{"id":4768,"date":"2026-03-12T16:57:14","date_gmt":"2026-03-12T16:57:14","guid":{"rendered":"https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/?p=4768"},"modified":"2026-03-12T18:18:07","modified_gmt":"2026-03-12T18:18:07","slug":"politicas-publicas-opostas-as-evidencias-na-gincana-pelas-solucoes-magicas-em-educacao-nao-basta-reinventar-a-roda-ela-tem-que-ser-quadrada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/?p=4768","title":{"rendered":"Pol\u00edticas P\u00fablicas opostas \u00e0s evid\u00eancias: na gincana pelas solu\u00e7\u00f5es m\u00e1gicas em educa\u00e7\u00e3o, n\u00e3o basta reinventar a roda; ela tem que ser quadrada."},"content":{"rendered":"\t\t<div data-elementor-type=\"wp-post\" data-elementor-id=\"4768\" class=\"elementor elementor-4768\">\n\t\t\t\t\t\t<section class=\"elementor-section elementor-top-section elementor-element elementor-element-e4e76cc elementor-section-boxed elementor-section-height-default elementor-section-height-default\" data-id=\"e4e76cc\" data-element_type=\"section\" data-e-type=\"section\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-container elementor-column-gap-default\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-column elementor-col-100 elementor-top-column elementor-element elementor-element-ac73b9c\" data-id=\"ac73b9c\" data-element_type=\"column\" data-e-type=\"column\">\n\t\t\t<div class=\"elementor-widget-wrap elementor-element-populated\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-cd59d42 elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"cd59d42\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<p>Reda\u00e7\u00e3o: Bruno Lazzarotti Diniz Costa<\/p><p>Formata\u00e7\u00e3o e Publica\u00e7\u00e3o: Miguel Coelho de Lacerda<\/p>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t<section class=\"elementor-section elementor-top-section elementor-element elementor-element-40ba2c8 elementor-section-boxed elementor-section-height-default elementor-section-height-default\" data-id=\"40ba2c8\" data-element_type=\"section\" data-e-type=\"section\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-container elementor-column-gap-default\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-column elementor-col-100 elementor-top-column elementor-element elementor-element-7fd1172\" data-id=\"7fd1172\" data-element_type=\"column\" data-e-type=\"column\">\n\t\t\t<div class=\"elementor-widget-wrap elementor-element-populated\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-22972af elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"22972af\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<p>\u00a0<\/p><p class=\"MsoNormal\" style=\"margin-bottom: 10.0pt; text-align: justify; text-indent: 36.0pt; line-height: 150%;\"><span style=\"font-size: 12.0pt; line-height: 150%;\">No in\u00edcio de fevereiro, o governo de S\u00e3o Paulo anunciou que vai iniciar um \u201cexperimento\u201d na rede estadual de ensino, que consiste em agrupar as cobaias, no caso, os estudantes de uma amostra de escolas, por n\u00edvel de habilidades, constituindo as turmas segundo o desempenho dos alunos nos testes de profici\u00eancia. Esta ideia \u00e9 t\u00e3o inovadora quanto a repet\u00eancia e a exclus\u00e3o dos estudantes mais vulner\u00e1veis, ou seja, nem um pouco (Basilio, 2026).\u00a0<\/span><\/p><p>De fato, os mais velhos, como eu, talvez se lembrem da escola de sua inf\u00e2ncia, em que havia a turma A, a turma B e assim por diante, at\u00e9 chegar \u00e0 \u201cturma dos repetentes\u201d, atribu\u00edda geralmente, quase como um ritual de inicia\u00e7\u00e3o, aos professores novatos. Estes, pela sua pouca experi\u00eancia, eram os menos equipados para lidar com contextos desafiadores, mas isto n\u00e3o representava um problema t\u00e3o grande assim, j\u00e1 que desta turma se esperava muito pouco mais do que novas reprova\u00e7\u00f5es e, quase como uma fatalidade, o abandono escolar. A proposta agora, segundo a Secretaria de Educa\u00e7\u00e3o de S\u00e3o Paulo, ser\u00e1 muito diferente, contar\u00e1 com curr\u00edculo adaptado (como n\u00e3o sei os termos desta adapta\u00e7\u00e3o, n\u00e3o posso afirmar que seja o de sempre &#8211; empobrecimento e aligeiramento do que ser\u00e1 ensinado aos mais vulner\u00e1veis) e sendo PRO-I-BI-DO estigmatizar os alunos (diretriz cuja efic\u00e1cia, todos sabemos, \u00e9 inquestion\u00e1vel).<\/p><p>Mesmo supondo os melhores esfor\u00e7os de implementa\u00e7\u00e3o e de mitiga\u00e7\u00e3o de efeitos adversos, d\u00e9cadas de estudos educacionais indicam que a proposta tem tudo para dar errado, seja do ponto de vista da efic\u00e1cia, seja quanto \u00e0 equidade. Ali\u00e1s, \u00e9 conveniente lembrar aqui que, em pol\u00edticas educacionais, a equidade deve ser um componente da efic\u00e1cia, n\u00e3o um crit\u00e9rio paralelo ou coadjuvante para a avalia\u00e7\u00e3o.