{"id":4982,"date":"2026-06-25T15:07:32","date_gmt":"2026-06-25T15:07:32","guid":{"rendered":"https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/?p=4982"},"modified":"2026-06-25T15:09:03","modified_gmt":"2026-06-25T15:09:03","slug":"todas-as-formas-de-amar-a-luta-pelo-reconhecimento-do-casamento-igualitario-e-da-adocao-homoparental-na-america-do-sul","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/?p=4982","title":{"rendered":"Todas as formas de amar: a luta pelo reconhecimento do casamento igualit\u00e1rio e da ado\u00e7\u00e3o homoparental na Am\u00e9rica do Sul"},"content":{"rendered":"<h1 style=\"text-align: center;\">Todas as formas de amar: a luta pelo reconhecimento do casamento igualit\u00e1rio e da ado\u00e7\u00e3o homoparental na Am\u00e9rica do Sul<\/h1>\n<p style=\"text-align: left;\"><i><span style=\"font-weight: 400;\">Autoria: Rafaela Bovareto<\/span><\/i><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><i><span style=\"font-weight: 400;\">Supervis\u00e3o, orienta\u00e7\u00e3o e corre\u00e7\u00e3o: Bruno Lazzarotti<\/span><\/i><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-4983 alignnone\" src=\"https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/unnamed.png\" alt=\"\" width=\"512\" height=\"288\" srcset=\"https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/unnamed.png 512w, https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/unnamed-300x169.png 300w\" sizes=\"(max-width: 512px) 100vw, 512px\" \/><\/p>\n<h6 style=\"text-align: left;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Foto: <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">iStock\/JLco &#8211; Julia Amaral<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">\u00a0<\/span><\/h6>\n<p style=\"text-align: left;\"><b><i>Introdu\u00e7\u00e3o<\/i><\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"font-weight: 400;\">A luta pelo reconhecimento dos direitos LGBTQIAPN+ na Am\u00e9rica do Sul \u00e9 um componente central no debate contempor\u00e2neo sobre justi\u00e7a social e enfrentamento das desigualdades. Para compreender esse cen\u00e1rio, \u00e9 preciso olhar al\u00e9m das atitudes sociais e observar o plano institucional, onde a evolu\u00e7\u00e3o do reconhecimento legal de direitos, como o casamento igualit\u00e1rio e a ado\u00e7\u00e3o homoparental, revela as prioridades e as tens\u00f5es pol\u00edticas de uma regi\u00e3o<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Um ponto metodol\u00f3gico crucial para este debate \u00e9 o fato de que atitudes sociais e pol\u00edticas p\u00fablicas n\u00e3o evoluem necessariamente no mesmo ritmo. Em muitos casos, a legisla\u00e7\u00e3o pode anteceder a aceita\u00e7\u00e3o popular majorit\u00e1ria, como ocorreu no Brasil atrav\u00e9s das decis\u00f5es do Supremo Tribunal Federal em 2011 e do Conselho Nacional de Justi\u00e7a em 2013. Em outros contextos, a sociedade pode demonstrar toler\u00e2ncia sem que haja o correspondente amparo jur\u00eddico, o que evidencia lacunas de cidadania.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Para fomentar a an\u00e1lise, assim, cabe analisar dados do <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">LGBTI National Policy Dataset (Our World in Data)<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> para tra\u00e7ar a trajet\u00f3ria global e regional desses direitos desde 1991. Ao contrastar o cen\u00e1rio mundial com o sul-americano, busca-se entender se a regi\u00e3o est\u00e1 realizando progresso ou regresso \u00e0s transforma\u00e7\u00f5es jur\u00eddicas que definem o alcance real da prote\u00e7\u00e3o legal sobre a vida das pessoas.