{"id":4654,"date":"2025-11-28T18:37:26","date_gmt":"2025-11-28T18:37:26","guid":{"rendered":"https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/?p=4654"},"modified":"2025-11-28T19:05:01","modified_gmt":"2025-11-28T19:05:01","slug":"black-friday-natal-e-os-delirios-de-consumo-de-um-pais-desigual-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/?p=4654","title":{"rendered":"Black Friday, Natal e os del\u00edrios de consumo de um pa\u00eds desigual"},"content":{"rendered":"\t\t<div data-elementor-type=\"wp-post\" data-elementor-id=\"4654\" class=\"elementor elementor-4654\">\n\t\t\t\t\t\t<section class=\"elementor-section elementor-top-section elementor-element elementor-element-0fcb4cf elementor-section-boxed elementor-section-height-default elementor-section-height-default\" data-id=\"0fcb4cf\" data-element_type=\"section\" data-e-type=\"section\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-container elementor-column-gap-default\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-column elementor-col-100 elementor-top-column elementor-element elementor-element-6ee1c55\" data-id=\"6ee1c55\" data-element_type=\"column\" data-e-type=\"column\">\n\t\t\t<div class=\"elementor-widget-wrap elementor-element-populated\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-39d4dd6 elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"39d4dd6\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<p><em>(\u2026)<br \/>Estou, estou na moda.<br \/>\u00c9 duro andar na moda, ainda que a moda<br \/>seja negar minha identidade,<br \/>troc\u00e1-la por mil, a\u00e7ambarcando<br \/>todas as marcas registradas,<br \/>todos os logotipos do mercado.<br \/>Com que inoc\u00eancia demito-me de ser<br \/>eu que antes era e me sabia<br \/>t\u00e3o diverso de outros, t\u00e3o mim mesmo,<br \/>ser pensante, sentinte e solid\u00e1rio<br \/>com outros seres diversos e conscientes<br \/>de sua humana, invenc\u00edvel condi\u00e7\u00e3o.<br \/>Agora sou an\u00fancio,<br \/>(\u2026)<\/em><\/p><p><em>E nisto me comparo, tiro gl\u00f3ria<br \/>de minha anula\u00e7\u00e3o.<br \/>(\u2026)<br \/>Onde terei jogado fora<br \/>meu gosto e capacidade de escolher,<br \/>minhas idiossincrasias t\u00e3o pessoais,<br \/>t\u00e3o minhas que no rosto se espelhavam<br \/>(\u2026)<br \/>sou gravado de forma universal,<br \/>(\u2026)<\/em><\/p><p><em>objeto pulsante mas objeto<br \/>que se oferece como signo de outros<br \/>objetos est\u00e1ticos, tarifados.<br \/>(\u2026)<\/em><\/p><p><em>pe\u00e7o que meu nome retifiquem.<br \/>J\u00e1 n\u00e3o me conv\u00e9m o t\u00edtulo de homem.<br \/>Meu nome novo \u00e9 coisa.<br \/>Eu sou a coisa, coisamente<\/em><\/p><p>Com o natal se aproximando e as festas de final de ano batendo \u00e0 porta, o Observat\u00f3rio n\u00e3o poderia deixar de discutir o consumo e a sua rela\u00e7\u00e3o com a desigualdade. Por exemplo, nessa sexta, est\u00e1 acontecendo mais uma edi\u00e7\u00e3o da vers\u00e3o brasileira da chamada \u201cBlack Friday\u201d, data em que \u2013 supostamente \u2013 com\u00e9rcio e servi\u00e7os ofereceriam produtos a pre\u00e7os especialmente mais baixos como forma de dar vaz\u00e3o a estoques antes das vendas de Natal. O que se viu foi o tradicional apelo ao consumo, n\u00e3o propriamente como decis\u00e3o racional de consumidores que avaliam as suas necessidades frente aos pre\u00e7os oferecidos e a suas possibilidades financeiras; o consumo e a posse de bens e servi\u00e7os (muitas vezes sup\u00e9rfluos) \u00e9 apontado com uma gratifica\u00e7\u00e3o por si mesmos e, em grande medida, uma maneira de se sentir \u2013 ser visto assim pelos outros \u2013 algu\u00e9m especial, \u00fanico e admirado.