O movimento LGBTQIA+ e suas identidades 

Stonewall Inn era apenas um bar onde havia grande concentração de pessoas LGBTQIA+ e shows de drag queens. No entanto, pela forma como a homossexualidade era vista na época, era constantemente vítima de batidas policias truculentas e violentas, e as pessoas que o frequentavam eram frequentemente agredidas e detidas pela polícia. Até que no dia 28 de junho de 1969, houve uma resposta coletiva, que ficou conhecida como rebelião de Stonewall, marco histórico dos movimentos sociais de luta pelos direitos dessa população. Para o  vice-coordenador do Programa de Pós-Graduação em Ciência Social (Antropologia Social) da FFLCH-USP, Júlio Simões (2023), o evento teve grande relevância cultural para a ascensão do orgulho LGBTQIA+ no Brasil durante os anos 70.

Imagem: Politize!

Quando tratamos do cenário brasileiro, por mais que ainda existam grandes demonstrações da opressão vivida por essa população, como a violência sofrida e a tentativa de institucionalização das terapias de conversão, é inegável que a luta de movimentos sociais resultou em avanços. Muitos desses, inclusive, foram consolidados pela Constituição de 1988, por mais que ainda seja necessária a luta constante pela materialização. 

Por outro lado, quando se trata da população LGBT+, é preciso levar em consideração, também, a grande diversidade de identidades de gênero e de orientação sexual incluídas no termo, resultando em diferentes níveis de vulnerabilidade e aceitação dentro da sociedade brasileira. Para isso, traremos uma breve apresentação da sigla: 

Fonte: Boletim 15 – Quem tem medo da diversidade?

Basicamente, dentro da comunidade, estão representadas tanto diferentes formas de orientação sexual (lésbicas, gays e bissexuais), que dizem respeito a com quem as pessoas se relacionam, romanticamente e sexualmente, quanto identidades de gênero (transexuais, travestis e queer), relacionadas à forma como se identificam, homem, mulher ou não binárie (não se identifica nem como mulher nem como homem). Já as pessoas intersexo são aquelas que nasceram com um sistema reprodutivo que difere do órgão genital.

Embora sejam constantemente tratados genericamente como vítimas da mesma opressão, as diferentes formas de se expressar o gênero e a sexualidade convivem com formas distintas de preconceito, discriminação e violência. Isso acontece, pois questionam normas sociais vigentes – e marcadas pelo machismo e dominação patriarcal – de diferentes formas e em diferentes graus (Observatório das Desigualdades, 2022).


Aceitação à população LGBTQIA+

Diante desse cenário, o Boletim 15 do Observatório das Desigualdades apresentou e discutiu o resultado de pesquisas que tentaram avaliar a trajetória recente da aceitação à população LGBTQIA+ em diferentes países, entre seus resultados é importante destacar: a tendência de polarização, a relação entre políticas de inclusão e respeito à diversidade e a aceitação nos diferentes grupos sociais.

Quando se trata da tendência de polarização, ou seja, propensão de extremização dos posicionamentos, pode se dizer que se trata de um um dado bem alarmante nos países desfavoráveis. De acordo com uma análise conduzida pelo Williams Institute, que avaliou dados de mais de 174 países entre 2000 e 2017, que leva em consideração toda a população LGBT, é possível concluir que países onde o índice de aceitação já era alta, ela cresceu (Holanda, Finlândia, Suécia, Islândia, Canadá), onde era média se manteve estável (China) e onde era baixa, diminuiu ainda mais (Somália, Azerbaijão, Senegal, Irã). Quando se trata do caso brasileiro, observa-se uma aceitação crescente, porém em um ritmo menor, se comparado ao dos países do primeiro grupo.

Fonte: Williams Institute apud Observatório das Desigualdades, 2022

 Essa situação escancara a característica institucional da opressão à população LGBTQIA+. Diante da necessidade de se enfrentar características de gênero fortemente enraizadas na sociedade para transformar tal realidade, ela adquire um caráter inercial.

Quando se trata da relação entre políticas de inclusão e respeito à diversidade é possível notar uma relação de dupla correlação. Ao mesmo tempo em que as ações afirmativas possuem o potencial de transformar a visão de uma sociedade, elas somente se viabilizam em um ambiente de aceitação mínima à sua execução.

