{"id":4882,"date":"2026-04-23T18:54:25","date_gmt":"2026-04-23T18:54:25","guid":{"rendered":"https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/?p=4882"},"modified":"2026-04-23T18:57:33","modified_gmt":"2026-04-23T18:57:33","slug":"o-fim-esta-proximo-a-escala-6x1-em-xeque-na-politica-brasileira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/?p=4882","title":{"rendered":"O fim est\u00e1 pr\u00f3ximo: a escala 6&#215;1 em xeque na pol\u00edtica brasileira"},"content":{"rendered":"<h1 style=\"text-align: center;\"><b>O fim est\u00e1 pr\u00f3ximo: a escala 6&#215;1 em xeque na pol\u00edtica brasileira<\/b><\/h1>\n<p style=\"padding-left: 40px;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Autoria: Ana Laura Crescencio, Clarisse Silva e Rafaela Bovareto<\/span><\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Supervis\u00e3o, orienta\u00e7\u00e3o e corre\u00e7\u00e3o: Bruno Lazzarotti<\/span><\/p>\n<blockquote><p>&#8220;Temos que entender que tempo n\u00e3o \u00e9 dinheiro. Essa \u00e9 uma brutalidade que o capitalismo faz como se o capitalismo fosse o senhor do tempo. Tempo n\u00e3o \u00e9 dinheiro. Tempo \u00e9 o tecido da nossa vida.&#8221;<\/p>\n<p>Antonio Candido<\/p><\/blockquote>\n<p style=\"padding-left: 40px;\"><span style=\"font-weight: 500;\">\u00a0 \u00a0O debate pelo fim da escala 6&#215;1 \u2013 a jornada de seis dias de trabalho para um dia de descanso \u2013 est\u00e1 efervescente na pol\u00edtica brasileira. Pensando nisso, nesse artigo, o Observat\u00f3rio das Desigualdades busca responder \u00e0s seguintes perguntas: quem comp\u00f5e a escala 6&#215;1? Quais grupos sofrem, exacerbadamente, os efeitos dessa \u00e1rdua jornada de trabalho? Quais s\u00e3o os impactos na sa\u00fade e na vida do trabalhador?\u00a0 <\/span><span style=\"font-weight: 500;\">Para responder tais questionamentos \u2013 ou, pelo menos, tentar \u2013 leia a an\u00e1lise abaixo.<\/span><\/p>\n<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-4883 aligncenter\" src=\"https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/6x1-nao-e-progresso.png\" alt=\"\" width=\"512\" height=\"341\" srcset=\"https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/6x1-nao-e-progresso.png 512w, https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/6x1-nao-e-progresso-300x200.png 300w\" sizes=\"(max-width: 512px) 100vw, 512px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><span style=\"font-weight: 500;\">Foto: T\u00e2nia R\u00eago\/Ag\u00eancia Brasil\/Divulga\u00e7\u00e3o\/ND<\/span><\/p>\n<h2 style=\"padding-left: 40px;\"><b>Momento de ruptura: O \u201cDia D\u201d na pol\u00edtica brasileira<\/b><\/h2>\n<p style=\"padding-left: 40px;\"><span style=\"font-weight: 500;\">\u00a0 \u00a0No dia 14 de Abril de 2026, <\/span><span style=\"font-weight: 500;\">o Governo Federal enviou ao Congresso Nacional um Projeto de Lei (PL) com urg\u00eancia constitucional que visa extinguir definitivamente a escala 6&#215;1, o regime em que o funcion\u00e1rio trabalha seis dias consecutivos para apenas um de descanso. A proposta altera a Consolida\u00e7\u00e3o das Leis do Trabalho (CLT) para reduzir a jornada semanal de 44 para 40 horas, sem qualquer redu\u00e7\u00e3o salarial, consolidando o modelo de cinco dias de trabalho por dois de descanso (5&#215;2), e apresenta um avan\u00e7o hist\u00f3rico na pol\u00edtica laboral brasileira.<\/span><\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px;\"><span style=\"font-weight: 500;\">\u00a0 A iniciativa foi impulsionada pelo movimento Vida Al\u00e9m do Trabalho (VAT), que possui como lideran\u00e7a Rick Azevedo, vereador do PSOL no Rio de Janeiro,\u00a0 ex-balconista de farm\u00e1cia, que viralizou nas redes sociais desabafando sobre sua rotina de trabalho, com s\u00f3 um dia de folga por semana. A pauta \u2013 que inclui dom\u00e9sticos, comerci\u00e1rios, atletas, aeronautas, radialistas e outras categorias abrangidas pela CLT e leis especiais \u2013 conta hoje com o apoio de 72% da popula\u00e7\u00e3o brasileira, apesar de ainda possuir apenas 42% de deputados favor\u00e1veis, segundo a BBC (ver gr\u00e1ficos 1 e 2).