<\/p><p>O leitor dir\u00e1 que isto tudo \u2013 o consumismo, o apelo \u00e0 propaganda e a avalia\u00e7\u00e3o das pessoas a partir do que elas possuem ou compram \u2013 \u00e9 bastante conhecido e lamentar sua preval\u00eancia \u00e9 um ritual t\u00e3o disseminado quanto o pr\u00f3prio consumismo. E estar\u00e1 coberto de raz\u00e3o, \u00e9 claro. O sentido deste post do Observat\u00f3rio, por\u00e9m, \u00e9 outro: refletir sobre o que a compuls\u00e3o, os h\u00e1bitos e as motiva\u00e7\u00f5es para o consumo nos dizem sobre a desigualdade. Ou, de outro modo, como a desigualdade alimenta e define as escolhas de consumo de um pa\u00eds.<\/p><p>Para entendermos, temos que lembrar que os mecanismos pelos quais as desigualdades se organizam em nossas sociedades s\u00e3o de distintas naturezas: a) econ\u00f4micas \u2013 que definem as classes sociais; b) de status \u2013 o valor, prest\u00edgio ou reconhecimento desiguais que a sociedade atribui ou nega, muitas vezes injustamente, a diferentes grupos, a partir de crit\u00e9rios arbitr\u00e1rios, como g\u00eanero, ra\u00e7a, renda ou linhagem familiar; c) de poder \u2013 os recursos formais e informais, l\u00edcitos e il\u00edcitos, que diferentes grupos det\u00eam para influenciar as decis\u00f5es coletivas (poder pol\u00edtico, acesso e participa\u00e7\u00e3o nos espa\u00e7os de decis\u00e3o) ou os comportamentos e opini\u00f5es de outras pessoas e grupos (poder econ\u00f4mico e social, visibilidade, acesso \u00e0 imprensa etc.). A posi\u00e7\u00e3o das pessoas na sociedade resulta da combina\u00e7\u00e3o de sua posi\u00e7\u00e3o pelo menos (pelo menos, pois h\u00e1 outras) nestas tr\u00eas dimens\u00f5es (riqueza, status e poder) das desigualdades sociais. Geralmente, quem est\u00e1 em posi\u00e7\u00e3o privilegiada em uma destas dimens\u00f5es, tamb\u00e9m tende a ocupar o mesmo tipo de posi\u00e7\u00e3o nas outras dimens\u00f5es. E mais: o acesso a um destes recursos (riqueza, status ou poder) \u00e9 um meio para melhorar sua posi\u00e7\u00e3o quanto aos outros recursos.<\/p><p>Da discuss\u00e3o acima, o que nos interessa para compreender a rela\u00e7\u00e3o entre consumismo e desigualdade \u00e9 o papel da hierarquia de status na conforma\u00e7\u00e3o das desigualdades sociais. O status \u2013 que envolve, como dissemos, o valor, prest\u00edgio, reconhecimento e pertencimento desigual atribu\u00eddo ou negado a diferentes grupos, segmentos e ocupa\u00e7\u00f5es \u2013 \u00e9 diferente dos outros recursos, como riqueza e poder. Enquanto o dinheiro a que voc\u00ea consegue ter acesso \u00e9 seu e voc\u00ea pode utiliz\u00e1-lo como lhe convier, independentemente do que os outros pensem ou gostem, com o status \u00e9 diferente: o seu prest\u00edgio, o seu valor social, a maneira pela qual voc\u00ea ser\u00e1 tratado depende do reconhecimento dos outros. Enquanto pertencer a uma classe econ\u00f4mica depende apenas da quantidade de dinheiro ou capital uma pessoa tem, pertencer a um grupo de status depende de ser reconhecido pelos outros como membro deste grupo.<\/p><p>E finalmente chegamos ao ponto importante para a discuss\u00e3o do consumo e do consumismo. Em sociedades como a do Brasil, que combinam muita desigualdade com pouca mobilidade social, os mecanismos de hierarquiza\u00e7\u00e3o de status se mant\u00eam centrais e disseminados, ainda que nem sempre vis\u00edveis, e sustentam parte significativa da desigualdade social, inclusive econ\u00f4mica. Ou seja, em sociedades muito desiguais, a dimens\u00e3o de status se torna mais importante para a manuten\u00e7\u00e3o das posi\u00e7\u00f5es na hierarquia social, a disputa pelos mecanismos de