{"id":992,"date":"2020-04-29T14:22:03","date_gmt":"2020-04-29T14:22:03","guid":{"rendered":"https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/?p=992"},"modified":"2020-04-29T14:29:45","modified_gmt":"2020-04-29T14:29:45","slug":"entre-a-intencao-e-o-gesto-desafios-para-a-educacao-durante-a-pandemia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/?p=992","title":{"rendered":"Entre a inten\u00e7\u00e3o e o gesto: desafios para a educa\u00e7\u00e3o durante a pandemia"},"content":{"rendered":"\t\t<div data-elementor-type=\"wp-post\" data-elementor-id=\"992\" class=\"elementor elementor-992\">\n\t\t\t\t\t\t<section class=\"elementor-section elementor-top-section elementor-element elementor-element-aee0724 elementor-section-boxed elementor-section-height-default elementor-section-height-default\" data-id=\"aee0724\" data-element_type=\"section\" data-e-type=\"section\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-container elementor-column-gap-default\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-column elementor-col-100 elementor-top-column elementor-element elementor-element-4efd18c\" data-id=\"4efd18c\" data-element_type=\"column\" data-e-type=\"column\">\n\t\t\t<div class=\"elementor-widget-wrap elementor-element-populated\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-3b91e9b elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"3b91e9b\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<p style=\"text-align: right;\">Victor Barcelos Ferreira*<\/p><p style=\"text-align: right;\">Bruno Lazzarotti Diniz Costa**<\/p><p style=\"text-align: right;\"><em>\u00a0<\/em><\/p><p style=\"text-align: right;\"><em>&#8220;Se trago as m\u00e3os distantes do meu peito<\/em><\/p><p style=\"text-align: right;\"><em>\u00c9 que h\u00e1 dist\u00e2ncia entre inten\u00e7\u00e3o e gesto&#8221;<\/em><\/p><p style=\"text-align: right;\"><em>\u00a0<\/em><\/p><p>Que atire a primeira pedra aquele que n\u00e3o foi nenhum pouco afetado por esta pandemia. Aquele que n\u00e3o est\u00e1 isolado, e, ao acordar hoje, sua rotina seja a mesma \u2013 ou pouco diferente, daquela praticada em qualquer dia \u00fatil do m\u00eas de janeiro.<\/p><p>Do Oiapoque ao Chu\u00ed, da Avenida Afonso Pena ao aglomerado da Serra, do boteco da esquina aos escrit\u00f3rios de qualquer conglomerado financeiro na Faria Lima. \u00c9 dif\u00edcil achar algu\u00e9m que n\u00e3o est\u00e1 se esfacelando para tentar se adaptar \u00e0 nova rotina, com isolamento domiciliar.<\/p><p>O coronav\u00edrus pode ser considerado democr\u00e1tico por n\u00e3o escolher a quem atinge, mas certamente impacta de distintas formas \u00e0s diferentes realidades sociais que prevalecem no Brasil. Uma das \u00e1reas mais afetadas foi a educa\u00e7\u00e3o, que tem quebrado a cabe\u00e7a de estudantes, professores, pais, diretores, secret\u00e1rios de educa\u00e7\u00e3o e pesquisadores para pensar em alguma estrat\u00e9gia para que as crian\u00e7as n\u00e3o deixem de aprender durante este per\u00edodo em casa, que j\u00e1 ultrapassa um m\u00eas e ainda tomar\u00e1 algum tempo.<\/p><p>Fato \u00e9 que, ainda que nada disso estivesse ocorrido no pa\u00eds, o Brasil j\u00e1 presenciava parcos resultados educacionais no \u00e2mbito nacional, tendo somente 56% das crian\u00e7as do 5\u00ba ano do Ensino Fundamental alcan\u00e7ado um n\u00edvel de aprendizado adequado em L\u00edngua Portuguesa, e apenas 44% dos estudantes, menos da metade, registraram desempenho adequado (1). No PISA \u2013 prova que mede o aprendizado em n\u00edvel global \u2013 apesar de uma tend\u00eancia de melhora desde o in\u00edcio dos anos 2000, o Brasil aparece em 57\u00ba lugar entre os pa\u00edses avaliados, no crit\u00e9rio de leitura, em 66\u00ba lugar no aprendizado de ci\u00eancias e em 70\u00ba no dom\u00ednio de matem\u00e1tica, segundo os \u00faltimos resultados, do ano de 2018 (2).<\/p><p>Ora, ainda que o pa\u00eds tenha avan\u00e7ado bastante nas \u00faltimas d\u00e9cadas no crit\u00e9rio do acesso \u00e0 educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica, forma\u00e7\u00e3o de professores e financiamento da educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica, os resultados demonstram que ainda h\u00e1 muito a fazer. E n\u00e3o seria mesmo de se esperar que, em um contexto em que economia e sa\u00fade dominam o debate p\u00fablico, houvesse uma brecha para que a educa\u00e7\u00e3o possa ser inserida como tema importante a ser deliberado na atual situa\u00e7\u00e3o, no cen\u00e1rio nacional.<\/p><p>O que prevalece ent\u00e3o s\u00e3o iniciativas difusas e fragmentadas pelo pa\u00eds, que variam de acordo com as prefer\u00eancias e prioridades pol\u00edticas, sejam estaduais ou municipais, e de acordo com a estrutura das redes p\u00fablicas e privadas. Defensores do uso da tecnologia como carro-chefe para remediar o problema em que a educa\u00e7\u00e3o encontra nesse momento de distanciamento social esbarram em um ponto fundamental: a desigualdade no acesso a estes recursos no Brasil.