{"id":4921,"date":"2026-05-14T11:40:50","date_gmt":"2026-05-14T11:40:50","guid":{"rendered":"https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/?p=4921"},"modified":"2026-05-14T11:48:48","modified_gmt":"2026-05-14T11:48:48","slug":"democracia-para-quem-como-a-violencia-politica-silencia-vozes-e-aprofunda-desigualdades-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/?p=4921","title":{"rendered":"Democracia para quem?: como a viol\u00eancia pol\u00edtica silencia vozes e aprofunda desigualdades no Brasil"},"content":{"rendered":"<h1 style=\"text-align: center; padding-left: 40px;\"><span style=\"color: #000000;\"><b>Democracia para quem?: como a viol\u00eancia pol\u00edtica silencia vozes e aprofunda desigualdades no Brasil<\/b> <\/span><\/h1>\n<p style=\"text-align: center; padding-left: 40px;\"><span style=\"color: #000000;\"><i><span style=\"font-weight: 400;\">Autoria: Rafaela Bovareto<\/span><\/i><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: center; padding-left: 40px;\"><span style=\"color: #000000;\"><i><span style=\"font-weight: 400;\">Supervis\u00e3o, orienta\u00e7\u00e3o e corre\u00e7\u00e3o: Bruno Lazzarotti<\/span><\/i><\/span><\/p>\n<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-4922 aligncenter\" src=\"https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/img1-1.png\" alt=\"\" width=\"575\" height=\"354\" srcset=\"https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/img1-1.png 512w, https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/img1-1-300x185.png 300w\" sizes=\"(max-width: 575px) 100vw, 575px\" \/><\/p>\n<h5 style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Cr\u00e9dito: Pablo Valadares\/C\u00e2mara dos Deputados<\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">\u00a0<\/span><\/i><\/span><\/h5>\n<p style=\"padding-left: 40px;\"><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"font-weight: 400;\">\u00a0 \u00a0Voc\u00ea sabia que entre<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"> julho e setembro de 2024, foram registrados 338 casos de viol\u00eancia contra lideran\u00e7as pol\u00edticas, um salto de mais de 115% em rela\u00e7\u00e3o ao trimestre anterior? Desse total, o m\u00eas de setembro de 2024 foi o per\u00edodo mais intenso, com 212 casos monitorados, dos quais 78 foram especificamente direcionados contra mulheres. No panorama geral das viola\u00e7\u00f5es ocorridas entre o final de 2022 e 2024, foram registrados 274 casos contra mulheres (262 cis e 12 trans ou travestis), evidenciando que elas s\u00e3o alvos preferenciais da agressividade pol\u00edtica. Esse aumento n\u00e3o \u00e9 um fato isolado, mas se trata da continuidade de uma tend\u00eancia onde diferentes formas de viol\u00eancia se tornam um recurso muito presente durante os per\u00edodos de disputa eleitoral, ocorrendo, em m\u00e9dia, um caso a cada 15 horas no pa\u00eds. Embora atinja diversos perfis, essa agressividade atinge contornos espec\u00edficos de g\u00eanero e ra\u00e7a, buscando silenciar e afastar grupos historicamente marginalizados, como mulheres, pessoas negras e a popula\u00e7\u00e3o LGBTQIAPN+, dos espa\u00e7os de poder.\u00a0<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px;\"><span style=\"font-weight: 400; color: #000000;\">\u00a0 \u00a0\u00c9 fundamental destacar que o aumento da viol\u00eancia pol\u00edtica de g\u00eanero \u00e9 justamente uma rea\u00e7\u00e3o machista e patriarcal \u00e0s conquistas de mulheres e LGBTQIAPN+ na arena pol\u00edtica, seja por meio de leis e pol\u00edticas p\u00fablicas, seja atrav\u00e9s de maior visibilidade e ocupa\u00e7\u00e3o de posi\u00e7\u00f5es de poder. Por ser justamente um sinal da for\u00e7a deste movimento \u2014 e n\u00e3o de sua fragilidade \u2014 \u00e9 que \u00e9 fundamental n\u00e3o recuar e seguir lutando e ocupando posi\u00e7\u00f5es pol\u00edticas.