<\/p><p>Pois bem, vamos come\u00e7ar pelo fim, quer dizer, pelos resultados. Existem v\u00e1rios pa\u00edses que permitem ou determinam que os estudantes sejam enturmados por habilidades nas escolas. O que acontece com a educa\u00e7\u00e3o nestes pa\u00edses? Em mais de um documento, a OCDE aborda a quest\u00e3o, por meio do PISA, estudo\u00a0<span style=\"font-size: 12pt; text-align: justify; text-indent: 36pt;\">comparativo<br \/>sobre educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica abrangendo v\u00e1rios pa\u00edses. O <\/span><b style=\"font-size: 12pt; text-align: justify; text-indent: 36pt;\">gr\u00e1fico 1<\/b><span style=\"font-size: 12pt; text-align: justify; text-indent: 36pt;\"> sintetiza uma primeira dire\u00e7\u00e3o dos achados, que encontram tamb\u00e9m bastante suporte na literatura especializada.<\/span><\/p><p style=\"margin-bottom: 10.0pt; text-align: center; text-indent: 14.15pt; line-height: normal;\" align=\"center\"><b><span style=\"font-size: 12.0pt;\">Gr\u00e1fico<br \/>1. <\/span><\/b><span style=\"font-size: 12.0pt;\">Agrupamento em turmas por<br \/>habilidades e desempenho em leitura no PISA (2018)<\/span><\/p><p style=\"margin-bottom: 10.0pt; text-align: center; text-indent: 14.15pt; line-height: normal;\" align=\"center\"><span style=\"font-size: 12.0pt;\">\u00a0<\/span><\/p><p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/midia-1.png\" alt=\"\" width=\"675\" height=\"379\" \/><\/p><p style=\"margin-bottom: 10.0pt; text-align: center; text-indent: 14.15pt; line-height: normal;\" align=\"center\"><!--[endif]--><\/p><p style=\"margin-bottom: 10.0pt; text-align: center; text-indent: 14.15pt; line-height: normal;\" align=\"center\"><b><span lang=\"EN-US\" style=\"font-size: 10.0pt; mso-ansi-language: EN-US;\">Fonte:<\/span><\/b><span lang=\"EN-US\" style=\"font-size: 10.0pt; mso-ansi-language: EN-US;\"> OECD, PISA 2018 Database,<br \/>Table I.B1.4 and Table V.B1.3.7.<\/span><\/p><p style=\"margin-bottom: 10.0pt; text-align: center; text-indent: 14.15pt; line-height: normal;\" align=\"center\"><span lang=\"EN-US\" style=\"font-size: 10.0pt; mso-ansi-language: EN-US;\">\u00a0<\/span><\/p><p style=\"margin-bottom: 10.0pt; text-align: justify; text-indent: 36.0pt; line-height: 150%;\"><span style=\"font-size: 12.0pt; line-height: 150%;\">Conforme a observa\u00e7\u00e3o do <b>Gr\u00e1fico 1<\/b> mostra, apesar de expressiva varia\u00e7\u00e3o, a dire\u00e7\u00e3o dos resultados fica bastante clara: quando se considera o conjunto dos pa\u00edses avaliados, quanto maior a propor\u00e7\u00e3o de estudantes em escolas que adotam a enturma\u00e7\u00e3o segundo habilidades, pior o desempenho em leitura. Controlados outros fatores, a enturma\u00e7\u00e3o por habilidades permite prever 23% da vari\u00e2ncia da nota em leitura, de maneira inversamente associada. Ou seja, mesmo a partir de uma concep\u00e7\u00e3o muito limitada de efic\u00e1cia, restrita ao desempenho m\u00e9dio dos estudantes, o agrupamento em turmas homog\u00eaneas n\u00e3o \u00e9 uma estrat\u00e9gia exitosa, sendo mais prov\u00e1vel o oposto.<\/span><\/p><p style=\"margin-bottom: 10pt; text-indent: 14.15pt; line-height: normal; text-align: left;\" align=\"center\"><span lang=\"EN-US\" style=\"font-size: 10.0pt; mso-ansi-language: EN-US;\"> <span style=\"font-size: 12.0pt; line-height: 115%; font-family: 'Arial',sans-serif; mso-fareast-font-family: Arial; mso-ansi-language: PT-BR; mso-fareast-language: PT-BR; mso-bidi-language: AR-SA;\">Mas, se a educa\u00e7\u00e3o brasileira apresenta uma m\u00e9dia comparativamente baixa de desempenho, outro problema central \u00e9 a desigualdade socioecon\u00f4mica quanto \u00e0 garantia do direito \u00e0 educa\u00e7\u00e3o, sob qualquer crit\u00e9rio. Este \u00e9 um tra\u00e7o particularmente grave, considerando o papel da educa\u00e7\u00e3o como instrumento de mobilidade social e rompimento do ciclo intergeracional da pobreza, em uma sociedade desigual como a nossa. Assim, a ado\u00e7\u00e3o de qualquer pol\u00edtica\u00a0<\/span><\/span><span style=\"font-size: 12pt; text-align: justify; text-indent: 36pt;\">educacional\u00a0<\/span><span style=\"font-size: 12pt; text-align: justify; text-indent: 36pt;\">tem que ser avaliada n\u00e3o apenas quanto a seus poss\u00edveis efeitos sobre as m\u00e9dias de desempenho, mas tamb\u00e9m sobre a equidade educacional.