span><\/p><p>\u00a0<\/p><p><b>Dados de participa\u00e7\u00e3o das mulheres na ci\u00eancia | gemaa.<\/b><span style=\"font-weight: 400;\"> Dispon\u00edvel em: &lt;<\/span><a href=\"https:\/\/gemaa.iesp.uerj.br\/infografico\/participacao-de-mulheres-na-ciencia\/\"><span style=\"font-weight: 400;\">https:\/\/gemaa.iesp.uerj.br\/infografico\/participacao-de-mulheres-na-ciencia\/<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">&gt;. Acesso em: 10 mar. 2025\u00a0<\/span><\/p><p>\u00a0<\/p><p><b>Desigualdades de g\u00eanero na ci\u00eancia brasileira<\/b><span style=\"font-weight: 400;\">. Dispon\u00edvel em: &lt;<\/span><a href=\"https:\/\/www.generonumero.media\/artigos\/desigualdades-genero-ciencia-brasileira\/\"><span style=\"font-weight: 400;\">https:\/\/www.generonumero.media\/artigos\/desigualdades-genero-ciencia-brasileira\/<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">&gt; Acesso em: 10 mar. 2025.<\/span><\/p><p>\u00a0<\/p><p><b>UNESCO<\/b><span style=\"font-weight: 400;\">. <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">The gender gap in science<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">. Dispon\u00edvel em:<\/span><a href=\"https:\/\/unesdoc.unesco.org\/ark:\/48223\/pf0000374514\"> <span style=\"font-weight: 400;\">https:\/\/unesdoc.unesco.org\/ark:\/48223\/pf0000374514<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">. Acesso em: 10 mar. 2025..<\/span><\/p><p>\u00a0<\/p><p><strong>Autores:\u00a0<\/strong>Bruno Lazzarotti, Clarice Miranda e Miguel Coelho<\/p><p><span style=\"font-weight: 400;\">\u200c<\/span><\/p><p>\u00a0<\/p>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ci\u00eancia e g\u00eanero: a desigualdade ainda persiste Mar\u00e7o: o m\u00eas das mulheres Mar\u00e7o \u00e9 um m\u00eas especial para refletirmos sobre a luta das mulheres por direitos e igualdade. O Dia Internacional da Mulher, celebrado em 8 de mar\u00e7o, teve origem no in\u00edcio do s\u00e9culo XX, em meio a movimentos por melhores condi\u00e7\u00f5es de trabalho e [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":4186,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ocean_post_layout":"","ocean_both_sidebars_style":"","ocean_both_sidebars_content_width":0,"ocean_both_sidebars_sidebars_width":0,"ocean_sidebar":"0","ocean_second_sidebar":"0","ocean_disable_margins":"enable","ocean_add_body_class":"","ocean_shortcode_before_top_bar":"","ocean_shortcode_after_top_bar":"","ocean_shortcode_before_header":"","ocean_shortcode_after_header":"","ocean_has_shortcode":"","ocean_shortcode_after_title":"","ocean_shortcode_before_footer_widgets":"","ocean_shortcode_after_footer_widgets":"","ocean_shortcode_before_footer_bottom":"","ocean_shortcode_after_footer_bottom":"","ocean_display_top_bar":"default","ocean_display_header":"default","ocean_header_style":"","ocean_center_header_left_menu":"0","ocean_custom_header_template":"0","ocean_custom_logo":0,"ocean_custom_retina_logo":0,"ocean_custom_logo_max_width":0,"ocean_custom_logo_tablet_max_width":0,"ocean_custom_logo_mobile_max_width":0,"ocean_custom_logo_max_height":0,"ocean_custom_logo_tablet_max_height":0,"ocean_custom_logo_mobile_max_height":0,"ocean_header_custom_menu":"0","ocean_menu_typo_font_family":"0","ocean_menu_typo_font_subset":"","ocean_menu_typo_font_size":0,"ocean_menu_typo_font_size_tablet":0,"ocean_menu_typo_font_size_mobile":0,"ocean_menu_typo_font_size_unit":"px","ocean_menu_typo_font_weight":"","ocean_menu_typo_font_weight_tablet":"","ocean_menu_typo_font_weight_mobile":"","ocean_menu_typo_transform":"","ocean_menu_typo_transform_tablet":"","ocean_menu_typo_transform_mobile":"","ocean_menu_typo_line_height":0,"ocean_menu_typo_line_height_tablet":0,"ocean_menu_typo_line_height_mobile":0,"ocean_menu_typo_line_height_unit":"","ocean_menu_typo_spacing":0,"ocean_menu_typo_spacing_tablet":0,"ocean_menu_typo_spacing_mobile":0,"ocean_menu_typo_spacing_unit":"","ocean_menu_link_color":"","ocean_menu_link_color_hover":"","ocean_menu_link_color_active":"","ocean_menu_link_background":"","ocean_menu_link_hover_background":"","ocean_menu_link_active_background":"","ocean_menu_social_links_bg":"","ocean_menu_social_hover_links_bg":"","ocean_menu_social_links_color":"","ocean_menu_social_hover_links_color":"","ocean_disable_title":"default","ocean_disable_heading":"default","ocean_post_title":"","ocean_post_subheading":"","ocean_post_title_style":"","ocean_post_title_background_color":"","ocean_post_title_background":0,"ocean_post_title_bg_image_position":"","ocean_post_title_bg_image_attachment":"","ocean_post_title_bg_image_repeat":"","ocean_post_title_bg_image_size":"","ocean_post_title_height":0,"ocean_post_title_bg_overlay":0.5,"ocean_post_title_bg_overlay_color":"","ocean_disable_breadcrumbs":"default","ocean_breadcrumbs_color":"","ocean_breadcrumbs_separator_color":"","ocean_breadcrumbs_links_color":"","ocean_breadcrumbs_links_hover_color":"","ocean_display_footer_widgets":"default","ocean_display_footer_bottom":"default","ocean_custom_footer_template":"0","ocean_post_oembed":"","ocean_post_self_hosted_media":"","ocean_post_video_embed":"","ocean_link_format":"","ocean_link_format_target":"self","ocean_quote_format":"","ocean_quote_format_link":"post","ocean_gallery_link_images":"on","ocean_gallery_id":[],"footnotes":""},"categories":[1,56],"tags":[],"class_list":["post-4179","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-analise","category-desigualde-de-genero","entry","has-media"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/4179","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=4179"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/4179\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4185,"href":"https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/4179\/revisions\/4185"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/4186"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=4179"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=4179"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,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