<\/span><\/p>\n<p><b><i>An\u00e1lise sobre a evolu\u00e7\u00e3o do casamento homoafetivo na Am\u00e9rica do Sul em compara\u00e7\u00e3o com o mundo<\/i><\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A an\u00e1lise da evolu\u00e7\u00e3o temporal da legaliza\u00e7\u00e3o do casamento entre pessoas do mesmo sexo (Gr\u00e1fico 1) revela dois ritmos de mudan\u00e7a muito distintos, como um cen\u00e1rio global de acelera\u00e7\u00e3o gradual e um cen\u00e1rio sul-americano de transi\u00e7\u00e3o tardia, por\u00e9m extremamente r\u00e1pida e concentrada.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><b>Gr\u00e1fico 1<\/b><span style=\"font-weight: 400;\">: Evolu\u00e7\u00e3o temporal da legaliza\u00e7\u00e3o do casamento homossexual<\/span><\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-4985 aligncenter\" src=\"https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/unnamed-2.png\" alt=\"\" width=\"512\" height=\"287\" srcset=\"https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/unnamed-2.png 512w, https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/unnamed-2-300x168.png 300w\" sizes=\"(max-width: 512px) 100vw, 512px\" \/><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Enquanto o cen\u00e1rio mundial atravessou uma fase de estagna\u00e7\u00e3o durante toda a d\u00e9cada de 1990, com o marco inicial ocorrendo apenas em 2000\/2001 nos Pa\u00edses Baixos, a Am\u00e9rica do Sul permaneceu sem qualquer pa\u00eds com casamento legalizado at\u00e9 2009. Contudo, a partir do marco pioneiro da Argentina em 2010, a regi\u00e3o entrou em uma fase de expans\u00e3o acelerada que comprimiu em apenas doze anos um processo de transforma\u00e7\u00e3o jur\u00eddica que, em outras partes do mundo, levou d\u00e9cadas para se consolidar.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Esse dinamismo sul-americano \u00e9 visualmente n\u00edtido no gr\u00e1fico, onde a curva regional frequentemente avan\u00e7a \u00e0 frente da curva mundial em termos proporcionais entre 2010 e 2022, per\u00edodo em que o n\u00famero de pa\u00edses com o direito garantido saltou de zero para seis. No plano global, observa-se um &#8220;ponto de virada&#8221; a partir de 2013, quando o ritmo de novas legaliza\u00e7\u00f5es se intensifica de forma consistente, ultrapassando a marca de 35 pa\u00edses em 2025. Na Am\u00e9rica do Sul, essa rapidez foi impulsionada por diferentes estrat\u00e9gias institucionais: pa\u00edses como Argentina e Uruguai utilizaram a reforma legislativa direta, enquanto Brasil e Col\u00f4mbia dependeram da atua\u00e7\u00e3o judicial contramajorit\u00e1ria de suas Cortes Constitucionais para superar a omiss\u00e3o parlamentar.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O caso do Chile ilustra ainda um padr\u00e3o de avan\u00e7o gradual, onde o reconhecimento pleno em 2022 foi precedido pela legaliza\u00e7\u00e3o das uni\u00f5es civis em 2015. Em conjunto, os dados do Gr\u00e1fico 1 refor\u00e7am que a Am\u00e9rica do Sul vive um momento de transi\u00e7\u00e3o jur\u00eddica acelerada, tornando-se uma das regi\u00f5es mais din\u00e2micas do mundo na promo\u00e7\u00e3o da igualdade institucional matrimonial. No entanto, esse \u201cavan\u00e7o\u201d convive com uma forte polariza\u00e7\u00e3o, pois a mesma regi\u00e3o que apresenta progressos r\u00e1pidos ainda abriga pa\u00edses com banimentos expl\u00edcitos, sugerindo que o progresso legal decorre de mudan\u00e7as pontuais e concentradas em pa\u00edses de grande peso institucional.