<\/span><span style=\"font-size: 12pt; text-align: justify; text-indent: 36pt;\"><br \/><\/span><\/p><p class=\"MsoNormal\" style=\"margin-bottom: 10.0pt; text-align: justify; text-indent: 36.0pt; line-height: 150%;\"><span style=\"font-size: 12.0pt; line-height: 150%;\">Quanto a este ponto, h\u00e1 pouca controv\u00e9rsia na no conjunto da pesquisa a respeito. Por exemplo, uma revis\u00e3o sistem\u00e1tica da literatura sobre os efeitos da enturma\u00e7\u00e3o homog\u00eanea por desempenho, publicado em 2025, mostra que entre os 17 estudos analisados, h\u00e1 uma larga predomin\u00e2ncia de efeitos negativos sobre a equidade e sobre a inclus\u00e3o na educa\u00e7\u00e3o (Largent, 2025).<\/span><\/p><p class=\"MsoNormal\" style=\"margin-bottom: 10.0pt; text-align: justify; text-indent: 36.0pt; line-height: 150%;\"><span style=\"font-size: 12.0pt; line-height: 150%;\">Na verdade, a enturma\u00e7\u00e3o homog\u00eanea \u00e9 um caso espec\u00edfico de uma pr\u00e1tica\u00a0 que a literatura especializada denomina estratifica\u00e7\u00e3o horizontal, ou seja, em uma mesma s\u00e9rie ou n\u00edvel de ensino, o sistema educacional classifica, separa, seleciona os estudantes de forma a formar grupos internamente homog\u00eaneos e muito heterog\u00eaneos (geralmente hierarquizados, de forma deliberada ou n\u00e3o). S\u00e3o v\u00e1rios os mecanismos: aloca\u00e7\u00e3o nas escolas segundo desempenho acad\u00eamico pr\u00e9vio, processos seletivos de admiss\u00e3o, diferencia\u00e7\u00e3o de programas e curr\u00edculos, sele\u00e7\u00e3o precoce entre modalidades de ensino, entre tantos outros. Quanto mais mecanismos de estratifica\u00e7\u00e3o horizontal existem e qu\u00e3o mais extensivamente utilizados em um sistema educacional, mais ele tende a aprofundar as desigualdades educacionais.<\/span><\/p><p class=\"MsoNormal\" style=\"margin-bottom: 10.0pt; text-align: justify; text-indent: 36.0pt; line-height: 150%;\"><span style=\"font-size: 12.0pt; line-height: 150%;\">Tampouco s\u00e3o desconhecidos os mecanismos por meio dos quais a enturma\u00e7\u00e3o homog\u00eanea em fun\u00e7\u00e3o do desempenho pr\u00e9vio leva a resultados acad\u00eamicos incertos e efeitos delet\u00e9rios sobre as desigualdades educacionais. Na verdade, a identifica\u00e7\u00e3o de alguns deles remonta aos anos 60 do s\u00e9culo passado, por isto mesmo \u00e9 um tanto exasperante observar como s\u00e3o periodicamente ignorados na elabora\u00e7\u00e3o e gest\u00e3o de pol\u00edticas educacionais. Darei aqui dois exemplos: efeito dos pares e \u201cefeito pigmale\u00e3o\u201d (ou das expectativas). <\/span><\/p><p class=\"MsoNormal\" style=\"margin-bottom: 10.0pt; text-align: justify; text-indent: 36.0pt; line-height: 150%;\"><span style=\"font-size: 12.0pt; line-height: 150%;\">O efeito dos pares sobre os resultados educacionais foi ressaltado no cl\u00e1ssico relat\u00f3rio Coleman, um estudo abrangente com escolas dos EUA, com alto impacto acad\u00eamico e pol\u00edtico nos anos 60 (Coleman, 1968). Sendo um achado reiterado desde ent\u00e3o, o \u201cefeito dos pares\u201d \u00e9 uma consequ\u00eancia do fato &#8211; um tanto \u00f3bvio &#8211; de que os resultados educacionais n\u00e3o s\u00e3o uma fun\u00e7\u00e3o un\u00edvoca, direta e estritamente cerebral da experi\u00eancia escolar dos estudantes; s\u00e3o antes efeito e express\u00e3o do conjunto das intera\u00e7\u00f5es dos alunos (com suas caracter\u00edsticas espec\u00edficas) com o conjunto dos atores, normas e insumos escolares. Neste \u00e2mbito, destaca-se a rela\u00e7\u00e3o com os colegas. H\u00e1 uma vasta produ\u00e7\u00e3o de pesquisas que mostram que o desempenho de um estudante \u00e9 significativamente influenciado pelo desempenho, pelos antecedentes educacionais, pela motiva\u00e7\u00e3o e pelo n\u00edvel socioecon\u00f4mico dos colegas. E mais, que o efeito dos pares \u00e9 mais acentuado para os alunos m\u00e9dios e vulner\u00e1veis, do ponto de vista acad\u00eamico e social, do que para os alunos mais bem posicionados. Ou seja, grosso modo, um aluno pobre ou com trajet\u00f3ria n\u00e3o t\u00e3o exitosa em educa\u00e7\u00e3o \u00e9 desproporcionalmente mais beneficiado pela intera\u00e7\u00e3o com colegas com melhor desempenho e condi\u00e7\u00f5es de estudo do que um estudante em condi\u00e7\u00f5es mais favor\u00e1veis seria \u201cprejudicado\u201d pelas intera\u00e7\u00f5es com colegas com mais dificuldades. <\/span><\/p><p class=\"MsoNormal\" style=\"margin-bottom: 10.0pt; text-align: justify; text-indent: 36.0pt; line-height: 150%;\"><span style=\"font-size: 12.0pt; line-height: 150%;\">O efeito dos pares &#8211; sejam eles social ou academicamente definidos &#8211; sobre os resultados educacionais tamb\u00e9m tem sido estudado na Am\u00e9rica Latina e no Brasil. Um trabalho muito influente ainda hoje, de Sommers, McEwan e Willms (2004), comparando o desempenho