<\/p><p>Ainda que esse gargalo, em um cen\u00e1rio hipot\u00e9tico, pudesse ser transposto, h\u00e1 um fator que n\u00e3o pode ser menosprezado: a capacidade e disponibilidade dos pais para auxiliar nas atividades escolares durante esse per\u00edodo. Seja no dom\u00ednio das mat\u00e9rias que os filhos est\u00e3o estudando ou pela simples capacidade de buscar informa\u00e7\u00f5es sobre aquela disciplina em espec\u00edfico, ou at\u00e9 mesmo pela paci\u00eancia, e demonstra\u00e7\u00e3o de como \u00e9 importante que os filhos estudem, at\u00e9 o estabelecimento de hor\u00e1rios para que os filhos estudem, s\u00e3o atitudes que, ao fim e ao cabo, nem sempre os pais t\u00eam condi\u00e7\u00f5es ou disposi\u00e7\u00e3o para desempenhar, mas que ser\u00e3o determinantes para o desempenho educacional dos filhos durante a quarentena. Para esse conjunto de fatores, ser\u00e1 utilizada denomina\u00e7\u00e3o de capital social, formulada originalmente por Coleman e capital cultural, termo cunhado por Bourdieu, que, em suma, pode exprimir um dos aspectos pelos quais a fam\u00edlia pode deixar uma heran\u00e7a aos seus filhos, isto \u00e9, transmitindo a eles determinados \u201cc\u00f3digos\u201d para que possam ter conquistas na sociedade (3, 4).<\/p><p>Diante disso, este artigo tem o prop\u00f3sito de evidenciar como os aspectos infraestruturais e culturais est\u00e3o distribu\u00eddos de forma n\u00e3o uniforme pelo pa\u00eds, e, devido \u00e0 sua import\u00e2ncia para o aprendizado das crian\u00e7as nesse per\u00edodo de isolamento, podem ser determinantes para que as desigualdades educacionais se ampliem. Para o desenvolvimento desta an\u00e1lise, foram utilizados dados do Sistema de Avalia\u00e7\u00e3o da Educa\u00e7\u00e3o B\u00e1sica (SAEB), do ano de 2017.<\/p><p>No primeiro ponto h\u00e1 um aspecto fundamental que reside no centro da quest\u00e3o do isolamento: estar isolado \u00e9 estar em casa. E em que casa essas pessoas moram? Em que casas os estudantes brasileiros moram? No Brasil, a quest\u00e3o do d\u00e9ficit habitacional \u00e9 premente, e certamente impacta a vida dos estudantes no pa\u00eds. O Gr\u00e1fico 1 demonstra que muitos alunos ainda residem em casas com um s\u00f3 quarto para todos os moradores, ou que nem mesmo tem quarto para que possam dormir.<\/p><p style=\"text-align: center;\"><strong>Gr\u00e1fico 1 &#8211; Percentual de estudantes que moram em domic\u00edlios sem quarto ou com um s\u00f3 quarto, por rede de ensino<\/strong><\/p><p style=\"text-align: center;\"><em><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-995 size-full\" src=\"http:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/grafico-1-2.jpg\" alt=\"\" width=\"815\" height=\"496\" srcset=\"https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/grafico-1-2.jpg 815w, https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/grafico-1-2-300x183.jpg 300w, https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/grafico-1-2-768x467.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 815px) 100vw, 815px\" \/> <\/em><em style=\"font-size: 15px;\">Elabora\u00e7\u00e3o dos autores a partir de dados da Prova Brasil (2017)<\/em><\/p><p>Grande parte das an\u00e1lises que podem ser feitas deste gr\u00e1fico geram um cen\u00e1rio preocupante. Na regi\u00e3o Norte, chama aten\u00e7\u00e3o o elevado \u00edndice de estudantes da rede p\u00fablica que moram em im\u00f3veis sem quarto ou somente com um quarto, e, embora para os estudantes da rede privada, este indicador seja menor em quase 10 pontos percentuais, ainda assim, \u00e9 elevado em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s demais redes do pa\u00eds. Neste mesmo panorama, a regi\u00e3o Nordeste se enquadra, embora o percentual de crian\u00e7as da rede p\u00fablica seja menor, e, portanto, a diferen\u00e7a entre a rede p\u00fablica e privada, tamb\u00e9m seja menor. Ainda assim, nota-se que a quest\u00e3o infraestrutural \u00e9 um componente determinante para o desenvolvimento dos estudantes nesta regi\u00e3o, mas tamb\u00e9m para a qualidade de vida da popula\u00e7\u00e3o, como um todo, considerando o elevado n\u00famero de estudantes da educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica que residem no Nordeste.<\/p><p>Na regi\u00e3o Sudeste, o que chama aten\u00e7\u00e3o \u00e9 a diferen\u00e7a significativa que separa os estudantes da rede p\u00fablica e privada, que denuncia a desigualdade e segrega\u00e7\u00e3o educacional do pa\u00eds. Ou seja, n\u00e3o \u00e9 que a quest\u00e3o infraestrutural seja um problema para todos (como acontece na regi\u00e3o Norte e Nordeste), mas \u00e9 somente para os estudantes da rede p\u00fablica e, para estes, importa bastante. O mesmo tamb\u00e9m \u00e9 observado na regi\u00e3o Centro-Oeste, ainda que o problema seja mais brando nesta regi\u00e3o. J\u00e1 na regi\u00e3o Sul, o problema habitacional n\u00e3o parece ser determinante, o que, por outro lado, evidencia as desigualdades inter-regionais no Brasil.