{"id":961,"date":"2020-04-13T15:30:34","date_gmt":"2020-04-13T15:30:34","guid":{"rendered":"https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/?p=961"},"modified":"2020-04-13T15:39:19","modified_gmt":"2020-04-13T15:39:19","slug":"extrema-pobreza-cresce-no-brasil-e-pode-aumentar-com-a-crise-do-coronavirus","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/?p=961","title":{"rendered":"Extrema pobreza cresce no Brasil e pode aumentar com a crise do Coronav\u00edrus"},"content":{"rendered":"\t\t<div data-elementor-type=\"wp-post\" data-elementor-id=\"961\" class=\"elementor elementor-961\">\n\t\t\t\t\t\t<section class=\"elementor-section elementor-top-section elementor-element elementor-element-2b892659 elementor-section-boxed elementor-section-height-default elementor-section-height-default\" data-id=\"2b892659\" data-element_type=\"section\" data-e-type=\"section\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-container elementor-column-gap-default\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-column elementor-col-100 elementor-top-column elementor-element elementor-element-3a772222\" data-id=\"3a772222\" data-element_type=\"column\" data-e-type=\"column\">\n\t\t\t<div class=\"elementor-widget-wrap elementor-element-populated\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-3168e344 elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"3168e344\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<p>\u00a0<\/p><p style=\"text-align: center;\"><strong>Gr\u00e1fico: N\u00famero de pessoas vivendo com menos de US$ 1,90, US$ 3,20 e US$ 5,50 di\u00e1rios &#8211; <\/strong><strong>Brasil (2001\/2018)<\/strong><\/p><p style=\"text-align: center;\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-963 size-full aligncenter\" src=\"http:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/grafico-postagem.jpg\" alt=\"\" width=\"458\" height=\"334\" srcset=\"https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/grafico-postagem.jpg 458w, https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/grafico-postagem-300x219.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 458px) 100vw, 458px\" \/>Fonte: Banco Mundial. Elabora\u00e7\u00e3o: Folha de S. Paulo (04\/04\/2020)<\/p><p>O Brasil apresentou, pelo quarto ano consecutivo (2014 a 2018), aumento no n\u00famero de pessoas em situa\u00e7\u00e3o de mis\u00e9ria, conforme dados do Banco Mundial publicados pela Folha de S. Paulo no dia 04 de abril deste ano. Entre os 15 pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina analisados, al\u00e9m do Brasil, apenas Equador, Honduras e Argentina amargaram piora no indicador no per\u00edodo.<\/p><p>O valor de US$ 1,90 di\u00e1rios <em>per capita<\/em> em Paridade de Poder de Compra \u2013 PPC \u00e9, atualmente, o limite estabelecido pelo Banco Mundial para a defini\u00e7\u00e3o da pobreza global, sendo indicado, portanto, como a linha de extrema pobreza ou mis\u00e9ria (cerca de R$ 150,00 mensais). O gr\u00e1fico acima mostra que o n\u00famero de pessoas vivendo nesta condi\u00e7\u00e3o passou de 9,25 milh\u00f5es, em 2017, para 9,3 milh\u00f5es, em 2018. Entre 2014 e 2018, o crescimento foi de 67% no Brasil.