dos estudantes de 10 pa\u00edses latinoamericanos, mostra que, ap\u00f3s levar em conta os efeitos do n\u00edvel socioecon\u00f4mico dos estudantes e o efeito dos pares (sendo este \u00faltimos mais impactante no estudo em quest\u00e3o), as diferen\u00e7as de desempenho entre estudantes de escolas p\u00fablicas e privadas desaparecia nos 10 pa\u00edses. O mesmo foi observado no Brasil, no caso em S\u00e3o Paulo, a partir dos dados do ENEM de 2006: o trabalho de Barros (2012) identifica um relevante efeito dos pares (tanto do ponto de vista socioecon\u00f4mico quanto acad\u00eamico) sobre as notas do ENEM e, tamb\u00e9m neste estudo, ap\u00f3s levar em considera\u00e7\u00e3o o n\u00edvel socioecon\u00f4mico dos estudantes e o efeito dos pares, as diferen\u00e7as entre alunos de institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas e privadas era anulado.<\/span><\/p><p class=\"MsoNormal\" style=\"margin-bottom: 10.0pt; text-align: justify; text-indent: 36.0pt; line-height: 150%;\"><span style=\"font-size: 12.0pt; line-height: 150%;\">A implica\u00e7\u00e3o disto \u00e9 que a forma\u00e7\u00e3o de turmas homog\u00eaneas (academicamente ou socialmente) tende a ter efeitos muito limitados ou nulos sobre o desempenho m\u00e9dio dos estudantes, ao mesmo tempo que estratifica ainda mais as escolas e turmas, amplificando as desigualdades iniciais, com efeitos ainda piores para aqueles mais vulner\u00e1veis.<\/span><\/p><p class=\"MsoNormal\" style=\"margin-bottom: 10.0pt; text-align: justify; text-indent: 36.0pt; line-height: 150%;\"><span style=\"font-size: 12.0pt; line-height: 150%;\">O segundo mecanismo \u00e9 o que, tamb\u00e9m ainda nos anos 60, Rosenthal chamou de efeito pigmale\u00e3o ou profecia auto-cumprida. Em pesquisa realizada nos Estados Unidos, os autores mostraram que, ao informar professores sobre supostas altas habilidades (n\u00e3o verdadeiras) de alguns de seus estudantes (na verdade escolhidos aleatoriamente), o desempenho efetivo posterior destes estudantes aumentou, assim como aumentaram sua percep\u00e7\u00e3o de auto-efic\u00e1cia e a avalia\u00e7\u00e3o subjetiva dos professores sobre estes alunos (Rosenthal e Jacobson, 1968). Em suma, as expectativas dos professores sobre o car\u00e1ter e potencial de seus alunos t\u00eam efeitos independentes sobre os resultados dos estudantes e sobre sua motiva\u00e7\u00e3o. Note-se bem, n\u00e3o se trata de algum tipo de m\u00e1-f\u00e9 ou crueldade dos professores e geralmente sequer \u00e9 um processo consciente, mas um mecanismo de psicologia social que nos leva a ajustar atitudes e comportamentos em rela\u00e7\u00e3o aos outros \u00e0s expectativas sobre eles; de outro lado, nossa pr\u00f3pria auto-imagem e percep\u00e7\u00e3o sobre potencial \u00e9 fortemente influenciada pelas sinaliza\u00e7\u00f5es &#8211; expl\u00edcitas ou n\u00e3o, intencionais ou n\u00e3o &#8211; que autoridades e institui\u00e7\u00f5es do nosso cotidiano nos d\u00e3o. E \u00e9 bastante intuitivo que estes processos sejam mais impactantes quando estamos tratando de crian\u00e7as e adolescentes.<\/span><\/p><p class=\"MsoNormal\" style=\"margin-bottom: 10.0pt; text-align: justify; text-indent: 36.0pt; line-height: 150%;\"><span style=\"font-size: 12.0pt; line-height: 150%;\">V\u00e1rios trabalhos, tamb\u00e9m no Brasil, apontam no mesmo sentido. Por exemplo, Xavier e Oliveira (2020) analisaram como as atitudes docentes (rela\u00e7\u00e3o professor-aluno percebida e expectativas docentes sobre os estudantes) se relacionam com a profici\u00eancia em matem\u00e1tica no ensino fundamental, por meio de um estudo longitudinal em escolas de v\u00e1rias capitais brasileiras. Os resultados s\u00e3o muito consistentes com o argumento acima: as expectativas docentes possuem efeitos diretos sobre o desempenho do aluno e, de outro lado, a composi\u00e7\u00e3o das turmas influencia a forma\u00e7\u00e3o das expectativas docentes.<\/span><\/p><p class=\"MsoNormal\" style=\"margin-bottom: 10.0pt; text-align: justify; text-indent: 36.0pt; line-height: 150%;\"><span style=\"font-size: 12.0pt; line-height: 150%;\">Ora, quando se formam turmas homog\u00eaneas a partir da profici\u00eancia ou desempenho acad\u00eamico pr\u00e9vio, o sistema educacional estar\u00e1, de forma institucionalizada, conformando as expectativas, n\u00e3o apenas dos professores, mas de todos os atores escolares, em rela\u00e7\u00e3o aos resultados e potencialidades dos estudantes de cada tipo de turma. Este processo independe dos professores ou diretores utilizarem ou n\u00e3o termos estigmatizantes, porque o estigma j\u00e1 foi estabelecido ex-ante pelo pr\u00f3prio mecanismo de enturma\u00e7\u00e3o adotado. <\/span><\/p><p