<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><b>Gr\u00e1fico 1:<\/b><span style=\"font-weight: 500;\"> Porcentagem populacional favor\u00e1vel e n\u00e3o favor\u00e1vel ao fim da escala 6&#215;1<\/span><\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-4884 aligncenter\" src=\"https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/GRF-1.png\" alt=\"\" width=\"423\" height=\"316\" srcset=\"https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/GRF-1.png 423w, https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/GRF-1-300x224.png 300w\" sizes=\"(max-width: 423px) 100vw, 423px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><b>Fonte: <\/b><span style=\"font-weight: 500;\">Elabora\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria com base em dados da BBC (Abril, 2026)<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><b>Gr\u00e1fico 2: <\/b><span style=\"font-weight: 500;\">Porcentagem de deputados favor\u00e1veis, n\u00e3o favor\u00e1veis e que n\u00e3o opinaram acerca do fim da escala 6&#215;1<\/span><\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-4885 aligncenter\" src=\"https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/GRF-2.png\" alt=\"\" width=\"512\" height=\"319\" srcset=\"https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/GRF-2.png 512w, https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/GRF-2-300x187.png 300w\" sizes=\"(max-width: 512px) 100vw, 512px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><b>Fonte:<\/b> <b>\u00a0<\/b><span style=\"font-weight: 500;\">Elabora\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria com base em dados da BBC (Abril, 2026)<\/span><\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px;\"><span style=\"font-weight: 500;\">\u00a0 No entanto, o caminho legislativo para o fim da jornada ainda \u00e9 complexo. Enquanto o Executivo aposta na rapidez do Projeto de Lei, a C\u00e2mara dos Deputados prioriza a tramita\u00e7\u00e3o de uma Proposta de Emenda \u00e0 Constitui\u00e7\u00e3o (PEC), com vota\u00e7\u00e3o prevista para o dia 22 de Abril. Essa proposta afetaria pelo menos 14 milh\u00f5es de trabalhadores brasileiros, que trabalham no regime 6&#215;1, assim como 37 milh\u00f5es de brasileiros, que possuem jornada laboral maior que 40 horas semanais, segundo O Globo. Essa \u00e1rdua escala de trabalho, por\u00e9m, n\u00e3o afeta esses trabalhadores de forma uniforme: seus efeitos pesam com base em diferen\u00e7as raciais, disparidade de g\u00eanero e n\u00edvel de escolaridade.<\/span><\/p>\n<h2 style=\"padding-left: 40px;\"><b>A disputa pol\u00edtica pelo fim da escala 6&#215;1<\/b><\/h2>\n<p style=\"padding-left: 40px;\"><span style=\"font-weight: 500;\">O cen\u00e1rio pol\u00edtico no momento atual \u00e9 marcado por uma intensa disputa de protagonismo entre o Pal\u00e1cio do Planalto e a c\u00fapula da C\u00e2mara dos Deputados, segundo a CNN: \u201ca aposta \u00e9 pelo avan\u00e7o por meio da PEC, mantendo o PL como uma esp\u00e9cie de margem de seguran\u00e7a em caso de alguma dificuldade na articula\u00e7\u00e3o da emenda\u201d. Assim, enquanto o governo Lula aposta em um Projeto de Lei (PL) com urg\u00eancia constitucional \u2014 que obriga a vota\u00e7\u00e3o em at\u00e9 45 dias sob risco de trancamento da pauta \u2014, o presidente da C\u00e2mara, Hugo Motta, prioriza o andamento de uma Proposta de Emenda \u00e0 Constitui\u00e7\u00e3o (PEC). Essa diverg\u00eancia ocorre porque, se aprovado no formato de um Projeto de Lei, o presidente da rep\u00fablica pode vetar trechos aprovados pelo Congresso que n\u00e3o estejam alinhados com o governo, enquanto, no caso da PEC, o projeto, quando aprovado, \u00e9 <\/span><span style=\"font-weight: 500;\">promulgado pelo Congresso e passa a valer sem necessidade de san\u00e7\u00e3o presidencial (O Globo).