acesso \u00e0s posi\u00e7\u00f5es de status se torna mais crucial e a busca pela diferencia\u00e7\u00e3o de status, pelo reconhecimento como pertencentes aos grupos mais bem sucedidos \u2013 e igualmente importante \u2013 pela exclus\u00e3o dos grupos subalternos torna-se um processo permanente e feroz. O que quer dizer que a manuten\u00e7\u00e3o da desigualdade e a preserva\u00e7\u00e3o das posi\u00e7\u00f5es sociais depende tamb\u00e9m da capacidade dos grupos tradicionais em assegurar o monop\u00f3lio das posi\u00e7\u00f5es de status, mas tamb\u00e9m o monop\u00f3lio sobre os mecanismos de acesso a estas posi\u00e7\u00f5es (especialmente educa\u00e7\u00e3o). Mas, como a inclus\u00e3o e exclus\u00e3o dos grupos de status \u00e9 um processo subjetivo e relacional e depende da maneira como os outros nos posicionam e nos avaliam, torna-se importante, na mesma medida, garantir a posse exclusiva dos s\u00edmbolos de status e distin\u00e7\u00e3o: por exemplo, estruturas de consumo, como marcas, carros, servi\u00e7os de sa\u00fade e educa\u00e7\u00e3o privados e tamb\u00e9m lazer, como viagens, frequ\u00eancia a estabelecimentos etc. E, portanto, os marcadores herdados e impostos de classifica\u00e7\u00e3o entre os \u201cde dentro\u201d e os \u201cde fora\u201d (ra\u00e7a, g\u00eanero e origem social) ganham mais sali\u00eancia quando os elementos acima passam a ser objeto de disputa. Numa frase, em sociedades muito desiguais, o status \u00e9 central e \u00e9 tamb\u00e9m um bem posicional, trazendo mecanismos psicossociais como ansiedade de status e priva\u00e7\u00e3o relativa para o centro das intera\u00e7\u00f5es sociais e pol\u00edticas.<\/p><p>O recente trabalho de Wilkinson e Pickett sobre as consequ\u00eancias e mecanismos psicossociais da desigualdade mostra que, quanto maior a desigualdade, maior a intensidade do que \u00e9 caracterizado como ansiedade de status, ou a inseguran\u00e7a quanto \u00e0 avalia\u00e7\u00e3o por outros, como ilustra o gr\u00e1fico 1.<\/p><p><strong>Gr\u00e1fico 1:\u00a0<\/strong>Rela\u00e7\u00e3o entre ansiedade de status e a renda<\/p><p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-1459 size-large aligncenter\" src=\"http:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/Gr%C3%A1fico-1-1024x694.jpg\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" srcset=\"https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/Gr\u00e1fico-1-1024x694.jpg 1024w, https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/Gr\u00e1fico-1-300x203.jpg 300w, https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/Gr\u00e1fico-1-768x521.jpg 768w, https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/Gr\u00e1fico-1.jpg 1199w\" alt=\"\" width=\"1024\" height=\"694\" \/><\/p><p>Fonte: Wilkinson e Pickett (2017)<\/p><p>O gr\u00e1fico evidencia dois pontos centrais: primeiro, a ansiedade de status declina \u00e0 medida que a aumenta a posi\u00e7\u00e3o do indiv\u00edduo na escala de rendimentos. Quer dizer, como era de se esperar, quanto menos pessoas est\u00e3o acima de algu\u00e9m em uma determinada sociedade, menos este algu\u00e9m precisa se preocupar com a avalia\u00e7\u00e3o dos outros sobre si, provavelmente porque menos consequ\u00eancias ela tem sobre suas chances de vida e menos depende dela; a ansiedade de status \u00e9 bem maior para aqueles que se encontram nas posi\u00e7\u00f5es menos favorecidas. No entanto, a informa\u00e7\u00e3o mais importante do gr\u00e1fico \u00e9 a que evidencia que a ansiedade de status \u00e9 maior, para qualquer posi\u00e7\u00e3o na distribui\u00e7\u00e3o de renda, em sociedades mais desiguais, refor\u00e7ando a import\u00e2ncia do status na hierarquia social e nas intera\u00e7\u00f5es que produzem e reproduzem as desigualdades sociais.