<\/p><p>Em complementariedade, h\u00e1 uma quest\u00e3o demogr\u00e1fica relativa ao tamanho das fam\u00edlias. Em termos pr\u00e1ticos, alguns estudantes, al\u00e9m de residirem e um im\u00f3vel pequeno, e sem estrutura, ainda vivem com uma fam\u00edlia grande, tornando o cen\u00e1rio ainda mais prec\u00e1rio. O Gr\u00e1fico 2 demonstra o percentual de estudantes que moram com mais de cinco pessoas (portanto, seis ou mais pessoas, contando com este).<\/p><p>Novamente, a regi\u00e3o Norte desponta com o maior percentual, tanto nas redes p\u00fablicas, quanto na rede privada, com um percentual de crian\u00e7as vivendo em domic\u00edlios com seis ou mais pessoas de 23,5% e 12,3%, respectivamente. Em seguida, as regi\u00f5es Nordeste e Centro-Oeste aparecem empatadas quanto ao indicador, na rede p\u00fablica, com aproximadamente 16% dos estudantes vivendo na situa\u00e7\u00e3o evidenciada. Por outro lado, na regi\u00e3o Sul, como no gr\u00e1fico anterior, esse problema parece n\u00e3o ser t\u00e3o evidente quanto nas demais regi\u00f5es, mas ainda assim, n\u00e3o se pode negligenciar a propor\u00e7\u00e3o de alunos da rede p\u00fablica nessa situa\u00e7\u00e3o.<\/p><p style=\"text-align: center;\"><strong>Gr\u00e1fico 2 &#8211; Percentual de estudantes que moram com mais de cinco pessoas em um domic\u00edlio<\/strong><\/p><p style=\"text-align: center;\"><em>\u00a0\u00a0\u00a0 <img decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-996 size-full\" src=\"http:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/grafico-2.jpg\" alt=\"\" width=\"840\" height=\"525\" srcset=\"https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/grafico-2.jpg 840w, https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/grafico-2-300x188.jpg 300w, https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/grafico-2-768x480.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 840px) 100vw, 840px\" \/> <\/em><em style=\"font-size: 15px;\">Elabora\u00e7\u00e3o dos autores a partir de dados da Prova Brasil (2017)<\/em><\/p><p>Nesse ponto, \u00e9 preciso ressaltar, que, para al\u00e9m de refletir apenas uma quest\u00e3o espacial, este indicador reflete pontos importantes a serem pensados quanto \u00e0 sua influ\u00eancia na educa\u00e7\u00e3o e no aprendizado das crian\u00e7as, em um contexto de isolamento. Morar em um im\u00f3vel com um quarto, ou mesmo sem quarto, leva-nos a questionar sobre quais outras quest\u00f5es infraestruturais estas fam\u00edlias tamb\u00e9m n\u00e3o est\u00e3o suscet\u00edveis, tais como: ser\u00e1 que possuem \u00e1gua encanada? Tratamento de esgoto? E quanto \u00e0 sua renda? Ser\u00e1 que t\u00eam o suficiente para garantir uma alimenta\u00e7\u00e3o saud\u00e1vel e adequada para as crian\u00e7as? Teriam um espa\u00e7o para que possam praticar alguma atividade f\u00edsica, ou algum esporte?<\/p><p>E tornando agravante o fato de que algumas dessas fam\u00edlias convivem com muitos habitantes em espa\u00e7os pequenos, estabelecer uma rotina adequada para estudos, em um local apropriado para os estudantes da fam\u00edlia pode ser uma tarefa herc\u00falea, principalmente se houver mais de um estudante no domic\u00edlio. \u00c9 preciso lembrar que o isolamento tem efeitos n\u00e3o s\u00f3 para os alunos, mas principalmente para os chefes de fam\u00edlia, que podem ter sua renda limitada ou cessada nesse per\u00edodo, e para as crian\u00e7as, que antes dispunham de alimenta\u00e7\u00e3o, atividades f\u00edsicas, culturais, esportivas, (e, no caso da creche, at\u00e9 o banho e a escova\u00e7\u00e3o dental) providas pela escola. Todos esses aspectos, dificilmente ser\u00e3o supridos em casa, em um ambiente de restri\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica e de delimita\u00e7\u00e3o da circula\u00e7\u00e3o entre as pessoas.<\/p><p>Chegado at\u00e9 aqui, nem foi mencionado o aspecto pr\u00e1tico que determina a implementa\u00e7\u00e3o das pol\u00edticas de ensino remoto. Indo direto ao ponto, a an\u00e1lise do Mapa 1 e do Mapa 2 permitir\u00e1 ter uma no\u00e7\u00e3o do acesso que os estudantes tem aos recursos tecnol\u00f3gicos. Desta forma, as figuras apresentam o percentual de alunos que n\u00e3o possuem computador em casa, nas redes p\u00fablicas e privadas, respectivamente, nos estados brasileiros. \u00c9 preciso refor\u00e7ar que n\u00e3o ter computador n\u00e3o significa, necessariamente, que n\u00e3o tenham acesso \u00e0 internet, tendo em vista que isso poderia ser suprido por um smartphone ou um tablet. Entretanto, pela base de dados n\u00e3o dispor exatamente de uma quest\u00e3o direcionada ao acesso \u00e0 internet, \u00e9 preciso entender essa quest\u00e3o como um demonstrativo de como o acesso aos recursos tecnol\u00f3gicos est\u00e3o distribu\u00eddos ao longo do pa\u00eds, observando, portanto, n\u00e3o somente ao n\u00edvel individual, mas como um agregado de todo um estado.