<\/span><\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px;\"><span style=\"font-weight: 400; color: #000000;\">\u00a0 \u00a0A viol\u00eancia pol\u00edtica, portanto, funciona como um mecanismo de exclus\u00e3o que impede o exerc\u00edcio pleno da cidadania e fere a pr\u00f3pria democracia, pois as decis\u00f5es deixam de refletir a vontade livre da sociedade para serem moldadas pelo medo e pela coa\u00e7\u00e3o. Apesar do avan\u00e7o representado pela Lei n\u00ba 14.192\/2021, que criminaliza a viol\u00eancia pol\u00edtica de g\u00eanero, a realidade das ruas e do ambiente virtual mostra que a legisla\u00e7\u00e3o ainda enfrenta desafios imensos para garantir a seguran\u00e7a e a perman\u00eancia dessas vozes nas inst\u00e2ncias de decis\u00e3o. Assim, cabe analisar como esse fen\u00f4meno aprofunda as desigualdades no Brasil e por que o enfrentamento dessas agress\u00f5es \u00e9 urgente para a pol\u00edtica brasileira.<\/span><\/p>\n<h2 style=\"padding-left: 40px;\"><span style=\"color: #000000;\"><b>O rosto da viol\u00eancia pol\u00edtica: g\u00eanero e ra\u00e7a sob ataque<\/b><\/span><\/h2>\n<p style=\"padding-left: 40px;\"><span style=\"font-weight: 400; color: #000000;\">\u00a0 \u00a0A viol\u00eancia pol\u00edtica no Brasil tem alvos preferenciais n\u00edtidos quando analisamos a interseccionalidade de g\u00eanero e ra\u00e7a. Embora os homens cisg\u00eaneros representem a maioria absoluta das v\u00edtimas em n\u00fameros totais devido \u00e0 sua super-representa\u00e7\u00e3o nos cargos, a agressividade contra mulheres e pessoas negras carrega maior peso simb\u00f3lico de exclus\u00e3o. Al\u00e9m disso, enquanto os homens s\u00e3o mais atacados em ambientes externos e durante atividades de rua, as mulheres s\u00e3o os alvos principais de formas mais persistentes de viol\u00eancia, como ofensas morais e ataques psicol\u00f3gicos (ver gr\u00e1fico).\u00a0<\/span><\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-4923 aligncenter\" src=\"https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/img2-1.png\" alt=\"\" width=\"382\" height=\"512\" srcset=\"https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/img2-1.png 382w, https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/img2-1-224x300.png 224w\" sizes=\"(max-width: 382px) 100vw, 382px\" \/><\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px;\"><span style=\"font-weight: 400;\">\u00a0 \u00a0<span style=\"color: #000000;\">No caso das mulheres, a viol\u00eancia pol\u00edtica de g\u00eanero (VPG) atua como um mecanismo para deslegitimar sua compet\u00eancia e for\u00e7ar seu afastamento dos espa\u00e7os de decis\u00e3o. Candidatas relatam enfrentar cobran\u00e7as triplas por desempenho e ataques constantes \u00e0 sua apar\u00eancia e vida privada \u2014 como questionamentos sobre maternidade e sexualidade \u2014 press\u00f5es que raramente atingem seus colegas homens. Esse cen\u00e1rio \u00e9 ainda mais brutal para as mulheres negras, visto que elas t\u00eam quase duas vezes mais chances de sofrerem agress\u00f5es f\u00edsicas do que as candidatas brancas no contexto pol\u00edtico, como revelou a pesquisa realizada pela <\/span><\/span><span style=\"color: #000000;\"><i><span style=\"font-weight: 400;\">Terra de Direitos; Justi\u00e7a Global<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">, na qual, dentre os 24 casos de agress\u00e3o f\u00edsica contra mulheres cisg\u00eanero, 14 foram direcionados a mulheres negras (sendo 10 pardas e 4 pretas), enquanto 8 casos envolveram mulheres brancas.