<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><b>Imagem 3:<\/b><span style=\"font-weight: 500;\"> Diferen\u00e7a entre as propostas da PEC e do PL para a redu\u00e7\u00e3o da jornada de trabalho<\/span><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-4886 aligncenter\" src=\"https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/img3.png\" alt=\"\" width=\"512\" height=\"288\" srcset=\"https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/img3.png 512w, https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/img3-300x169.png 300w\" sizes=\"(max-width: 512px) 100vw, 512px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><b>Fonte<\/b><span style=\"font-weight: 500;\">: elabora\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria com base na mat\u00e9ria da CNN Brasil (Abril, 2026)<\/span><\/p>\n<h2 style=\"padding-left: 40px;\"><b>Quem sustenta a 6&#215;1? O rosto da desigualdade<\/b><\/h2>\n<p style=\"padding-left: 40px;\"><span style=\"font-weight: 500;\">\u00a0 A escala 6&#215;1 n\u00e3o \u00e9 uma realidade distribu\u00edda de forma igualit\u00e1ria entre os brasileiros. Ela tem um endere\u00e7o social muito preciso. Dados do Ipea revelam que cerca de 74% dos v\u00ednculos celetistas no Brasil ainda est\u00e3o submetidos \u00e0 jornada de 44 horas semanais, o que significa que a maioria dos trabalhadores com carteira assinada nunca conheceu outra realidade (Pateo, Melo e C\u00edriaco, 2026).<\/span><\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px;\"><span style=\"font-weight: 500;\">\u00a0 Mas quem, afinal, comp\u00f5e esse contingente?<\/span><\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px;\"><span style=\"font-weight: 500;\">\u00a0 O recorte racial \u00e9 contundente. Nessa \u00f3tica, segundo Teixeira<\/span><i><span style=\"font-weight: 500;\"> et al.<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 500;\"> (2025 <\/span><i><span style=\"font-weight: 500;\">apud<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 500;\"> Moraes, 2026) o fim da escala 6&#215;1 beneficiaria diretamente cerca de 5 milh\u00f5es de pessoas negras, que representam 56% dos trabalhadores formais em jornadas longas. Lutar contra a escala 6&#215;1, portanto, \u00e9 lutar, tamb\u00e9m, contra uma estrutura que historicamente concentra os postos mais desgastantes e menos remunerados nas m\u00e3os da popula\u00e7\u00e3o negra, visto que a heran\u00e7a do trabalho precarizado n\u00e3o \u00e9 acidente, \u00e9 estrutura (Moraes, 2026).<\/span><\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px;\"><span style=\"font-weight: 500;\">\u00a0 Ademais, a escolaridade aprofunda essa divis\u00e3o. Como mostrado no Gr\u00e1fico 3, entre os trabalhadores com ensino m\u00e9dio completo ou menos, cerca de 83% cumprem jornadas superiores a 40 horas semanais. J\u00e1 entre os que possuem diploma de n\u00edvel superior, essa propor\u00e7\u00e3o cai para, aproximadamente, 53%\u00a0 (Pateo, Melo e C\u00edriaco, 2026), porcentagem ainda alta, mas significativamente menor.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><b>Gr\u00e1fico 3:<\/b><span style=\"font-weight: 500;\"> Incid\u00eancia do tipo de dura\u00e7\u00e3o da jornada de trabalho contratual por n\u00edvel de escolaridade (2023)\u00a0<\/span><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-4887 aligncenter\" src=\"https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/grf-3.png\" alt=\"\" width=\"665\" height=\"374\" srcset=\"https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/grf-3.png 512w, https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/grf-3-300x169.png 300w\" sizes=\"(max-width: 665px) 100vw, 665px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><b>Fonte:<\/b><span style=\"font-weight: 500;\"> Pateo, Melo e C\u00edriaco (2026), com dados do RAIS\/MTE\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px;\"><span style=\"font-weight: 500;\">\u00a0 O acesso \u00e0 educa\u00e7\u00e3o, portanto, funciona como um dos poucos passaportes para jornadas mais curtas, o que torna o ciclo ainda mais perverso, j\u00e1 que quem mais precisa de tempo para estudar \u00e9 exatamente quem menos tem (Assun\u00e7\u00e3o e Resende, 2026).