<\/p><p>Em terceiro lugar, Wilkinson e Pickett (2017) mostram tamb\u00e9m que, na medida em que o consumo de ostenta\u00e7\u00e3o \u2013 aquele motivado total ou parcialmente pelo desejo de se mostrar aos outros, como o consumo de \u201cgrifes\u201d famosas ou carros maiores ou mais luxuosos do que uma pessoa realmente necessita \u2013 \u201c\u00e9 um tipo de propaganda de si mesmo que diz da competi\u00e7\u00e3o por status\u201d, seria de se esperar que sua relev\u00e2ncia seja maior em sociedades mais desiguais.<\/p><p>Um exemplo claro da afirma\u00e7\u00e3o acima ficou evidenciado em uma pesquisa recente que investigou as principais tend\u00eancias de busca no maior site de buscas do mundo, o Google. Utilizando o Google Correlate e o Google Trends, a pesquisa mostrou que, tanto internacionalmente quanto entre os 50 estados dos EUA, nos locais onde h\u00e1 mais desigualdade, os indiv\u00edduos tendem mais a realizar buscas online por bens de alto status. Al\u00e9m disso, vale ressaltar que o efeito da desigualdade sobre a tend\u00eancia ao consumo para ostentar n\u00e3o \u00e9 exclusividade de pa\u00edses ricos e que tamb\u00e9m existem evid\u00eancias de que assim como a desigualdade aumenta a aptid\u00e3o ao consumo de ostenta\u00e7\u00e3o, ela tamb\u00e9m tende a aumentar o endividamento e as fal\u00eancias. Enfim, em sociedades como a brasileira, a estrutura, a din\u00e2mica e as disputas entre insiders e outsiders em torno do controle ou monop\u00f3lio das posi\u00e7\u00f5es de status, dos mecanismos de acesso a elas e dos s\u00edmbolos de status t\u00eam centralidade na produ\u00e7\u00e3o e reprodu\u00e7\u00e3o da estrutura de desigualdades, oportunidades e poder.<\/p><p>Assim, a estrutura e rela\u00e7\u00f5es de consumo e lazer s\u00e3o espa\u00e7os fundamentais para a atribui\u00e7\u00e3o e disputa pelo status. S\u00e3o elementos de distin\u00e7\u00e3o e s\u00edmbolos de status. S\u00e3o, portanto, tamb\u00e9m, em um plano mais abrangente, bens posicionais. Ou seja, seu valor depende do controle e exclusividade por parte dos \u201cde dentro\u201d e de exclus\u00e3o \u201cdos de fora\u201d.\u00a0 Como s\u00edmbolo de status e de diferencia\u00e7\u00e3o, o valor, por exemplo, de eu possuir e exibir um carro caro ou de luxo n\u00e3o vem apenas (e nem principalmente) do conforto ou seguran\u00e7a que ele me proporciona; vem do fato de eu possuir algo (ainda que com sacrif\u00edcio de outras necessidades e em 72 presta\u00e7\u00f5es) que a maior parte das pessoas n\u00e3o possui, fazendo com que eu seja avaliado como parte do grupo dos privilegiados ou bem sucedidos. Se o acesso a este carro se ampliar ou se generalizar, ele perde este valor. Para que ele tenha valor para mim, \u00e9 igualmente importante que eu possua estes bens que simbolizam status e que os outros n\u00e3o o possuam. Vem da\u00ed a ideia de ansiedade de status e de priva\u00e7\u00e3o relativa: sociedades desiguais estimulam e nos empurram ao consumismo, ao mesmo tempo em que nos tornam mesquinhos em rela\u00e7\u00e3o ao acesso dos outros em rela\u00e7\u00e3o aos mesmos bens.