{"id":671,"date":"2019-07-11T08:00:52","date_gmt":"2019-07-11T08:00:52","guid":{"rendered":"https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/?p=671"},"modified":"2020-07-13T16:54:45","modified_gmt":"2020-07-13T16:54:45","slug":"rico-eu-nao-a-percepcao-do-brasileiro-sobre-sua-propria-localizacao-na-distribuicao-de-renda-nacional","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/?p=671","title":{"rendered":"Rico? Eu n\u00e3o! A percep\u00e7\u00e3o do brasileiro sobre sua pr\u00f3pria localiza\u00e7\u00e3o na distribui\u00e7\u00e3o de renda nacional"},"content":{"rendered":"\t\t<div data-elementor-type=\"wp-post\" data-elementor-id=\"671\" class=\"elementor elementor-671\">\n\t\t\t\t\t\t<section class=\"elementor-section elementor-top-section elementor-element elementor-element-2ae8e67 elementor-section-boxed elementor-section-height-default elementor-section-height-default\" data-id=\"2ae8e67\" data-element_type=\"section\" data-e-type=\"section\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-container elementor-column-gap-default\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-column elementor-col-100 elementor-top-column elementor-element elementor-element-5f00caec\" data-id=\"5f00caec\" data-element_type=\"column\" data-e-type=\"column\">\n\t\t\t<div class=\"elementor-widget-wrap elementor-element-populated\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-4201df9d elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"4201df9d\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-1123 size-full\" src=\"http:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/percep\u00e7\u00e3o.jpg\" alt=\"\" width=\"850\" height=\"396\" srcset=\"https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/percep\u00e7\u00e3o.jpg 850w, https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/percep\u00e7\u00e3o-300x140.jpg 300w, https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/percep\u00e7\u00e3o-768x358.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 850px) 100vw, 850px\" \/><\/p><p>A percep\u00e7\u00e3o que os diferentes grupos t\u00eam sobre a estrutura social do pa\u00eds e sobre a posi\u00e7\u00e3o que cada um ocupa nela pode ter efeitos importantes sobre o apoio ou resist\u00eancia a medidas redistributivas, como impostos mais progressivos. E, no Brasil, esta percep\u00e7\u00e3o \u00e9 bastante distorcida.<\/p><p>\u00c9 o que mostra uma pesquisa da Oxfam Brasil, em conjunto com o Instituto Datafolha, sobre a percep\u00e7\u00e3o dos brasileiros sobre as desigualdades sociais. Esta \u00e9 a segunda pesquisa desse tipo realizada pela Oxfam Brasil (a primeira publicada em 2017) e tem como proposta abrir discuss\u00f5es sobre a import\u00e2ncia do papel do Estado no enfrentamento das desigualdades e contribuir para, a partir da percep\u00e7\u00e3o da sociedade, aprofundar o di\u00e1logo sobre a urg\u00eancia em se construir um Brasil mais justo e solid\u00e1rio.<\/p><p>Podemos ver um dos resultados da pesquisa no gr\u00e1fico acima: quando perguntados onde se localizam numa escala de 0 a 100, na qual 0 significa \u201cmuito pobre\u201d e 100 significa \u201cmuito rico\u201d, 85% dos brasileiros se colocam na metade mais pobre (0 a 50).<\/p><p>Segundo o relat\u00f3rio da Oxfam, \u201capesar de se tratar de uma oscila\u00e7\u00e3o positiva quando comparada aos n\u00edveis da primeira pesquisa de 2017 (na qual esse n\u00famero foi de 88%), ainda \u00e9 bastante distorcida a percep\u00e7\u00e3o da distribui\u00e7\u00e3o social. Al\u00e9m disso, o gr\u00e1fico nos mostra que as maiores varia\u00e7\u00f5es ocorreram nas \u201cextremidades\u201d: entre 2017 e 2019, caiu de 41% para 38% o contingente que se coloca entre 0 e 25, e subiu de 1% para 5% aqueles que se colocam entre 76 e 100. No geral, subiu de 12% para 16% aqueles que se colocam na metade mais rica do pa\u00eds.<\/p><p>A percep\u00e7\u00e3o de renda m\u00ednima para estar entre os 10% mais ricos tamb\u00e9m melhorou um pouco, mas continua bastante distante da realidade. Considerando os rendimentos individuais daqueles com algum rendimento, o valor m\u00ednimo para fazer parte dos 10% mais ricos do Brasil estava em 4,3 sal\u00e1rios m\u00ednimos em 20178 \u2013 R$ 4.290 em valores atuais. Ou seja, as pessoas n\u00e3o se d\u00e3o conta que com uma maioria da popula\u00e7\u00e3o na base da pir\u00e2mide e uma minoria concentrando renda, n\u00e3o \u00e9 preciso muito para estar no topo das faixas de renda nacional.