<\/span><\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px;\"><span style=\"font-weight: 500;\">\u00a0 E a remunera\u00e7\u00e3o espelha essa l\u00f3gica. O trabalhador da 6&#215;1 ganha, em m\u00e9dia, apenas 42,3% do sal\u00e1rio de um trabalhador em jornada de 40 horas semanais (Pateo, Melo e C\u00edriaco, 2026). Ou seja: trabalha mais, descansa menos e ainda leva para casa menos da metade. Portanto, a escala 6&#215;1 \u00e9 uma quest\u00e3o desigual e transversal, que depende de fatores como ra\u00e7a e escolaridade.<\/span><\/p>\n<h2 style=\"padding-left: 40px;\"><b>A escala 7&#215;0: o peso invis\u00edvel sobre as mulheres<\/b><\/h2>\n<p style=\"padding-left: 40px;\"><span style=\"font-weight: 500;\">\u00a0 Entretanto, os citados n\u00e3o s\u00e3o os \u00fanicos recortes que escancaram as condi\u00e7\u00f5es discrepantes, visto que, se para o trabalhador m\u00e9dio a escala \u00e9 6&#215;1, para as mulheres ela \u00e9, na pr\u00e1tica, 7&#215;0.<\/span><\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px;\"><span style=\"font-weight: 500;\">\u00a0 O trabalho de cuidado \u00e9 o n\u00facleo dessa desigualdade. As mulheres dedicam, em m\u00e9dia, 21,3 horas semanais a afazeres dom\u00e9sticos e cuidado de pessoas, mais que o dobro das 8,8 horas registradas entre os homens (Hennington, 2025; Moreira e Moser, 2019). Cozinhar, limpar, cuidar de filhos, idosos e doentes: tarefas que sustentam a reprodu\u00e7\u00e3o da vida social, mas que n\u00e3o aparecem em nenhuma estat\u00edstica oficial de emprego.<\/span><\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px;\"><span style=\"font-weight: 500;\">\u00a0 Uma pesquisa do Centro de Pesquisa em Macroeconomia das Desigualdades (Made\/FEA-USP) mostra que, enquanto os homens somam 50,3 horas de trabalho por semana, as mulheres, mesmo quando a jornada remunerada \u00e9 igual ou menor \u00e0 dos homens, acumulam 58,1 horas de trabalho semanais, se considerado o tempo dedicado ao cuidado dom\u00e9stico e familiar (Saliba <\/span><i><span style=\"font-weight: 500;\">et al.,<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 500;\"> 2026). A diferen\u00e7a de quase 8 horas semanais representa um turno inteiro a mais, invis\u00edvel, n\u00e3o remunerado e socialmente naturalizado.<\/span><\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px;\"><span style=\"font-weight: 500;\">\u00a0 Essa dupla jornada tem um custo que vai al\u00e9m do cansa\u00e7o: ela bloqueia o acesso \u00e0 qualifica\u00e7\u00e3o profissional. Uma mulher que sai do trabalho formal para assumir o cuidado da casa e da fam\u00edlia simplesmente n\u00e3o tem tempo, nem energia para estudar, fazer cursos ou buscar promo\u00e7\u00f5es. O resultado \u00e9 previs\u00edvel: menor renda, menor mobilidade social, maior vulnerabilidade econ\u00f4mica. A jornada exaustiva, portanto, \u00e9 uma das principais barreiras que perpetuam o ciclo de baixa renda entre as mulheres brasileiras (Assun\u00e7\u00e3o e Resende 2026; ABED, 2025).