Já em relação à aceitação LGBTQIA+ nos diferentes grupos sociais,  uma pesquisa trazida pelo World Values Survey, que leva em consideração apenas as populações homossexuais, é extremamente valiosa para entender as facetas da homofobia, como alguns grupos sociais apresentam relação com a aceitação LGB, outros não, ajudando também a entender as origens da discriminação. Por mais que diversas populações não estejam incluídas na pesquisa, é possível tirar conclusões relevantes sobre a homofobia de maneira geral, as quais, muito provavelmente, se aplicam, em maior ou menor grau, também a transgêneros, intersexos e outras identidades..

Gráfico 2: aceitação LGB x sexo

Fonte: World Values Survey apud Observatório das Desigualdades, 2022

Gráfico 3: Aceitação de pessoas LGB x Reação à afirmativa: ‘Homens são líderes políticos melhores que mulheres’

Fonte: World Values Survey apud Observatório das Desigualdades, 2022

Por meio da análise do gráfico, é possível perceber uma aceitação consideravelmente menor dos homens, em relação às mulheres. Não se trata de um resultado inesperado, uma vez que o rompimento de padrões de gênero são bem menos aceitos por esse grupo, que deles obtêm poder e prestígio, uma clara expressão do patriarcalismo.

 Torna-se explícita, então, a relação do machismo com a homofobia. A ideologia patriarcal se baseia em dois pilares: a rigidez dos papéis de gênero e a supremacia do masculino em detrimento do feminino; ora,  as identidades LGB são uma clara afronta a esses princípios. Ao analisar a reação das pessoas à frase “Homens são líderes políticos melhores que mulheres” junto à aceitação LGB, essa relação se torna ainda mais explícita. Claramente, pessoas com uma visão machista e patriarcal, possuem maior propensão à discriminção baseada na orientação sexual.

Gráfico 4: Aceitação LGB x idade

Fonte: World Values Survey apud Observatório das Desigualdades, 2022

Quando se trata da aceitação LGB x idade, há uma relação bem clara: quanto mais jovem, menor é a propensão a discriminar homossexuais. Isso evidencia que, apesar das forças de resistência à diversidade, avanços vêm sendo feitos na redução do preconceito.

Gráfico 4: Aceitação LGB x escolaridade

Fonte: Words Values Survey apud Observatório das Desigualdades, 2022

Gráfico 4: Aceitação LGB x renda

Fonte: World Values Survey apud Observatório das Desigualdades, 2022

Fazendo uma análise conjunta desses dois gráficos, é possível perceber que a escolaridade possui uma maior relação com a aceitação à população LGB que a renda. Embora a classe média possua uma aceitação baixa menor que as classes alta e baixa, não é possível estabelecer uma relação nem direta, nem inversa. Já a escolaridade possui uma relação bem mais perceptível, o que talvez explique, ao menos em parte, porque a educação, em geral, e os professores, em particular, constituam, em toda parte, alvos preferenciais de movimentos, lideranças e governos reacionários. 

Gráfico 4: Aceitação LGB x grupo religioso declarado

Fonte: World Values Survey apud Observatório das Desigualdades, 2022

Quando se trata do grupo religioso também é possível notar uma relação clara. De maneira geral, pessoas que afirmam não possuir religião e religiosos não cristãos possuem uma aceitação consideravelmente mais alta. Além disso, os protestantes apresentam um nível de baixa aceitação que se destaca inclusive quando comparada à aceitação dos católicos. Esse dado se mostra especialmente alarmante no contexto brasileiro, uma vez que os grupos neopentecostais estão crescendo e se fundamentalizando cada vez mais (Observatório das Desigualdades, 2022). 

Quanto a este ponto, é preciso ter claro que não há nada intrinsecamente reacionário ou discriminatório na crença religiosa e tampouco no cristianismo. Há inúmeros exemplos de grandes avanços, em termos liberdades, respeito e justiça social, liderados por pessoas e grupos inspirados por valores e convicções religiosas. A questão é quando se combinam interpretações morais das religiões muito conservadoras com uma disposição de impô-las a toda uma sociedade e não apenas aos próprios membros da comunidade religiosa. É esta combinação que caracteriza o fundamentalismo religioso, este sim, um risco para a sustentabilidade de uma sociedade livre e plural.