<\/span><\/p>\n<p><b><i>An\u00e1lise sobre a ado\u00e7\u00e3o homoparental\u00a0 na Am\u00e9rica do Sul em compara\u00e7\u00e3o com o mundo<\/i><\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><b>Gr\u00e1fico 2<\/b><span style=\"font-weight: 400;\">: <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">Popula\u00e7\u00e3o residente em locais com ado\u00e7\u00e3o homoparental permitida<\/span><\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-4986 aligncenter\" src=\"https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/unnamed-3.png\" alt=\"\" width=\"512\" height=\"270\" srcset=\"https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/unnamed-3.png 512w, https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/unnamed-3-300x158.png 300w\" sizes=\"(max-width: 512px) 100vw, 512px\" \/><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A an\u00e1lise da ado\u00e7\u00e3o homoparental na Am\u00e9rica do Sul exige uma mudan\u00e7a de perspectiva metodol\u00f3gica, deslocando o olhar da simples contagem de pa\u00edses para o alcance real da prote\u00e7\u00e3o legal sobre as pessoas, conforme demonstrado no <\/span>Gr\u00e1fico 2<span style=\"font-weight: 400;\">. Enquanto o indicador por n\u00famero de na\u00e7\u00f5es sugere um avan\u00e7o regional lento e tardio, a pondera\u00e7\u00e3o pelo peso demogr\u00e1fico revela um salto abrupto entre 2009 e 2010, quando a popula\u00e7\u00e3o residente em locais com ado\u00e7\u00e3o permitida na regi\u00e3o saltou de quase zero para aproximadamente 240 milh\u00f5es de pessoas. Esse movimento indica que os primeiros pa\u00edses sul-americanos a consolidarem esse direito possu\u00edam grande densidade populacional, garantindo que a maior parte da popula\u00e7\u00e3o regional j\u00e1 vivesse sob legisla\u00e7\u00f5es permissivas h\u00e1 mais de uma d\u00e9cada. At\u00e9 o final da s\u00e9rie hist\u00f3rica em 2025, a cobertura estabilizou-se pr\u00f3xima de 330 milh\u00f5es de pessoas, evidenciando que a Am\u00e9rica do Sul apresenta um quadro de prote\u00e7\u00e3o muito mais robusto do que o sugerido por m\u00e9tricas institucionais simplificadas.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Esse protagonismo regional teve marcos fundamentais no Uruguai, pioneiro em 2009 ao permitir a ado\u00e7\u00e3o igualit\u00e1ria, e na Argentina, que em 2010 tornou-se a primeira na\u00e7\u00e3o latino-americana a estender o direito \u00e0 ado\u00e7\u00e3o conjunta via reforma legislativa parlamentar. No Brasil, o reconhecimento ocorreu no mesmo ano atrav\u00e9s de decis\u00e3o un\u00e2nime do Superior Tribunal de Justi\u00e7a (STJ), que declarou a irrelev\u00e2ncia da orienta\u00e7\u00e3o sexual para a aferi\u00e7\u00e3o da idoneidade moral dos adotantes. Posteriormente, a Col\u00f4mbia somou-se a esse grupo em 2015, ap\u00f3s decis\u00e3o hist\u00f3rica da Corte Constitucional (Senten\u00e7a C-683\/15), e o Chile em 2021, consolidando uma tend\u00eancia em que as maiores popula\u00e7\u00f5es do continente estruturaram regimes inclusivos de filia\u00e7\u00e3o. A justificativa jur\u00eddica central nessas jurisdi\u00e7\u00f5es fundamentou-se no princ\u00edpio do interesse superior da crian\u00e7a, amparado por um s\u00f3lido consenso cient\u00edfico que demonstra que a orienta\u00e7\u00e3o sexual dos pais n\u00e3o afeta o desenvolvimento, o bem-estar ou a sa\u00fade mental dos menores.