class=\"MsoNormal\" style=\"margin-bottom: 10.0pt; text-align: justify; text-indent: 36.0pt; line-height: 150%;\"><span style=\"font-size: 12.0pt; line-height: 150%;\">\u00c9 importante alertar tamb\u00e9m que frequentemente, em v\u00e1rias experi\u00eancias, a enturma\u00e7\u00e3o homog\u00eanea a partir de crit\u00e9rios acad\u00eamicos ou socioecon\u00f4micos &#8211; e, em contextos de intensa desigualdade como o brasileiro, as duas dimens\u00f5es geralmente andam juntas &#8211; vem acompanhadas de iniciativas de rebaixamento de conte\u00fado ou aligeiramento do curr\u00edculo. Ainda que eventualmente apresentadas como mera adapta\u00e7\u00e3o a diferentes perfis de turma, este tipo de processo acaba por comprometer o acesso, de fato, dos grupos mais vulner\u00e1veis a uma educa\u00e7\u00e3o de qualidade. Tamb\u00e9m comum \u00e9 que as institui\u00e7\u00f5es educacionais paulatinamente concentrem seus melhores esfor\u00e7os e recursos materiais e institucionais para aquelas turmas nas quais, muitas vezes inconscientemente, avaliem que produzir\u00e3o mais resultados, ou seja, naquelas em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s quais t\u00eam maiores expectativas. Ainda que isto n\u00e3o ocorra no caso espec\u00edfico (o governo de S\u00e3o Paulo tem reiterado esta negativa), os outros mecanismos mencionados conspiram para que a pol\u00edtica aprofunde as j\u00e1 graves desigualdades educacionais. <\/span><\/p><p class=\"MsoNormal\" style=\"margin-bottom: 10.0pt; text-align: justify; text-indent: 36.0pt; line-height: 150%;\"><span style=\"font-size: 12.0pt; line-height: 150%;\">N\u00e3o surpreendentemente, a combina\u00e7\u00e3o destes processos compromete a pr\u00f3pria motiva\u00e7\u00e3o dos estudantes para o estudo. Entre v\u00e1rios, pode-se citar o estudo do PISA (OECD, 2013), que mostra que quanto maior a porcentagem de estudantes em turmas agrupadas a partir do desempenho pr\u00e9vio, pior sua motiva\u00e7\u00e3o para o aprendizado de matem\u00e1tica, conforme mostra o <b>gr\u00e1fico 2<\/b>, abaixo. Embora n\u00e3o se possa fazer uma infer\u00eancia causal direta a partir da associa\u00e7\u00e3o, o gr\u00e1fico ilustra que esta \u00e9 uma estrat\u00e9gia que se insere em um modelo de gest\u00e3o educacional que mina o engajamento dos estudantes, o qual \u00e9 evidentemente central para o aprendizado.<\/span><\/p><p class=\"MsoNormal\" style=\"margin-bottom: 10.0pt; text-align: justify; line-height: 150%;\"><span style=\"font-size: 12.0pt; line-height: 150%;\">\u00a0<\/span><\/p><p class=\"MsoNormal\" style=\"margin-bottom: 10.0pt; text-align: justify; line-height: 150%;\"><b><span style=\"font-size: 12.0pt; line-height: 150%;\">Gr\u00e1fico 2.<\/span><\/b><span style=\"font-size: 12.0pt; line-height: 150%;\"> Rela\u00e7\u00e3o entre enturma\u00e7\u00e3o por desempenho e motiva\u00e7\u00e3o instrumental para a matem\u00e1tica.<\/span><\/p><p><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-4792 aligncenter\" src=\"https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/midia-2-1024x760.png\" alt=\"\" width=\"580\" height=\"430\" srcset=\"https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/midia-2-1024x760.png 1024w, https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/midia-2-300x223.png 300w, https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/midia-2-768x570.png 768w, https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/midia-2.png 1042w\" sizes=\"(max-width: 580px) 100vw, 580px\" \/><\/p><p class=\"MsoNormal\" style=\"margin-bottom: 10.0pt; text-align: justify; text-indent: 14.15pt; line-height: normal;\"><!--[endif]--><\/p><p class=\"MsoNormal\" style=\"margin-bottom: 10.0pt; text-align: center; text-indent: 14.15pt; line-height: normal;\" align=\"center\"><b><span style=\"font-size: 10.0pt;\">Fonte:<\/span><\/b><span style=\"font-size: 10.0pt;\"> dados do PISA. Elabora\u00e7\u00e3o Pr\u00f3pria<\/span><\/p><p class=\"MsoNormal\" style=\"margin-bottom: 10.0pt; text-align: center; text-indent: 14.15pt; line-height: normal;\" align=\"center\"><span style=\"font-size: 10.0pt;\">\u00a0<\/span><\/p><p class=\"MsoNormal\" style=\"margin-bottom: 10pt; text-align: justify; text-indent: 36pt; line-height: 150%; border-width: initial; border-style: none;\">N\u00e3o \u00e9 \u00e0 toa que muitos pa\u00edses v\u00eam abandonando a pr\u00e1tica de forma\u00e7\u00e3o de turmas homog\u00eaneas por desempenho. Segundo o \u00faltimo relat\u00f3rio do PISA (OECD, 2024), a porcentagem dos estudantes que estudam em escolas que adotam parcial ou integralmente a enturma\u00e7\u00e3o homog\u00eanea se reduziu significativamente e deixou de ser prevalente em v\u00e1rios dos pa\u00edses que mais a adotavam. No Brasil, esta pr\u00e1tica \u00e9, ao menos expl\u00edcita e declaradamente, minorit\u00e1ria (apesar de v\u00e1rios relatos de processo informais de enturma\u00e7\u00e3o desta forma): a enturma\u00e7\u00e3o por desempenho em todas as mat\u00e9rias \u00e9, no Brasil, de 7,5%, enquanto apenas para algumas mat\u00e9rias alcan\u00e7a 9,1%; a m\u00e9dia da OCDE para estas vari\u00e1veis \u00e9, respectivamente, 6,7% e 30,8%.