<\/span><\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px;\"><span style=\"font-weight: 500;\">\u00a0 Portanto, reduzir a jornada de trabalho remunerado, sem que isso venha acompanhado de pol\u00edticas p\u00fablicas de cuidado pode, simplesmente, transferir horas do trabalho para a parcela que exerce atividades dom\u00e9sticas, especialmente para as mulheres mais pobres. \u00c9 por isso que o debate sobre o fim da 6&#215;1 precisa, necessariamente, ser articulado com a Pol\u00edtica Nacional de Cuidados (Lei 15.069\/2024): para que o tempo livre seja, de fato, tempo livre, e n\u00e3o apenas mais horas de trabalho sem sal\u00e1rio.<\/span><\/p>\n<h2 style=\"padding-left: 40px;\"><b>O custo humano: impactos na sa\u00fade do trabalhador\u00a0<\/b><\/h2>\n<p style=\"padding-left: 40px;\"><span style=\"font-weight: 500;\">\u00a0 A luta contra a escala 6&#215;1 \u00e9 tamb\u00e9m uma luta a favor da sa\u00fade do trabalhador brasileiro, e o excesso de trabalho e a falta de tempo livre est\u00e3o diretamente ligadas ao adoecimento f\u00edsico e mental dos indiv\u00edduos. O ideal de produtividade infinita cai por terra quando os trabalhadores se desgastam em n\u00edveis radicais.\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px;\"><span style=\"font-weight: 500;\">\u00a0 Como exposto por Barbosa, Barboza, Pivetta, Xavier, Ebert e Petean (2026) em artigo sobre o tema, a sobrecarga persistente e a limita\u00e7\u00e3o do tempo de descanso transformam tens\u00f5es ocasionais do dia a dia em problemas patol\u00f3gicos. Um exemplo disso \u00e9 o burnout, dist\u00farbio emocional caracterizado por sintomas extremos de exaust\u00e3o f\u00edsica e mental que s\u00f3 tem acontecido cada vez mais no Brasil. A redu\u00e7\u00e3o da jornada de trabalho \u00e9 portanto, al\u00e9m de tudo, uma pol\u00edtica p\u00fablica de sa\u00fade.\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><b>Gr\u00e1fico 4:<\/b><span style=\"font-weight: 400;\"> Porcentagem dos brasileiros que sofrem de estresse \/ Izabela Piazza. <\/span><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-4888 aligncenter\" src=\"https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/grf4.png\" alt=\"\" width=\"512\" height=\"315\" srcset=\"https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/grf4.png 512w, https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/grf4-300x185.png 300w\" sizes=\"(max-width: 512px) 100vw, 512px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><b>Fonte:<\/b><span style=\"font-weight: 400;\"> International Stress Management Association no Brasil \u2014 ISMA-BR\/Divulga\u00e7\u00e3o Unibrad<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px;\"><span style=\"font-weight: 500;\">\u00a0 Outro fator pertinente \u00e9 que das 20 ocupa\u00e7\u00f5es com mais acidentes de trabalho no pa\u00eds, 12 est\u00e3o entre as de maior carga hor\u00e1ria, de acordo com levantamento feito pela Rep\u00f3rter Brasil.. \u201cH\u00e1 uma rela\u00e7\u00e3o direta entre excesso de jornada e acidentes de trabalho\u201d, afirma a ju\u00edza Luciana Conforti, presidente da Anamatra (Associa\u00e7\u00e3o Nacional dos Magistrados da Justi\u00e7a do Trabalho) em entrevista\u00a0<\/span><span style=\"font-weight: 500;\">\u201ca jornada tem que ter um limite semanal, e tamb\u00e9m o descanso semanal remunerado, inclusive as f\u00e9rias, justamente porque as pessoas t\u00eam que ter seu per\u00edodo de descanso, para que se recomponham e n\u00e3o cheguem \u00e0 exaust\u00e3o\u201d, complementa.<\/span><\/p>\n<h2 style=\"padding-left: 40px;\"><b>Consequ\u00eancias e vias para a redu\u00e7\u00e3o da jornada<\/b><\/h2>\n<p style=\"padding-left: 40px;\"><span style=\"font-weight: 500;\">\u00a0 Em retrospecto \u00e0 discuss\u00e3o sobre a jornada invis\u00edvel das mulheres no Brasil, a implementa\u00e7\u00e3o da redu\u00e7\u00e3o de jornada deve vir acompanhada da Pol\u00edtica Nacional de Cuidados (Lei 15.069\/2024) a fim de evitar a amplia\u00e7\u00e3o dessa desigualdade e para que o tempo de descanso das mulheres seja usado de fato para descansar, e n\u00e3o trabalhar em casa.