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Apesar dos significativos avan\u00e7os demogr\u00e1ficos, a regi\u00e3o ainda \u00e9 marcada por profundas assimetrias e resist\u00eancias institucionais que geram desigualdades de prote\u00e7\u00e3o. O caso do Equador ilustra um paradoxo jur\u00eddico, em que, embora o pa\u00eds tenha legalizado o casamento igualit\u00e1rio em 2019, ainda mant\u00e9m um &#8220;cadeado constitucional&#8221; expl\u00edcito no artigo 68 que restringe a ado\u00e7\u00e3o apenas a casais de sexos diferentes, gerando uma contradi\u00e7\u00e3o normativa que priva crian\u00e7as em situa\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade do direito fundamental a um lar est\u00e1vel. Al\u00e9m disso, na\u00e7\u00f5es como Paraguai e Peru mant\u00eam barreiras constitucionais e civis r\u00edgidas, onde a aus\u00eancia de reconhecimento de v\u00ednculos familiares em situa\u00e7\u00f5es transfronteiri\u00e7as evidencia a persist\u00eancia da heteronormatividade como obst\u00e1culo estrutural. Portanto, a an\u00e1lise da ado\u00e7\u00e3o revela que a Am\u00e9rica do Sul \u00e9 simultaneamente palco de uma vanguarda demogr\u00e1fica protetiva e de n\u00facleos de exclus\u00e3o que perpetuam cidadanias incompletas.<\/span><\/p>\n<p><b><i>Conclus\u00e3o<\/i><\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Portanto, <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">fica evidente que a trajet\u00f3ria do reconhecimento legal do casamento igualit\u00e1rio e da ado\u00e7\u00e3o homoparental na Am\u00e9rica do Sul revela uma regi\u00e3o clivada por profundas assimetrias regulat\u00f3rias, onde a rapidez das conquistas institucionais convive com n\u00facleos de resist\u00eancia persistentes (GARC\u00cdA S\u00c1NCHEZ; FLORES CH\u00c1VEZ, 2025). De um lado, a transi\u00e7\u00e3o sul-americana para regimes de plena igualdade civil demonstra o sucesso da converg\u00eancia entre o ativismo de base e a atua\u00e7\u00e3o contramajorit\u00e1ria das cortes constitucionais. No entanto, conforme apontam as evid\u00eancias demogr\u00e1ficas, essa &#8220;vanguarda&#8221; \u00e9 vulner\u00e1vel, pois o avan\u00e7o legal decorre de mudan\u00e7as pontuais e concentradas em pa\u00edses de grande peso populacional, o que pode mascarar a aus\u00eancia de garantias em outras jurisdi\u00e7\u00f5es na Am\u00e9rica do Sul.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A an\u00e1lise cr\u00edtica desse cen\u00e1rio evidencia que a exclus\u00e3o legal, especialmente no campo da ado\u00e7\u00e3o, fundamenta-se frequentemente em preju\u00edzos ideol\u00f3gicos e barreiras culturais que ignoram o consenso cient\u00edfico (COL\u00d4MBIA, 2015). Estudos internacionais de longo prazo confirmam que a orienta\u00e7\u00e3o sexual dos pais \u00e9 irrelevante para o desenvolvimento cognitivo ou emocional das crian\u00e7as, sendo o bem-estar infantil condicionado \u00e0 estabilidade afetiva e socioecon\u00f4mica do lar (EFECTOS&#8230;, 2017; VARGAS et al., 2022). Assim, a manuten\u00e7\u00e3o de proibi\u00e7\u00f5es, como o &#8220;cadeado constitucional&#8221; observado no Equador, constitui uma medida regressiva que vitimiza duplamente os menores em situa\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade ao priv\u00e1-los do direito fundamental de integrar uma fam\u00edlia id\u00f4nea (L\u00d3PEZ RUIZ; HARO HARO, 2022; MASABANDA-PAUCAR; VILLACR\u00c9S-L\u00d3PEZ, 2025).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Al\u00e9m do aspecto simb\u00f3lico, a garantia desses direitos atua como uma ferramenta essencial de prote\u00e7\u00e3o social e redistribui\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica. Ao integrar casais do mesmo sexo aos sistemas de previd\u00eancia, sucess\u00e3o e planos de sa\u00fade, o Estado mitiga desigualdades estruturais de partida e oferece seguran\u00e7a patrimonial contra choques econ\u00f4micos inesperados (GARC\u00cdA S\u00c1NCHEZ; FLORES CH\u00c1VEZ, 2025). Contudo, a aus\u00eancia de uma harmoniza\u00e7\u00e3o legislativa regional gera o fen\u00f4meno da inefic\u00e1cia transfronteiri\u00e7a, no qual fam\u00edlias legalmente constitu\u00eddas perdem seus v\u00ednculos jur\u00eddicos e direitos sucess\u00f3rios ao migrar para pa\u00edses vizinhos que ainda mant\u00eam defini\u00e7\u00f5es heteronormativas r\u00edgidas.