{"id":659,"date":"2019-07-03T08:00:50","date_gmt":"2019-07-03T08:00:50","guid":{"rendered":"https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/?p=659"},"modified":"2019-08-26T18:25:15","modified_gmt":"2019-08-26T18:25:15","slug":"educacao-para-todos-futuro-para-poucos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/?p=659","title":{"rendered":"Educa\u00e7\u00e3o para todos, futuro para poucos"},"content":{"rendered":"<p>No Brasil, as desigualdades entre o ensino privado e p\u00fablico s\u00e3o realidades j\u00e1 marteladas nas cabe\u00e7as de pais que se esfor\u00e7am em pagar mensalidades caras com o pensamento no futuro dos filhos. Diante desse cen\u00e1rio, o jornal \u201cO Tempo\u201d publicou reportagem que investiga como essas realidades distintas impactam na educa\u00e7\u00e3o recebida e define os caminhos trilhados por alunos de diferentes bairros e escolas de Belo Horizonte.<\/p>\n<p>Nesse contexto, uma dos diferenciais entre as escolas p\u00fablicas e privadas \u00e9 o valor do investimento realizado por aluno matriculado. Vejamos o c\u00e1lculo publicado na reportagem: em 2018, o governo de Minas Gerais gastou R$ 2,43 bilh\u00f5es para atender 700 mil alunos matriculados no ensino m\u00e9dio da rede estadual. Fazendo os c\u00e1lculos, o Estado gastou R$ R$ 3.468 por ano com cada estudante. J\u00e1 nos col\u00e9gios com os melhores desempenhos nas notas m\u00e9dias do Enem, esse valor pode ultrapassar os R$ 29 mil, ou seja 738% a mais que o investido pelo poder p\u00fablico. Ou seja, na rede p\u00fablica estadual, um estudante do ensino m\u00e9dio custa oito vezes menos do que um jovem matriculado em escolas particulares de elite de Belo Horizonte.<\/p>\n<p>Conforme podemos ver do gr\u00e1fico abaixo, o investimento p\u00fablico anual por aluno vem aumentando no estado nos \u00faltimos anos, tendo crescido 58,42% entre 2013 e 2018, mas a discrep\u00e2ncia com as escolas particulares mais elitizadas ainda \u00e9 grande. Especialistas destacam que se houvesse pelo menos uma dist\u00e2ncia menor nessa diferen\u00e7a, os resultados obtidos na aprendizagem seriam menos desiguais. Ainda, esse baixo investimento ajuda a refor\u00e7ar as desigualdades sociais que refletem na educa\u00e7\u00e3o e dificultam que alunos de baixa renda cheguem ao ensino superior.<\/p>\n<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-661 aligncenter\" src=\"https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/03.07-reportagem2.jpg.png\" alt=\"\" width=\"580\" height=\"533\" \/><\/p>\n<p>Um dos esfor\u00e7os para reduzir a dist\u00e2ncia no acesso ao ensino superior foi a lei de cotas, que come\u00e7ou a vigorar em 2013 e criou um percentual m\u00ednimo em universidades p\u00fablicas destinadas para alunos que tamb\u00e9m fizeram o ensino m\u00e9dio em rede p\u00fablica. Esse percentual cresceu gradativamente at\u00e9 chegar a 50% em 2016.<\/p>\n<p>A mat\u00e9ria aponta que, antes do in\u00edcio da entrada em vigor da lei de cotas, a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) tinha em seu quadro de alunos 45% de estudantes que formaram em escola p\u00fablica. No ano passado esse \u00edndice subiu dez pontos percentuais, chegando a 55%. Mas quando analisamos o universo total de estudantes do Estado vemos que esses n\u00fameros ainda n\u00e3o representam uma igualdade de condi\u00e7\u00f5es. Do total de alunos matriculados em 2017 no ensino m\u00e9dio do Estado, 89% estavam em escolas p\u00fablicas contra 11% em privadas. Ou seja, mesmo representando pouco mais de 10% dos estudantes do ensino m\u00e9dio, 45% dos alunos da UFMG em 2018 estudaram em escolas particulares.<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">An\u00e1lise extra\u00edda de reportagem dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/www.otempo.com.br\/hotsites\/educa%C3%A7%C3%A3o-no-brasil-expectativa-e-realidade\">https:\/\/www.otempo.com.br\/hotsites\/educa%C3%A7%C3%A3o-no-brasil-expectativa-e-realidade<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>Autora: Lu\u00edsa Filizzola Costa Lima\u00a0[graduando em Administra\u00e7\u00e3o P\u00fablica na FJP], com coordena\u00e7\u00e3o de Bruno Lazzarotti Diniz Costa [professor e pesquisador \u2013 FJP]<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No Brasil, as desigualdades entre o ensino privado e p\u00fablico s\u00e3o realidades j\u00e1 marteladas nas cabe\u00e7as de pais que se esfor\u00e7am em pagar mensalidades caras com o pensamento no futuro dos filhos. 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