<\/p><p>Pois bem. Pode-se explorar esta din\u00e2mica no Brasil do in\u00edcio do s\u00e9culo at\u00e9 aproximadamente 2015, em que se combinaram redu\u00e7\u00e3o da desigualdade de rendimentos, aumento da renda dos trabalhadores e democratiza\u00e7\u00e3o do acesso ao cr\u00e9dito, ampliando e modificando a estrutura e pautas de consumo da popula\u00e7\u00e3o. E como esta ansiedade de status e a rea\u00e7\u00e3o \u00e0 perda do monop\u00f3lio dos s\u00edmbolos de status e de distin\u00e7\u00e3o organizados em torno do consumo acirrou os conflitos sociais e lan\u00e7ou por terra a ilus\u00e3o de uma sociedade marcada pela cordialidade nas rela\u00e7\u00f5es cotidianas. O instituto DataPopular, especializado em pesquisa de mercado e comportamento do consumidor, realizou pesquisa sobre o que se chamou, \u00e0 \u00e9poca, Nova Classe M\u00e9dia. H\u00e1, evidente, enorme dissenso sobre este termo e sobre como enquadrar este p\u00fablico, conforme a defini\u00e7\u00e3o que se d\u00e1 \u00e0 no\u00e7\u00e3o de classe e do que caracterizaria a classe m\u00e9dia. N\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio, por\u00e9m, para efeitos deste post, uma digress\u00e3o maior sobre o tema. Basta considerar que estamos nos referindo a vastos contingentes da popula\u00e7\u00e3o os quais, com acr\u00e9scimo de renda e de posi\u00e7\u00e3o ocupacional, ampliaram sua capacidade de consumo para bem al\u00e9m das necessidades mais b\u00e1sicas, adentrando o mercado de consumo e lazer pela primeira vez em muitas gera\u00e7\u00f5es.<\/p><p><strong>Tabela 1:<\/strong>\u00a0Crit\u00e9rio de Renda Per Capita<\/p><p><img decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-1460 aligncenter\" src=\"http:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/Tabela-1.jpg\" sizes=\"(max-width: 1016px) 100vw, 1016px\" srcset=\"https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/Tabela-1.jpg 1016w, https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/Tabela-1-300x166.jpg 300w, https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/Tabela-1-768x425.jpg 768w\" alt=\"\" width=\"1016\" height=\"562\" \/><\/p><p>Fonte: DataPopular<\/p><p><strong>Gr\u00e1fico 2:<\/strong>\u00a0Mudan\u00e7a da pir\u00e2mide populacional<\/p><p><img decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-1461 aligncenter\" src=\"http:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/Gr%C3%A1fico-2.jpg\" sizes=\"(max-width: 812px) 100vw, 812px\" srcset=\"https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/Gr\u00e1fico-2.jpg 812w, https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/Gr\u00e1fico-2-300x168.jpg 300w, https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/Gr\u00e1fico-2-768x429.jpg 768w\" alt=\"\" width=\"812\" height=\"454\" \/><\/p><p>Fonte: DataPopular<\/p><p>O que a tabela 1 o gr\u00e1fico 2 acima mostram \u00e9 que o contingente que mais se expandiu com o aumento da renda no per\u00edodo se situa na regi\u00e3o intermedi\u00e1ria da renda. No entanto, do argumento sobre a rela\u00e7\u00e3o entre renda e status decorre que a mobilidade intensiva de renda n\u00e3o ser\u00e1 imediatamente acompanhada de mobilidade de status. Mas tende a ser acompanhada de mudan\u00e7as nas aspira\u00e7\u00f5es de status dos grupos emergentes e de apropria\u00e7\u00e3o dos s\u00edmbolos de status e de distin\u00e7\u00e3o expressos nas pautas de consumo, estilos de vida e lazer. Sendo estes justamente bens posicionais, a press\u00e3o dos outsiders vir\u00e1 acompanhada do sentimento de priva\u00e7\u00e3o relativa por parte dos insiders, traduzido em ressentimento e resist\u00eancia.<\/p><p>\u00c9 um argumento plaus\u00edvel, mas h\u00e1 evid\u00eancias para sustent\u00e1-lo? Se n\u00e3o h\u00e1 evid\u00eancias, no sentido forte do termo, a mesma pesquisa do DataPopular aponta alguns ind\u00edcios. A figura 1 abaixo mostra, de forma bastante consistente, o que seria a din\u00e2mica de aspira\u00e7\u00f5es em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 estrutura de consumo e status dos grupos m\u00e9dios estabelecidos e dos grupos ascendentes.