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Em suma, a evolu\u00e7\u00e3o institucional na Am\u00e9rica do Sul deve ser percebida como uma disputa cont\u00ednua pela consolida\u00e7\u00e3o da cidadania plena. Enquanto o Sistema Interamericano de Direitos Humanos, atrav\u00e9s da Opini\u00e3o Consultiva OC-24\/17, estabelece um patamar m\u00ednimo de dignidade humana, a universaliza\u00e7\u00e3o desses direitos ainda enfrenta o desafio de superar a realidade de exclus\u00e3o vivida por minorias em Estados refrat\u00e1rios (N\u00da\u00d1EZ \u00c1VILA; PAREDES ERAZO; SIERRA-ZAMORA, 2020). O reconhecimento jur\u00eddico, portanto, cumpre sua fun\u00e7\u00e3o social mais nobre ao assegurar que todos os arranjos familiares usufruam da exata mesma prote\u00e7\u00e3o perante as leis, independentemente da orienta\u00e7\u00e3o sexual de seus integrantes.<\/span><\/p>\n<p><b><i>Refer\u00eancias<\/i><\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">COL\u00d4MBIA. Corte Constitucional. Senten\u00e7a C-683\/15. Demanda de inconstitucionalidade em mat\u00e9ria de ado\u00e7\u00e3o por casais do mesmo sexo. Bogot\u00e1, 2015.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">EFECTOS de adopcion y crianza homoparental. Bogot\u00e1: Repositorio UNAL, 2017.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">GARC\u00cdA S\u00c1NCHEZ, Ar\u00e1n; FLORES CH\u00c1VEZ, Luis Fernando. La multijurisdiccionalidad del matrimonio (igualitario) en Am\u00e9rica Latina. Revista Llapanchikpaq: Justicia, v. 7, n. 11, p. 113-177, 2025.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">L\u00d3PEZ RUIZ, Iliana; HARO HARO, Luis Fernando. Adopci\u00f3n homoparental en Ecuador: derecho de igualdad y no discriminaci\u00f3n e inter\u00e9s superior del ni\u00f1o. Iuris Dictio, n. 30, p. 59-72, 2022.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">MASABANDA-PAUCAR, Nathaly Daniela; VILLACR\u00c9S-L\u00d3PEZ, Javier Fernando. La Opini\u00f3n Consultiva No. 24\/17 como mecanismo para viabilizar la adopci\u00f3n homoparental en Ecuador. 593 Digital Publisher CEIT, v. 10, n. 1-1, p. 86-99, 2025.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">N\u00da\u00d1EZ \u00c1VILA, Mar\u00eda Dolores; PAREDES ERAZO, Gissela Cristina; SIERRA-ZAMORA, Paola Alexandra. El matrimonio igualitario a la luz de la opini\u00f3n consultiva OC-24\/17 en el contexto jur\u00eddico ecuatoriano. Valencia: Universidad de Valencia, 2020.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">VARGAS, Estefan et al. Adopci\u00f3n homoparental en Colombia: una mirada socio jur\u00eddica a partir de una revisi\u00f3n literaria del periodo 2018-2022. Bogot\u00e1: Repositorio Institucional Unilibre, 2022.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Todas as formas de amar: a luta pelo reconhecimento do casamento igualit\u00e1rio e da ado\u00e7\u00e3o homoparental na Am\u00e9rica do Sul Autoria: Rafaela Bovareto Supervis\u00e3o, orienta\u00e7\u00e3o e corre\u00e7\u00e3o: Bruno Lazzarotti Foto: iStock\/JLco &#8211; Julia Amaral\u00a0 Introdu\u00e7\u00e3o A luta pelo reconhecimento dos direitos LGBTQIAPN+ na Am\u00e9rica do Sul \u00e9 um componente central no debate contempor\u00e2neo sobre justi\u00e7a [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":4983,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ocean_post_layout":"","ocean_both_sidebars_style":"","ocean_both_sidebars_content_width":0,"ocean_both_sidebars_sidebars_width":0,"ocean_sidebar":"0","ocean_second_sidebar":"0","ocean_disable_margins":"enable","ocean_add_body_class":"","ocean_shortcode_before_top_bar":"","ocean_shortcode_after_top_bar":"","ocean_shortcode_before_header":"","ocean_shortcode_after_header":"","ocean_has_shortcode":"","ocean_shortcode_after_title":"","ocean_shortcode_before_footer_widgets":"","ocean_shortcode_after_footer_widgets":"","ocean_shortcode_before_footer_bottom":"","ocean_shortcode_after_footer_bottom":"","ocean_display_top_bar":"default","ocean_display_header":"default","ocean_header_style":"","ocean_center_header_left_menu":"0","ocean_custom_header_template":"0","ocean_custom_logo":0,"ocean_custom_retina_logo":0,"ocean_custom_logo_max_width":0,"ocean_custom_logo_tablet_max_width":0,"ocean_custom_logo_mobile_max_width":0,"ocean_custom_logo_max_height":0,"ocean_custom_logo_tablet_max_height":0,"ocean_custom_logo_mobile_max_height":0,"ocean_header_custom_menu":"0","ocean_menu_typo_font_family":"0","ocean_menu_typo_font_subset":"","ocean_menu_typo_font_size":0,"ocean_menu_typo_font_size_tablet":0,"ocean_menu_typo_font_size_mobile":0,"ocean_menu_typo_font_size_unit":"px","ocean_menu_typo_font_weight":"","ocean_menu_typo_font_weight_tablet":"","ocean_menu_typo_font_weight_mobile":"","ocean_menu_typo_transform":"","ocean_menu_typo_transform_tablet":"","ocean_menu_typo_transform_mobile":"","ocean_menu_typo_line_height":0,"ocean_menu_typo_line_height_tablet":0,"ocean_menu_typo_line_height_mobile":0,"ocean_menu_typo_line_height_unit":"","ocean_menu_typo_spacing":0,"ocean_menu_typo_spacing_tablet":0,"ocean_menu_typo_spacing_mobile":0,"ocean_menu_typo_spacing_unit":"","ocean_menu_link_color":"","ocean_menu_link_color_hover":"","ocean_menu_link_color_active":"","ocean_menu_link_background":"","ocean_menu_link_hover_background":"","ocean_menu_link_active_background":"","ocean_menu_social_links_bg":"","ocean_menu_social_hover_links_bg":"","ocean_menu_social_links_color":"","ocean_menu_social_hover_links_color":"","ocean_disable_title":"default","ocean_disable_heading":"default","ocean_post_title":"","ocean_post_subheading":"","ocean_post_title_style":"","ocean_post_title_background_color":"","ocean_post_title_background":0,"ocean_post_title_bg_image_position":"","ocean_post_title_bg_image_attachment":"","ocean_post_title_bg_image_repeat":"","ocean_post_title_bg_image_size":"","ocean_post_title_height":0,"ocean_post_title_bg_overlay":0.5,"ocean_post_title_bg_overlay_color":"","ocean_disable_breadcrumbs":"default","ocean_breadcrumbs_color":"","ocean_breadcrumbs_separator_color":"","ocean_breadcrumbs_links_color":"","ocean_breadcrumbs_links_hover_color":"","ocean_display_footer_widgets":"default","ocean_display_footer_bottom":"default","ocean_custom_footer_template":"0","ocean_post_oembed":"","ocean_post_self_hosted_media":"","ocean_post_video_embed":"","ocean_link_format":"","ocean_link_format_target":"self","ocean_quote_format":"","ocean_quote_format_link":"post","ocean_gallery_link_images":"on","ocean_gallery_id":[],"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-4982","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-analise","entry","has-media"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/4982","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=4982"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/4982\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4989,"href":"https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/4982\/revisions\/4989"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/4983"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=4982"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=4982"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/observatoriod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