<\/p><p>O gr\u00e1fico tamb\u00e9m mostra a s\u00e9rie hist\u00f3rica brasileira para outros dois par\u00e2metros utilizados pelo Banco Mundial para delimita\u00e7\u00e3o da pobreza. Considerando uma renda individual inferior a US$ 3,20 por dia (cerca de R$ 253 mensais), que \u00e9 utilizada como linha de pobreza em pa\u00edses com rendimento m\u00e9dio-baixo, tamb\u00e9m houve uma piora no cen\u00e1rio brasileiro: em 2017, havia 19 milh\u00f5es de brasileiros vivendo abaixo dessa marca, e, em 2018, o n\u00famero subiu para 19,2 milh\u00f5es. Nesse caso, tamb\u00e9m foram registrados quatro anos seguidos de deteriora\u00e7\u00e3o e o crescimento entre 2014 e 2018 foi de 34%.<\/p><p>Por fim, em uma terceira m\u00e9trica \u2014 a de pessoas que recebem menos de US$ 5,50 por dia (renda de R$ 434 mensais)\u2014, usada pelo Banco Mundial para pa\u00edses com rendimento m\u00e9dio-alto, entre os quais se encontra o Brasil, a pobreza teve uma ligeira queda, marcando uma revers\u00e3o da tend\u00eancia de crescimento iniciada em 2015. A quantidade de pessoas vivendo abaixo dessa linha recuou de 42,3 milh\u00f5es para 41,7 milh\u00f5es, entre 2017 e 2018. Por\u00e9m, considerando o per\u00edodo entre 2014 e 2018, o aumento foi de 16%.<\/p><p>A diferen\u00e7a nas trajet\u00f3rias entre pobreza e mis\u00e9ria revela que os extremamente pobres foram ainda mais atingidos pela crise iniciada no segundo semestre de 2014 do que os pobres. Segundo Liliana Sousa, economista do Banco Mundial, \u201ch\u00e1 diferen\u00e7as importantes entre essas duas popula\u00e7\u00f5es. Entre os extremamente pobres, 40% vivem na zona rural, e s\u00f3 um ter\u00e7o dessas fam\u00edlias t\u00eam alguma renda do trabalho\u201d. J\u00e1 os que vivem com menos de US$ 5,50 por dia moram majoritariamente na zona urbana e 80% t\u00eam renda do trabalho, embora apenas 25% estejam empregados no setor formal.<\/p><p>Ainda, merece aten\u00e7\u00e3o especial os cortes no Programa Bolsa Fam\u00edlia. Em termos l\u00edquidos, cerca de 1,1 milh\u00f5es de fam\u00edlias foram desligadas do programa entre maio de 2019 e janeiro de 2020, acarretando no surgimento de uma fila que chegou recentemente a 1 milh\u00e3o de fam\u00edlias. O programa \u00e9 focalizado em crian\u00e7as e fam\u00edlias abaixo das linhas de extrema pobreza e pobreza, de forma que os cortes realizados levaram \u00e0 perda de bem-estar e ao crescimento no contingente de brasileiros em situa\u00e7\u00e3o de extrema vulnerabilidade social.<\/p><p>Mais recentemente, com a crise de sa\u00fade causada pela pandemia do novo Coronav\u00edrus, o risco \u00e9 que a mis\u00e9ria se aprofunde ainda mais e a pobreza no Brasil volte a aumentar. \u00a0Isso porque os mais pobres sofrem mais com a crise por serem mais dependentes do trabalho informal, para o qual n\u00e3o h\u00e1 a op\u00e7\u00e3o de <em>home office<\/em>, de forma que as medidas de distanciamento social implicam a falta de recursos imediatos. Tamb\u00e9m, o isolamento social passou a significar fome para muitas crian\u00e7as da periferia, acostumadas com at\u00e9 cinco refei\u00e7\u00f5es por dia na escola \u2014 hoje paralisadas devido \u00e0 quarentena. Al\u00e9m disso, as comunidades, aglomerados e favelas sofrem da falta de saneamento b\u00e1sico e moradias adequadas, o que dificulta o acesso \u00e0s medidas de higiene necess\u00e1rias para evitar a contamina\u00e7\u00e3o.<\/p><p>As medidas de\u00a0isolamento social, contudo, foram muito mais \u00e1geis que as a\u00e7\u00f5es de aux\u00edlio aos pobres no Brasil. As medidas anunciadas pelo governo para expandir o programa Bolsa Fam\u00edlia e garantir transfer\u00eancias diretas de renda para trabalhadores informais e aut\u00f4nomos s\u00e3o essenciais para garantir a sobreviv\u00eancia dos mais pobres durante a pandemia e ainda est\u00e3o sendo implementadas no pa\u00eds.