<\/p><p><strong>\u00a0<\/strong><\/p><p style=\"text-align: center;\"><strong>Mapa 1 &#8211; Percentual de estudantes da rede p\u00fablica que n\u00e3o possuem computador em casa<\/strong><\/p><p><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-997 size-full\" src=\"http:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/mapa-1.jpg\" alt=\"\" width=\"545\" height=\"500\" srcset=\"https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/mapa-1.jpg 545w, https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/mapa-1-300x275.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 545px) 100vw, 545px\" \/><\/p><p style=\"text-align: center;\"><em>\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 Elabora\u00e7\u00e3o dos autores a partir de dados da Prova Brasil (2017)<\/em><\/p><p style=\"text-align: center;\"><strong>\u00a0Mapa 2- \u00a0Percentual de estudantes da rede privada que n\u00e3o possuem computador em casa<\/strong><\/p><p style=\"text-align: center;\"><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-998 size-full\" src=\"http:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/mapa-2.jpg\" alt=\"\" width=\"558\" height=\"505\" srcset=\"https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/mapa-2.jpg 558w, https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/mapa-2-300x272.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 558px) 100vw, 558px\" \/>\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 <\/em><em style=\"font-size: 15px;\">Elabora\u00e7\u00e3o dos autores a partir de dados da Prova Brasil (2017)<\/em><\/p><p>N\u00e3o seria preciso uma an\u00e1lise apurada para dizer que o acesso a tais recursos \u00e9 drasticamente diferente se comparado os alunos das redes p\u00fablicas com os das redes privadas e que, no caso da rede p\u00fablica, representa s\u00e9rio obst\u00e1culo ao ensino \u00e0 dist\u00e2ncia. Enquanto nas redes p\u00fablicas, 19 dos 27 estados est\u00e3o no estrato que reflete a menor condi\u00e7\u00e3o de acesso, isto \u00e9, em que mais de 30% dos estudantes n\u00e3o possuem computador em casa. Por outro lado, nas redes privadas, nenhum estado est\u00e1 nesse patamar. Pelo contr\u00e1rio, 12 estados refletem a melhor condi\u00e7\u00e3o de acesso dos alunos, em que somente um percentual inferior \u00e0 10% dos alunos possuem n\u00e3o possuem computador em casa. Destacam-se os estados de Minas Gerais, Mato Grosso do Sul e Goi\u00e1s, que constam no pior estrato na rede p\u00fablica, e no estrato mais elevado na rede privada, demonstrando a desigualdade intraestadual que assola os mesmos.<\/p><p>Ainda que se possa advogar que um percentual dos alunos que n\u00e3o tem computador pode, por sua vez, ter acesso \u00e0 internet de outras maneiras, \u00e9 tampouco cr\u00edvel que a distribui\u00e7\u00e3o de alunos que possuem acesso \u00e0 rede de outras maneiras seria totalmente distinto do que foi apresentado nos mapas. Principalmente, porque essa distribui\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m ocorre de forma heterog\u00eanea dentro dos pr\u00f3prios estados, como tamb\u00e9m nos munic\u00edpios; at\u00e9 mesmo dentro de uma mesma escola e uma mesma sala de aula, h\u00e1 alunos com diferentes condi\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas, o que influencia seu acesso aos recursos tecnol\u00f3gicos necess\u00e1rios para a implementa\u00e7\u00e3o, por exemplo, de um regime de ensino remoto via internet. Mesmo que eventualmente se tenha acesso \u00e0 internet por meio de smartphones, a) frequentemente este acesso n\u00e3o \u00e9 ilimitado e as fam\u00edlias s\u00f3 conseguem arcar com franquias mais restritas e b) a qualidade do acesso e das condi\u00e7\u00f5es para visualiza\u00e7\u00e3o e realiza\u00e7\u00e3o das tarefas escolares \u00e9 flagrantemente distinta caso se utilize um desktop ou notebook e um aparelho de dimens\u00f5es diminutas como um smartphone.<\/p><p>Neste ponto, o acesso \u00e0 televis\u00e3o tem sido veiculado como uma das possibilidades de levar o conhecimento e o aprendizado ao aluno atrav\u00e9s das redes de televis\u00e3o p\u00fablicas que j\u00e1 tem uma fun\u00e7\u00e3o educativa. Essa iniciativa j\u00e1 est\u00e1 sendo implementada no Distrito Federal, e tem sido defendida por alguns pesquisadores (5, 6). Se isto \u00e9 poss\u00edvel para capitais ou estados menores, para outros tamb\u00e9m \u00e9 insuficiente, j\u00e1 que o alcance das redes de televis\u00e3o estaduais e educativas \u00e9 geralmente muito limitado no interior e cidades mais afastadas dos grandes centros. De qualquer modo, o fato \u00e9 que, a despeito dos potenciais e dos desafios que envolvem esta implementa\u00e7\u00e3o, o acesso \u00e0 internet ainda constitui-se como um fator \u201ca mais\u201d para aqueles que dela disp\u00f5em. Ou seja, ainda que os alunos de uma mesma sala tenham acesso \u00e0 mesma aula pela televis\u00e3o, a riqueza de informa\u00e7\u00f5es adicionais, em termos de pesquisa, e de outras formas de aprendizagem, que est\u00e3o dispon\u00edveis na internet, possivelmente permitir\u00e3o melhores resultados em aprender esta mesma disciplina. Quando se pensa em uma escola inteira, em uma rede municipal de educa\u00e7\u00e3o e em um estado, estas disparidades ser\u00e3o um problema ainda maior.