<\/p><p class=\"MsoNormal\" style=\"margin-bottom: 10pt; text-align: justify; text-indent: 36pt; line-height: 150%; border-width: initial; border-style: none;\">Ainda assim, Alves e Soares (2007) analisaram os efeitos do agrupamento por habilidades sobre o aprendizado, a partir dos dados de sete escolas relativamente homog\u00eaneas do ponto de vista socioecon\u00f4mico. Os resultados mostram que, de forma geral, as diferen\u00e7as de aprendizagem entre as turmas aumentam quando elas s\u00e3o agrupadas por habilidade (o que tende a coincidir com o n\u00edvel socioecon\u00f4mico) e se reduz quando os crit\u00e9rios de composi\u00e7\u00e3o s\u00e3o mais neutros. E, de fato, \u00e9 tamb\u00e9m bastante consensual neste campo de pesquisa que, para quase todos os pa\u00edses, quanto menor a diversidade socioecon\u00f4mica na composi\u00e7\u00e3o de escolas e turmas, mais desiguais os resultados educacionais (medidos pela profici\u00eancia ou por outras dimens\u00f5es) tender\u00e3o a ser. O <b>gr\u00e1fico 3<\/b>, tamb\u00e9m produzido pela OCDE, deixa este ponto bem claro:<\/p><p class=\"MsoNormal\" style=\"margin-bottom: 10pt; text-align: center; line-height: normal; border-width: initial; border-style: none;\" align=\"center\"><b>Gr\u00e1fico 3.<\/b> Rela\u00e7\u00e3o entre segrega\u00e7\u00e3o escolar e equidade no desempenho em leitura \u2013 PISA 2015<\/p><p class=\"MsoNormal\" style=\"margin-bottom: 10pt; text-align: center; line-height: normal; border-width: initial; border-style: none;\" align=\"center\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-4796 aligncenter\" src=\"https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/midia-3-932x1024.png\" alt=\"\" width=\"522\" height=\"573\" srcset=\"https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/midia-3-932x1024.png 932w, https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/midia-3-273x300.png 273w, https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/midia-3-768x844.png 768w, https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/midia-3.png 1000w\" sizes=\"(max-width: 522px) 100vw, 522px\" \/><\/p><p class=\"MsoNormal\" style=\"margin-bottom: 10pt; text-align: center; text-indent: 14.15pt; line-height: normal; border-width: initial; border-style: none;\" align=\"center\"><!--[endif]--><\/p><p class=\"MsoNormal\" style=\"margin-bottom: 10pt; text-align: center; text-indent: 14.15pt; line-height: normal; border-width: initial; border-style: none;\" align=\"center\"><b>Fonte:<\/b> OECD, base de dados PISA 2015, tabela 5.4<\/p><p class=\"MsoNormal\" style=\"margin-bottom: 10pt; text-align: justify; text-indent: 36pt; line-height: 150%; border-width: initial; border-style: none;\"><span style=\"font-size: 12.0pt; line-height: 150%;\">Apesar de todo o ac\u00famulo de conhecimento a respeito dos efeitos limitados ou prejudiciais deste tipo de estratifica\u00e7\u00e3o horizontal no sistema educacional, ele segue na ciclicamente na agenda de alternativas e, inclusive, n\u00e3o \u00e9 raro contar com a simpatia de v\u00e1rios atores no sistema educacional e mesmo nas escolas. Isto n\u00e3o \u00e9 casual. Desde um ponto de vista da an\u00e1lise organizacional, a arquitetura da maioria dos sistemas educacionais ainda \u00e9 um legado de uma concep\u00e7\u00e3o fabril de organiza\u00e7\u00e3o: ao \u201cnatural\u201d, a tend\u00eancia ser\u00e1 sempre mais padroniza\u00e7\u00e3o, especializa\u00e7\u00e3o, fragmenta\u00e7\u00e3o das tarefas, e divis\u00e3o do trabalho, rotiniza\u00e7\u00e3o e etapas e metas definidas de forma mais r\u00edgida. O problema \u00e9 que este \u00e9 o paradigma de um tipo de escola que atendia a uma sociedade muito menos complexa e, principalmente, que n\u00e3o era voltada para garantir a todos o direito \u00e0 educa\u00e7\u00e3o, mas para selecionar e classificar; ou melhor, excluir e hierarquizar. Este n\u00e3o \u00e9, portanto, o modelo de uma educa\u00e7\u00e3o inclusiva, democr\u00e1tica e de uma sociedade plural e diversa.