<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px;\"><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"font-weight: 400;\">\u00a0 \u00a0Assim, a despropor\u00e7\u00e3o se torna evidente, \u00e0 medida que, embora as pessoas negras ainda ocupem poucos espa\u00e7os de poder, elas s\u00e3o v\u00edtimas em 44,12% dos casos de viol\u00eancia pol\u00edtica registrados no pa\u00eds. No ambiente digital, essa persegui\u00e7\u00e3o ganha tons de crueldade espec\u00edficos, visto que, segundo uma pesquisa feita pela <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Escola Judici\u00e1ria Eleitoral <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">em 2022, mensagens de \u00f3dio contra candidatas pretas s\u00e3o qualitativamente mais t\u00f3xicas, fundindo misoginia e racismo por meio de termos que remetem \u00e0 animaliza\u00e7\u00e3o, \u00e0 hipersexualiza\u00e7\u00e3o e ao menosprezo por religi\u00f5es de matriz africana.<\/span><\/span><\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\" wp-image-4924 aligncenter\" src=\"https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/img3-1.png\" alt=\"\" width=\"638\" height=\"152\" srcset=\"https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/img3-1.png 512w, https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/img3-1-300x71.png 300w\" sizes=\"(max-width: 638px) 100vw, 638px\" \/><\/p>\n<h2 style=\"padding-left: 40px;\"><span style=\"color: #000000;\"><b>A distribui\u00e7\u00e3o territorial da viol\u00eancia pol\u00edtica no pa\u00eds<\/b><\/span><\/h2>\n<p style=\"padding-left: 40px;\"><span style=\"font-weight: 400; color: #000000;\">\u00a0 \u00a0Nesse panorama, embora a viol\u00eancia pol\u00edtica no Brasil se manifeste como um fen\u00f4meno de alcance nacional, apresenta uma concentra\u00e7\u00e3o cr\u00edtica nas regi\u00f5es Nordeste e Sudeste, que juntas somam 66,66% dos casos registrados entre o final de 2022 e 2024. O estado de S\u00e3o Paulo lidera o ranking nacional com 108 epis\u00f3dios, seguido pelo Rio de Janeiro (69 casos) e pela Bahia (57 casos), evidenciando que a maior densidade populacional e o acirramento das disputas locais nessas \u00e1reas funcionam como agravadores de tens\u00f5es e conflitos. Enquanto as regi\u00f5es Sul, Norte e Centro-Oeste apresentam percentuais menores de ocorr\u00eancias (12,75%, 10,36% e 10,22%, respectivamente), os n\u00fameros permanecem significativos e revelam nuances regionais, em que a regi\u00e3o Sul e o Norte destacam-se pela preval\u00eancia de atentados, enquanto no Centro-Oeste as ofensas verbais e morais s\u00e3o mais frequentes. Esse panorama confirma que a viol\u00eancia pol\u00edtica \u00e9 uma quest\u00e3o estrutural que permeia todo o territ\u00f3rio brasileiro, intensificando-se em per\u00edodos eleitorais para moldar o cen\u00e1rio pol\u00edtico por meio do medo.<\/span><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-4925 aligncenter\" src=\"https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/img4.png\" alt=\"\" width=\"473\" height=\"512\" srcset=\"https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/img4.png 473w, https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/img4-277x300.png 277w\" sizes=\"(max-width: 473px) 100vw, 473px\" \/><\/p>\n<h2 style=\"padding-left: 40px;\"><span style=\"color: #000000;\"><b>A materializa\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia e o caso Marielle Franco<\/b><\/span><\/h2>\n<p style=\"padding-left: 40px;\"><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"font-weight: 400;\">\u00a0 \u00a0H\u00e1 casos reais que retratam esse tipo de viol\u00eancia, <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">como o