<\/p><p style=\"text-align: center;\">\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 &#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;-<\/p><p><span style=\"font-size: 15px;\">Prosseguindo para outra dimens\u00e3o da an\u00e1lise, \u00e9 preciso olhar tamb\u00e9m para a dimens\u00e3o familiar, no concernente \u00e0 sua bagagem escolar, \u00e1s suas pr\u00e1ticas e h\u00e1bitos. Retomando um valioso achado, constatado a partir do Relat\u00f3rio Coleman (1968), grande parte da diferen\u00e7a de desempenho no aprendizado dos alunos pode ser explicada pelas distintas bagagens, atitudes e incentivos familiares que cada um possui. (7)<\/span><\/p><p>Certamente, os fatores j\u00e1 analisados anteriormente dizem muito sobre a fam\u00edlia em si, uma vez que fam\u00edlias com rendas maiores ter\u00e3o maior condi\u00e7\u00e3o de habitar em domic\u00edlios com melhores instala\u00e7\u00f5es, tendem a ter menos filhos, e ter\u00e3o maiores possibilidades de acessar as tecnologias para favorecer o aprendizado. Ainda assim, h\u00e1 outros fatores determinantes, para que os pais possam contribuir para que seus filhos experimentem uma trajet\u00f3ria educacional bem sucedida: ensinando-os c\u00f3digos de conduta e h\u00e1bitos que lhe ser\u00e3o importantes, nos moldes em que o sistema educacional valoriza. Isso pode ocorrer quando os pais motivam os filhos a estudarem, interessam-se pela rotina escolar, matriculam em escolas de l\u00ednguas, os levam ao teatro, a exposi\u00e7\u00f5es art\u00edsticas, ao cinema, viajando, etc.<\/p><p>Fato \u00e9, que, para a maioria dos estudantes brasileiros, que est\u00e3o matriculados nas redes p\u00fablicas de ensino, grande parte desses fatores que permitiriam esta crian\u00e7a uma vida escolar exitosa s\u00e3o inacess\u00edveis, ou mesmo desconhecidos pelos pr\u00f3prios pais. Ainda assim, as fam\u00edlias que entendem que uma boa forma\u00e7\u00e3o \u00e9 um elemento importante para que os seus filhos possam sair de uma condi\u00e7\u00e3o de pobreza, j\u00e1 s\u00e3o fatores fundamentais para que a crian\u00e7a permane\u00e7a na escola, se dedique, e para que esses pais se esforcem em prover melhores condi\u00e7\u00f5es para o estudo dos filhos.<\/p><p>Portanto, analisar este aspecto \u00e9 fundamental para entender, no atual contexto de pandemia, que as crian\u00e7as que n\u00e3o possuem esse est\u00edmulo em casa, e que, porventura, poderiam encontr\u00e1-lo na escola, atrav\u00e9s dos professores e do pr\u00f3prio conv\u00edvio com os colegas, neste momento n\u00e3o o tem mais. Desse modo, o Gr\u00e1fico 3 explora esta dimens\u00e3o de an\u00e1lise, para entender quais s\u00e3o os n\u00edveis de capital cultural (ressaltando aqui que h\u00e1 claras limita\u00e7\u00f5es e dificuldades para estimar um \u201cestoque\u201d de capital cultural), entre os alunos no pa\u00eds, para que se possa dimensionar o quanto isso pode afetar no desempenho desses, durante esse per\u00edodo.<\/p><p style=\"text-align: center;\"><strong>Gr\u00e1fico 3 &#8211; Diferen\u00e7as no Capital Cultural entre estudantes da rede p\u00fablica e rede privada<\/strong><\/p><p><em><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-999 size-full\" src=\"http:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/grafico-3.jpg\" alt=\"\" width=\"669\" height=\"492\" srcset=\"https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/grafico-3.jpg 669w, https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/grafico-3-300x221.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 669px) 100vw, 669px\" \/><\/em><\/p><p style=\"text-align: center;\"><em>\u00a0Elabora\u00e7\u00e3o dos autores a partir de dados da Prova Brasil (2017)<\/em><\/p><p>Para mensurar o capital cultural dos alunos das redes p\u00fablicas e privadas, foi utilizado o percentual destes cujos pais (pai, m\u00e3e ou respons\u00e1vel) sabem ler, que o incentivam a estudar, e auxiliam no dever de casa. Al\u00e9m disso, foi considerado se o aluno l\u00ea livros frequentemente e se l\u00ea not\u00edcias na internet. No que diz respeito \u00e0s a\u00e7\u00f5es do pais, estas vari\u00e1veis t\u00eam a inten\u00e7\u00e3o de captar o quanto os pais est\u00e3o aptos e, al\u00e9m disso, empregam esfor\u00e7os para que seu filho tenha uma educa\u00e7\u00e3o melhor. Na dimens\u00e3o seguinte, as vari\u00e1veis que versam sobre o aluno, tentam medir poss\u00edveis efeitos desses esfor\u00e7os nos h\u00e1bitos dos alunos. Entende-se que quanto mais altos forem os percentuais de cada uma destas vari\u00e1veis, maiores ser\u00e3o as chances de iniciativas de ensino remoto conseguirem bons resultados no aprendizado das crian\u00e7as no per\u00edodo da pandemia. Al\u00e9m disso, quanto mais a vari\u00e1vel se aproxima de 1, isto \u00e9, de 100% dos alunos, maiores s\u00e3o as chances de que poss\u00edveis d\u00e9ficits no acesso a bens materiais (tais como os recursos tecnol\u00f3gicos, que j\u00e1 foi discutido aqui), n\u00e3o resultem em desigualdades entre os alunos de uma mesma rede, bem como entre as diferentes redes, compreendendo as escolas p\u00fablicas e privadas.