Saúde LGBTQIA+ (lésbicas, bissexuais e transexuais)

Outro ponto importante a ser trazido para a discussão, já debatido pelo Observatório das Desigualdades em: https://observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br/?p=3082, são as políticas de saúde à população LGBTQIA+. Historicamente, no Brasil, a trajetória das ações do Estado foi marcada pela persistência da associação da AIDS com a comunidade, em um movimento de punição e responsabilização (Laurentino 2015 apud Observatório das Desigualdades, 2023). Essa trajetória só foi alterada no Governo Lula I, pela criação  do programa Brasil sem Homofobia e a criação de um comitê especializado na população LGBT+ dentro do Ministério da Saúde. Ainda no governo Lula, em 2010 foi criada a Política Nacional de Saúde Integral de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (PNSI LGBT), um marco no reconhecimento da discriminação e violência que limitam o acesso dessas pessoas ao serviço de saúde efetivando uma verdadeira política nacional (Observatório das Desigualdades, 2023).

Para apresentar essa realidade, nesse post, levando em consideração a grande diversidade de identidades dentro da comunidade, serão feitos dois recortes: um deles considerará as mulheres lésbicas e bissexuais. Já o outro apresentará aspectos das vulnerabilidades sociais da população transexual

Conforme já foi apresentado pelo Observatório das Desigualdades (2023), as mulheres lésbicas e bissexuais são fortemente impactadas pela heteronormatividade do atendimento de saúde. Muitas vezes, a própria revelação da sexualidade, visando um tratamento específico, pode ser um momento de violência e constrangimento a depender da forma como o profissional de saúde lida com a situação. Ainda nessa perspectiva, a ausência de atendimento específico também se faz muito recorrente, a falta de conhecimento sobre necessidades específicas das mulheres que se relacionam com mulheres, muitas vezes são recomendados tratamentos imprecisos e impertinentes, como testes de gravidez e anticoncepcional para pacientes lésbicas

Além disso, quando se trata das mulheres bissexuais, há uma clara invisibilização dessa sexualidade. Em uma sociedade com valores machistas e patriarcais tão enraizados, a heterossexualidade é tratada como comportamento adequado, sendo assim, muitas delas preferem se referir em um contexto de atendimento como heterossexuais. 

No que tange ao acesso à saúde da população transexual, Oliveira e Sprung (2022), por meio da revisão de 34 artigos publicados entre 2008 e 2021, elencaram dificuldades principais. Dentre elas estão: 

  1. Preconceito e despreparo dos profissionais de saúde: muitos profissionais carecem de formação adequada sobre diversidade de gênero, o que resulta em atitudes discriminatórias, tratamento desrespeitoso e despreparo técnico para lidar com demandas específicas da população trans.
  2. Resistência ao uso do nome social e pronomes corretos: mesmo com normativas que garantem o uso do nome social, há resistência por parte de instituições e servidores, o que causa constrangimento, desrespeito e afasta a população trans dos serviços de saúde.
  3. Patologização da transexualidade: a manutenção de práticas médicas que tratam a transexualidade como doença ou desvio reforça o estigma e dificulta a busca por cuidados. Esse enquadramento compromete o atendimento humanizado e baseado em direitos. Somente em 2019, a OMS parou de considerar a transexualidade um transtorno da mente ou uma condição de gênero. Por se tratar de uma mudança tão recente, é de se imaginar que existam resquícios de marginalização e discriminação decorrentes da patologização até os dias de hoje. 
  4. Centralização e morosidade do processo transexualizador: o acesso a procedimentos como hormonização ou cirurgias é limitado a poucos centros no país, com longas filas de espera. Isso gera exclusão e sofrimento, especialmente para quem vive fora dos grandes centros urbanos.
  5. Vulnerabilidade à automedicação e à clandestinidade: diante da lentidão e da falta de acolhimento nos serviços públicos, consequência da patologização da transexualidade, muitas pessoas trans recorrem à automedicação com hormônios e a procedimentos estéticos clandestinos, o que representa sérios riscos à saúde.