<\/p><p>Al\u00e9m da extrema pobreza, a desigualdade de renda tamb\u00e9m cresceu em 2018 e, conforme apontam os especialistas, continuar\u00e1 a aumentar com a crise do Coronav\u00edrus, tendo em vista que os mais ricos n\u00e3o apenas sentem menos os efeitos da crise, mas tamb\u00e9m disp\u00f5em de capacidade de recupera\u00e7\u00e3o bem mais r\u00e1pida que os mais pobres<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a>.\u00a0 Assim, segundo analistas, a crise atual acentuar\u00e1 a discuss\u00e3o sobre a desigualdade de renda e a necessidade de ado\u00e7\u00e3o de mecanismos de prote\u00e7\u00e3o social aos mais pobres, considerando, principalmente, parte significativa da popula\u00e7\u00e3o que vive na informalidade, trabalho geralmente mais prec\u00e1rio e menos protegido.<\/p><p><em>\u00a0<\/em><\/p><p><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> Em outra oportunidade, comparamos os diferentes efeitos da crise econ\u00f4mica de 2015\/2016 para ricos e pobres, mostrando que os 10% mais ricos, no primeiro trimestre de 2019, j\u00e1 acumulavam um aumento de 3,3% de renda do trabalho, ou seja, al\u00e9m de superar as perdas, j\u00e1 ganhavam mais que antes da recess\u00e3o. Acesse esta publica\u00e7\u00e3o em: <a href=\"http:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/?p=666\">http:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/?p=666<\/a>.<\/p><p>\u00a0<\/p><p><strong><em>Fontes:<\/em><\/strong><\/p><p><em>Extrema pobreza aumenta e pode piorar com Coronav\u00edrus<\/em>. Publicada na Folha de S. Paulo em 04\/04\/2020. Dispon\u00edvel em:<\/p><p><a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/mercado\/2020\/04\/extrema-pobreza-aumenta-e-pode-piorar-com-coronavirus.shtml?utm_source=whatsapp&amp;utm_medium=social&amp;utm_campaign=compwa\">https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/mercado\/2020\/04\/extrema-pobreza-aumenta-e-pode-piorar-com-coronavirus.shtml?utm_source=whatsapp&amp;utm_medium=social&amp;utm_campaign=compwa<\/a><\/p><p><em>Quarentena em S\u00e3o Paulo reduz dieta de crian\u00e7as na periferia a arroz<\/em>. Publicada na Folha de S. Paulo em 05\/04\/2020. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/cotidiano\/2020\/04\/quarentena-em-sao-paulo-reduz-dieta-de-criancas-na-periferia-a-arroz.shtml\">https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/cotidiano\/2020\/04\/quarentena-em-sao-paulo-reduz-dieta-de-criancas-na-periferia-a-arroz.shtml<\/a><\/p><p>Os dados do Banco Mundial encontram-se dispon\u00edveis em: <a href=\"https:\/\/datos.bancomundial.org\/indicador\/SI.POV.GAPS?view=chart\">https:\/\/datos.bancomundial.org\/indicador\/SI.POV.GAPS?view=chart<\/a><\/p><p>\u00a0<\/p><p><em>Autora: Lu\u00edsa Filizzola, graduanda em Administra\u00e7\u00e3o P\u00fablica na Funda\u00e7\u00e3o Jo\u00e3o Pinheiro, sob a orienta\u00e7\u00e3o de Bruno Lazzarotti, pesquisador na Funda\u00e7\u00e3o Jo\u00e3o Pinheiro.<\/em><\/p><p>\u00a0<\/p>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Gr\u00e1fico: N\u00famero de pessoas vivendo com menos de US$ 1,90, US$ 3,20 e US$ 5,50 di\u00e1rios &#8211; Brasil (2001\/2018) Fonte: Banco Mundial. 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