<\/p><p>Apenas 19% dos respondentes declararam valores inferiores a R$ 5.000 para estar entre os 10% mais ricos \u2013 um aumento em rela\u00e7\u00e3o aos 15% que responderam o mesmo em 2017. Apesar disso, 65% dos respondentes acreditam que, para fazer parte do maior decil de renda, s\u00e3o necess\u00e1rios mais de R$ 5.000. Quase metade dos respondentes \u2013 49% \u2013 acham que o m\u00ednimo seria de R$ 20.000, quase cinco vezes mais do que a realidade. Vale dizer que o maior decil de renda apresenta uma grande desigualdade interna, indo de R$4.290,00 a milh\u00f5es de reais\u201d.<\/p><p>Somado a isso, \u00e9 curioso notarmos que entre os entrevistados com rendimento individual a partir de R$4.991,00 \u2013 e que, portanto, se encontram entre os 10% mais ricos do Brasil \u2013 70% afirmou achar estar entre os 50% mais pobres e apenas 7% considera estar entres os 25% mais ricos.<\/p><p>A pesquisa tamb\u00e9m abordou a percep\u00e7\u00e3o dos brasileiros quanto \u00e0 tributa\u00e7\u00e3o e \u00e0s pol\u00edticas sociais no pa\u00eds. Nesse aspecto, \u00e9 importante analisarmos o entendimento da parcela da popula\u00e7\u00e3o com rendimento individual acima de 5 sal\u00e1rios m\u00ednimos para entendermos como a falta de conhecimento do brasileiro sobre o pr\u00f3prio posicionamento na pir\u00e2mide de renda afeta a implementa\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas redistributivas no contexto nacional.<\/p><p>Vejamos: quando perguntado \u00e0 essa parcela sobre a concord\u00e2ncia com a afirma\u00e7\u00e3o de que \u201cos governos devem aumentar os impostos para garantir melhor educa\u00e7\u00e3o, mais sa\u00fade e mais moradia para os que precisam\u201d, apenas 17% responderam concordar totalmente ou parcialmente. Por\u00e9m, quando o mesmo p\u00fablico \u00e9 questionado se\u00a0 \u201co governo federal deve aumentar os impostos de pessoas muito ricas para garantir melhor educa\u00e7\u00e3o, mais sa\u00fade e mais moradia para os que precisam\u201d, o resultado \u00e9 bem diverso, com 76% de concord\u00e2ncia total ou parcial.<\/p><p>Essas distor\u00e7\u00f5es entre a percep\u00e7\u00e3o p\u00fablica e a realidade da distribui\u00e7\u00e3o de renda no Brasil, muito fundada na ideia de que \u201cos ricos s\u00e3o os outros\u201d, t\u00eam efeitos pol\u00edtico-econ\u00f4micos importantes, como nos mostra a economista Laura Carvalho em sua coluna \u201cA tribo perdedora\u201d, publicada na Folha de S. Paulo em abril deste ano. Segundo a autora, se aqueles que se encontram no topo da pir\u00e2mide da distribui\u00e7\u00e3o de renda se consideram classe m\u00e9dia, \u00e9 natural que resistam a aumentos nas al\u00edquotas de tributa\u00e7\u00e3o da renda e do patrim\u00f4nio, por exemplo. Dessa forma, a falta de conhecimento dessa parcela da popula\u00e7\u00e3o sobre sua posi\u00e7\u00e3o privilegiada contribui para que o Estado brasileiro permane\u00e7a agindo como vetor adicional da concentra\u00e7\u00e3o de renda, dificultando a redu\u00e7\u00e3o das desigualdades abissais em nosso pa\u00eds.<\/p><p style=\"text-align: right;\"><em>Esse e os demais resultados e an\u00e1lises da pesquisa encontram-se no relat\u00f3rio \u201cN\u00f3s e as Desigualdades\u201d, dispon\u00edvel em:<\/em> <a href=\"https:\/\/www.oxfam.org.br\/sites\/default\/files\/arquivos\/relatorio_nos_e_as_desigualdades_datafolha_2019.pdf\"><em>https:\/\/<\/em><\/a><a href=\"https:\/\/www.oxfam.org.br\/sites\/default\/files\/arquivos\/relatorio_nos_e_as_desigualdades_datafolha_2019.pdf\">www.oxfam.org.br\/sites\/default\/files\/arquivos\/relatorio_nos_e_as_desigualdades_datafolha_2019.pdf<\/a><\/p><p style=\"text-align: right;\"><em>A coluna \u201cA tribo perdedora\u201d, de Laura Carvalho, publicada na Folha de S. Paulo em 25\/04\/2019, est\u00e1 dispon\u00edvel em:<\/em> <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/colunas\/laura-carvalho\/2019\/04\/a-tribo-perdedora.shtml\">https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/colunas\/laura-carvalho\/2019\/04\/a-tribo-perdedora.shtml<\/a><\/p><p style=\"text-align: right;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <em>Autora: Lu\u00edsa Filizzola Costa Lima [graduanda em Administra\u00e7\u00e3o P\u00fablica na FJP], com coordena\u00e7\u00e3o de Bruno Lazzarotti Diniz Costa [professor e pesquisador \u2013 FJP]<\/em><\/p>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A percep\u00e7\u00e3o que os diferentes grupos t\u00eam sobre a estrutura social do pa\u00eds e sobre a posi\u00e7\u00e3o que cada um ocupa nela pode ter efeitos importantes sobre o apoio ou resist\u00eancia a medidas redistributivas, como impostos mais progressivos. 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