Vimos, recentemente, eclodir no Brasil uma grande discussão acerca do racismo, iniciada a partir das manifestações nos Estados Unidos impulsionadas pelo assassinato de George Floyd pela polícia norte-america. Contudo, é importante que o debate e a luta antirracistas se tornem pauta constante na nossa sociedade, ultrapassando os limites temporais e espaciais das postagens nas redes sociais. Para que isso ocorra, precisamos compreender que o racismo não está restrito apenas à violência física sofrida pelos negros: ele atua como um elemento estruturante da nossa sociedade, estando presente nas escolas, no mercado trabalho, no acesso à cultura e a serviços de saúde, além de rondar nossas próprias relações pessoais.

Contribuindo para este debate, neste mês, o Instituto de Pesquisa Locomotiva realizou um levantamento[1] para a Central Única das Favelas[2] sobre algumas das faces do racismo brasileiro, com destaque para a situação dos negros no mercado de trabalho[3]. Alguns dos resultados estão ilustrados abaixo.

Enquanto as pessoas que não são negras recebem, como renda média de todos os trabalhos, R$3.100,00, os negros recebem, em média, R$1.764,00, ou seja, 44% a menos. 

Enquanto os negros (pretos e pardos) constituem 56% da população brasileira, eles são apenas 32% nos cargos de chefia.

Parte dessa desigualdade no mercado de trabalho pode ser explicada pela desigualdade educacional dos negros em relação aos brancos: entre os jovens brancos de 18 a 24 anos, 79% se encontram cursando o ensino superior; já entre os jovens negros, apenas 55% encontram-se cursando o ensino superior (dados da Pnad Contínua 2018). 

Contudo, a desigualdade educacional não conta toda a história da injustiça contra os negros no mercado de trabalho brasileiro; há também uma engrenagem específica do mercado de trabalho no complexo maquinário da desigualdade brasileira. Assim, a disparidade salarial também se encontra entre indivíduos com o mesmo nível educacional (ensino superior completo): R$ 32,8 para brancos e R$ 22,7 para pretos ou pardos (dados da Pnad Contínua 2018).

Notas:

[1] Foram entrevistadas pessoas de todos os estados da federação e de todas as classes sociais.

[2] A CUFA (Central Única das Favelas) é uma organização brasileira reconhecida nacional e internacionalmente nos âmbitos político, social, esportivo e cultural que existe há 20 anos. Foi criada a partir da união entre jovens de várias favelas, principalmente negros, que buscavam espaços para expressarem suas atitudes, questionamentos ou simplesmente sua vontade de viver. Para saber mais sobre a organização, acesse: https://www.cufa.org.br/sobre.php.

[3] Pesquisa disponível em: https://pt.unesco.org/news/forum-data-favela-discute-em-webinarios-racismo-e-desigualdade-em-tempos-pandemia

Autores: Lucas Augusto de Lima Brandão e Luísa Filizzola Costa Lima [graduandos em Administração Pública pela Fundação João Pinheiro], sob a orientação de Bruno Lazzarotti [pesquisador na Fundação João Pinheiro].

Deixe uma resposta

Fechar Menu