\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px;\"><span style=\"font-weight: 500;\">\u00a0 Com a dissemina\u00e7\u00e3o cada vez maior do debate do fim da escala 6&#215;1, cresce tamb\u00e9m uma preocupa\u00e7\u00e3o geral do efeito disso na economia do pa\u00eds. No entanto, diferente do que se pensa, o impacto direto do custo operacional total em grandes setores seria inferior a 1%\u00a0 (Ipea, 2026).\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px;\"><span style=\"font-weight: 500;\">\u00a0 \u201cO projeto aproxima o Brasil de um movimento j\u00e1 em curso em diversos pa\u00edses. O Chile aprovou a redu\u00e7\u00e3o gradual da jornada de 45 para 40 horas semanais at\u00e9 2029, enquanto a Col\u00f4mbia est\u00e1 em transi\u00e7\u00e3o de 48 para 42 horas at\u00e9 2026. Na Europa, a jornada de 40 horas ou menos j\u00e1 \u00e9 predominante: a Fran\u00e7a adota 35 horas semanais desde os anos 2000, e pa\u00edses como Alemanha e Holanda operam, na pr\u00e1tica, com m\u00e9dias inferiores a 40 horas\u201d\u00a0 Secretaria de Comunica\u00e7\u00e3o Social, 2026.<\/span><\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px;\"><span style=\"font-weight: 500;\">\u00a0 Por fim, o fim da escala 6&#215;1 traria diversas b\u00e9n\u00e9fices sociais, mas tamb\u00e9m favoreceria a economia do pa\u00eds:<\/span><\/p>\n<ul>\n<li style=\"font-weight: 500;\" aria-level=\"1\"><span style=\"font-weight: 500;\">Diminui\u00e7\u00e3o do \u00edndice de desemprego \u2013 est\u00edmulo \u00e0 contrata\u00e7\u00e3o e novos postos de trabalho<\/span><\/li>\n<li style=\"font-weight: 500;\" aria-level=\"1\"><span style=\"font-weight: 500;\">Aumento da produtividade dos trabalhadores e melhor organiza\u00e7\u00e3o do trabalho<\/span><\/li>\n<li style=\"font-weight: 500;\" aria-level=\"1\"><span style=\"font-weight: 500;\">Al\u00edvio na rotina do trabalhador e maior tempo de lazer e com a fam\u00edlia<\/span><\/li>\n<li style=\"font-weight: 500;\" aria-level=\"1\"><span style=\"font-weight: 500;\">Amplia\u00e7\u00e3o da qualidade de vida &#8211; tempo maior para estudo e descanso efetivo e, consequentemente, maior possibilidade de ascens\u00e3o socioecon\u00f4mica<\/span><\/li>\n<\/ul>\n<h2 style=\"padding-left: 40px;\"><b>Refer\u00eancias:\u00a0<\/b><\/h2>\n<p style=\"padding-left: 40px;\"><span style=\"font-weight: 500;\">ASSOCIA\u00c7\u00c3O BRASILEIRA DE ECONOMISTAS PELA DEMOCRACIA (ABED). Mulher e o Trabalho: A Dupla Jornada Feminina. Bras\u00edlia: ABED, 8 mar. 2025. Dispon\u00edvel em: https:\/\/economistaspelademocracia.org.br. Acesso em: 14 abr. 2026<\/span><\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px;\"><span style=\"font-weight: 500;\">ASSUN\u00c7\u00c3O, Any \u00c1vila; RESENDE, Rafael \u00c1vila Borges de. Dossi\u00ea fim da escala 6&#215;1: Tempo para aprender, tempo para viver: A redu\u00e7\u00e3o da jornada de trabalho como condi\u00e7\u00e3o para o direito \u00e0 qualifica\u00e7\u00e3o profissional no Brasil. S\u00e3o Leopoldo: Instituto Humanitas Unisinos &#8211; IHU, 28 fev. 2026. Dispon\u00edvel em: https:\/\/www.ihu.unisinos.br\/categorias\/662340-dossie-fim-da-escala-6&#215;1-tempo-para-aprender-tempo-para-viver-a-reducao-da-jornada-de-trabalho-como-condicao-para-o-direito-a-qualificacao-profissional-no-brasil. Acesso em: 10 abr. 2026.<\/span><\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px;\"><span style=\"font-weight: 500;\">BBC News Brasil: DINIZ, Iara. O que prev\u00ea projeto para fim da escala 6&#215;1 que governo Lula mandou para o Congresso. BBC News Brasil, S\u00e3o Paulo, 14 abr. 2026. Dispon\u00edvel em: https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/articles\/c4gz0e4v3vzo. Acesso em: 17 abr. 2026.