assassinato da vereadora Marielle Franco, ocorrido na noite de 14 de mar\u00e7o de 2018 no bairro do Est\u00e1cio, Rio de Janeiro. Marielle, uma mulher negra, bissexual e defensora dos direitos humanos, foi atingida por quatro tiros na cabe\u00e7a ap\u00f3s seu ve\u00edculo ser alvo de 13 disparos, que tamb\u00e9m vitimaram o motorista Anderson Gomes. Embora ex-policiais tenham sido condenados como executores, o crime \u00e9 interpretado por movimentos sociais como uma tentativa dr\u00e1stica de paralisar um mandato leg\u00edtimo e exterminar a participa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica de grupos marginalizados. Al\u00e9m da brutalidade f\u00edsica, a mem\u00f3ria de Marielle foi alvo de viol\u00eancia simb\u00f3lica por meio de <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">fake news<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> que tentavam associar sua imagem ao crime organizado, e o caso tornou-se o principal motivo para a aprova\u00e7\u00e3o da Lei n\u00ba 14.192\/2021, que criminaliza a viol\u00eancia pol\u00edtica de g\u00eanero no pa\u00eds.<\/span><\/span><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-4927 aligncenter\" src=\"https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/img5-2.png\" alt=\"\" width=\"512\" height=\"341\" srcset=\"https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/img5-2.png 512w, https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/img5-2-300x200.png 300w\" sizes=\"(max-width: 512px) 100vw, 512px\" \/><\/p>\n<h5 style=\"text-align: center;\"><span style=\"font-weight: 400; color: #000000;\">Foto: Luiz Fernando Nabuco \/ Aduff SSind <\/span><\/h5>\n<h2 style=\"padding-left: 40px;\"><span style=\"color: #000000;\"><b>As barreiras invis\u00edveis para al\u00e9m das agress\u00f5es f\u00edsicas<\/b><\/span><\/h2>\n<p style=\"padding-left: 40px;\"><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"font-weight: 400;\">\u00a0 \u00a0Como citado anteriormente, \u00e9 fato que a viol\u00eancia pol\u00edtica no Brasil n\u00e3o se limita aos ataques f\u00edsicos, mas opera por meio de barreiras invis\u00edveis e estruturais que visam silenciar lideran\u00e7as e impedir sua perman\u00eancia nos espa\u00e7os de decis\u00e3o. No ambiente virtual, que concentra quase 40% das agress\u00f5es contra mulheres, o uso de <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">fake news<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> e intelig\u00eancia artificial para criar imagens falsas \u00e9 uma estrat\u00e9gia deliberada para destruir reputa\u00e7\u00f5es e atacar a honra das candidatas.\u00a0<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px;\"><span style=\"font-weight: 400;\">\u00a0 <span style=\"color: #000000;\">\u00a0Dentro dos pr\u00f3prios partidos, a viol\u00eancia assume a forma de fraudes \u00e0s cotas de g\u00eanero, com o uso de &#8220;candidaturas laranja&#8221; que \u201c<\/span><\/span><span style=\"color: #000000;\"><i><span style=\"font-weight: 400;\">que buscam apenas burlar o cumprimento \u00e0s normas de cotas ou garantir os interesses dos candidatos homens<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">\u201d, segundo Wylie et al., 2019. A desigualdade econ\u00f4mica tamb\u00e9m \u00e9 gritante, na medida em que candidatos homens chegam a receber o dobro de recursos partid\u00e1rios em compara\u00e7\u00e3o \u00e0s mulheres. J\u00e1 no cotidiano dos parlamentos, o silenciamento ocorre por meio de interrup\u00e7\u00f5es constantes, desqualifica\u00e7\u00e3o da compet\u00eancia intelectual e a exclus\u00e3o de mulheres e negros de comiss\u00f5es de prest\u00edgio.