Violência contra a população LGBTQIA+ no Brasil:

Conforme dados do Observatório de Mortes e Violências LGBTI+ no Brasil, apresentados pelo Observatório das Desigualdades em 2024, o Brasil apresenta uma realidade bastante preocupante quando se trata da proteção dessa população:

Gráfico 5: Mortes violentas de LGBTQ+ no Brasil

Fonte: Observatório de Mortes e Violências LGBTI+ no Brasil apud Observatório das Desigualdades (2024)

Quando se trata do número de mortes violentas, apesar de haver uma tendência de diminuição a partir de 2019, há um aumento significativo em todo o período analisado, suficiente para tornar o Brasil o país mais violento para a população LGBTQIA+ em todo o planeta. Dentre os grupos mais afetados pela violência, os travestis e as mulheres trans são vítimas de 61,7% (142 mortes), um resultado claro da marginalização sofrida por esse grupo. A segunda maior parte, está representada pelos homens gays, com 25,7% (59 mortes). Juntos, esses dois grupos representam quase a totalidade das mortes violentas LGBTQIA+, o que, obviamente, não significa que outros grupos não estejam sujeitos à violência.

Outros recortes apresentados pela pesquisa apresentam conclusões que ajudam a entender as facetas da vulnerabilidade LGBTQIA+ no Brasil, estabelecendo uma análise por faixa etária, a maioria das mortes se enquadram entre os 20 e os 39 anos. Tal estatística nos ajuda a compreender a baixa expectativa de vida de grupos da comunidade. Já do ponto de vista étnico, os dados não apresentaram uma correlação relevante para compreensão da realidade.

Gráfico 6: Raça e etinia das pessoas LGBT+ vítimas de mortes violentas 

Fonte: Observatório de Mortes e Violências LGBTI+ no Brasil apud Observatório das Desigualdades (2024)


Diversidade e Modernização

A transição de uma sociedade tradicional para uma sociedade pluralista envolve profundas transformações nos modos de viver, pensar e conviver. Nas sociedades tradicionais, as formas de expressão da identidade eram rigidamente limitadas. Qualquer tentativa de romper com papéis sociais pré-estabelecidos – especialmente relacionados a gênero, sexualidade ou raça – era frequentemente recebida com reações dramáticas, muitas vezes violentas. A identidade, nesses contextos, era algo imposto, e não escolhido.

Com o avanço da modernização, multiplicam-se as formas legítimas de ser e estar no mundo. As identidades tornam-se mais fluídas, e fatores como origem social, gênero e orientação sexual passam, teoricamente, a ter menos peso na determinação dos destinos individuais. No entanto, enquanto esses fatores ainda forem decisivos na forma como as oportunidades são distribuídas, a ideia de meritocracia permanece uma falácia. O discurso do mérito ignora as desigualdades estruturais que continuam a marginalizar determinadas identidades e grupos sociais.

A sociedade pluralista moderna propõe um ideal mais inclusivo: cada indivíduo é autor de si mesmo. Como afirmou Hannah Arendt, a pluralidade humana é uma condição fundamental da vida em comum. Se as pessoas não têm liberdade para questionar os papéis sociais atribuídos, para reinterpretar suas identidades e construir novos modos de existência, não há, de fato, pluralidade. A liberdade para assumir diferentes identidades e papéis sociais é uma condição essencial para a autonomia individual e para o pleno exercício da cidadania.

Isso não significa, porém, aderir a uma noção de “tábula rasa“, como se os indivíduos nascessem sem valores ou referências culturais. Ao contrário, os valores sempre existiram e seguirão existindo. O que se exige da modernização é a criação de espaços para o distanciamento reflexivo: a possibilidade de repensar esses valores, de avaliá-los criticamente e de substituí-los quando não mais servem ao bem comum.

A diversidade, portanto, não é apenas uma característica a ser tolerada, mas uma dimensão vital da democracia. Promover a diversidade é também fortalecer a democracia e a modernidade – ambas fundadas na ideia de que a liberdade, a igualdade e o reconhecimento devem ser garantidos a todos, independentemente da identidade que escolham viver (Observatório das Desigualdades, 2022).


Quem tem medo da diversidade?