<\/span><\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px;\"><span style=\"font-weight: 500;\">CNN Brasil: OLIVEIRA, Clarissa. C\u00e2mara e governo esperam acordo r\u00e1pido sobre fim da escala 6&#215;1. CNN Brasil, [S. l.], 17 abr. 2026. Dispon\u00edvel em: https:\/\/www.cnnbrasil.com.br\/blogs\/clarissa-oliveira\/politica\/camara-e-governo-esperam-acordo-rapido-sobre-fim-da-escala-6&#215;1\/. Acesso em: 17 abr. 2026.<\/span><\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px;\"><span style=\"font-weight: 500;\">HENNINGTON, \u00c9lida Azevedo. O trabalho de cuidados na agenda da sa\u00fade: invisibilidade, sobrecarga e desgaste de mulheres trabalhadoras. Sa\u00fade em Debate, Rio de Janeiro, v. 49, n. especial 2, e10430, ago. 2025<\/span><\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px;\"><span style=\"font-weight: 500;\">LESSA, Bruna. Fim da escala 6&#215;1: Hugo Motta e ministro de Lula discutem sobreposi\u00e7\u00e3o de propostas nesta sexta. Extra, Bras\u00edlia, 17 abr. 2026. Economia. Dispon\u00edvel em: https:\/\/extra.globo.com\/economia\/noticia\/2026\/04\/fim-da-escala-6&#215;1-hugo-motta-e-ministro-de-lula-discutem-sobreposicao-de-propostas-nesta-sexta.ghtml. Acesso em: 17 abr. 2026<\/span><\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px;\"><span style=\"font-weight: 500;\">MORAES, Ta\u00eds Dias de. Dossi\u00ea Fim da escala 6&#215;1: por que lutar contra a escala 6&#215;1 \u00e9 lutar contra a desigualdade racial? S\u00e3o Leopoldo: Instituto Humanitas Unisinos &#8211; IHU, 10 mar. 2026. Dispon\u00edvel em: <\/span><a href=\"https:\/\/www.ihu.unisinos.br\/categorias\/660336-dossie-fim-da-escala-6x1-por-que-lutar-contra-a-escala-6x1-e-lutar-contra-a-desigualdade-racial\"><span style=\"font-weight: 500;\">https:\/\/www.ihu.unisinos.br\/categorias\/660336-dossie-fim-da-escala-6&#215;1-por-que-lutar-contra-a-escala-6&#215;1-e-lutar-contra-a-desigualdade-racial<\/span><\/a><\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px;\"><span style=\"font-weight: 500;\">MOREIRA, Tassiane Antunes; MOSER, Liliane. Fam\u00edlia, trabalho do cuidado e uso do tempo: desafios para mulheres de baixa renda. O Social em Quest\u00e3o, Rio de Janeiro, n. 43, p. 67-94, jan.\/abr. 2019<\/span><\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px;\"><span style=\"font-weight: 500;\">PATEO, Felipe Vella; MELO, Joana Sim\u00f5es de; C\u00cdRIACO, Juliane da Silva. Mudan\u00e7as na Jornada e na Escala de Trabalho: Elementos Emp\u00edricos para o Debate. Bras\u00edlia: Instituto de Pesquisa Econ\u00f4mica Aplicada (Ipea), 2026. (Nota T\u00e9cnica, n. 123)<\/span><\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px;\"><span style=\"font-weight: 500;\">SALIBA, C.; NASSIF, L; NUNES, D.; PAULINO, L. A. Escala 7&#215;0: a jornada que n\u00e3o acaba para as mulheres brasileiras. S\u00e3o Paulo: Centro de Pesquisa em Macroeconomia das Desigualdades (Made\/FEAUSP), 2026. (Nota de Pol\u00edtica Econ\u00f4mica, n. 85)<\/span><\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px;\"><span style=\"font-weight: 500;\">TEIXEIRA, Marilane Oliveira; SALIBA, Clara Mendon\u00e7a; OLIVEIRA, Caroline Lima de; ALSISI, L\u00edlia Bombo. Considera\u00e7\u00f5es sobre a redu\u00e7\u00e3o da jornada de trabalho: cria\u00e7\u00e3o de postos de trabalho e aumento da produtividade dos trabalhadores e das trabalhadoras. RBEST Revista Brasileira de Economia Social e do Trabalho, [s. l.], [s. d.]<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O fim est\u00e1 pr\u00f3ximo: a escala 6&#215;1 em xeque na pol\u00edtica brasileira Autoria: Ana Laura Crescencio, Clarisse Silva e Rafaela Bovareto Supervis\u00e3o, orienta\u00e7\u00e3o e corre\u00e7\u00e3o: Bruno Lazzarotti &#8220;Temos que entender que tempo n\u00e3o \u00e9 dinheiro. Essa \u00e9 uma brutalidade que o capitalismo faz como se o capitalismo fosse o senhor do tempo. Tempo n\u00e3o \u00e9 [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":4883,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ocean_post_layout":"","ocean_both_sidebars_style":"","ocean_both_sidebars_content_width":0,"ocean_both_sidebars_sidebars_width":0,"ocean_sidebar":"0","ocean_second_sidebar":"0","ocean_disable_margins":"enable","ocean_add_body_class":"","ocean_shortcode_before_top_bar":"","ocean_shortcode_after_top_bar":"","ocean_shortcode_before_header":"","ocean_shortcode_after_header":"","ocean_has_shortcode":"","ocean_shortcode_after_title":"","ocean_shortcode_before_footer_widgets":"","ocean_shortcode_after_footer_widgets":"","ocean_shortcode_before_footer_bottom":"","ocean_shortcode_after_footer_bottom":"","ocean_display_top_bar":"default","ocean_display_header":"default","ocean_header_style":"","ocean_center_header_left_menu":"0","ocean_custom_header_template":"0","ocean_custom_logo":0,"ocean_custom_retina_logo":0,"ocean_custom_logo_max_width":0,"ocean_custom_logo_tablet_max_width":0,"ocean_custom_logo_mobile_max_width":0,"ocean_custom_logo_max_height":0,"ocean_custom_logo_tablet_max_height":0,"ocean_custom_logo_mobile_max_height":0,"ocean_header_custom_menu":"0","ocean_menu_typo_font_family":"0","ocean_menu_typo_font_subset":"","ocean_menu_typo_font_size":0,"ocean_menu_typo_font_size_tablet":0,"ocean_menu_typo_font_size_mobile":0,"ocean_menu_typo_font_size_unit":"px","ocean_menu_typo_font_weight":"","ocean_menu_typo_font_weight_tablet":"","ocean_menu_typo_font_weight_mobile":"","ocean_menu_typo_transform":"","ocean_menu_typo_transform_tablet":"","ocean_menu_typo_transform_mobile":"","ocean_menu_typo_line_height":0,"ocean_menu_typo_line_height_tablet":0,"ocean_menu_typo_line_height_mobile":0,"ocean_menu_typo_line_height_unit":"","ocean_menu_typo_spacing":0,"ocean_menu_typo_spacing_tablet":0,"ocean_menu_typo_spacing_mobile":0,"ocean_menu_typo_spacing_unit":"","ocean_menu_link_color":"","ocean_menu_link_color_hover":"","ocean_menu_link_color_active":"","ocean_menu_link_background":"","ocean_menu_link_hover_background":"","ocean_menu_link_active_background":"","ocean_menu_social_links_bg":"","ocean_menu_social_hover_links_bg":"","ocean_menu_social_links_color":"","ocean_menu_social_hover_links_color":"","ocean_disable_title":"default","ocean_disable_heading":"default","ocean_post_title":"","ocean_post_subheading":"","ocean_post_title_style":"","ocean_post_title_background_color":"","ocean_post_title_background":0,"ocean_post_title_bg_image_position":"","ocean_post_title_bg_image_attachment":"","ocean_post_title_bg_image_repeat":"","ocean_post_title_bg_image_size":"","ocean_post_title_height":0,"ocean_post_title_bg_overlay":0.5,"ocean_post_title_bg_overlay_color":"","ocean_disable_breadcrumbs":"default","ocean_breadcrumbs_color":"","ocean_breadcrumbs_separator_color":"","ocean_breadcrumbs_links_color":"","ocean_breadcrumbs_links_hover_color":"","ocean_display_footer_widgets":"default","ocean_display_footer_bottom":"default","ocean_custom_footer_template":"0","ocean_post_oembed":"","ocean_post_self_hosted_media":"","ocean_post_video_embed":"","ocean_link_format":"","ocean_link_format_target":"self","ocean_quote_format":"","ocean_quote_format_link":"post","ocean_gallery_link_images":"on","ocean_gallery_id":[],"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-4882","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-analise","entry","has-media"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/4882","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=4882"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/4882\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4892,"href":"https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/4882\/revisions\/4892"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/4883"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=4882"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=4882"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/observatoriodesig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