<\/span><\/p><p class=\"MsoNormal\" style=\"margin-bottom: 10pt; text-align: justify; text-indent: 36pt; line-height: 150%; border-width: initial; border-style: none;\"><span style=\"font-size: 12.0pt; line-height: 150%;\">Exce\u00e7\u00f5es acontecem, resultados inesperados n\u00e3o s\u00e3o desprez\u00edveis e, claro, n\u00e3o h\u00e1 lugar para M\u00e1rcia Sensitiva ou Cassandra na an\u00e1lise de pol\u00edticas p\u00fablicas. No entanto, a partir do conjunto da pesquisa e das evid\u00eancias dispon\u00edveis, o resultado mais prov\u00e1vel deste tipo de pol\u00edtica aponta para efeitos nulos ou muito modestos sobre a profici\u00eancia combinados ao agravamento das desigualdades educacionais. N\u00e3o h\u00e1 d\u00favida de que educa\u00e7\u00e3o precisa de inova\u00e7\u00e3o e experimenta\u00e7\u00e3o, mas o sentido delas deve ser sempre a de ampliar a inclus\u00e3o educacional, enquanto o processo decis\u00f3rio tem que ser resultante de um debate amplo e plural com a sociedade e a academia. De aventura e irresponsabilidade, j\u00e1 basta a impostura das escolas c\u00edvico-militares.<\/span><\/p><p class=\"MsoNormal\" style=\"margin-bottom: 10pt; text-align: justify; text-indent: 36pt; line-height: 150%; border-width: initial; border-style: none;\"><span style=\"font-size: 12.0pt; line-height: 150%;\">\u00a0<\/span><\/p><p class=\"MsoNormal\" style=\"margin-bottom: 10pt; text-align: justify; line-height: 150%; border-width: initial; border-style: none;\"><b>Refer\u00eancias bibliogr\u00e1ficas<\/b><\/p><p class=\"MsoNormal\" style=\"margin-bottom: 10pt; text-align: justify; line-height: 150%; border-width: initial; border-style: none;\"><b>ALVES, Maria Teresa Gonzaga; SOARES, Jos\u00e9 Francisco.<\/b> Efeito-escola e estratifica\u00e7\u00e3o escolar: o impacto da composi\u00e7\u00e3o de turmas por n\u00edvel de habilidade dos alunos. <i>Educa\u00e7\u00e3o em Revista<\/i>, Belo Horizonte, v. 45, p. 25\u201358, jun. 2007. DOI: <u><span style=\"color: #1155cc;\"><a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1590\/S0102-46982007000100003\"><span style=\"color: #1155cc;\">https:\/\/doi.org\/10.1590\/S0102-46982007000100003<\/span><\/a><\/span><\/u><\/p><p class=\"MsoNormal\" style=\"margin-bottom: 10.0pt; text-align: justify; line-height: 150%;\"><b><span style=\"background: white; mso-highlight: white;\">BARROS, Andr\u00e9 Lah\u00f3z Mendon\u00e7a de.<\/span><\/b><span style=\"background: white; mso-highlight: white;\"> Uma avalia\u00e7\u00e3o emp\u00edrica do peer effect na educa\u00e7\u00e3o brasileira: o caso do Exame Nacional do Ensino M\u00e9dio \/ Andr\u00e9 Lah\u00f3z Mendon\u00e7a de Barros; orientador: Na\u00e9rcio Aquino Menezes Filho \u2013 S\u00e3o Paulo: Insper, 2012.<\/span><\/p><p class=\"MsoNormal\"><b>BAS\u00cdLIO, Ana Luiza.<\/b> <i>Projeto experimental do governo Tarc\u00edsio e Feder vai separar alunos da escola p\u00fablica e prev\u00ea curr\u00edculo adaptado<\/i>. <b>CartaCapital<\/b>, 13 fev. 2026. Dispon\u00edvel em: <u><span style=\"color: #1155cc;\"><a href=\"https:\/\/www.cartacapital.com.br\/educacao\/projeto-experimental-do-governo-tarcisio-e-feder-vai-separar-alunos-da-escola-publica-e-preve-curriculo-adaptado\/?utm_source=chatgpt.com\"><span style=\"color: #1155cc;\">https:\/\/www.cartacapital.com.br\/educacao\/projeto-experimental-do-governo-tarcisio-e-feder-vai-separar-alunos-da-escola-publica-e-preve-curriculo-adaptado\/<\/span><\/a><\/span><\/u>. <span lang=\"EN-US\">Acesso em: 2 mar. 2026.<\/span><\/p><p class=\"MsoNormal\"><b><span lang=\"EN-US\">COLEMAN, James S.<\/span><\/b><span lang=\"EN-US\"> Equality of educational opportunity. <i>Equity &amp; Excellence in Education<\/i>, v. 6, n. 5, p. 19\u201328, 1968. DOI:<\/span> <u><span style=\"color: #1155cc;\"><a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1080\/0020486680060504\"><span lang=\"EN-US\" style=\"color: #1155cc; mso-ansi-language: EN-US;\">https:\/\/doi.org\/10.1080\/0020486680060504<\/span><\/a><\/span><\/u><\/p><p class=\"MsoNormal\" style=\"margin: 12.0pt 0cm 12.0pt 0cm;\"><b><span lang=\"EN-US\">LARGENT, Telma.<\/span><\/b><span lang=\"EN-US\"> A systematic review of the impact of ability grouping on achieving SDG4 in mathematics education. <i>Quality Education for All<\/i>, v. 2, n. 1, p. 441\u2013461, 2025. DOI:<\/span> <u><span style=\"color: #1155cc;\"><a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1108\/QEA-12-2024-0154\"><span lang=\"EN-US\" style=\"color: #1155cc; mso-ansi-language: EN-US;\">https:\/\/doi.org\/10.1108\/QEA-12-2024-0154<\/span><\/a><\/span><\/u><span lang=\"EN-US\">. Acesso em: 2 mar. 2026.<\/span><\/p><p class=\"MsoNormal\"><b><span lang=\"EN-US\">OECD \u2013 Organisation for Economic Co-operation and Development.