<\/p><p>O fato \u00e9 que, ainda que gostar\u00edamos que estas condi\u00e7\u00f5es fossem as mesmas para todos os alunos, sabemos que por diversos motivos, isso n\u00e3o ocorre na pr\u00e1tica. Como observado no Gr\u00e1fico 3, a m\u00e9dia do capital cultural agregado, a partir das vari\u00e1veis descritas, est\u00e1 em torno de 3, de um total de 5 (total de 100%, ou 1, para 5 vari\u00e1veis distintas). Pode ser observado que, nas regi\u00f5es Nordeste, Norte e Sul, o capital cultural das redes privadas \u00e9 maior do que nas redes p\u00fablicas, sendo que na regi\u00e3o Sudeste, ocorre o inverso, e na regi\u00e3o Centro-Oeste, ambas praticamente coincidem em valor. O menor valor encontrado, na regi\u00e3o Nordeste para a rede p\u00fablica, necessita de um olhar mais apurado. O n\u00famero de crian\u00e7as com ambos os pais que n\u00e3o sabem ler ou escrever aproxima-se de 17% neste caso, sendo o maior valor entre todas as regi\u00f5es, considerando ambas as redes. Esse fator n\u00e3o exclui que esses pais entendam o valor do estudo para os seus filhos, e, em situa\u00e7\u00f5es normais, esforcem para que seus filhos sejam frequentes na escola (lembrando que a vincula\u00e7\u00e3o aos programas sociais auxilia nesse ponto \u2013 6). Por\u00e9m, com essas crian\u00e7as em casa, seja qual modalidade de ensino remoto que seja adotada, haver\u00e1 irremediavelmente a necessidade de um adulto para ajud\u00e1-las no desenvolvimento das atividades, e, portanto, nesse caso, tais crian\u00e7as podem ser prejudicadas no seu aprendizado.<\/p><p>Tamb\u00e9m \u00e9 interessante notar que nos fatores que denotam a motiva\u00e7\u00e3o que os pais passam para os filhos, n\u00e3o h\u00e1 uma diferen\u00e7a larga entre redes p\u00fablicas e privadas de uma mesma regi\u00e3o, e, apesar de haver uma varia\u00e7\u00e3o consider\u00e1vel entre as regi\u00f5es, n\u00e3o ultrapassa 9 pontos percentuais. Nessa linha, considerando aqui se os pais estimulam os filhos a estudar, e se os auxiliam com o dever de casa, em todas as regi\u00f5es, o percentual ultrapassa 70%. \u00c9 preciso considerar que em locais mais abastados, os percentuais podem variar, uma vez que as crian\u00e7as podem passar pouco tempo com os pais, o que pode refletir na resposta dos alunos \u2013 por exemplo, os pais podem n\u00e3o auxiliar o aluno no dever de casa, mas isso \u00e9 feito por outrem, como uma bab\u00e1, um professor particular ou uma trabalhadora dom\u00e9stica. Ainda assim, este percentual de crian\u00e7as \u2013 que est\u00e1 entre 20% e 30% &#8211; que n\u00e3o possuem tais est\u00edmulos podem comprometer o desempenho da modalidade de ensino remoto. Na aus\u00eancia de um acompanhamento adequado durante a quarentena, tais crian\u00e7as podem retornar \u00e0s aulas presenciais com um d\u00e9ficit elevado em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s demais, o que constituir\u00e1 um desafio significativo para os professores em conseguir lidar com esta disparidade na sala de aula.<\/p><p>Em outro aspecto, v\u00ea-se tamb\u00e9m que, em geral, as crian\u00e7as t\u00eam uma baixa autonomia em rela\u00e7\u00e3o a alguns h\u00e1bitos que podem estar relacionados com o estudo em ambiente remoto. O percentual de estudantes que l\u00ea livros frequentemente ou que acessa not\u00edcias na internet n\u00e3o ultrapassa 35%. Tais h\u00e1bitos poderiam facilitar a adapta\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as com o estudo em casa, com o acompanhamento das atividades que est\u00e3o sendo passadas \u2013 seja com material virtual ou f\u00edsico. Apesar destes indicadores refletirem somente um recorte espec\u00edfico de crian\u00e7as do 5\u00ba ano do Ensino Fundamental (em torno de 520 mil alunos), \u00e9 poss\u00edvel imaginar que estes indicadores n\u00e3o seriam muito diferentes para outras etapas de ensino, principalmente considerando crian\u00e7as menores, que tem, por sua vez, menor autonomia para desempenhar as atividades sozinhas. Desta maneira, a atua\u00e7\u00e3o dos pais, ou respons\u00e1veis, seria determinante para que as crian\u00e7as consigam manter um ritmo de aprendizado satisfat\u00f3rio nesse per\u00edodo, e, como j\u00e1 descrito, ainda que a maioria dos alunos encontra este amparo em casa, h\u00e1, por outro lado, um contingente significativo de alunos que n\u00e3o disp\u00f5e de incentivo dos pais para a realiza\u00e7\u00e3o das atividades escolares.