<\/p><p><strong>Figura 1:<\/strong>\u00a0Estrutura\u00e7\u00e3o do consumo<\/p><p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-large wp-image-1462 aligncenter\" src=\"http:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/Figura-1-1024x573.jpg\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" srcset=\"https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/Figura-1-1024x573.jpg 1024w, https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/Figura-1-300x168.jpg 300w, https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/Figura-1-768x430.jpg 768w, https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/Figura-1.jpg 1044w\" alt=\"\" width=\"1024\" height=\"573\" \/><\/p><p>Fonte: DataPopular<\/p><p>Adicionalmente, como mostra a figura 2, a classe m\u00e9dia tradicional orienta suas escolhas de consumo basicamente pela no\u00e7\u00e3o de distin\u00e7\u00e3o: exclusividade, busca pelo consumo do intang\u00edvel e ostenta\u00e7\u00e3o; j\u00e1 os setores ascendentes est\u00e3o buscando a inclus\u00e3o e aceita\u00e7\u00e3o em novos espa\u00e7os e grupos. Os resultados da pesquisa tamb\u00e9m d\u00e3o indica\u00e7\u00f5es dos conflitos, do mal estar da ansiedade de status desencadeados pela amea\u00e7a de perda do monop\u00f3lio dos s\u00edmbolos de status e de distin\u00e7\u00e3o.<\/p><p><strong>Figura 2:<\/strong>\u00a0O que a Classe M\u00e9dia Tradicional pensa sobre a Nova Classe M\u00e9dia<\/p><p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-large wp-image-1463 aligncenter\" src=\"http:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/Figura-2-1024x561.jpg\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" srcset=\"https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/Figura-2-1024x561.jpg 1024w, https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/Figura-2-300x164.jpg 300w, https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/Figura-2-768x421.jpg 768w, https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/Figura-2.jpg 1036w\" alt=\"\" width=\"1024\" height=\"561\" \/><\/p><p>Fonte: DataPopular<\/p><p>O primeiro j\u00e1 foi tratado acima e sustentou que a centralidade da hierarquia de status para a reprodu\u00e7\u00e3o da estratifica\u00e7\u00e3o no Brasil, com a decorrente perman\u00eancia dos mecanismos e elementos de distin\u00e7\u00e3o, faz com que o acesso \u2013 limitado e desigual \u2013 a um conjunto de bens, servi\u00e7os e espa\u00e7os os caracterize como bens posicionais, que perdem valor com sua democratiza\u00e7\u00e3o; assim, do ponto de vista da economia pol\u00edtica, pode-se dizer de forma um tanto paradoxal que, para os insiders, distribui\u00e7\u00e3o \u00e9 redistribui\u00e7\u00e3o ou, o acesso dos outsiders \u00e9, em si mesmo, um custo.<\/p><p>Em segundo lugar, dado o n\u00edvel estratosf\u00e9rico de concentra\u00e7\u00e3o e exclus\u00e3o dos principais s\u00edmbolos de status, mecanismos de aquisi\u00e7\u00e3o de status e elementos de distin\u00e7\u00e3o, pode-se pensar em uma grande \u201ccapacidade social ociosa\u201d, de incorpora\u00e7\u00e3o nestes espa\u00e7os, ou seja, in\u00edcio do per\u00edodo, a incorpora\u00e7\u00e3o de alguns outsiders n\u00e3o amea\u00e7ava a posi\u00e7\u00e3o de ningu\u00e9m. No t (0), o custo marginal (em termos de valor posicional do bem), para os insiders, da presen\u00e7a de um negro a mais na universidade ou de um porteiro a mais no aeroporto era muito baixo; \u00e0 medida que esta presen\u00e7a crescia o custo marginal da inclus\u00e3o, em termos de valor posicional ou de monop\u00f3lio sobre os mecanismos de aquisi\u00e7\u00e3o de status come\u00e7a a aumentar muito e se tornar percept\u00edvel, fazendo com que a inclus\u00e3o seja vista como amea\u00e7a \u00e0 pr\u00f3pria posi\u00e7\u00e3o dos \u201cde dentro\u201d.