A partir da visão da formação de novas identidades sexuais e de gênero como consequência da modernização social, é possível entender a origem das forças de resistência ao movimento de aceitação à comunidade LGBTQIA+ instaurado nos últimos anos. Por mais que isso não se justifique de maneira alguma eticamente, a vivência na sociedade brasileira, tanto de pessoas que fazem parte da comunidade, quanto de pessoas cis heterossexuais, é possível perceber a homofobia como um preconceito aceitável no Brasil. Em uma sociedade que, por mais que seja racista estruturalmente, está constantemente escandalizada com casos de racismo nacionais e internacionais, a discriminação a pessoas gays, bis, lésbicas, transexuais, entre outros, parece ser vista como piada em diversas situações. 

Primeiramente, é preciso levar em consideração a institucionalização de valores na sociedade. A divisão sexual do trabalho e os papéis rigorosos de gênero estão tão fortemente engendrados na cultura nacional que, frequentemente, são percebidos como naturais, como se fossem características inatas da natureza humana. Isso revela o quanto o conservadorismo social opera por meio da naturalização da desigualdade, silenciando a possibilidade de alternativas.

Com o avanço da modernização, se inicia o questionamento desses valores consolidados, multiplicam-se as formas legítimas de ser e estar no mundo. As identidades tornam-se mais fluídas, e fatores como origem social, gênero e orientação sexual passam, teoricamente, a ter menos peso na determinação dos destinos individuais. 

Neste cenário, o fundamentalismo surge como um foco de resistência ao processo de modernização. Não se trata de um problema com a religião em si, mas com o fundamentalismo – uma resposta reativa, emocional e reacionária às mudanças sociais. O fundamentalismo se fortalece em meio ao enfraquecimento de tradições e é, paradoxalmente, um fenômeno moderno: utiliza meios tecnológicos de comunicação, mobiliza massas e busca impor uma visão moral única à sociedade.

No Brasil, o fundamentalismo religioso – muitas vezes instrumentalizado por lideranças neopentecostais – tem sido explorado como capital político, fomentando uma polarização que fortalece o que alguns autores chamam de “fascismo social”: um ambiente hostil à diferença, avesso ao diálogo e à concessão, e guiado mais pela lealdade ideológica do que pela razão ou pelos fatos. Essa resistência se expressa tanto em um fundamentalismo de isolamento (sectário), quanto em um fundamentalismo de conquista – aquele que tenta impor suas crenças aos demais.

A oposição à diversidade sexual e de gênero muitas vezes recorre à criação de “espantalhos” morais, como o “kit gay” e a “mamadeira erótica” – estratégias retóricas que visam gerar pânico moral e desinformação. Esses discursos não apenas deformam as propostas de inclusão, como também revelam o quanto o avanço dos direitos LGBTQIA+ incomoda setores que se beneficiam da manutenção da ordem tradicional.

Paradoxalmente, a existência e a virulência da oposição fundamentalista são, em si, provas de que avanços foram conquistados. Afinal, o medo e a reação exacerbada só surgem quando uma transformação social começa a ameaçar privilégios e estruturas consolidadas. “Mesmo diante de uma ressaca ultraconservadora avançamos, e por mais que a resistência coloque um peso ainda maior nessa luta, ela é possível de deve ser de todes!” (Observatório das Desigualdades, 2022, p.26). 






Referências Bibliográficas

Dia Internacional do Orgulho LGBTQ+: Obstáculos à efetivação do direito de mulheres lésbicas e bissexuais à saúde – Observatório das Desigualdades. Disponível em: <https://observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br/?p=3082>. Acesso em: 30 abr. 2025.

‌Infográfico: Violência contra a população LGBTQ+ no Brasil – Observatório das Desigualdades. Disponível em: <https://observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br/?p=3883>. Acesso em: 30 abr. 2025.

‌Oliveira JP, Sprung LS. Barreiras para o acesso à saúde pública da população trans no Brasil: uma revisão narrativa. Femina. 2022;50(9):560-7.

QUEM TEM MEDO DA DIVERSIDADE? . [s.l: s.n.]. Disponível em: <https://observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br/wp-content/uploads/2022/04/Boletim-15-Quem-tem-medo-da-diversidade_.docx-1.pdf>. Acesso em: 30 abr. 2025.

SOUTO, Astral. Revolta de Stonewall. Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo, 28 jun. 2023. Disponível em: . Acesso em: 30 abr. 2025.

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