<\/p><p>Encaminhando para o fim deste artigo, \u00e9 preciso estabelecer que em nenhuma circunst\u00e2ncia pretende-se apontar culpados pelos resultados aqui encontrados. Estamos em uma situa\u00e7\u00e3o totalmente at\u00edpica, que foi imprevis\u00edvel para todos os brasileiros, e que, portanto, poucos estariam preparados para o rearranjo de atividades e atribui\u00e7\u00f5es que precisou ser feito. No cen\u00e1rio que foi analisado, sabe-se que h\u00e1 uma estratifica\u00e7\u00e3o social que perdura h\u00e1 s\u00e9culos no pa\u00eds e que, em boa medida, se transmite para o contexto educacional. Nos casos citados em que algumas crian\u00e7as podem n\u00e3o encontrar em casa um ambiente adequado para o estudo, seja em rela\u00e7\u00e3o aos recursos financeiros, infraestruturais, psicol\u00f3gicos, emocionais, sociais ou culturais, n\u00e3o h\u00e1 nenhuma inten\u00e7\u00e3o de culpabilizar pais ou filhos por tais situa\u00e7\u00f5es. Ao inverso, o que se busca fazer aqui \u00e9 um diagn\u00f3stico da situa\u00e7\u00e3o atual, e de como qualquer estrat\u00e9gia governamental pensada para lidar com a educa\u00e7\u00e3o no per\u00edodo da pandemia, de maneira articulada e coordenada, precisa levar em considera\u00e7\u00e3o estes aspectos para que as desigualdades n\u00e3o se aprofundem ainda mais nesse per\u00edodo.<\/p><p>Diante dos gargalos encontrados aqui, chegado a este patamar do texto, ainda \u00e9 dif\u00edcil a tarefa de opinar ou julgar sobre quais estrat\u00e9gias seriam mais adequadas. O fato \u00e9 que, ainda que as a\u00e7\u00f5es governamentais que est\u00e3o sendo executadas, ou que ser\u00e3o implementadas nos pr\u00f3ximos dias, busquem atenuar ao m\u00e1ximo as desigualdades estruturais dos diferentes perfis de estudantes que possuem, ser\u00e1 extremamente dif\u00edcil contrabalance\u00e1-las efetivamente. \u00c9 preciso pensar al\u00e9m ent\u00e3o. Isto \u00e9, \u00e9 necess\u00e1rio planejar como lidar com tais desigualdades quando as aulas retornarem. Como os professores estar\u00e3o preparados para, dentro de uma mesma sala, lidar com alunos que passaram a quarentena estudando, e outros que sequer viram o material did\u00e1tico nesse per\u00edodo?<\/p><p>Para finalizar com uma centelha de esperan\u00e7a, em um momento em que tanto se fala em \u201cachatar a curva\u201d, \u00e9 preciso refor\u00e7ar que h\u00e1 uma curva que vem sendo bastante achatada nos \u00faltimos anos. Como pode-se observar no Gr\u00e1fico 4, a diferen\u00e7a entre a profici\u00eancia m\u00e9dia entre alunos da rede p\u00fablica e privada vem diminuindo significativamente. Mesmo com todos os constrangimentos e desigualdades, h\u00e1 de se acreditar que pol\u00edticas p\u00fablicas educacionais bem estruturadas podem conseguir bons resultados para que o direito \u00e0 educa\u00e7\u00e3o de qualidade seja cumprido para cada crian\u00e7a desse pa\u00eds.<\/p><p style=\"text-align: center;\"><strong>\u00a0Gr\u00e1fico 4 \u2013 Profici\u00eancia m\u00e9dia dos alunos na Prova Brasil, por depend\u00eancia administrativa \u2013 2005 a 2017<\/strong><\/p><p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-1000 size-full\" src=\"http:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/grafico-4.jpg\" alt=\"\" width=\"680\" height=\"417\" srcset=\"https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/grafico-4.jpg 680w, https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/grafico-4-300x184.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 680px) 100vw, 680px\" \/><\/p><p style=\"text-align: center;\"><em>\u00a0Elabora\u00e7\u00e3o dos autores a partir de dados da Prova Brasil (2017)<\/em><\/p><p style=\"text-align: center;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p><p><strong>Notas<\/strong><\/p><p>(1) <a href=\"https:\/\/www.qedu.org.br\/brasil\/aprendizado\">https:\/\/www.qedu.org.br\/brasil\/aprendizado<\/a> &#8211; Com dados da Prova Brasil, 2017<\/p><p>(2) <a href=\"http:\/\/portal.inep.gov.br\/web\/guest\/acoes-internacionais\/pisa\/resultados\">http:\/\/portal.inep.gov.br\/web\/guest\/acoes-internacionais\/pisa\/resultados<\/a><\/p><p>(3) BOURDIEU, P. Os tr\u00eas estados do capital cultural. In: NOGUEIRA, M. A.\u00a0<strong>Escritos de educa\u00e7\u00e3o<\/strong>. Petr\u00f3polis, RJ: Vozes, 1998, p. 71-79<\/p><p>(4) BOURDIEU, P.\u00a0<strong>Economia das trocas simb\u00f3licas<\/strong>. 5\u00aa ed. S\u00e3o Paulo: Ed. Perspectiva, 2001.<\/p><p>(5) <a href=\"https:\/\/jornalggn.com.br\/a-grande-crise\/ensino-publico-a-distancia-em-periodo-de-isolamento-social-como-minimizar-o-aumento-da-desigualdade-por-jorge-alexandre-neves\/\">https:\/\/jornalggn.com.br\/a-grande-crise\/ensino-publico-a-distancia-em-periodo-de-isolamento-social-como-minimizar-o-aumento-da-desigualdade-por-jorge-alexandre-neves\/<\/a><\/p><p>(6) <a href=\"https:\/\/www.correiobraziliense.com.br\/app\/noticia\/eu-estudante\/ensino_educacaobasica\/2020\/04\/14\/interna-educacaobasica-2019,844666\/teleaulas-estudantes-comentam-adaptacao-see-df-comemora-boa-adesao.shtml\">https:\/\/www.correiobraziliense.com.br\/app\/noticia\/eu-estudante\/ensino_educacaobasica\/2020\/04\/14\/interna-educacaobasica-2019,844666\/teleaulas-estudantes-comentam-adaptacao-see-df-comemora-boa-adesao.shtml<\/a><\/p><p>(7) COLEMAN, James S. Equality of educational opportunity.