<\/p><p>Se o tempo escala a insatisfa\u00e7\u00e3o daqueles que veem sua posi\u00e7\u00e3o amea\u00e7ada, ele altera tamb\u00e9m a percep\u00e7\u00e3o dos que ascenderam em termos de renda: no in\u00edcio do per\u00edodo, o grupo ou posi\u00e7\u00e3o de refer\u00eancia dos que ascenderam economicamente \u00e9 a posi\u00e7\u00e3o de onde sa\u00edram, portanto, sua percep\u00e7\u00e3o \u00e9 de progresso, sua atitude \u00e9 positiva. Ap\u00f3s dez anos de ascens\u00e3o econ\u00f4mica, seu grupo de refer\u00eancia n\u00e3o \u00e9 mais o ponto de partida, \u00e9 o grupo de status ao qual almeja pertencer e que resiste a aceit\u00e1-los, apesar da aspira\u00e7\u00e3o, identifica\u00e7\u00e3o e da admira\u00e7\u00e3o constru\u00edda. Passam tamb\u00e9m a se sentirem privados, uma atitude de insatisfa\u00e7\u00e3o. Temos ent\u00e3o na fronteira pouco clara dos setores m\u00e9dios da sociedade um mal-estar, uma insatisfa\u00e7\u00e3o generalizada, que pode encontrar objeto e dire\u00e7\u00e3o no grupo no poder.<\/p><p>Em s\u00edntese, a partir da discuss\u00e3o acima, fica claro a influ\u00eancia da desigualdade nas escolhas de consumo de um pa\u00eds, ou seja, os h\u00e1bitos e as raz\u00f5es para o consumo s\u00e3o fortemente influenciados pela desigualdade. Al\u00e9m disso, evidenciou-se que a ansiedade de status \u00e9 maior em sociedades mais desiguais, independentemente da posi\u00e7\u00e3o do indiv\u00edduo na distribui\u00e7\u00e3o de renda, refor\u00e7ando a import\u00e2ncia do status na estratifica\u00e7\u00e3o social. Desse modo, com o natal se aproximando e o consumismo se acentuando, esse post do observat\u00f3rio mostrou como as escolhas dos indiv\u00edduos na hora de comprar n\u00e3o s\u00e3o aleat\u00f3rias ou por acaso, mas sim fruto da busca por elementos de distin\u00e7\u00e3o, aceita\u00e7\u00e3o e pertencimento. Sociedades muito desiguais estimulam um tipo de consumo que, ao fim e ao cabo, nos torna mais ego\u00edstas, amesquinha nossas necessidades e torna a exclus\u00e3o de outros cidad\u00e3os motivos de autogratifica\u00e7\u00e3o e satisfa\u00e7\u00e3o. No fim das contas, o maquin\u00e1rio engenhoso e perverso da desigualdade invade todas as esferas de nossa vida e torna nossas escolhas e h\u00e1bitos mais privados \u2013 como as decis\u00f5es sobre o que consumir \u2013 ainda menos aut\u00f4nomos e orientados pelo olhar dos outros, ao contr\u00e1rio de expressar nossa individualidade, gostos e necessidades.<\/p><p><strong>Refer\u00eancias:<\/strong><\/p><p>Wilkinson, R. G., &amp; Pickett, K. E. (2017).\u00a0<em>The enemy between us: The psychological and social costs of inequality<\/em>. European Journal of Social Psychology, 47(1), 11\u201324.<\/p><p><em>Autores: Bruno Lazzarotti Diniz Costa [doutor em Sociologia e Pol\u00edtica pela Universidade Federal de Minas Gerais e pesquisador na Funda\u00e7\u00e3o Jo\u00e3o Pinheiro] e Marina Silva [graduanda em Administra\u00e7\u00e3o P\u00fablica \u2013 Funda\u00e7\u00e3o Jo\u00e3o Pinheiro]<\/em><\/p>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>(\u2026)Estou, estou na moda.\u00c9 duro andar na moda, ainda que a modaseja negar minha identidade,troc\u00e1-la por mil, a\u00e7ambarcandotodas as marcas registradas,todos os logotipos do mercado.Com que inoc\u00eancia demito-me de sereu que antes era e me sabiat\u00e3o diverso de outros, t\u00e3o mim mesmo,ser pensante, sentinte e solid\u00e1riocom outros seres diversos e conscientesde sua humana, invenc\u00edvel condi\u00e7\u00e3o.Agora 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