<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px;\"><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"font-weight: 400;\">\u00a0 \u00a0A exposi\u00e7\u00e3o di\u00e1ria a humilha\u00e7\u00f5es e amea\u00e7as resulta em n\u00edveis severos de estresse, ansiedade, depress\u00e3o e ins\u00f4nia, levando parlamentares ao esgotamento constante para suportar o ambiente de trabalho. H\u00e1 registros de lideran\u00e7as que desenvolveram doen\u00e7as f\u00edsicas graves, como AVCs, em decorr\u00eancia da press\u00e3o pol\u00edtica, como revelou uma pesquisa feita por Manoel Bastos Gomes Neto, Carolina Maria Mota Santos, Ant\u00f4nio Carvalho Neto e Rebeca da Rocha Grangeiro, no artigo intitulado &#8220;As m\u00faltiplas barreiras de g\u00eanero enfrentadas por mulheres na pol\u00edtica&#8221;, publicado na <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Revista de Administra\u00e7\u00e3o P\u00fablica<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> (RAP) em 2024, em que as candidatas relataram: \u201c<\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Quando falo \u2018pesado\u2019, \u00e9 de cansa\u00e7o mental, estresse, falta de paz interior. \u00c9 mentalmente desgastante, sabe? A gente adoece para conseguir levantar uma discuss\u00e3o que, se fosse um homem propondo, levaria um minuto<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">\u201d, \u201c<\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">envelhece, estressa e adoece. Pra voc\u00ea ter ideia, eu, nesse caminho, sou relativamente nova, eu j\u00e1 tive dois AVCs isqu\u00eamicos, tenho pr\u00f3tese no cora\u00e7\u00e3o e sofro de ansiedade. \u00c9 o tempo todo, \u00e9 todo mundo tomando antidepressivo, \u00e9 um neg\u00f3cio complicado<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">\u201d. Esse cen\u00e1rio de adoecimento f\u00edsico e mental tem um objetivo claro: o afastamento dessas vozes da vida p\u00fablica, j\u00e1 que muitas desistem de suas trajet\u00f3rias para preservar a pr\u00f3pria integridade.<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px;\"><span style=\"font-weight: 400; color: #000000;\">\u00a0 \u00a0Fora dos parlamentos, a viol\u00eancia pol\u00edtica atinge movimentos sociais como o MST, onde as constantes amea\u00e7as contra lideran\u00e7as funcionam como um &#8220;comunicado silencioso&#8221; de medo enviado a toda a comunidade. Essa viol\u00eancia sinaliza que qualquer um que ocupe cargos de representa\u00e7\u00e3o pode sofrer a mesma press\u00e3o, desestimulando novas gera\u00e7\u00f5es de ativistas. Por fim, quando a viol\u00eancia expulsa mulheres, negros, ind\u00edgenas e pessoas LGBTQIAPN+ da pol\u00edtica, a democracia brasileira empobrece, pois as decis\u00f5es deixam de refletir a diversidade e as necessidades reais da popula\u00e7\u00e3o e passam a ser geridas pelo medo e pela coa\u00e7\u00e3o.\u00a0<\/span><\/p>\n<h2 style=\"padding-left: 40px;\"><span style=\"color: #000000;\"><b>Refer\u00eancias<\/b><\/span><\/h2>\n<p style=\"padding-left: 40px;\"><span style=\"font-weight: 400; color: #000000;\">MACEDO, Clarice Tavares. A Lei da Viol\u00eancia Pol\u00edtica de G\u00eanero (Lei n\u00ba 14.192\/2021) e os direitos pol\u00edticos das mulheres no Brasil: uma nova estrat\u00e9gica legal e jur\u00eddica no enfrentamento \u00e0 sub-representa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica feminina. 2023. Monografia (Bacharel em Direito) \u2013 Faculdade de Direito, Pontif\u00edcia Universidade Cat\u00f3lica de S\u00e3o Paulo, S\u00e3o Paulo, 2023,.