\u00a0<strong>Integrated Education<\/strong>, v. 6, n. 5, p. 19-28, 1968.<\/p><p><em>*\u00a0Bacharel em Ci\u00eancias Econ\u00f4micas e mestrando em Administra\u00e7\u00e3o P\u00fablica pela Funda\u00e7\u00e3o Jo\u00e3o Pinheiro<\/em><\/p><p><em>** Bacharel em Ci\u00eancias Sociais, mestre em Sociologia e doutor em Sociologia e Pol\u00edtica pela Universidade Federal de Minas Gerais. Atua como pesquisador na Funda\u00e7\u00e3o Jo\u00e3o Pinheiro.<\/em><\/p>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Victor Barcelos Ferreira* Bruno Lazzarotti Diniz Costa** \u00a0 &#8220;Se trago as m\u00e3os distantes do meu peito \u00c9 que h\u00e1 dist\u00e2ncia entre inten\u00e7\u00e3o e gesto&#8221; \u00a0 Que atire a primeira pedra aquele que n\u00e3o foi nenhum pouco afetado por esta pandemia. Aquele que n\u00e3o est\u00e1 isolado, e, ao acordar hoje, sua rotina seja a mesma \u2013 [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":995,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ocean_post_layout":"","ocean_both_sidebars_style":"","ocean_both_sidebars_content_width":0,"ocean_both_sidebars_sidebars_width":0,"ocean_sidebar":"0","ocean_second_sidebar":"0","ocean_disable_margins":"enable","ocean_add_body_class":"","ocean_shortcode_before_top_bar":"","ocean_shortcode_after_top_bar":"","ocean_shortcode_before_header":"","ocean_shortcode_after_header":"","ocean_has_shortcode":"","ocean_shortcode_after_title":"","ocean_shortcode_before_footer_widgets":"","ocean_shortcode_after_footer_widgets":"","ocean_shortcode_before_footer_bottom":"","ocean_shortcode_after_footer_bottom":"","ocean_display_top_bar":"default","ocean_display_header":"default","ocean_header_style":"","ocean_center_header_left_menu":"0","ocean_custom_header_template":"0","ocean_custom_logo":0,"ocean_custom_retina_logo":0,"ocean_custom_logo_max_width":0,"ocean_custom_logo_tablet_max_width":0,"ocean_custom_logo_mobile_max_width":0,"ocean_custom_logo_max_height":0,"ocean_custom_logo_tablet_max_height":0,"ocean_custom_logo_mobile_max_height":0,"ocean_header_custom_menu":"0","ocean_menu_typo_font_family":"0","ocean_menu_typo_font_subset":"","ocean_menu_typo_font_size":0,"ocean_menu_typo_font_size_tablet":0,"ocean_menu_typo_font_size_mobile":0,"ocean_menu_typo_font_size_unit":"px","ocean_menu_typo_font_weight":"","ocean_menu_typo_font_weight_tablet":"","ocean_menu_typo_font_weight_mobile":"","ocean_menu_typo_transform":"","ocean_menu_typo_transform_tablet":"","ocean_menu_typo_transform_mobile":"","ocean_menu_typo_line_height":0,"ocean_menu_typo_line_height_tablet":0,"ocean_menu_typo_line_height_mobile":0,"ocean_menu_typo_line_height_unit":"","ocean_menu_typo_spacing":0,"ocean_menu_typo_spacing_tablet":0,"ocean_menu_typo_spacing_mobile":0,"ocean_menu_typo_spacing_unit":"","ocean_menu_link_color":"","ocean_menu_link_color_hover":"","ocean_menu_link_color_active":"","ocean_menu_link_background":"","ocean_menu_link_hover_background":"","ocean_menu_link_active_background":"","ocean_menu_social_links_bg":"","ocean_menu_social_hover_links_bg":"","ocean_menu_social_links_color":"","ocean_menu_social_hover_links_color":"","ocean_disable_title":"default","ocean_disable_heading":"default","ocean_post_title":"","ocean_post_subheading":"","ocean_post_title_style":"","ocean_post_title_background_color":"","ocean_post_title_background":0,"ocean_post_title_bg_image_position":"","ocean_post_title_bg_image_attachment":"","ocean_post_title_bg_image_repeat":"","ocean_post_title_bg_image_size":"","ocean_post_title_height":0,"ocean_post_title_bg_overlay":0.5,"ocean_post_title_bg_overlay_color":"","ocean_disable_breadcrumbs":"default","ocean_breadcrumbs_color":"","ocean_breadcrumbs_separator_color":"","ocean_breadcrumbs_links_color":"","ocean_breadcrumbs_links_hover_color":"","ocean_display_footer_widgets":"default","ocean_display_footer_bottom":"default","ocean_custom_footer_template":"0","ocean_post_oembed":"","ocean_post_self_hosted_media":"","ocean_post_video_embed":"","ocean_link_format":"","ocean_link_format_target":"self","ocean_quote_format":"","ocean_quote_format_link":"post","ocean_gallery_link_images":"off","ocean_gallery_id":[],"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-992","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-analise","entry","has-media"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/992","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=992"}],"version-history":[{"count":6,"href":"https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/992\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1007,"href":"https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/992\/revisions\/1007"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/995"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=992"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=992"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/observatoriodesigualdades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