<\/span><\/b><span lang=\"EN-US\"> <i>Balancing School Choice and Equity: An International Perspective Based on PISA<\/i>. Paris: OECD Publishing, 2019. DOI:<\/span> <u><span style=\"color: #1155cc;\"><a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1787\/2592c974-en\"><span lang=\"EN-US\" style=\"color: #1155cc; mso-ansi-language: EN-US;\">https:\/\/doi.org\/10.1787\/2592c974-en<\/span><\/a><\/span><\/u><\/p><p class=\"MsoNormal\"><b><span lang=\"EN-US\">OECD \u2013 Organisation for Economic Co-operation and Development.<\/span><\/b><span lang=\"EN-US\"> <i>PISA 2012 Results: What Makes Schools Successful (Volume IV)<\/i>. <\/span>Paris: OECD Publishing, 2013. Dispon\u00edvel em: <u><span style=\"color: #1155cc;\"><a href=\"https:\/\/www.oecd.org\/content\/dam\/oecd\/en\/publications\/reports\/2013\/12\/pisa-2012-results-what-makes-schools-successful-volume-iv_g1g2ef65\/9789264201156-en.pdf\"><span style=\"color: #1155cc;\">https:\/\/www.oecd.org\/content\/dam\/oecd\/en\/publications\/reports\/2013\/12\/pisa-2012-results-what-makes-schools-successful-volume-iv_g1g2ef65\/9789264201156-en.pdf<\/span><\/a><\/span><\/u>. <span lang=\"EN-US\">Acesso em: 2 mar. 2026.<\/span><\/p><p class=\"MsoNormal\"><b><span lang=\"EN-US\">OECD \u2013 Organisation for Economic Co-operation and Development.<\/span><\/b><span lang=\"EN-US\"> <i>PISA 2018 Results (Volume V): Effective Policies, Successful Schools<\/i>. <\/span>Paris: OECD Publishing, 2020. Dispon\u00edvel em: <u><span style=\"color: #1155cc;\"><a href=\"https:\/\/www.oecd.org\/en\/publications\/pisa-2018-results-volume-v_ca768d40-en\/\"><span style=\"color: #1155cc;\">https:\/\/www.oecd.org\/en\/publications\/pisa-2018-results-volume-v_ca768d40-en\/<\/span><\/a><\/span><\/u>. <span lang=\"EN-US\">Acesso em: 2 mar. 2026. DOI: 10.1787\/ca768d40-en.<\/span><\/p><p class=\"MsoNormal\"><b><span lang=\"EN-US\">OECD \u2013 Organisation for Economic Co-operation and Development.<\/span><\/b><span lang=\"EN-US\"> <i>PISA 2022 Results (Volume II): Learning During \u2013 and From \u2013 Disruption<\/i>. Paris: OECD Publishing, 2023. DOI:<\/span> <u><span style=\"color: #1155cc;\"><a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1787\/a97db61c-en\"><span lang=\"EN-US\" style=\"color: #1155cc; mso-ansi-language: EN-US;\">https:\/\/doi.org\/10.1787\/a97db61c-en<\/span><\/a><\/span><\/u><span lang=\"EN-US\">. (<\/span><u><span style=\"color: #1155cc;\"><a href=\"https:\/\/www.oecd.org\/en\/publications\/pisa-2022-results-volume-ii_a97db61c-en\/\"><span lang=\"EN-US\" style=\"color: #1155cc; mso-ansi-language: EN-US;\">oecd.org<\/span><\/a>)<\/span><\/u><\/p><p class=\"MsoNormal\"><b><span lang=\"EN-US\">OECD \u2013 Organisation for Economic Co-operation and Development.<\/span><\/b><span lang=\"EN-US\"> <i>PISA 2022 Results (Volume II): Learning During \u2013 and From \u2013 Disruption<\/i>. <\/span>Paris: OECD Publishing, 2023. DOI: <u><span style=\"color: #1155cc;\"><a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1787\/a97db61c-en\"><span style=\"color: #1155cc;\">https:\/\/doi.org\/10.1787\/a97db61c-en<\/span><\/a><\/span><\/u>. Dispon\u00edvel em: <u><span style=\"color: #1155cc;\"><a href=\"https:\/\/www.oecd.org\/en\/publications\/pisa-2022-results-volume-ii_a97db61c-en\/\"><span style=\"color: #1155cc;\">https:\/\/www.oecd.org\/en\/publications\/pisa-2022-results-volume-ii_a97db61c-en\/<\/span><\/a><\/span><\/u>. <span lang=\"EN-US\">Acesso em: 2 mar. 2026.<\/span><\/p><p class=\"MsoNormal\"><b><span lang=\"EN-US\">ROSENTHAL, Robert; JACOBSON, Lenore.<\/span><\/b><span lang=\"EN-US\"> Pygmalion in the classroom. <i>Urban Review<\/i>, v. 3, p. 16\u201320, set. 1968. DOI:<\/span> <u><span style=\"color: #1155cc;\"><a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1007\/BF02322211\"><span lang=\"EN-US\" style=\"color: #1155cc; mso-ansi-language: EN-US;\">https:\/\/doi.org\/10.1007\/BF02322211<\/span><\/a><\/span><\/u><\/p><p class=\"MsoNormal\"><b style=\"font-size: 14px;\"><span lang=\"EN-US\">SOMERS, Marie-Andr\u00e9e; MCEWAN, Patrick; WILLMS, Douglas<\/span><\/b><span lang=\"EN-US\" style=\"font-size: 14px;\">. How effective are private schools in Latin America? <\/span><i style=\"font-size: 14px;\">Comparative Education Review<\/i><span style=\"font-size: 14px;\">, Chicago, v. 48, n. 1, p. 48\u201369, fev. 2004.<\/span><\/p><p style=\"margin-bottom: 10.0pt; text-align: justify; text-indent: 36.0pt; line-height: 150%;\">\u00a0<\/p>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Reda\u00e7\u00e3o: Bruno Lazzarotti Diniz Costa Formata\u00e7\u00e3o e Publica\u00e7\u00e3o: Miguel Coelho de Lacerda \u00a0 No in\u00edcio de fevereiro, o governo de S\u00e3o Paulo anunciou que vai iniciar um \u201cexperimento\u201d na rede estadual de ensino, que consiste em agrupar as cobaias, no caso, os estudantes de uma amostra de escolas, por n\u00edvel de habilidades, constituindo as turmas 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