<\/span><\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px;\"><span style=\"font-weight: 400; color: #000000;\">GOMES NETO, Manoel Bastos; SANTOS, Carolina Maria Mota; CARVALHO NETO, Ant\u00f4nio; GRANGEIRO, Rebeca da Rocha. As m\u00faltiplas barreiras de g\u00eanero enfrentadas por mulheres na pol\u00edtica. Revista de Administra\u00e7\u00e3o P\u00fablica, Rio de Janeiro, v. 58, n. 6, p. e2024-0124, 2024,.<\/span><\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px;\"><span style=\"font-weight: 400; color: #000000;\">LINS, Igor Novaes. Da baixada \u00e0 zona sul: caminhos da viol\u00eancia pol\u00edtica de ra\u00e7a no Rio de Janeiro. Revista Brasileira de Seguran\u00e7a P\u00fablica, S\u00e3o Paulo, v. 17, n. 1, p. 110-131, fev.\/mar. 2023,.<\/span><\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px;\"><span style=\"font-weight: 400; color: #000000;\">SIMIONI, Fabiane. Democracia no Brasil e Viol\u00eancia Pol\u00edtica de G\u00eanero: dois lados da mesma moeda? Plural, Revista do Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Sociologia da USP, S\u00e3o Paulo, v. 31, n. 1, p. 297-321, jan.\/jun. 2024.<\/span><\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px;\"><span style=\"font-weight: 400; color: #000000;\">FREIRE, Louise. Elei\u00e7\u00e3o 2024 bate recorde de viol\u00eancia pol\u00edtica. Congresso em Foco, 19 out. 2024.<\/span><\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px;\"><span style=\"font-weight: 400; color: #000000;\">TERRA DE DIREITOS; JUSTI\u00c7A GLOBAL. Viol\u00eancia pol\u00edtica e eleitoral no Brasil: panorama das viola\u00e7\u00f5es de direitos humanos entre 1\u00ba de novembro de 2022 e 27 de outubro de 2024. 3. ed. [S. l.]: Terra de Direitos; Justi\u00e7a Global, 2024.<\/span><\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px;\"><span style=\"font-weight: 400; color: #000000;\">SOUZA, Ladyane; KOCH, Luise; RIVA, Maria Paula Russo; GHAWI, Raji. Mensagens de \u00f3dio recebidas por candidatas pretas e brancas durante as elei\u00e7\u00f5es no Brasil de 2022 e suas potenciais implica\u00e7\u00f5es. Estudos Eleitorais, Bras\u00edlia, DF, v. 16, n. 2, jul.\/dez. 2022,.<\/span><\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px;\"><span style=\"font-weight: 400; color: #000000;\">VIEIRA, Daniela Novaes Souza Lira; COELHO, Silvia Regina dos Santos. Sub-representa\u00e7\u00e3o das candidaturas femininas: an\u00e1lise sobre os avan\u00e7os da legisla\u00e7\u00e3o para promover a amplia\u00e7\u00e3o das candidaturas femininas e a redu\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia pol\u00edtica de g\u00eanero. Estudos Eleitorais, Bras\u00edlia, DF, v. 16, n. 2, jul.\/dez. 2022,.<\/span><\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px;\"><span style=\"font-weight: 400; color: #000000;\">BRAND\u00c3O, Edvaldo Ribeiro; FERNANDES, Saulo Luders. Viol\u00eancia pol\u00edtica e seus mecanismos: incid\u00eancia e repercuss\u00f5es no contexto do movimento dos trabalhadores rurais sem terra (MST). [S. l.]: [s. n.], [2022?]<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Democracia para quem?: como a viol\u00eancia pol\u00edtica silencia vozes e aprofunda desigualdades no Brasil Autoria: Rafaela Bovareto Supervis\u00e3o, orienta\u00e7\u00e3o e corre\u00e7\u00e3o: Bruno Lazzarotti Cr\u00e9dito: Pablo Valadares\/C\u00e2mara dos Deputados\u00a0 \u00a0 \u00a0Voc\u00ea sabia que entre julho e setembro de 2024, foram registrados 338 casos de viol\u00eancia contra lideran\u00e7as pol\u00edticas, um salto de mais de 115% em rela\u00e7\u00e3o [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":4922,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ocean_post_layout":"","ocean_both_sidebars_style":"","ocean_both_sidebars_content_width":0,"ocean_both_sidebars_sidebars_width":0,"ocean_sidebar":"0","ocean_second_sidebar":"0","ocean_disable_margins":"enable","ocean_add_body_class":"","ocean_shortcode_before_top_bar":"","ocean_shortcode_after_top_bar":"","ocean_shortcode_before_header":"","ocean_shortcode_after_header":"","ocean_has_shortcode":"","ocean_shortcode_after_title":"","ocean_shortcode_before_footer_widgets":"","ocean_shortcode_after_footer_widgets":"","ocean_shortcode_before_footer_bottom":"","ocean_shortcode_after_footer_bottom":"","ocean_display_top_bar":"default","ocean_display_header":"default","ocean_header_style":"","ocean_center_header_left_menu":"0","ocean_custom_header_template":"0","ocean_custom_logo":0,"ocean_custom_retina_logo":0,"ocean_custom_logo_max_width":0,"ocean_custom_logo_tablet_max_width":0,"ocean_custom_logo_mobile_max_width":0,"ocean_custom_logo_max_height":0,"ocean_custom_logo_tablet_max_height":0,"ocean_custom_logo_mobile_max_height":0,"ocean_header_custom_menu":"0","ocean_menu_typo_font_family":"0","ocean_menu_typo_font_subset":"","ocean_menu_typo_font_size":0,"ocean_menu_typo_font_size_tablet":0,"ocean_menu_typo_font_size_mobile":0,"ocean_menu_typo_font_size_unit":"px","ocean_menu_typo_font_weight":"","ocean_menu_typo_font_weight_tablet":"","ocean_menu_typo_font_weight_mobile":"","ocean_menu_typo_transform":"","ocean_menu_typo_transform_tablet":"","ocean_menu_typo_transform_mobile":"","ocean_menu_typo_line_height":0,"ocean_menu_typo_line_height_tablet":0,"ocean_menu_typo_line_height_mobile":0,"ocean_menu_typo_line_height_unit":"","ocean_menu_typo_spacing":0,"ocean_menu_typo_spacing_tablet":0,"ocean_menu_typo_spacing_mobile":0,"ocean_menu_typo_spacing_unit":"","ocean_menu_link_color":"","ocean_menu_link_color_hover":"","ocean_menu_link_color_active":"","ocean_menu_link_background":"","ocean_menu_link_hover_background":"","ocean_menu_link_active_background":"","ocean_menu_social_links_bg":"","ocean_menu_social_hover_links_bg":"","ocean_menu_social_links_color":"","ocean_menu_social_hover_links_color":"","ocean_disable_title":"default","ocean_disable_heading":"default","ocean_post_title":"","ocean_post_subheading":"","ocean_post_title_style":"","ocean_post_title_background_color":"","ocean_post_title_background":0,"ocean_post_title_bg_image_position":"","ocean_post_title_bg_image_attachment":"","ocean_post_title_bg_image_repeat":"","ocean_post_title_bg_image_size":"","ocean_post_title_height":0,"ocean_post_title_bg_overlay":0.5,"ocean_post_title_bg_overlay_color":"","ocean_disable_breadcrumbs":"default","ocean_breadcrumbs_color":"","ocean_breadcrumbs_separator_color":"","ocean_breadcrumbs_links_color":"","ocean_breadcrumbs_links_hover_color":"","ocean_display_footer_widgets":"default","ocean_display_footer_bottom":"default","ocean_custom_footer_template":"0","ocean_post_oembed":"","ocean_post_self_hosted_media":"","ocean_post_video_embed":"","ocean_link_format":"","ocean_link_format_target":"self","ocean_quote_format":"","ocean_quote_format_link":"post","ocean_gallery_link_images":"on","ocean_gallery_id":[],"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-4921","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-analise","entry","has-media"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/4921","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=4921"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/4921\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4930,"href":"https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/4921\/revisions\/4930"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/4922"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=4921"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=4921"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/observatoriodesig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